PLACEBO
Meds
[Astralwerks / Emd, 2006]

O Placebo surgiu no meio da década passada, na ressaca do Britpop e ousou ao trazer uma estética glam aos anos 90. Com o andrógino vocalista Brian Molko à frente da banda, se utilizou dessa imagem o quanto pode, sobretudo em clipes. No som, após o homônimo disco de estréia (1997), o grupo se empenhou em criar um estilo, um modus que agradou aos fãs, de unhas pintadas de preto e coturnos, que, desesperados, cultuavam a imagem e as letras de Molko.

No entanto é essa fórmula que fez o Placebo se travar em uma esquina de sucesso que não consegue mais sair. O power trio, aliada à voz meio feminina de Molko, trouxe hits memoráveis e indispensáveis como “Every Me Every You”, “This Picture”, “Nancy Boy” e “Come Home”, mas tudo o que se fez aqui neste Meds, já foi visto anteriormente no som da banda, e com resultados melhores. Quem curtiu o Placebo na época do Without I´M Nothing, um disco excelente, pop rock de altíssima qualidade e carregado de referências que ia de Bowie à Bolan, não precisa realmente deste novo álbum. Hoje a banda se resume a repetir um repertório que alterna baladas arrastadas com hits cujos riffs tentam alcançar o mesmo resultado de outras eras.

Em Meds, não há nada que demonstre que o Placebo ainda possuí algum sopro de renovação. E olhe que esse disco era muito aguardado depois de uma série de bests of e um álbum de sucesso que foi o Sleeping With Ghosts (2004). Nem a participação de VV do The Kills na faixa de abertura ajudou. Eu nunca consegui dizer qual álbum do Placebo era ruim, já que todos eram bastante parecidos e quando não surpreendiam, não erravam feio. Meds é a triste resposta desta banda inglesa. [Paulo Floro]

NOTA: 6,0

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