Interlúdio do Apocalipse

Por Paulo Floro
Da Revista O Grito!

Y – O ÚLTIMO HOMEM: SENHA
Brian K. Vaughn (texto), Pia Guerra e Goran Parlov (arte)
Tradução de Fábio Fernandes
[Panini, 144 páginas, R$ 17,90]

Lançado em janeiro deste ano, mas atualmente nas bancas fora do eixo Rio – São Paulo, esse quarto volume da série Y – O Último Homem, do selo Vertigo mostra o último homem vivo num mundo apocalíptico onde todos do sexo masculino foram exterminados por uma praga, em contato com uma amiga de confiança da agente 355, sua atual protetora. Enquanto isso, a agente e a doutora Mann partem numa jornada até a Califórnia, onde poderão achar um antídoto para a praga em um laboratório. Mas, para isso, elas precisam enfrentar um mílicia armada até os dentes. A ideia deste volume foi aprofundar o passado do protagonista, Yorick, trazendo à tona fatos de seu passado que serão úteis para o roteiro mais pra frente. Temos um lado interessante sobre sua sexualidade e chega a ser irônico o fato dele ser quase estuprado por uma mulher. A construção da personalidade do “herói” da série é um dos trunfos de Y. Vaughn e Guerra não só criaram um arquétipo gonzo do último macho vivo como frustraram todas as expectativas do que seria o último remanescente do gênero masculino: fiel, cordial e nada machista a ponto de ser guiado por mulheres. A série ganhou diversos prêmios Eisner e finalmente está ganhando uma boa edição por aqui, depois de ter um desnecessário status de luxo com edições caras pela Opera Graphica

NOTA: 7,0

JONAH HEX – APENAS OS BONS MORREM JOVENS
Justin Gray e Jimmy Palmiotti (texto) e Jordi Bernet, Phil Noto e David Michael Beck (arte)
Tradução: Fábio Fernandes
[Panini Comics, 148 páginas, R$ 14,90]

As edições econômicas e encadernadas da Vertigo lançadas pela Panini estão fazendo a alegria dos colecionadores do selo americano da DC no Brasil. Quem melhor se beneficia disso é o personagem Jonah Hex. Primeiro porque nunca foi popular e depois porque, com sua cronologia bagunçada, ganha enfim, uma série regular onde é possível entender melhor o conceito de suas histórias. Até agora, temos tido bons roteiros, assinados principalmente por Jimmy Palmiotti, o escritor que “adotou” o amargurado e desfigurado ex-soldado confederado. Nesta quarta edição, que corresponde ao número 19 a 24 da nova série lançada nos EUA, Hex encontra El Diablo e Bat Lash, antigos personagens western da DC Comics. A trama, carregada de referência aos faroestes spaghetti traz mulheres assassinas e até uma bruxa. Os desenhos ficam por conta de David Michael Beck e Jordi Bernet, que no geral pecam pela falta de personalidade. Mas, levando em conta a Vertigo, isso nunca foi um problema.
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NOTA: 7,0

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