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Papo de Quadrinho escolhe as melhores HQs de 2016

Papo de Quadrinho segue a tradição de elencar as melhores HQs do ano. Nunca é demais repetir: essa lista é tão subjetiva quanto qualquer outra. Ela apresenta as preferidas entre as HQs lidas pelos editores Jota Silvestre e Társis Salvatore.

Importante dizer que por maior que tenha sido nosso esforço, é possível que nossa leitura mal chegou a 10% de tudo que foi publicado. Vale lembrar que foi um ano de muitos lançamentos e pouco dinheiro.

Os critérios continuam os mesmos das listas anteriores: material inédito lançado no Brasil no ano que terminou – ou seja, importados e relançamentos ficaram de fora. As HQs desta lista são aquelas que, de algum modo, trouxeram algo de inusitado, surpreenderam e, por que não dizer, emocionaram os editores.

Dito nisso, esperamos que os leitores vejam esta seleção como um conjunto de obras que valem muito serem lidas.

Vamos a elas…

pau-e-pedra10. Pau e Pedra, de Paul Kuper (edição única, Quadrinhos na Cia)

Kuper usou toda sua experiência em HQs mudas (sem balões, recordatórios e onomatopeias) para fazer uma metáfora dos tempos atuais. Em pouco mais de 100 páginas, o autor versa sobre a perda da inocência, ganância, tirania, guerra e meio ambiente. Uma aula máster para leitores e, principalmente, criadores de quadrinhos.

monica-forca9. Mônica – Força, de Bianca Pinheiro (série, Panini/MSP)

O selo Graphic MSP continha marcando presença entre os melhores do ano. Desta vez, a talentosa Bianca Pinheiro enveredou por um lado pouco explorado da “dona da rua”. De forma nunca antes vista, Mônica tem que encarar problemas de gente grande, daqueles que não dá pra resolver na base da coelhada. Sensível e emocionante.

ore-monotagari8. Ore Monogatari!! (Minha História), de Aruko e Kazune Kawahara (série bimestral, Panini)

Ore Monogatari está para o shojo (mangás românticos “para meninas”) assim como One Punch Man (veja abaixo) está para o shonen (mangás de aventura “para meninos”). É uma paródia que não deve ser levada a sério exceto como uma ironia às fórmulas sacramentadas desse gênero. A trama foca em Takeo Gouda, um cara gente fina, mas meio bronco e completamente ingênuo, enquanto seu melhor amigo, Makoto Sunakawa – este sim, o galã idealizado de shojo – é pouco mais que um coadjuvante. Divertidíssimo!

one-punch-man7. One Punch Man, de One e Yusuke Murata (série bimestral, Panini)

One Punch Man nasceu como uma webcomic escrita e garranchada pelo jovem One, até que Murata reconheceu seu potencial e assumiu a arte para a versão impressa. Hoje, é um dos mangás mais vendidos do mundo e ganhou um anime de enorme sucesso. Saitama treinou seu corpo até perder os cabelos (literalmente!) e o que deveria ser uma virtude se transformou num problema: como ele derrota todos inimigos com apenas um soco, vive em busca de um adversário à altura. Uma divertida paródia dos mangás e animes de super-heróis com poderes estranhos, vilões bizarros e destruição em massa.

nimona6. Nimona, de Noelle Stevenson (edição única, Intrínseca)

Num reino meio medieval, meio high-tech, os papéis de vilão e herói são definidos pelos governantes. A transmorfa Nimona chega para auxiliar o “maléfico” Lorde Ballister Coração Negro a derrotar seu ex-amigo e arqui-inimigo, o “virtuoso” Sir Ambrosius Ouropelvis. Mais que isso, Nimona subverte a ordem estabelecida, evidencia quem é o verdadeiro inimigo e faz aflorar o melhor que cada personagem traz dentro de si.

sopa-de-salsicha5. Sopa de Salsicha, de Eduardo Medeiros (edição única, Quadrinhos na Cia)

Medeiros apresenta retratos bem-humorados do seu cotidiano, entremeados com momentos de sua vida e carreira. Impressiona a capacidade que o autor tem de rir de si mesmo. No fundo, é um álbum sobre amor, capacidade criativa e transformação. A cereja do bolo são as “participações especiais” de artistas como Marcelo Campos, Rafael Albuquerque, Gustavo Duarte e os gêmeos Moon e Bá.

stan-lee4. Incrível, Fantástico, Inacreditável, de Stan Lee, Peter David e Colleen Doran (edição única, Novo Século)

