“Mônica vai jantar”, do Davi Boaventura, chegou hoje e li rápido, com vontade. Impossível desgrudar. Uma mulher diante de um desgosto abissal. Frente a frente com um marido que é flagrado se masturbando em um ônibus. Como lidar com a situação? Como sair dessa encruzilhada? Mônica no começo se culpa e depois dá início à uma grande cerimônia de despedida. O livro inteiro é um único bloco de texto. Monolítico como a dor de descobrir que não conhece nada sobre alguém que lhe parecia tão íntimo.

“(…) se existe o desamparo é porque o vazio causado pela perda do que já está estabelecido talvez seja mais intenso que o sofrimento pela decepção (…)” (BOAVENTURA, p.51)

Mônica é uma personagem categoricamente comum. Não há nada de especial em sua rotina, em seu trabalho e em suas perspectivas. Talvez isso seja o principal trunfo do livro de Boaventura. Que, entre pessoas tão ordinárias descortinam-se situações completamente surreais e surpreendentes. Terminei o texto cheio de dúvidas. Não pensei no “e se fosse comigo?”, até porque, já me vi diante de uma situação de completa surpresa e não tive a coragem de Mônica, que foi jantar. Apenas ignorei, fingi que nada tinha acontecido e continuei.

Mônica vai jantar
Davi Boaventura
Não Editora
R$ 39