pjnc2.jpg

A OUTRA FACE
Cantora inglesa, conhecida por sonoridade visceral, retorna mais quiet em White Chalk, mas não menos perturbadora
Por Breno Soares

PJ, umas das cantoras mais aclamadas do mundinho dito alternativo volta com tudo à mídia, mas de uma forma antagônica. A devastação provocada por P.J. Harvey com o lançamento de seu oitavo disco de estúdio se dá por um motivo simples: ele é diferente de todos de sua carreira. Sempre tendo a guitarra como parte importante do recheio sonoro, desta vez a cantora usa dedilhadas suaves ao piano para conduzir sua nova obra.

White Chalk tinha data de lançamento para o dia 24 de setembro, e foi adiado para 01 de outubro. O que é curioso, já que o álbum vazou na internet semana passada e até mesmo veículos sérios resenharam o disco, mesmo sem um lançamento oficial.

Desde o lançamento de Uh Huh Her, em 2004, que PJ Harvey se dedicou a tocar mais piano e aprimorar sua técnica com um instrumento novo. “O bom de aprender um instrumento do nada é que isso libera a sua imaginação” , revelou a guitarrista para a revista Wire.

O novo disco traz composições que remetem à memórias da infância de PJ, como pessoas e lugares do passado. Algumas canções parecem até mesmo sugerir um diálogo, como a canção “To Talk To You” onde parece falar com sua avó. O ar triste da capa de White Chalk é uma reprodução do quadro “the white girl” do artista James Abbott McNeill Whistler, pintado em 1861.

Incomum até mesmo na composição, o novo álbum retirou de cena a banda de rock que acompanhava a cantora para dar lugar a uma sutil bateria quase imperceptível ao fundo e instrumentos como piano, gaitas, harpa e banjo. Curto, por volta de 30 minutos, difere, e muito, nos arranjos em comparação com álbuns anteriores, mas não na carga emocional e sem pudor de PJ. Ninguém terá dificuldade em reconhecer o grito agudo e espalhafatoso na música “The Devil”.

Produzido em parceria com o produtor Flood e John Parish, com quem trabalhou anteriormente em Dance Hall At Louse Point. Entre os convidados chamou Eric Drew Feldman e Jim White do Dirty Three. Os primeiros shows de divulgação já estão marcados. Entre os primeiros, estão shows na Inglaterra, um em Bristol (24/09) e outro em Londres (29/09). Os Estados Unidos recebem a moça nos dias 10/10 em Nova Iorque e 15/10 em Los Angeles.

Trajetória em discos

PJ Harvey - DryDry
[1992]

P.J. Harvey começou sua carreira em 1991 em Dorst, Inglaterra, onde era cantora de um trio de baixo-bateria-guitarra, com o qual lançou seu primeiro single,“Dress” pelo selo independente Too Pure.

Seu segundo single, Sheela-Na-Gig em fevereiro de 1992, precedeu o aclamado disco de estréia Dry. Após ótimas criticas ao disco, P.J. Harvey passou a fazer muito sucesso em todo o mundo em especial nos Estados Unidos, onde se tornou musa. Já em seu debut, foi considerada pela revista Rolling Stone a melhor cantora e escritora da época.

PJ Harvey - Rid Of MeRid Of Me
[1993]

Em 1993, ainda aproveitando todas as atenções, Harvey passou a trabalhar em seu terceiro disco, logo após assinar com a gravadora Island Records. O disco foi gravado com Steve Albini em Minneapolis. Rid of Me teve uma turnê mundial com ingressos esgotados e uma indicação ao prestigiado prêmio Mercury Prize.

PJ Harvey - To Bring You My LifeTo Bring You My Love
[1995]

Dois anos após sua primeira turnê e dois discos bastante aclamados, em 1995, lança To Bring You My Love. Dessa vez, contou com a colaboração de vários músicos como John Parish, Eric Drew Feldman (teclado), Joe Gore and Bad Seed (guitarra) e Mick Harvey. O álbum deu origem a uma turnê de shows bastante teatrais e uma segunda indicação para o Mercury Prize, dois Grammy e uma premiação de “artista do ano 1995” das revistas Rolling Stone e Spin.

PJ Harvey - This Is DesiredIs This Desire?
[1998]

Em setembro de 1998, P.J. Harvey retorna com seu quinto álbum, Is this Desire?, gravado em Londres e Dorset, e mais uma vez co-produzido por Flood. Indicado para o Grammy e Brits Awards, mostrava PJ no extremo de sua estética. Sobram guitarras furiosas e gritos.

PJ Harvey - Stories From The City Stories From The SeaStories From The City, Stories From The Sea
[2000]

“Stories From The City, Stories From The Sea” foi lançado em outubro de 2000. Com esse álbum, P.J. Harvey foi a primeira cantora a ganhar o Mercury Prize. Chamado de “ magnífico” pela NME, tem participações de Thom Yorque, do Radiohead.

 

PJ Harvey - Uh Huh HerUh Huh Her
[2004]

Disco mais autoral de P.J.,foi escrito, gravado, mixado e produzido pela cantora. Também convidou o parceiro de longa data Rob Ellis para tocar bateria (todos os outros instrumentos foram tocados por ela). Irregular em suas canções, não alcançou o prestígio dos discos anteriores. Foi com a turnê de Uh Huh Her que aportou no Brasil para show no TIM Festival.

Trilhas e mais

P.J. Harvey não se limitou apenas a seus discos de estúdios. Compôs músicas para trilhas de filmes, como Basquiat, e seriados de TV como Sex Feet Under. Fez uma participação como Maria Madalena no filme The book of Life. Entre seus duetos estão artistas como Thom Yorke, Tricky, Nick Drake, de quem foi namorada, Violent Femmes entre outros. Participou do projeto paralelo do vocalista do Queens of The Stone Age, Josh Homme e trabalhou no disco solo de Mark Lanegan.

Sem perder o folego, ainda produziu o disco mais recente da cantora Marianne Faithfull, Before The Poison. Mais: não contente em no campo musical, faz esculturas que expõe em galerias de arte pela Inglaterra e publicou poesias.

Sem mais artigos