PJ Harvey surpreende o mundo com disco sem guitarras

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PJ HARVEY
White Chalk
[Island, 2007]

PJ Harvey - White ChalkPolly Jean Harvey sempre foi ousada nas atitudes, composições, música, produção. Espécie de musa alternativa, a inglesa pegou de jeito a crítica mundial com discos raivosos, cheios de guitarra e com uma dose cavalar de desesperança e desconforto.

White Chalk, que chega às lojas americanas neste início de outubro, mostra que sua sede por novas viagens sonoras não parou. Mas desta vez, ela foi longe. No disco, PJ abandona as guitarras e com seu vocal inconfundível usa outros instrumentos pouco comuns em sua carreira, como piano e harpa. Uh Huh Her, o disco anterior, não levava a carreira da cantora a lugar nenhum e alternava momentos criativos com redundantes arranjos baseados no passado da roqueira. White Chalk subverte tudo que se esperava de PJ Harvey enquanto artista. Como se virasse ao avesso, fez o disco mais intimista e familiar, mas mudou o próprio estilo.

O disco é delicado, cheio de detalhes e com interpretações emociantes, como “Grow, Grow, Grow”. PJ Harvey é uma artista com poder suficiente para se reiventar o quanto puder. Com respeito ao seu background, o mundo se debruça sobre sua nova obra. Se será aceita ou compreendida, não sabemos. Mas, no quesito ousadia, Harvey ainda continua mandando bem. O único defeito do disco, é que, passado o choque inicial, ele se torna monótono. A cantora não se preocupa em entreter o ouvinte e ouvir muitas canções torna-se um exercício de paciência. O final “The Mountain” lembra muito a antiga PJ, e pode dar a entender que este disco é apenas um interlúdio de uma carreira coesa. [Paulo Floro]

NOTA: 7,5

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