AVENIDA 3
Rui Silveira, Wellington Marçal e André Caliman (texto e arte)
[Independente, 32 págs, R$ 3,00]

A revista indie Avenida tem uma idéia interessante: abordar temas diversos tendo como mote uma avenida qualquer. Os quadrinhistas Rui Silveira, André Caliman e Wellington Marçal já seguem no terceiro número tendo o apoio de Lourenço Mutarelli, que assinou a capa. Nesta edição, três histórias se relacionam, repetindo os personagens, dando a idéia de se tratar de uma obra auto-referencial e não necessariamente uma continuação. Das três, a mais interessante é mesmo a de Marçal, talvez um dos nomes para se ficar de olho nas HQs nacionais. Ainda que seu roteiro apele para um humor escatológico gratuito, sua narrativa é bem construída e seu traço tem personalidade. Aqui, o seu personagem, Primo Bill tenta se livrar de uma suspeita caixa-bomba. André Caliman, com sua discreta inspiração noir tem um texto confuso, apesar de ser o mais ousado do trio – estética e narrativamente falando. Silveira, na história de Mímica mostra um mangá estilizado que destoa dos outros dois colegas: não há ritmo nem desenvoltura nos personagens. A edição termina com um “Continua”. O problema é que apesar da boa idéia do roteiro, a revista precisa acertar o equilíbrio na qualidade das histórias que a compõem. [TC]

NOTA: 6,0

O ATAQUE DAS AMAZONAS
Will Pfeifer (texto) e Pete Woods (arte)
[Panini, minissérie em 6 edições, 100 págs, R$ 6,90]

É lastimável ver como um bom trabalho como O Ataque das Amazonas ganhou pouco caso da Panini, pelo menos no que diz respeito à edição. A publicação em papel jornal de um dos mais aguardados arcos-prelúdios da Crise Final compromete bastante a aproximação de um público mais exigente em relação à sagas independentes do regular roteiro (Will Pfeifer) e da boa arte (Pete Woods [desenhos] e Brad Anderson [cores]). O enredo compensa muito para os fãs de Diana e Tróia. Quem não faz parte desse círculo, tem realmente que recorrer à ajuda de outros títulos da DC para acompanhar o evento. Não é à toa que a edição vem com um guia de leitura (bastante fragmentado). O primeiro capítulo da série (de seis, mas condensada em três) edições aborda o início da declarada guerra de Themyscira à América, liderada por Hipólita, ressuscitada (oh!) pela Bruxa Circe. [TC]

Nota: 5,5

GARAGEM HERMÉTICA 4
Cadu Simões, Vince Vader (texto), Nobu Chiben, Edu Mendes, Fábio Santos e Fábio Cobiaco (texto e arte)
[Independente, 36 págs, à venda pelo blog sociosltda.blogspot.com]

A regularidade de publicações como Garagem Hermética mostra que o quadrinho independente anda bem das pernas, se mostrando um espaço relevante para novos autores se mostrarem. Mesmo com seis meses de atraso, o quarto número da revista publicada pelo coletivo Sócios Ltda mostra que tem um lugar cativo no meio indie, um projeto editorial reconhecível. Não à toa foram indicados ao HQ Mix deste ano, como Melhor Publicação Independente de Grupo. Quem se destaca na revista é Cadu Simões, vencedor do mesmo HQMix como roteirista revelação. Sua história, que abre a revista, é um exemplo pobre para o que o rapaz já fez. Aborda pequenos detalhes cotidianos, mas se rende fácil à clichês de comédias românticas. Depois de HQs com jeitão experimental, ficou reservado para o final o melhor do gibi, “Os Estranhos Vestidos de Preto”, de Fábio Cobiaco. Em quatro páginas, o autor paulista inovou no traço expressionista e no texto cheio de reminiscências e um final inesperado. Vale a pena esperar pela nova GH. [PF]

NOTA: 6,5

Sem mais artigos