Esta biografia em quadrinhos de Stan Lee, que acaba de completar 94 anos, reflete a personalidade bem-humorada do biografado e brinca o tempo todo com seu ego superinflado. A vida de Lee é revista desde a infância até as recentes aparições no cinema. Polêmicas não foram esquecidas, como as conhecidas desavenças com os artistas Jack Kirby e Steve Ditko. A arte faz uso de ótimas soluções narrativas, como a reprodução das capas e quadros de revistas antológicas da Marvel.

lei-de-murphy3. A Lei de Murphy, de Flavio Soares (edição única, Jupati Books)

Com roteiro que daria fácil uma série de TV, embalado pela arte competente e uma narrativa que prende o leitor até o último quadro, Flavio Soares criou uma nova perspectiva para o gênero de super-heróis. O advogado Douglas Murphy defende meta-humanos que se metem em problemas com os poderes recém-adquiridos. Mas ele não é nenhum Matt Murdock; ao contrário, Murphy vê nisso uma oportunidade para ficar rico e famoso, até que um caso estranho faz com que o advogado revele segredos inesperados até o ato final.

capitao-gralha2. As Aventuras Perdidas do Capitão Gralha, vários autores (edição única, Quadrinhópole)

No melhor estilo de O Escapista, de Michael Chabon, um grupo de quadrinhistas curitibanos criou o herói fictício Capitão Gralha, que teria tido suas histórias publicadas na Era de Ouro. A ideia inicial era criar um background para um novo personagem, O Gralha, que viria a ser publicado em tiras de jornal. Só que a biografia do criador imaginário, Francisco Iwerten, foi tão bem elaborada que ele chegou a ser indicado a uma premiação de quadrinhos e, consta, estava prestes a virar enredo de escola de samba antes que os autores revelassem a verdade. O álbum reúne as aventuras “recuperadas” nos anos 40 e captam com precisão o espírito daquela Era.

coisas-de-adornar-paredes1. Coisas de Adornar Paredes, de José Aguiar (edição única, Quadrinhofilia)

De tão simples, a ideia chega a ser genial. Nesse álbum, José Aguiar (um dos autores envolvidos com o Capitão Gralha, acima) explora a relação das pessoas com azulejos, quadros, santos e tudo aquilo que se usa para decorar as paredes. Não bastasse a edição caprichada, a arte aquarelada em tons de cinza e a visão poética de Aguiar sobre um tema tão prosaico, a HQ explora de forma magistral a metalinguagem. O personagem Chico é o autor dos contos apresentados, que se desenvolvem à medida que ele se relaciona com os colegas de trabalho.

Para encerrar, fica a dica de outros títulos que adoramos e não podem deixar de ser lidos:

São Paulo dos Mortos – vol. 3, de Daniel Esteves (série, independente);

Pieces – Partes do Todo, de Mario Cau (série, Jupati Books);

Finório, de Marco Oliveira (edição única, Zarabatana Books);

Cadernos de Viagem, de Laudo Ferreira Jr. (edição única, Devir);

Bidu – Juntos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (série, Panini/MSP);

Ajin, de Tsuina Miura e Gamon Sakurai (série bimestral, Panini);

Repeteco, de Bryan Lee O’Malley (edição única, Quadrinhos na Cia).

Quadrinhos na Bienal do Livro SP: Mauricio de Sousa

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Como de costume, várias editoras reservaram lançamentos com a Turma da Mônica para o evento literário, que acontece em São Paulo de 26 de agosto a 4 de setembro no Anhembi.

Para os leitores de quadrinhos, os que mais devem interessar são os títulos da Panini (veja galeria completa de capas abaixo):

Memórias do Mauricio: Vinte e cinco momentos marcantes do criador da Turma da Mônica, da infância aos dias atuais, retratados por alguns dos mais talentosos quadrinhistas brasileiros. (212 páginas, R$140,00)

Graphic MSP: Mônica – Força: Nesse 12º título da coleção em que autores imprimem sua visão autoral aos personagens de Mauricio de Sousa, Mônica terá que enfrentar seu maior desafio, e não poderá ser na base da coelhada. Roteiro e arte da premiada Bianca Pinheiro (80 páginas, R$ 34,00(capa dura) e R$ 23,00 (capa cartonada)

Editoras de diversos segmentos também apresentam seus lançamentos em parceria com a Mauricio de Sousa Produções:

Magali em outras Vidas: Retrata a história de vidas passadas e um antigo romance da Magali, que tem se repetido de geração em geração (Editora Boa Nova, 56 páginas, R$ 31,90)

Contos da Carochinha: Uma compilação de 14 contos: A Bela e a Fera, Gulliver, Cachinhos Dourados, Os Três Porquinhos, A Princesa Arrogante, João e o Pé de Feijão, A Princesa e a Ervilha, O Sapateiro e os Duendes, Alice no País das Maravilhas, Pinóquio, Romeu e Julieta, O Mágico de Oz, O Flautista de Hamelin e As Doze Princesas Dançarinas (Editora Girassol, 240 páginas, R$ 59,90)

As Aventuras de Ulisses em Versos de Cordel: Um épico inesquecível, em poesia bem narrada com sextilhas de cordel e ricamente ilustrada, sobre as viagens de Ulisses e sua volta à pátria amada (Melhoramentos, 64 páginas, R$ 54)

Turma da Mônica Visita o Papa: Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento, depois de uma dica do amigo Vitinho, inscreveram-se em um concurso para conhecer Roma, na Itália, e o Vaticano, onde vive o Papa Francisco. (Editora Santuário, 48 páginas, R$ 19,90)

A Cozinha Caipira de Chico Bento: Graças às receitas do Chef Jefferson Rueda, A cozinha caipira do Chico Bento possibilita que o imaginário e a cultura gastronômica do interior de muitas cidades do Brasil encontrem eco em nossas mesas, e nos façam recordar de um tempo mais puro, constituindo um estímulo à busca de uma cozinha mais natural e saborosa, porém com um toque urbano e contemporâneo (Senac Editora, 120 páginas, R$ 76,90)

Turma da Mônica & Você: lançamento exclusivamente virtual, que só pode ser adquirido pelo site www.dentrodahistoria.com.br. Por meio dele, a criança cria seu próprio personagem, selecionando características como roupa, cor de pele, cabelo, olhos e acessórios, que fará parte de uma história com a Turma da Mônica (Dentro da História, 28 páginas, R$ 40).

Com tantas novidades, Mauricio de Sousa tem uma agenda cheia dentro da Bienal do Livro de SP, que inclui bate-papos, sessões de autógrafos e performance de personagens. A agenda completa estará disponível em breve no endereço turmadamonica.com.br/binaldolivro.

Veja aqui como visitar a Bienal do Livro de SP.

Coleção de miniaturas da Turma da Mônica pela Salvat

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Do Press-Release

Agora o público poderá curtir, em sua casa, a coleção completa dos personagens da Turma da Mônica, que será lançada no dia 28 de abril. Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento e muitos outros ganharão réplicas nostálgicas, feitas para eternizar os bons momentos da infância e as lembranças dos antigos e novos leitores.

A coleção conta com 60 miniaturas, pintadas à mão, dos personagens da turminha mais querida do Brasil. O fascículo possui a ficha dos personagens, com suas principais características e a evolução do seu traço, divertidas histórias em quadrinhos com o personagem de cada edição, informações sobre Mauricio de Sousa, o processo da criação das histórias e dicas para desenhar.

A coleção chega quinzenalmente às bancas de SP, RJ e ES, sendo a primeira e segunda entregas a valores promocionais (R$ 9,90 e R$ 29,90, respetivamente) e a partir da terceira edição por R$ 49,90. Informações e novidades sobre a coleção e as miniaturas poderão ser acompanhadas na página da coleção.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2015

Depois da lista de Melhores HQs estrangeiras, chegou a hora das nacionais.

Num ano de produção vasta e qualificada, amplificada pela realização de dois importantes eventos, FIQ e CCXP, selecionar apenas 10 obras não foi uma tarefa fácil.

Nunca é demais repetir: os livros abaixo são os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do blog – um volume muito aquém de toda a produção anual.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2015, em ordem alfabética:

DodôDodô (Felipe Nunes – Independente)

Felipe Nunes é considerado um dos expoentes da nova geração de quadrinhistas brasileiros, uma geração que tem muito a dizer. Depois do excelente e premiado Klaus, o autor volta a explorar o universo infantil. Desta vez, pelos olhos de Lola, menina de seis anos que não vai à escola, não tem amigos e recebe pouca atenção da mãe. Até que num belo dia ela encontra um (amigo imaginário?) Dodô. De simples distração, o pássaro se converte no gatilho que vai explodir emoções e segredos há muito guardados. A forma como Nunes trabalha o sentimento de rejeição é um soco no estômago no leitor.

