FUTURO INSOSSO
Novo disco do Primal Scream tem cara de retrocesso para uma banda que redefiniu os rumos do pop nos anos 90
Por Mariana Mandelli

PRIMAL SCREAM
Beautiful Future
[Warner Bros/Wea , 2008]

Um dos maiores sobreviventes das gerações mais antigas do rock alternativo – da qual Pixies e Sonic Youth também são grandes representantes –, o Primal Scream desperdiçou a chance de voltar aos holofotes do competitivo mundo indie, selva musical em que surgem dezenas de bandas novas por semana. Beautiful Future, o novo disco da banda de Glasgow, Escócia, é quase sem sal se comparado à peculiaridade de álbuns como Screamadelica (1991), Vanishing Point (1997) e XTRMNTR (2000), trabalhos que consolidaram a carreira do grupo e ajudaram a definir os rumos do rock da década de 90.

Formado em 1982, o Primal Scream bebeu de fontes diversas como Rolling Stones, MC5 e Byrds. Mas o rock mosaico e multireferencial dos escoceses ainda contém pitadas de dance music, pop, garage rock, britpop e música eletrônica (como ambient house e acid house). Toda essa miscelânea, promovida por Bobby Gillespie (vocal) Andrew Innes (guitarra), Martin Duffy (teclado), Gary “Mani” Mounfield (baixo) e Darrin Mooney (bateria), parece não funcionar tão bem quanto o esperado em Beautiful Future. O disco cansa porque soa cansado, como se a banda não tivesse muito a oferecer – o que não é verdade, porque o novo trabalho não chega a ser ruim. Só não é tão bom quanto a banda pode ser. A sensação de frustração e de missão abortada, entretanto, é amenizada pela condição mediana de algumas faixas e pela presença de algumas pérolas – caso da impetuosa “Zombie Man”, com coro psicodélico e ritmo dançante.

A faixa que abre o disco e dá nome a ele é empolgante e impõe os riffs espertos de Andrew Innes. “Can’t Go Back” é frenética e emergente e acompanha a animação das palmas de “The Glory Of Love”. Já as batidas climáticas e as doses generosas de música eletrônica, características enraizadas na música do Primal Scream, são perceptíveis na tensa “Beautiful Summer” e na repetitiva e chatésima “Uptown”.

Beautiful Future ainda conta com participações especiais para reforçar o disco. “I Love to Hurt (You Love to Be Hurt)” tem a presença de Luísa Lovefoxx (do Cansei de Ser Sexy); os sintetizadores angustiantes e a melodia arrastada de “Over & Over” fazem companhia à cantora folk Linda Thompson, e os riffs pesados de “Necro Hex Blues” introduzem Josh Homme (do Queens of the Stone Age) na faixa.

Apesar das parcerias ilustres, dessa vez o Primal Scream vai ficar fora da lista dos melhores de 2008. Uma pena, mas Beautiful Future não condensa tudo que a banda pode oferecer.

NOTA: 6,5

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