Forró respira novos ares longe da estética bumba-meu-ovo em Rabecado

RABECADO
Rabecado
[Independente, 2007]

O forró conseguiu seu lugar ao sol na MPB devido ao trabalho de grandes nomes como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Artistas de talento superior, estes mestres foram responsáveis por quebrar boa parte do preconceito que envolvia o gênero. De lá pra cá, o ritmo nordestino passou por várias fases e hoje se apresenta diluído em duas horrendas versões: o forró eletrônico e o universitário. Felizmente, nem tudo está perdido como mostra o primeiro disco da banda recifense Rabecado.

O grupo apresenta, ao longo das dez faixas do disco, um bom trabalho onde os instrumentos característicos da música nordestina (rabeca, pífano, zabumba, triângulo) se unem a outros para criar uma sonoridade superior ao que temos visto ultimamente na maior parte dos artistas vernaculares. O destaque fica por conta de faixas como “Viuvinha”, onde um melódico bandolim finca sua presença, produzindo uma deliciosa musicalidade. O repertório contempla músicas autorais que transitam entre as diversas vertentes do forró como o carimbó e o baião.

O Rabecado, como boa parte dos músicos atualmente, está lançando seu primeiro trabalho através da distribuição independente. A confecção do álbum foi feita no formato SMD (Semi Metalic Disc). Este novo sistema permitiu, segundo os músicos, uma redução de quase 80% no preço final do disco que está sendo vendido a R$ 5,00.

Nesse primeiro trabalho, o Rabecado se assemelha bastante à sonoridade produzida por outro grupo pernambucano, o talentoso e já extinto Mestre Ambrósio. Provando dessa forma que inovar com qualidade em um estilo musical tão purista quanto o forró não é tarefa das mais fáceis. Mas, isso definitivamente não é um problema e, ao final desse CD de estréia, percebemos que ainda há vida inteligente dentro dos arraiais urbanos. [Gilberto Tenório]

NOTA: 7,0

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