Dois IrmãosDois Irmãos (Fabio Moon e Gabriel Bá – Cia. das Letras)

A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011. Diferentes e rivais desde muito cedo, Yaqub e Halim são como luz e sombra – um recurso gráfico que os autores exploram não só na relação entre eles, mas também, e principalmente, no detalhamento da arquitetura de Manaus, onde se passa grande parte da história. Moon e Bá traduziram com maestria a densidade da narrativa de Hatoum para a nona arte e preencheram algumas lacunas que antes viviam apenas na imaginação dos leitores da obra original.

Limiar Dark MatterLimiar: Dark Matter (Luciano Salles – Independente)

Luciano Salles optou por encerrar a trilogia iniciada em O Quarto Vivente e seguida por L’Amour: 12 Oz com uma ficção científica. Os amigos Carino e Nádio pretendem honrar – e vingar – um terceiro integrante da sua confraria, Amerício, “memorizado” por desafiar as regras de uma sociedade controladora. Neste futuro distópico, a “matéria escura” do título – um elemento cósmico que desafia a Ciência até hoje – encontra-se sintetizada numa espécie de alucinógeno que amplia os sentidos dos dois amigos e os incita a se lançarem numa aventura suicida. Na comparação com os demais trabalhos de Luciano, Dark Matter talvez seja o que tem a narrativa mais linear, mas não menos intrigante. E sua arte, como sempre, é arrebatadora.

Louco FugaLouco – Fuga (Rogério Coelho – MSP Produções/Panini)

Esta é mais que uma aventura nonsense, como costuma acontecer nas recorrentes participações especiais do Louco nas revistas da Turma da Mônica. Rogério Coelho lança mão de sua vasta experiência como ilustrador para contar uma história que homenageia a arte de contar histórias. Na trama, o Louco é o herói de seu mundo interior, onde precisa salvar o pássaro mágico – que inspira todos os escritores – das garras dos Guardiões do Silêncio. Isso se dá numa narrativa que mistura metalinguagem, lirismo, diagramação ousada, cenários fantásticos, traços e cores que remetem aos livros de fábulas.

Mil Léguas TransamazônicasMil Léguas Transamazônicas (Will e Spacca – Independente)

Quando dois visionários se encontram, o resultado não pode ser menos que impressionante. Isso vale para o encontro fictício do Barão de Mauá e Júlio Verne, e também para a dupla de autores, Will e Spacca. A obra é uma mistura tão bem elaborada de ficção e pesquisa histórica que fica difícil distinguir onde termina uma e começa a outra. A trama, que envolve a exploração do Rio Amazonas em pleno Segundo Império no barco voador Uirapuru, tem intrigas políticas, a lenda das guerreiras amazonas e até um certo “Diabo Coxo” que embarca meio que acidentalmente na aventura. Esse último elemento faz de Mil Léguas Transamazônicas uma homenagem não só à História do Brasil e à ficção científica, mas também ao próprio desenvolvimento da nona arte no País.

O Astronauta de PijamaO Astronauta de Pijama (Samantha Flôor – Marsupial Editora)

A autora mergulha fundo no imaginário infantil ao acompanhar a aventura do garoto que precisa resgatar seu gato das entranhas de um simpático e imaginário monstro. O recurso da ausência de texto, que estende a leitura para todas as idades, é compensado de forma competente pela expressividade dos personagens e o dinamismo da narrativa.

Por mais um dia com ZapataPor Mais um Dia com Zapata (Daniel Esteves, Alex Rodrigues e Al Stefano – Zapata Edições)

A obra refaz os passos do revolucionário mexicano Emiliano Zapata desde os primeiros confrontos com os soldados do ditador Porfirio Díaz até seu assassinato numa emboscada em Chinameca. A história é contada pelo ponto de vista de “Brasileño”, personagem fictício que faz o elo entre a Revolução Mexicana e o massacre da comunidade de Canudos, ocorrida no interior da Bahia em 1896. A convergência de duas linhas temporais distintas forma um mosaico que lança um novo olhar sobre este importante momento histórico da América Latina.

Quando a Noite fecha os OlhosQuando a Noite Fecha os Olhos (André Diniz e Mário Cau – Independente)

A diversidade tratada de forma honesta e sensível. Não se pode esperar menos dos dois autores que, com carreiras consagradas, realizam seu primeiro trabalho conjunto. Camilo vive uma noite eterna e tem como companhia apenas os objetos de seu quarto. Quando as circunstâncias se impõem, ele precisa enfrentar demônios internos e externos para finalmente se libertar. O recurso narrativo de usar o clima e objetos inanimados para expor a psique do personagem é, se não inédito, de uma beleza ímpar.

