Vertin Moura em cena do clipe  da música "Apócrifa" (Divulgação)

em cena do clipe da música “Apócrifa” (Divulgação)

Vertin Moura entre a cultura popular e o pop psicodélico
Com 23 anos, o músico de Arcoverde aparece como promessa com o disco de estreia Filhosofia

Por Marta Souza
Do Recife

Vertin é o apelido carinhoso que a família deu para Hewerton de Moura Silva, que nasceu em Juazeiro (BA), mas se radicou em Arcoverde, no Agreste de Pernambuco. Lá ele viu sua veia artística pulsar mais forte, participando de peças de teatro e sendo enveredado pelos irmãos mais velhos no caminho da música. Hoje ele é poeta, ator, compositor e cantor, e foi apontado como a revelação do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) deste ano, onde apresentou músicas do Filhosofia, primeiro CD solo.

Vertin começou a compor com 14 anos, quando ensaiava na garagem de casa com a primeira banda. Aos poucos foi evoluindo como instrumentista e aos 17 começou a acompanhar o irmão, Helton Moura, profissionalmente. “Tocar no Cambaio foi a experiência necessária para entender o funcionamento do trabalho de um músico profissional. Gravamos o disco Helton Moura e O Cambaio – Maquete Sonora em 2009 e no mesmo ano fiz o meu primeiro show solo no SESC Arcoverde com o acúmulo das canções que compus entre 16 e 19 anos. Daí em diante idealizei o disco Filhosofia que concretizou minha carreira solo”, relembra ele.

Marcelo Jeneci foi um dos convidados do show de Vertin Moura no FPNC Moxotó (Foto: Costa Neto)

Marcelo Jeneci foi um dos convidados do show de Vertin Moura no FPNC Moxotó (Foto: Costa Neto)

Com influências que passam pela música clássica, MPB, ritmos pernambucanos (samba de coco, frevo e mangue beat) e as várias vertentes do rock, Vertin diz ser a soma do cantador popular com a música psicodélica. Porém, faz questão de afirmar que definir um estilo é sempre perigoso. Segundo ele, a intenção sempre foi fazer diferente de tudo que já havia ouvido e visto, mas fazer algo que não negasse as heranças. “Não posso negar a presença da cultura popular e do pop psicodélico, como também da filosofia, do rock e das conversas de barzinho. Na verdade, acho sempre bom que as pessoas identifiquem significados, estilos, ritmos e influências variadas. Isso enriquece muito o meu trabalho e tudo isso me leva a pensar que prefiro deixar que cada pessoa que ouve tenha suas próprias impressões e sensações”.

Estudante de Filosofia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Vertin diz que é impossível não sofrer influências da disciplina e que é recorrente no trabalho “brincar” com conceitos e temas tratados por alguns filósofos. “Gosto de refletir sobre o que é humano, sobre a alteridade, sobre as relações éticas para a tolerância às diferenças de um modo mais palpável, assim como fez Raul Seixas. Dizer coisas complexas de maneira mais simples é algo que me move. A música é também uma forma de tornar a filosofia mais palatável. Na filosofia, consigo estabelecer diálogos interessantes com autores como Heráclito, Nietzsche, Sartre e Levinas, trazendo-os para as minhas músicas”.

Talvez a filosofia tenha influenciado o nome para o álbum de estreia, onde Vertin praticamente declama suas músicas.  Quem o ouve logo logo faz a associação com outro artista também de Arcoverde e que tem participação no CD, Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado). Ele não nega a semelhança com o conterrâneo, mas diz também ter buscado em Jim Morrison, Renato Russo, Ney Matogrosso, Kurt Cobain, dentre outros, a própria performance. “Procuro extrair o que há de melhor em cada um desses artistas em busca do meu próprio desempenho no palco. É preciso lembrar que minha cidade possui uma produção artística de alto nível e cada pedacinho dessa produção me inspira de alguma maneira. A própria Estação da Cultura de Arcoverde, onde tive a formação cênica, é um desses lugares de produção artística de alto nível que também influenciaram meu trabalho”, explica.

O artista vem ganhando cada vez mais público, com shows em outros Estados e uma elogiada participação no FIG. Mas, sabe que o caminho ainda é longo. “Tudo isso deu maior visibilidade ao meu trabalho. Contudo, a música independente no Brasil sofre bastante pelo pouco incentivo e eu continuo batalhando muito para levar o trabalho para outras partes do país.”

Capas do CD e Livro de Vertin Moura

Capas do CD e Livro de Vertin Moura

Ao mesmo tempo em que gravou o álbum, ele também escreveu o livro Maria; Duo Artista e Filhosofia para desenvolver mais os assuntos contidos nas canções. O livro e o CD estão disponíveis para download no site, mas brevemente vai ser lançado como CD–Livro Filhosofia, versão pensada originalmente.

Atualmente, Vertin está no processo de produção dos arranjos das canções do segundo trabalho solo, que, além de contar com a parceria de Joaquim Izidro, traz Marcelo Jeneci cantando na faixa “De Alma, Corpo, Mente e Coração”. “Jeneci é bastante atencioso. Deu importância ao meu trabalho e demonstrou interesse em participar do meu CD. O convidei e ele aceitou. Sou um grande admirador do trabalho dele”, ressalta.

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