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Tag: Turma da Mônica Jovem

Mauricio de Sousa vai lançar álbum só com artistas “da casa”

Em encontro com blogueiros realizado na noite de ontem (28) por ocasião do lançamento de Turma da Mônica Jovem 43 – edição que traz o crossover com os personagem de Osamu Tezuka –, Mauricio de Sousa revelou alguns dos projetos para este ano.

Entre as muitas novidades – mais de 100 livros, novos desenhos animados (inclusive para plataformas móveis), as já anunciadas Graphic MSP, Chico Moço (versão jovem do personagem) e a quadrinhização do jogador de futebol Neymar – um dos anúncios que mais chamou atenção foi Ouro da Casa.

Trata-se de um livro em quadrinhos nos mesmos moldes da série MSP 50: a visão pessoal de diferentes artistas sobre os personagens da Turma da Mônica. A novidade é que, diferentemente das três edições anteriores, esta será produzida apenas por roteiristas e artistas do estúdio de Mauricio de Sousa.

“O pessoal está muito contente em poder fazer, pela primeira vez, um trabalho autoral com a Turma da Mônica”, confirmou Mauricio.

E tem mais coisa por aí. O ano que vem marca os 50 anos da Mônica e tudo indica que a data será comemorada em grande estilo. Há planos relacionados aos esportes, por conta da Copa do Mundo e Olimpíadas a serem realizadas no Brasil, e a ideia de publicar um livro em 180 idiomas diferentes.

Especificamente sobre a Turma da Mônica Jovem 43, Mauricio lembrou que é a primeira vez que o universo de Osamu Tezuka interage com personagens de outro estúdio. O projeto só foi possível graças a uma grande amizade surgida entre os dois profissionais nos anos 1960.

De resto, é inspirador ouvir Mauricio de Sousa. Aos 76 anos, ele continua mais incansável, criativo e ousado que muita gente com metade da sua idade.

O dia em que Mônica encontrou a Princesa Safiri

Ou: a parceria de Mauricio de Sousa e Osamu Tezuka, finalmente.

Consta que o primeiro contato entre o mais bem sucedido quadrinhista brasileiro e o mestre japonês do mangá e do anime tem quase duas décadas.

Com a morte de Tezuka em 1989, o projeto de uma história conjunta ficou parado até um novo contato com a família, há dois anos.

O resultado deste encontro poderá ser conferido a partir de fevereiro na revista Turma da Mônica Jovem, com participação de toda a turma do bairro do Limoeiro e de saudosos personagens como Astro Boy, o leão Kimba e, claro, a Princesa Safiri. A trama em duas partes vai se estender até a edição do mês seguinte.

Infelizmente, o argumento é pra lá de batido: a preservação da Amazônia. Não gosto de criticar sem ler e entendo que Amazônia e meio-ambiente são temas com força para garantir publicação fora do Brasil.

Acontece que este editor anda meio cansado da ecochatice. E pensa que um crossover desta magnitude poderia explorar um pouco melhor o universo de fantasia e ficção de Tezuka.

Ainda em janeiro, em Turma da Mônica Jovem 42, sairá um teaser da aventura. A conferir.

Turma da Mônica Jovem vende mais que Justice League 1

Essa foi ótima!

Mesmo antes de a Diamond Comics liberar suas estatísticas, no início desta semana, a DC Comics saiu alardeando que as 200 mil cópias vendidas faziam de Justice League 1, o pontapé do seu Restart, a revista em quadrinhos mais vendida do ano.

No mesmo dia, Rich Johnston, jornalista do site Bleeding Cool, contestou a afirmação argumentando que era necessário olhar para outros formatos (graphic novels, encadernados, HQs digitais) e países (França e Japão, por exemplo) – o que em nada diminui a excelente vendagem do título da DC.

Ontem (13), o jornalista publicou outra nota para se defender de críticas que sofreu pela contestação e reafirmou que, ainda que a definição de uma HQ se limitasse a uma revista impressa, com menos de 50 páginas, capa mole e grampeada, e com conteúdo exclusivamente de quadrinhos – ainda assim a declaração da DC não seria verdadeira.

