HQ traz visão noir e pessimista do Homem-Aranha

HOMEM-ARANHA NOIR
David Hine, Fabrice Sapolsky (texto) e Carmine Di Giandomenico (arte)
[Panini Books / Panini, 108 páginas, R$ 17,90]

Chega às bancas brasileiras a releitura do Homem-Aranha para os anos 1930, na versão Noir. Este universo mais dark acabou tendo bastante sucesso e outros personagens da Marvel acabaram ganhando seus títulos, entre eles Magneto, Luke Cage e até os X-Men. O famoso aracnídeo foi o que despontou para essa possibilidade interessante. A HQ consegue trabalhar temas mais subversivos, assuntos que andam no escanteio nas sagas atuais da editora, como drogas, prostituição e corrupção. O autor David Hine (Distrito X) teve mais liberdade para ser mais cru em seu roteiro, com a violência saindo das páginas sem muito zelo no impacto que isso terá no leitor. Lembra quadrinhos dos anos 1980, quando os escritores podiam ser mais explícitos em suas tramas. Com referências à literatura pulp, o universo foi criativo na remodelação dos personagens. Na história, que se passa durante a Grande Depressão, Ben Ulrich é um jornalista viciado em heroína que ajuda o jovem Peter Parker, que teve o tio assassinado pelo Duende, um truculento gangster. Tia May é uma ferrenha socialista que luta pelos direitos dos trabalhadores humildes de Nova York. A visão é sempre pessimista, diferente do que estamos acostumados a ver nos quadrinhos. O desenho de Carmine Di Giandomenico, revelados em Magneto – Testamento ajudam a criar o clima noir, ainda que esse trabalho esteja aquém do que o desenhista é capaz. Mas, quem se destaca mesmo é essa edição da Panini, que mostrou que pode cobrar preço justo por uma edição mais caprichada: capa-dura, papel couchê e preço de R$ 17,90. [Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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