SÍNDROME DE PETER PAN REVISITADA
Ratatouille, novo filme da Pixar, abandona a tradição infantil de brinquedos e insetos para mergulhar na refinada cozinha francesa
Por Fernando de Albuquerque

Não pode haver ambiente mais hostil para um rato que a cozinha de um restaurante. Isso se pensarmos na quantidade de objetos cortantes e mesmo nas detetizações constantes. Ainda mais se o restaurante em questão já tiver sido um dos mais bem cotados de Paris. Mas Remy, o protagonista de Ratatouille, a nova animação da Disney/Pixar, não é um rato qualquer. É um roedor com alma de gourmet, de olfato apurado e paladar verdadeiramente aguçado, que está cansado de roubar restos de comida dos humanos e que sabe diferenciar um “tomme de chèvre” de um queijo mais comum. O filme é dirigido por Brad Bird (“Os Incríveis”).

Ratatouille (pronuncia-se “ratatui”, referindo-se ao guisado de legumes como beringela, abobrinha, tomate e cebola) chegou na última sexta depois de ficar em primeiro lugar nas bilheterias americanas. A arrecadação de US$ 47,2 milhões, inferior a desenhos anteriores, foi considerada um bom resultado pelo estúdio, que tinha dúvidas sobre a reação da platéia americana a um desenho estrelado por um rato chef francês.

Essa produção, que demorou seis anos para ficar pronta e passou por um troca-troca de diretores (quem deu início ao projeto foi o autor da história, Jan Pinkava), acompanha a epopéia de Remy, um rato que tem um sonho aparentemente impossível: tornar-se chef de cozinha de um restaurante estrelado de Paris, o Gusteau’s. Para isso, fará um pacto com um humano que não sabe nem segurar uma faca, o atrapalhado ajudante Linguini.

Muitas pessoas podem achar ratos animais um pouco asquerosos, mas a espécie ganha um tônus mais humanizado na película, quase como Shrek, onde um personagem miticamente ofensivo torna-se uma espécie de queridinho. Mas essa características meigas dos protagonistas da Pixar é quase uma tradição dentro do estúdio. Mas enquanto os projetos anteriores eram mais centrados em temas do universo infantil, como brinquedos, insetos e monstros, Ratatouille mergulha no mundo da alta cozinha francesa e delicia os fãs de gastronomia apresentando um menu de referências.

Talvez isso reflita uma tendência dos estúdios em dedicar-se à sindrome de peter-pan tão acometida pelos adultos. Mas na tentativa de referendar a fantasia no mundo real são constantes as referências à vinhos e ingredientes mais requintados. Isso reflete uma grande pesquisa dos produtores já que o filme é completamente realizado em estúdio.

RATATOUILLE
Brad Bird (direção)
[EUA, 2007]

NOTA: 7,5

OSCAR 2008

Melhor Filme de Animação
Melhor Trilha Sonora
Melhor Som
Melhor Edição de Som
Melhor Roteiro Original

 

Sem mais artigos