O Mestre de Obras de Julio Santi e direção de Fernando Nitsch, encenado no Espaço Cênico Viga, em São Paulo, nos leva a reacreditar nos sonhos. Em correr riscos e tentar mudar a percepção de mundo, de vida, da realidade em que estamos inseridos. A peça começa com um arquiteto querendo arrumar um emprego pra construir a casa dos seus sonhos. A casa que ele desenhou com tanta perfeição. Mas o foco da peça está na metáfora da construção. E essa é a porta para o espectador se inundar num universo lúdico, cheio de Castelo de Cartas, espelhos quebrados, baralhos, uma casa, projetos, canos e até uma banheira.

Durante o trabalho de erguer a casa, cada personagem conta sua história, que trará ao público imagens da imaginação e dos sonhos de cada um. Como o encanador, que acredita que sua banheira é um mar cheio de tesouros, peixes e magia.

Com simplicidade, o espetáculo, nos faz passar e refletir por temas como desapego, nostalgia, ambições e transformações. Assuntos tão difíceis de digerir no ser humano da nossa época, seja ele homem ou mulher, jovem ou velho.

Em o Mestre de Obras, tudo pode acontecer, tudo pode aparecer. Se você quer sonhar, se quer aprender a deixar um sonho pra trás e seguir outro quando necessário, se quer aprender a amar a sua profissão mais do que ama o resultado dela, se quer amar o resultado dela, se quer ser feliz e ser aceito. Se quer ser excluído e ser infeliz, Se quer ser você mesmo, mesmo você sendo outro. [Por Janine Henriques]

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