Steampunk LadiesSteampunk Ladies – Vingança a Vapor (Zé Wellington, Di Amorin e Wilton Santos – Editora Draco)

Rabiosa e Sue foram unidas pelo destino, pelo desejo de vingança e pela percepção que, juntas, têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado. O roteiro é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Os autores optaram pelo ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. Os flashbacks funcionam de forma orgânica e lembram alguns bons filmes do gênero. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus de faroeste.

Turma da Mônica – Lições (Vitor e Lu Cafaggi – MSP Produções/Panini)

Como o próprio nome evoca, Lições versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos. Um olhar mais atento revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental; eles cresceram e perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura. O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizades. O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades. Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

“Turma da Mônica – Lições”: Quadrinho de gente grande

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Turma da Mônica – Lições é o oitavo volume do selo Graphic MSP, em que artistas nacionais imprimem sua visão pessoal sobre os personagens de Mauricio de Sousa, e o segundo produzido pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi.

Falar da forma sensível com que Vitor e Lu, cada um dentro do seu estilo, retratam a turma é chover no molhado. Isso já ficou bastante evidente em Turma da Mônica – Laços, de 2013. E se é que era possível superar em beleza estética e narrativa o trabalho anterior, eles conseguiram.

Na abordagem principal, Lições, como o próprio nome evoca, versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que eles precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos.

Um olhar mais atento, no entanto, revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental. Eles cresceram desde a última aventura e, com isso, perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura.

O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizade. Como toda lição, também a de crescer é difícil, mas traz como resultado o aprendizado e o amadurecimento.

A seu modo, cada um dos personagens passa pelas fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão. A história chega ao clímax quando eles finalmente chegam à última fase, aceitação.

É então que Mônica percebe que pode ser a “rainha do pedaço” onde quer que seja necessário; Cebolinha, que o potencial de sua engenhosidade vai muito além de roubar o coelhinho Sansão; Magali descobre um sentimento novo; e Cascão fica a um passo, literalmente, de enfrentar seu maior medo.

O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades.

Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística. Vitor e Lu Cafaggi já são bem grandinhos, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

A HQ tem 80 páginas, formato 19 x 27,5 cm, capa e miolo coloridos e duas opções de preço: R$ 21,90 (capa cartonada) e R$ 31,90 (capa dura).

Pixels e a Turma da Mônica

E já que o tema do mês é a Turma da Mônica, dá para entender porque seus personagens são um case de sucesso, sempre se renovando e estabelecendo conexões com produtos divertidos.

A Mauricio de Sousa Produções está lançando uma parceria inédita com a Sony Pictures Entertainment para promover o lançamento do filme PIXELS, nova comédia de Adam Sandler (que esse editor ADORA – me julguem!).

A sinopse de Pixels é hilária: seres intergalácticos interpretam um arquivo em vídeo com imagens de jogos de arcade clássicos como uma declaração de guerra. A Terra é atacada usando esses jogos como modelos para suas várias ofensivas.

O presidente Will Cooper (Kevin James) busca ajuda de seu melhor amigo de infância Sam Brenner (Adam Sandler), um campeão de competições de vídeo-games nos anos 1980 – e agora um instalador de home theater – para liderar uma equipe de jogadores veteranos (Peter Dinklage e Josh Gad), derrotar os alienígenas e salvar o planeta. Eles ainda vão contar com a ajuda da tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan), uma especialista em tecnologia que irá fornecer aos arcaders as armas exclusivas para lutar contra os aliens.

Pixels, é uma produção da Sony que evoca a memória afetiva de toda uma geração que aprendeu a gostar de games nos primeiros consoles “pré-históricos” dos anos 1980.

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O site dessa parceria é o http://turmadamonica.uol.com.br/monicapixel/ com informações do filme e com o imperdível “Limoeiro Invaders”, jogável aqui.  O novo longa de Adam Sandler estreia no dia 23 de julho, um dia antes da estreia nos Estados Unidos, com cópias dubladas e legendadas em 2D e 3D.

Bate-Papo de Quadrinho: Penadinho-Vida

Tá no ar mais um programa Bate-Papo de Quadrinho.

