SNOOPY PERDE SEU POSTO
Conhecidos no Brasil pelo famoso cachorro, tiras completas de Peanuts revela sofisticado humor da turma de Charlie Brown, criado por Charles Schulz

PEANUTS COMPLETO: TIRAS DIÁRIAS E DOMINICAIS DE 1950 a 1952
Charles M. Schulz (texto e arte)
[L&PM,

Faltava no Brasil um olhar especial a uma das mais importantes – e famosas – obra dos quadrinhos. Peanuts, chamado aqui no Brasil de Charlie Brown, Minduim e logo depois apenas Snoopy foi uma das primeiras tiras a conseguir alcançar um público mais maduro que conseguia perceber a pegada metafísica de Charles M. Schulz, criador da série. O escritor Umberto Eco vaticinou e acabou presente na edição, afirmando que o mundo de Peanuts era um microcosmo, uma pequena comédia humana.

Aqui no país, a série ainda é pouco conhecida, apesar de ser publicada há mais de 50 anos. Icônicamente, são bastante difundidos, sobretudo após um comercial de shampoo que o personagem Snoopy estrelou nos anos 1990. Mas o universo, as desventuras, e o humor sutil, que alguns chamam de intelectualizado nunca tiveram grande aceitação. Morto em 2000, Schulz ainda se faz presente no mundo todo e é bem provável que esse relançamento o faça ainda mais famoso – e rico – mesmo após morto. São mais de 350 milhões de livros vendidos no mundo todo e mais de 75 países que ainda publicam as tiras em mais de 2600 jornais. Sem falar das marcas licenciadas.

Pela primeira vez compiladas em ordem cronológica, este Peanuts ganha edição luxuosa pela L&PM, editora que parece recuperar o fôlego nos lançamentos em quadrinhos. A diferença da edição original é que a capa é cartonada e não dura, mas os extras, com entrevista com o autor se mantém. Estão planejados ainda mais 25 livros até o término da coleção. Obrigatório, mesmo com o salgado preço. [Paulo Floro]
NOTA: 9,0

COURTNEY CRUMRIN E O PACTO DOS MÍSTICOS
Ted Naifeh (texto e arte)
[Devir, 210 págs, R$ 20,90]

Lançado nos EUA pela editora Oni Press, a Devir lança por aqui o segundo volume da saga da garotinha Courtney Crumrin, neta do poderoso bruxo Aloísius. Esta história é ainda melhor que a primeira e reforça a personalidade da protagonista, que diferentemente de outras heroínas infanto-juvenis não segue a moral intacta, inabalável. Falível, chega a planejar vinganças sofisticadas. Nesta aventura, ela entra numa poderosa investigação envolvendo as criaturas da noite e seu tio. O autor Ted Naifeh ainda não é nenhum figurão dentro da indústria dos quadrinhos norte-americanos, mesmo com a indicação para o Eisner pela série, mas vem angariando numerosos fãs. A edição da Devir segue o padrão de seus lançamentos menos famosos, mas cumpre bem seu papel. Fora do hype, Courtney Crumrin é despretensiosa surpresa.
NOTA: 6,5

A CASTA DOS METABARÕES – TOMO DOIS
Alejandro Jodoroswki (texto) e Juan Gimenez(arte)
[Devir, 152 págs, R$ 49]

É espantosa a capacidade inventiva do chileno Alejandro Jodorowski. Escritor prolífico, ele é um dos nomes mais importantes em diversas áreas, mas é nas HQ’s que seu mito foi mais popularizado. Autor da famosa série O Incal, feita em parceria com Moebius, publicada aqui pela Devir, ele também é cineasta, roteirista, ator, produtor, compositor, mímico, teólogo e psicomago, seja lá o que isso signifique. Neste livro, que ainda continua em mais dois volumes, ele conta a história dos Metabarões, um dos personagens coadjuvantes de O Incal, que aqui ganha uma mitologia rica. Fica a impressão de que o autor poderia criar infinitos universos a partir de referências mínimos de seus livros. Poderosa saga de ficção científica, com arte de Juan Gimenez, A Casra dos Metabarões fala de uma poderosa dinastia, retomando os romances familiares, só que com uma roupagem cyberpunk. Com diálogos e tramas intricadas, a saga está mais para Cem Anos de Solidão, de García Marquez que um Star Wars qualquer.
NOTA: 9,0

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