Portishead

TERCEIRO TORMENTO
O Portishead lança seu terceiro disco dez anos depois de modificar a música eletrônica e movimenta a cena underground mundial
Por Mariana Mandelli

A notícia da volta do Portishead movimenta os bastidores do indie-rock desde que o grupo deu uma pausa nas atividades, após o lançamento do disco homônimo em 1997. Mas, só no fim do ano passado, essa notícia ganhou lastro com o anúncio da volta da banda este ano. Após quase dez anos sem lançar nenhum material inédito, a banda responsável por popularizar o trip-hop mundo afora está de volta: o Portishead começou 2008 prometendo o lançamento do tão esperado novo disco para o dia 14 de abril. O nome do álbum é Third e deve contar com 11 faixas, totalizando aproximadamente 50 minutos.

O novo trabalho inclui algumas faixas apresentadas nos últimos shows do Portishead, como “Peaches”, “, “Hunter”, “Mystic” e “Wicca”. Outros verdadeiros “rascunhos” de faixas foram disponibilizados no MySpace do grupo, o que só aumenta as expectativas da mídia e, principalmente, dos fãs. Uma turnê – com início previsto para o fim de março – pela Europa e participações em grandes festivais de música – como o Coachella, da Califórnia – já estão garantidas. Este ano, outra fantástica mídia da banda foi a curadoria que fizeram para o festival de vanguarda All Tomorrow Parties, onde se apresentaram.

A banda, hoje formada por Geoff Barrow (produção, samplers e letras), Beth Gibbons (vocais) e Adrian Utley (guitarra), surgiu em 1991, em Bristol, Inglaterra. O nome “Portishead” foi dado por Barrow em homenagem à cidade onde cresceu. Ele trabalhou por anos como operador de áudio no estúdio Coach House, onde conheceu o Massive Attack. A partir daí, Barrow trabalhou com Tricky, Neneh Cherry, Primal Scream, Depeche Mode e Gabrielle, produzindo e remixando faixas.

Em 1991, Beth Gibbons cantava em pubs – e foi em um deles que Garrow descobriu a voz melancólica e áspera da cantora. A partir daí, eles começaram a compor juntos, dando início aos primeiros passos da carreira do Portishead. O guitarrista de jazz Adrian Utley foi convidado a compor algumas músicas e acabou entrando para o grupo.

O debut veio em 1994: Dummy foi aclamado pela crítica e pelos amantes do trip-hop, que ainda idolatram faixas incríveis como “Glory Box”, “Numb”, “Sour Times” e “Wandering Star”. O sucesso no mainstream resultou em 150.000 cópias do álbum vendidas nos Estados Unidos antes da turnê do grupo, além de garantir que o Portishead ganhasse o Mercury Music Prize daquele ano.

As batidas lentas e distantes da banda hipnotizaram o mundo. Misturando referências de acid jazz, indie rock, ambient, beat, eletrônica, funk, downtempo e outras experimentações à voz melancolicamente áspera de Beth Gibbons, o Portishead alcançou o sucesso com um tipo de som sensual e quase etéreo – o que muita gente apelidou de “fuck music”, música afrodisíaca apropriada para momentos, digamos, mais íntimos.

Depois de Dummy, o grupo lançou o segundo álbum, nomeado simplesmente como Portishead (1997), que continha, entre outras, as faixas “Cowboys”, “All Mine” e “Humming”. No ano seguinte, a banda gravou o Roseland NYC Live, álbum ao vivo com acompanhamento da Orquestra Filarmônica de Nova York. Agora, dez anos depois, a espera por um novo trabalho do Portishead está chegando ao fim. Sorte a nossa.

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