Neste programa, comentamos o mais recente lançamento do selo Graphic MSP, Penadinho-Vida, de Paulo Crumbim e Cristina Eiko.

Assistam, comentem, critiquem.

“Astronauta – Singularidade”: O que faz um personagem e um artista únicos

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Danilo Beyruth consegue extrair o melhor de cada gênero dos quadrinhos em que se aventura: do super-heroísmo sobrenatural de Necronauta ao existencialismo de Astronauta – Magnetar, passando pelo faroeste caboclo de Bando de Dois.

Ele é o tipo de artista que definitivamente não se “deita em berço esplêndido”, como se costuma dizer de alguém que não quer ou não consegue abandonar uma fórmula que deu certo.

Prova disso é seu mais novo trabalho no selo Graphic MSP, que revisita personagens de Mauricio de Sousa com visão autoral: Astronauta – Singularidade (veja um preview aqui).

Mesmo tendo sido convidado a dar continuidade a provavelmente seu trabalho de maior popularidade – Danilo já era um artista premiado por ocasião de Magnetar, mas não é exagero dizer que a graphic novel ampliou sobremaneira seu espectro de leitores –, ele optou por seguir um caminho oposto.

Na primeira Graphic MSP, o autor explorou a principal característica do personagem, a solidão. Em Singularidade, este aspecto é solenemente descartado: agora, ele é forçado a trabalhar em equipe. O tom filosófico da HQ anterior foi substituído por outro, mais aventureiro – o que também não deixa de ser algo inerente ao Astronauta. O resultado é menos poético, é verdade, mas não menos divertido.

Na trama, o Astronauta embarca na investigação de um buraco negro – a chamada “singularidade” do título – na companhia da psicóloga que vinha avaliando sua sanidade após os eventos traumáticos de Magnetar, e de um oficial de outro país.

No chamado “horizonte de evento”, a área periférica ao buraco negro, o grupo se depara com um objeto descomunal e desconhecido. É aí que diferentes interesses começam a aflorar e o Astronauta precisa partir literalmente para a ação a fim de não colocar em risco nosso planeta.

Como em todos os trabalhos de Danilo Beyruth, revela-se aqui a ampla pesquisa que norteia o roteiro. Neste em particular, a pesquisa estendeu-se à mitologia do próprio Astronauta, com direito a uma breve participação de um integrante dos chamados Homens-Geleia.

Danilo, como foi dito, transita com naturalidade entre diferentes gêneros. Mas uma constante em seu trabalho é a qualidade de roteiro e arte, e o domínio da narrativa gráfica, em particular na escolha da disposição dos quadros nas páginas. Assim como em Magnetar, em Singularidade as cores de Cris Peter potencializam a força do traço e contribuem para dar o tom de continuidade entre as duas obras.

Se o buraco negro é uma metáfora para evidenciar a singularidade do Astronauta enquanto personagem, também vale para Danilo Beyruth enquanto artista.

Veja as primeiras imagens de “Astronauta – Singularidade”, novo título da série Graphic MSP

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Na tarde desta quarta-feira (5), o jornalista e editor da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman, divulgou as primeiras imagens de Astronauta – Singularidade, de Danilo Beyruth (roteiro e arte) e Cris Peter (cores) (veja galeria abaixo).

A graphic novel dá continuidade ao primeiro título da série Graphic MSP, Astronauta – Magnetar, da mesma dupla criativa, lançado em outubro de 2012.

Nesta nova aventura, o Astronauta investiga um buraco negro. O texto de apresentação é do quadrinhista argentino Eduardo Risso.

Astronauta – Singularidade será lançado em dezembro pela Panini, em duas versões: em bancas, com capa cartonada, (R$ 19,90) e em livrarias, com capa dura (R$ 29,90).

Esculturas do “Mônica Parade” vão a leilão

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Mesmo antes do fim da exposição, no dia 8, os organizadores da exposição urbana anunciaram que 30 das 50 peças já estão à disposição dos interessados.

O leilão segue o formato eletrônico. Os lances podem ser dados no site (clique aqui) até dia 18. Detalhe: o valor mínimo para arremate é R$ 3.500.

Conforme anunciado no lançamento da exposição Mônica Parade, em novembro, a renda será revertida em favor da Unicef.

As 30 estátuas do leilão foram escolhidas por sorteio; as 20 restantes devem fazer parte de exposições itinerantes nas demais capitais brasileiras a partir de 2014, onde permanecerão durante um mês. Os organizadores estão em contato com as prefeituras para fechar o cronograma.

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