E foi buscar o exemplo dentro do próprio continente americano: Turma da Mônica Jovem 34, a edição de junho, com o beijo de Mônica e Cebola na capa.

Johnston afirma que a revista vendeu 500 mil exemplares.

Por uma lado, é gratificante saber que uma HQ 100% brasileira não só é um fenômeno de vendas, como também é reconhecida pela imprensa especializada de outro país.

Por outro, fica a lembrança amarga de que, enquanto nos Estados Unidos os números de vendas são divulgados, tabulados, analisados, comparados, aqui permanecemos no escuro. Como Johnston conseguiu esta façanha, desconheço.

5 perguntas para Sonia Luyten

 Sonia Luyten é a maior especialista brasileira em mangás. Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, tem mais de três décadas dedicadas ao estudo, docência e pesquisa dos quadrinhos no Brasil, Oriente e Europa. É autora de vários artigos e livros sobre o tema, com destaque para o livro: “Mangá: o poder dos Quadrinhos Japoneses”.

Sônia responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quem foi o grande responsável pelo interesse dos jovens nos animes e mangás no Brasil? Existe algum marco: filme, desenho ou gibi?
Embora já houvesse algumas publicações de mangá e algumas TVs  mostrando animes no Brasil, o grande boom aconteceu de forma global (e o Brasil entrou neste contexto no final dos anos 1990), com Cavaleiros do Zodíaco, e a Cultura Pop japonesa – como um todo – passou a fazer parte do universo dos jovens brasileiros. Algumas editoras comerciais como a Conrad, JBC e Panini iniciaram a tradução e publicação de mangás que já haviam sido sucesso no Japão. Isto somou-se à febre dos animes, concursos de cosplays e os megaencontros em todo Brasil.

2) A que você atribui esse interesse dos jovens brasileiros pelo mangá, em vez dos tradicionais super-heróis Marvel/DC?
Os motivos são vários. Em primeiro lugar, sempre houve um vazio editorial para o segmento dos adolescentes, que era preenchido com publicações estrangeiras. O Mauricio de Sousa, hoje em dia, faz sucesso com a Turma da Mônica Jovem exatamente por sua boa qualidade e deu continuidade aos fãs fiéis da infância.
Outro fator foi a globalização da Cultura Pop japonesa que – com a difusão pela internet – entrou de cheio no Brasil. Estes jovens, mais do que depressa, passaram a “ver” o que estava acontecendo no mundo. No final dos anos 1990 e início do novo milênio, os super heróis americanos já estavam desgastados. O mangá e anime entraram no gosto do jovem brasileiro (e também de outras partes do mundo) em função de vários fatores: os heróis não são eternos. Eles duram enquanto são publicados. A indústria japonesa sabe fazer seu marketing e eles estão presentes em todo lugar – merchandising, objetos, itens de coleção etc. Os heróis japoneses também são mais humanos. Eles sofrem, são persistentes e lutam por seu ideal. Tem muito a ver com a cultura oriental, de origem confucionista. Por fim, a estética do mangá e anime é muito atraente, vibrante e entrou no gosto internacional.

3) O sucesso comercial de Turma da Mônica Jovem no estilo mangá é uma prova de que para se ter sucesso editorial aqui no Brasil é preciso pensar em desenhar nesse estilo?
Não necessariamente. Não sou contra o desenho em estilo mangá pois o mangá não é propriedade do Japão. Sempre digo que a arte não tem fronteiras.
Os japoneses, no início de sua produção, copiaram o modelo ocidental. Logo perceberam que tanto o conteúdo como o desenho não iam ao encontro do gosto japonês. O próprio criador da palavra mangá, o famoso xilogravurista Hokusai, teve muita influência da Europa, dos gravuristas holandeses.
Acredito que, no Brasil, muitos jovens gostam de fazer HQ  em estilo mangá. Mas não basta. É preciso ter um bom roteiro. Com um bom roteiro pode-se fazer histórias em qualquer estilo. Temos, portanto, que olhar para dentro, procurar algo que o público se identifique. E não ter vergonha de nós mesmos: tanto no estilo como no roteiro. Os japoneses conseguiram isto. Por que não a gente?

