Foto: Jedson Nobre / Divulgação

Foto: Jedson Nobre / Divulgação

Começa neste domingo (2/6) a exposição individual de Raoni Assis, Mancomunado, n’A Casa do Cachorro Preto, em Olinda. Para quem acompanha a nova cena de artistas plásticos do Recife, Raoni é um dos nomes mais interessantes a explorar uma estética urbana, muito marcada por arte de rua como grafite, HQs e outras técnicas. E o tema desta vez é o diálogo, a interação. “Eu acho que as pessoas tem que criar e possibilitar mais diálogos. A interação é que faz a gente melhorar, a troca”, disse o artista em entrevista via Facebook à Revista O Grito!.

“Eu sempre achei estranho as pessoas irem pra uma exposição (geralmente por conta da boca livre) e depois ir embora sem trocar nenhuma ideia direito, sem falar sobre o que achou. Já fui para muita exposição e vi pessoas que nem entraram pra ver as peças”, diz Raoni.

Mancomunado é uma espécie de síntese do que representa hoje A Casa do Cachorro Preto, um espaço que movimenta uma cena de artistas novos nas ladeiras de Olinda. Dono do lugar, Raoni vem trazendo artistas que fazem um diálogo com a cidade (com todo sua feiúra, beleza, caos urbano e outros temas), ao mesmo tempo que gera uma aproximação com o visitante, algo pouco visto em outras galerias/museus. É um espaço de visitação com clima. Nada é impessoal ali (o quintal aberto, as festas que rolam por lá, enfim, zero de mis-en-scène.

“A ideia até hoje é ter um espaço de convivência que funcione como vitrine e que dê vazão aos nossos trabalhos (dos amigos e meus)”, conta. A Casa começou há mais ou menos um ano, com ajuda da família inteira e de amigos. Desde então realizou exposições como a Jeims Duarte e shows de Sonic Junior, Bande Dessinée, Dunas do Barato, Caravana do Delírio, entre outros. “A galeria é aberta, sempre. Muitas vezes não vendemos nenhuma peça, mas não vira problema. Um evento segura a onda, a lojinha paga algumas coisas. Enfim, a gente se vira.”

raoni2

Arte sobre diálogo
Nessa sua nova exposição, Raoni traz uma proposta mais intimista, focando contradições do ser humano, o cotidiano das pessoas comuns e, como diz o release da mostra “um diálogo para o desapego às intransigências e intolerâncias”. Os desenhos são feitos em papel e superfícies alternativas como madeira e acetato. As técnicas vão desde a aquarela até o grafite e a esferográfica.

Formado em publicidade, Raoni já participou de cinco individuais e participou de diversas coletivas. O artista também assina o pôster oficial “Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014” – Sede Recife. “Meu trabalho reflete muito do que eu penso e muito do que eu vejo, mas sou muito limitado. Tenho referências muito específicas e sempre senti dificuldade em passar o que eu estava pensando. Deixava muito ruído”.

A abertura da casa também provocou melhorias no trabalho de Raoni. “Hoje eu tento pensar numa quantidade de pessoas maior quando publico alguma coisa. Penso em chegar numa pessoa aleatória, completamente alheia. Sem nem saber nada do que eu penso, sem concordar comigo, sem imaginar do que se trata aquela peça”. E como define sua arte? “O conceito é basicamente tentar puxar um assunto com quem quer que seja esse público. Jogar a ideia e ver o que volta.”

A exposição Mancomunado fica aberta do dia 2 de junho (domingo) até o dia 30 de junho, de quinta a domingo, das 16h às 21h. A entrada é de graça. No mesmo dia acontece o lançamento do disco A Arte de Ser Invisível, de Juliano Holanda. [Paulo Floro]

raoni3

Sem mais artigos