Marina de La Riva (Foto: Costa Neto/ Divulgação)

In Pernambuco, we trust
Por Paulo Floro. Fotos Costa Neto/ Divulgação

Com cara de ressaca após a passagem do bloco Quanta Ladeira, o Rec-Beat começou seus trabalhos “latinos”, uma das propostas do festival esse ano. A cantora Marina De La Riva, uma das novas cantoras a se destacar no cenário pop recente surpreendeu no quesito irreverência, mas quem esperava conhecer algo novo entre as vozes femininas atualmente em atividade teve que se contentar com – que original! – frevo e marchas de carnaval. Se Marina era aguardada e não fez muito, o Móveis Coloniais de Acajú fez o melhor show do dia. Banda segura, criativa e com algo novo a apresentar.

A pernambucana Isaar iniciou o primeiro show com delicadeza e vitalidade, marca de seu último disco Azul Claro, lançado ano passado. Cantando ritmos populares como o reizado em pleno Carnaval, Isaar tinha o jogo ganho. Mas, quem descontou a vibe momesca pôde encontrar uma artista ousada, que consegue impor sua marca em ritmos tradicionais, de onde bebe inspiração. Destaque para “Azul Claro” e “Satuba”, do primeiro disco do Mestre Ambrósio.

Na mesma linha, a Orquestra Contemporânea de Olinda trouxe mais carnaval. Não há como repreender uma atração como essa. O público respondia bem a qualquer ritmo que fosse: samba, frevo, pé de serra. Com a mesma proposta da Orquestra, o Carnaval do Recife estava cheio, mas a banda fez uma apresentação bonita. Quem não se emociona com Pixinguinha num domingo de Carnaval?

“Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim” foi o mantra da cantora Marina De La Riva. Chegou desconhecida, mas logo aplicou golpes baixos para conquistar a platéia. Sua presença tomava o palco todo, fazia performances, fazia graça para jornalistas no fosso, contava histórias. Tentava a todo tempo relacionar seu passado com algum detalhe de Pernambuco. No início, parecia o comum – e já clichê – costume de seduzir a platéia enaltecendo a cidade. Mais adiante, se tornou algo constrangedor. “Minha gente, (fazendo sotaque nordestino) queria que vocês pudessem ouvir o barulho do meu coração”. O ápice foi cantar o hino de Pernambuco. “Até o hino de vocês é lindo”, babou. A platéia, animada cantou as conhecidas “Tin Tin Deo”, “Mariposa” e “La Caminadora”, todas presentes em seu disco homônimo lançado ano passado.

O boTECOeletro fez as vezes de esquisito da noite. Demorou para todos entenderem a apresentação, por isso muito gente se dispersou pelo Recife Antigo. Algumas pessoas – e até mesmo a Rua da Moeda, onde um telão exibia os shows do Rec-Beat – dançaram as batidas eletrônicas da banda, até a própria dar sinais de cansaço e mandar uma versão de “Rios, Pontes e Overdrives”.

Móveis Coloniais de Acajú (Foto: Costa Neto/ Divulgação)

Num dia de atrações tão irregulares, o Móveis Coloniais de Acaju chegou como uma catarse. E pareciam ter muitos fãs na cidade. Cada música era muito bem recebida, até as inéditas, a serem lançadas este ano no segundo e aguardado disco. O Movéis é uma das bandas indies mais celebradas no país. Seu público é tão largo que consegue cativar até quem não é muito propenso a novidades. Com presença de palco e um som encorpado e cheio de metais, com certeza o Móveis saiu do Rec-Beat com novos fãs. É uma experiência única no indie brazuca assistir o show dos brasilienses.

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