4) Os tablets afetam (ou não) o mercado de mangás?
Nenhum meio de comunicação ou inovação tecnológica atrapalha o outro. Com o advento do rádio, o jornal impresso modificou-se, com o advento da TV, o rádio idem. Com a internet, os outros meios de comunicação adaptaram-se a ela. Os tablets vieram para somar e não atrapalhar.

5) Quando nós editores do Papo de Quadrinho conhecemos o mangá, havia basicamente o Akira, o Lobo Solitário, além de uma minissérie, Crying Freeman. Hoje existem centenas de mangás nas bancas brasileiras. Como escolher um entre tantas opções? Você tem alguma dica para facilitar a vida de quem não conhece os títulos e inúmeros subgêneros do mangá?
Se alguém quer se iniciar no mundo dos mangás, deve começar com Osamu Tezuka. Tem várias histórias deles traduzidas no Brasil e também sua vida e obra (da Conrad, da qual fiz a introdução).
Uma obra belíssima é Buda. Vale a pena ler, recomendado para todas as idades.
O básico para anime é também Tezuka (Astro Boy) e  Miyazaki, com inúmeros títulos: La PiutaA viagem de Chihiro, Naushika e Totoro.
No Brasil, editorialmente, não há um segmento definido para o público masculino e feminino como no Japão, mas pode-se escolher entre Sakurai, Dragonball, Samurai X, Death Note (que foi muito bem adaptado no Brasil para uma peça de teatro) Naruto e One Piece.
Para um público mais cult recomendo o mangá Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi. Ele inventou o termo “gekigá”, que significa drama (geki) ilustrado (gá), para designar uma nova maneira de se fazer mangá, com temas adultos, desconcertantes e até cruéis. Fiz também a introdução deste belíssmo exemplar falando de Tatsumi e a retratação das mulheres numa época de pobreza no Japão.

Veja comercial de TV da Turma da Mônica Jovem 34

Atualizado em 30.05 com o plano de mídia.

Veja onde o comercial será veiculado:

Televisão: Globo (TV Globinho), SBT (Bom dia & Cia, Sábado Animado), Disney Channel (horário rotativo 10h-22h), Cartoon Network e Nick

Internet: Cartoon, Nick, Boomerang, Capricho, Rádio Mix e Disney

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O vídeo faz parte da campanha de divulgação da edição em que Mônica e Cebola vão assumir o namoro.

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Mônica e Cebolinha vão namorar

Ninguém nega que Turma da Mônica Jovem seja um sucesso editorial. Fala-se em tiragem de 300 mil exemplares por edição, sendo que o número 4, em que há um “ensaio” de beijo entre Mônica e Cebola, teria ultrapassado os 500 mil.

São números impensáveis para o mercado brasileiro de quadrinhos.

Não será de espantar, então, se a edição 34, que chega às bancas dia 27, ultrapasse esta marca (a tiragem inicial anunciada já é de 500 mil exemplares).

Depois de algum suspense nas redes sociais (procure pela hashtag #sansãoprocura no Twitter), o próprio Mauricio de Sousa revelou em seu perfil no microblog que o casal finalmente iria engatar um namoro.

Na trama, Cebola decide declarar-se para Mônica por receio de perdê-la para outro garoto. O lançamento desta edição especial, com 132 páginas (R$ 6,90) e história completa, foi planejada para as vésperas do Dia dos Namorados.

A Panini não economizou. Além de deixar o trabalho nas redes sociais nas mãos de uma agência especializada, a publicação ganhará campanha publicitária que inclui promoção na Internet, flash mobs e anúncios em TV aberta e fechada, rádios, revistas e jornais.

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