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“Amanhã há de ser outro dia”. Não tínhamos como saber que as músicas escritas e gravadas por Chico Buarque nos anos 1960-1970 serviriam, anos depois, para nos trazer novamente a autoestima política necessária para seguir lutando por mais democracia. Um dos principais nomes contra o impeachment da presidenta Dilma, Chico é o artista que seguiu coerente com sua história de vida e luta. E, como poucos, segue relevante dentro da cultura pop brasileira.

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Ao lado de vários artistas e intelectuais, Chico assinou o Manifesto Cultura Pela Democracia, onde foi clamado “o respeito à vontade da maioria” e onde diz que “se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe”. Ele também esteve no já histórico ato na Fundição Progresso, na Lapa, ao lado de nomes como Wagner Moura, Fred Zero Quatro, Leonardo Boff, entre outros.

Foi ao som de “Roda Viva” (1967) que artistas fizeram o vídeo “Artistas Pela Democracia”, onde estavam presentes Camila Pitanga, Júlia Lemmertz, Gregório Duvivier e Letícia Sabatella, entre outros.

Fizemos uma playlist com o melhor de sua discografia, que começa com suas músicas compostas para grandes festivais, passando por suas músicas mais contundentes a favor da retomada do processo democrático. Chico usou do lirismo e ironia para peitar a ditadura em discos que se tornaram clássicos como Construção (1971), trabalho que contrasta a cadência de Chico com a orquestração tensa e imponente criada por Rogério Duprat. Era um disco que criticava o sistema opressor contra o operariado e trazia questões comuns do cotidiano.

Há também várias faixas que demonstram as inovações trazidas por Chico à música popular, sobretudo o samba, gênero enxergado por ele como cheio de possibilidades estéticas. Colocamos outros clássicos, como “Sinal Fechado”, do disco Sinal Fechado, onde Chico assina o pseudônimo Julinho da Adelaide. E hits alcançados por ele nos anos 1990, em contexto bem diferente do início de sua carreira, como “Paratodos”.

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