Prazeres Proibidos

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VIDEOCLIPE ESTICADO
Em sua estreia como diretor de longas, Mignone, ao tentar criar um visual “moderno”, se perde entre a estilização e o mal gosto
Por André Azenha

PRAZERES PROIBIDOS
Thomas Mignone
[On the Doll, EUA, 2007]

mailThomas Mignone é respeitado por ter dirigido ótimos vídeoclipes para bandas de rock pesado como Type o Negative, Slipknot e a brasileira Sepultura. Mas ao estrear como cineasta repetiu o mesmo equívoco de alguns colegas: pensar que para fazer um bom filme basta esticar o que estava acostumado a fazer, mantendo a estilização que lhe consagrou como realizador de music videos.

Prazeres Proibidos, lançado diretamente em home vídeo no Brasil, até que poderia render um longa razoável, pois tem boas intenções. Tenta mostrar a dificuldade da vida das pessoas que vivem do sexo e como esse tipo de trabalho afeta aqueles que convivem com elas.

Mas acontece que, ao tentar criar um visual “moderno”, Mignone se perde entre a estilização e o mal gosto. Um exemplo são as cenas que retratam um réptil morto. O intuito foi criar alguma forma de metáfora que não funciona.

Já o roteiro utiliza o clichê de mostrar diferentes tramas que em determinado momento se cruzam: um garoto que, para poder libertar uma jovem presa a um cafetão e subordinada e fazer strip, trabalha para o bandido, mais uma garota de programa que surge na vida dele e o ajuda a tentar libertar a menina; um casal cujo rapaz sonha em fazer sucesso com uma banda de rock e para ganhar dinheiro faz a namorada realizar as fantasias (mas sem relações sexuais) de homens deslocados; e duas colegiais que tentam provocar um professor tarado, que dopa e abusa sexualmente uma delas.

Das três situações, a única que chega realmente a comover e envolver o público é a primeira, pois é aquela em que os atores (quase todos do elenco são desconhecidos do grande público) conseguem criar algum tipo de conexão com a platéia.

A gatinha Brittany Snow (que alguns irão se lembrar de “Haispray”) repete o velho papel da garota de programa gente fina (tal qual Heather Graham, em “Se Beber, Não Case”) que ajuda o mocinho. Seu jeito doce e ao mesmo tempo extremamente sensual, tende a fazer muito marmanjo babar por ela. E Josh Janowicz tem a fisionomia ideal para viver o rapaz sensível que teve um passado trágico.

Curiosamente, quem ficar tentado a ver as atrizes sem roupa sairá decepcionado. Ainda que seja um filme que aborda o sexo, “Prazeres Proibidos” não possui cenas do gênero e erra de vez ao contar com um desfecho que pode ser antecipado.

NOTA: 5,0
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