HITCHCOCK REMIX
Versão teen do clássico do suspense Janela Indiscreta, filme estrelado por Shia LaBeouf é superficial, mas diverte
Por Gilberto Tenório

Releituras de clássicos costumam chocar os cinéfilos mais puristas. Volta e meia Holywood aparece com uma adaptação ou mesmo remake de grandes obras que fizeram história nas telas. Os resultados costuma ser, na melhor das hipóteses, dispensáveis. Paranóia, que estréia este final de semana no Brasil, não foge à regra. O filme é uma espécie de versão remixada de Janela Indiscreta – um dos mais famosos filmes de Alfred Hitchcok.

Se no original tínhamos James Stewart e Grace Kelly numa trama onde um homem preso a uma cadeira de rodas passa a observar seus vizinhos e acaba descobrindo um assassino entre eles, em Paranóia, a história se desenvolve a partir de um jovem traumatizado por ter perdido o pai num trágico acidente.

O protagonista Kale, vivido por Shia LaBeouf, o novo astro teen do cinema americano, tem que passar 90 dias em prisão domiciliar por ter espancado um professor. Entediado com uma rotina “cama-sofá-comida-computador”, o garoto começa a bisbilhotar seus vizinhos através de sua janela. Entre uma espiada e outra, ele vai descobrindo os pequenos prazeres desse “big brother” caseiro: a vizinha gostosa (para os padrões americanos, sejamos bem claros) tomando longos banhos de piscina ou os pirralhos da casa da frente que passam o dia inteiro vendo filmes pornôs.

A brincadeira começa a mudar quando Kale desconfia que um dos seus vizinhos, interpretado pelo canastrão David Morse, seja um serial killer dos mais perigosos. Atormentado pela dúvida, Kale passa a contar com a ajuda de seu melhor amigo Ronnie (Aaron Yoo) e da tal vizinha “boazuda” Ashley, a insossa Sarah Roemer. Eles embarcam na fissura do rapaz em descobrir o que está rolando na casa da frente mais por diversão que por espírito de detetive, mas acabam vendo, literalmente, que o garoto estava certo. E para piorar o vizinho esquisitão começa a dar em cima da mãe de Kale, interpretada por Carrie Anne Moss, a ex-companheira de Keanu Reeves na trilogia Matrix, agora numa versão “Desparate Housewives”.

A partir daí a trama se desenvolve de uma forma previsível até a medula. A ação, que em Janela Indiscreta está focada basicamente no apartamento do protagonista, em Paranóia se desenvolve em todo e qualquer lugar. Entretanto, é inegável que o diretor D.J. Caruso conseguiu dar um ritmo ágil e divertido ao filme. Já nas primeiras cenas dá para perceber que a ação está bem colocada e que Shia Labeouf tem carisma e talento para dar conta do recado. A seqüência final, um misto de Cabo do Medo e Sexta-Feira Treze, empolga pelo jogo de gato e rato que se desenrola na casa do algoz de Kale.

O filme segue um caminho diferente de outras adaptações de Hitchcock para a atualidade. O remake de Psicose pelas mãos de Gus Vam Sant, por exemplo, só serviu para provar que o original é uma obra imbatível. Paranóia não tem a pretensão de se igualar a sua matriz. Essa talvez seja a maior qualidade do filme que, embora descartável, é tão divertido como fuçar a vida dos outros pelo Orkut.

PARANÓIA
D.J. Caruso
[Disturbia, EUA, 2007]

NOTA: 7,0

Sem mais artigos