Sempre fui uma musa de Fernando Botero, guardadas as devidas proporções, claro! (manequim 44, já fui 42, feliz e satisfeita). E daí? Daí que homem que é homem mesmo, bruto e antes de qualquer lapidação metrossexual, cafuçu – esta raça em extinção – parece gostar mesmo é de carne. Por conseguinte, desde sempre fui a musa da construção civil. Passava em frente a uma obra e ouvia as pachorras mais impublicáveis que uma mulher mediana pudesse ouvir.

Quando eu era mais novinha, até me horrorizava. Hoje mais não. Considero o meu dia ganho. Quando a gente adquire experiência, aprende a compreender alguns mistérios e valorizar pequenas coisas: ser considerada bela aos olhos de alguém é uma delas. Hoje compreendo os cafuçus in natura e, salvo qualquer falta de respeito, aprecio demais o rapapé e o elogio.

Aconteceu um esta semana. Antes das 9h, indo pro trabalho, o cidadão passa na rua e solta um “Que coisa mais linda. Com essa eu até casava”. Veja bem “CASAVA”, o que significa que o povoamento sexual na cabeça do cafuçu rendia até mesa e banho, não só a cama. Fiquei feliz, rapá!

Tá pensando que sou só eu quem se diverte com a cantada de pedreiro? Pergunta pras meninas do I Love Cafuçu. Outra boa dica é o aplicativo do facebook ‘Cantadas de Pedreiro’, divertimento garantido ou seu dinheiro de volta. Vc tá lá, toda mocoronga, macambúzia e, plim!, aperta um botão mágico e sai uma pérola do gênero: “Você é o tijolo que faltava na minha parede” ou “Me joga na parede e me chama de reboco”.

O Twitter tem alguns perfis com estas cantadas infames e prazerosas como o @PedreiroGalante e o @flertedpedreiro. Sinal de que as mocinhas podem até não gostar de vivenciar esta experiência antropológica (que usualmente vem acompanhada de um assovio tarado no melhor estilo sifúuuuuuuuuu), mas que, intimamente, se divertem ao ler um ‘Você não usa calcinha, minha filha, usa um porta-joias!”.

Agora me diga: isso lá é um comentário simplório? Duvido. Quem nunca teve sua cantada de pedreiro que jogue a primeira pedra. Ou que saiba desde já, é feito chifre. Se você nunca levou um, pode se preparar que um dia ele chega.

A Rainha do Maracatu Roubada de Ouro é o pseudônimo de uma jornalista pernambucana. Escreve nesta coluna, crônicas de desabores, desencantos e memórias

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