Como era esperado, não houve superlotação, mas os fiéis seguidores do gênero – uma galera, em geral, com mais de 30 anos – estavam lá, firmes e fortes

Fotos de Jonatan Oliveira para O Grito!

A primeira noite do (APR) 2019 foi curta e direta. Das 21h até meia-noite, seis bandas de heavy metal deram a largada da 27ª edição do evento no Baile Perfumado. Como era esperado, não houve superlotação, mas os fiéis seguidores do gênero – uma galera, em geral, com mais de 30 anos – estavam lá, firmes e fortes, sobretudo para ver o show do grupo finlandês , que não decepcionou e fez a melhor apresentação da noite.

Quando o palco principal ainda estava sendo montado para o show da Amorphis, muita gente com o celular em punho já registrava, em fotos, o painel ao fundo. E o registro não parou depois que a banda entrou em cena. A devoção dos fãs marcou toda a apresentação. Eles acompanharam as letras das canções – algumas entoadas com a voz gutural do vocalista Tomi Joutsen – e responderam entusiasmados com gestos firmes e gritos de guerra ao potente som da banda, que faz um mix de metal progressivo, folk metal e death metal melódico. Além de sucessos como “Silent Waters” e “House Of Sleep”, a Amorphis apresentou músicas do seu novo álbum Queen Of Time.

O segundo show mais interessante da noite foi o dos garotos da banda maranhense Jackdevil. Os headbangers não podem reclamar. O thrash metal executado por André Nadler, Renato Speedwolf, Ricardo “Mukura” e Fernando “Hellboy” eletrizou o público. Eles se apresentaram no palco menor, que permite uma maior proximidade entre a banda e os espectadores, uma sinergia perfeita para a banda que se mantém fiel ao estilo old school do thrash e tem como referências musicais Slayer, Metallica e Motorhead. Essa foi a primeira vez que a banda se apresentou no Recife.

Quem estreou também nos palcos pernambucanos foi a banda paulista de prog-metal Maestrick. Eles estão na estrada desde 2011 quando lançaram o álbum Unpuzzle!. No ano passado o trabalho Espresso Della Vita – Solare foi bastante elogiado e fez o nome da banda ganhar destaque internacional. Na noite da sexta no APR eles mostraram um som que mescla elementos do metal clássico a world music. E foi nessa pegada que o vocal Fabio Caldeira lembrou de Chico Science e convidou ao palco para tocar com eles um grupo de mulheres percussionistas. O resultado foi um “maracametal” e a impressão que estávamos diante de um show da Nação Zumbi. O público acompanhou a apresentação, mas não pareceu muito entusiasmada com a novidade.

As demais apresentações da noite seguiram o padrão convencional. A Camus, de Pernambuco, abriu a programação, seguida por outro grupo local, o Malkuth. A Camus existe há nove anos, mas lançou seu primeiro disco no ano passado. Ela foi a banda escolhida pelo produtor do APR Paulo André para marcar uma tradição anual do APR que é a revelação de bandas da cena recifense. A Camus apresentou um heavy metal moderno, rápido e com toques de thrash. A Malkuth foi formada em 1993 e em suas letras exalta o paganismo. O show apresentado manteve o clima místico de seu álbum mais recente intitulado Voodoo. Por fim, tivemos a Malefactor, banda baiana de death metal que apresentou, sobretudo, músicas de seu álbum mais recente Sixth Legion.

A banda Maestrick levou um maracametal ao palco (mas não agradou muito).

Na próxima semana o APR prossegue com atrações como a banda punk russa formada só por mulheres Pussy Riot, a cantora Letrux (se apresentam no sábado), a histórica banda paulista Ratos de Porão, e a norte-americana Nuclear Assault.

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