Chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil

OS ANOS PASSADOS
A reinvenção de personagens históricos marcou 2007 na literatura
Por Rêmulo Caminha

A grande descoberta de 2007 foi a reinvenção dos personagens brasileiros através de biografias publicadas ao longo do ano. D Pedro I da carioca Izabel Lustosa foi uma delas. A historiadora dissecou a vida do imperador, desmistificando a fama de fanfarrão e mulherengo. Sem dúvidas, um daqueles enredos que tanto caracterizaram diversos tipos, como o Macunaíma de Mario de Andrade ou o Jeca Tatu de Monteiro Lobato. Há ainda Nassau – Governador do Brasil Holandês cuja autoria é de Evaldo Cabral de Melo.

O ano que vem marca o bi-centenário da chegada da Família Real ao Brasil, quando D. João VI acompanhado de D. Maria I, conhecida como a rainha louca, e de princesas com as cabeças raspadas e uma corte corrupta desembarcaram no Rio de Janeiro. Para comemorar o fato histórico, vários eventos já começam a ser preparados. Inclusive, há até roteiros turísticos preparados exclusivamente para refazer a passagem deles no Brasil. No campo literário, o jornalista Laurentino Gomes ilustrou essa aventura na obra intitulada como 1808.

No livro do jornalista, há interessantes relatos como o da passagem do navio da Família Real próximo à costa pernambucana. Depois de partir da Paraíba, a embarcação já não suportava mais, estando prestes a naufragar. Existia uma verdadeira epidemia de escorbuto e uma infestação de piolhos. Não tinha nem mais alimentos. Para salvar o navio, o governador de Pernambuco, através de cálculos precisos, mandou seguir uma canoa com frutas típicas para alimentar os portugueses, tornando possível chegar até o Rio de Janeiro.

Já na obra Nassau, traça-se o perfil do empreendedor holandês no Recife. Há ainda a controvérsia da aceitação do tráfico negreiro e da escravidão pelos calvinistas holandeses, que, ao chegarem aqui, chocaram-se com tamanha crueldade. Mas mesmo assim não deixaram de usar a mão-de-obra para o cultivo da cana. Nassau compõe a mesma coleção que lançou D. Pedro, uma iniciativa das Editoras Planeta Brasil e Companhia das Letras que, desde 2006, encomenda obras nesse sentido para lançar nas livrarias do país.

Não há como negar que, nesse ano, a reinvenção de personagens históricos, tentando despertar o interesse do leitor pela história do país, foi a grande descoberta de 2007, marcando já o grande enredo que deve entoar as comemorações da chegada de D. João VI ao Brasil.

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