Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Tag: Superdeuses

Papo de Quadrinho elege os Melhores Livros de 2012

Nossa última lista de melhores do ano é dedicada aos livros. Sim, porque nós gostamos de ler outras coisas além de HQs!

O leitor vai notar, porém, que mesmo na literatura nossa preferência passa pelos quadrinhos, jogos e fantasia.

Então, conheça a lista de Melhores Livros de 2012 do Papo de Quadrinho:

SUPERDEUSES (Grant Morrison, Editora Seoman)

Morrison pode ser um chato quanto quer, mas é também um gênio quando precisa. Em Superdeuses, constrói uma obra autobiográfica ao mesmo tempo em que traça a trajetória dos quadrinhos de super-heróis desde a Era de Ouro. O autor é um dos expoentes da chamada “invasão britânica” no início dos anos 1990 e descreve os bastidores desta fase de maneira inédita. A maior crítica da edição brasileira foi a capa – por isso, a editora já confirmou que deve refazê-la.

Leia resenha completa aqui: http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2012/10/08/superdeuses-e-leitura-obrigatoria-mas-so-para-iniciados/

LEVIATÃ: A MISSÃO SECRETA (TRILOGIA LEVIATÃ)

Livro I (Scott Westerfeld, Galera Record)

Westerfeld, autor da série Feios, reinventa a Primeira Guerra Mundial em uma narrativa steam punk. Em lados opostos, mekanistas lutam com aparatos movidos a vapor e darwinistas usam imensos animais geneticamente modificados e adaptados para a batalha. Alek Ferdinand, príncipe do império austro-húngaro, está sem saída. Perdeu seu título e o apoio do povo, restando apenas um imenso ciclope Stormwalker e um grupo leal de homens. Por outro lado, Deryn Sharp é uma jovem plebeia que se disfarça de homem para ingressar na Força Aérea Britânica. Os caminhos dela e de Alek se cruzarão de maneira inesperada, levando-os a bordo do Leviatã para uma viagem que mudará suas vidas.

NOITE ETERNA

Livro III – Trilogia da Escuridão (Guillermo del Toro/Chuck Hogan, Rocco)

O aguardado desfecho da Trilogia da Escuridão, do premiado cineasta Guillermo Del Toro em parceria com Chuck Hogan, chega às mãos dos leitores brasileiros. Dois anos após o início da epidemia de vampiros que se alastrou pelo globo, os dias têm apenas duas horas de sol e a humanidade encontra-se à beira da aniquilação. A única esperança de resistência contra o exército do Mestre, o vampiro ancestral, é o grupo liderado por Eph Goodweather. Mas as evidências de que há um traidor entre eles pode pôr em risco o destino da raça humana. Traduzida em mais de 20 países, a série renova as tradicionais histórias de vampiros e surpreende pela originalidade

JOGADOR Nº1 (Ernest Cline, Leya Brasil)

Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem as achar herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca.

Leia resenha completa aqui: http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2012/09/11/vale-o-investimento-jogador-no1/

BRANCA DOS MORTOS E OS SETE ZUMBIS (“Abu Fobyia”, Nerdbooks)

Sob pseudônimo, Fábio Yabu (autor de contos infantis e conhecido pelos quadrinhos Combo Rangers) resgata a origem sombria das fábulas e contos de fadas amenizadas com o passar do tempo. Yabu não só cria novas versões macabras para Branca de Neve, Cinderela e Rapunzel, entre outras, como toma emprestado elementos destes contos para construir narrativas totalmente novas – e que o leitor só descobre quais são no final.

Leia resenha completa aqui: http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2012/09/18/vale-o-investimento-branca-dos-mortos-e-os-sete-zumbis/

Superdeuses é leitura obrigatória – mas só para iniciados

A apresentação na contracapa de Superdeuses, do roteirista escocês Grant Morrison (editora Seoman, R$ 59,90), diz que o livro explica por que os super-heróis “são importantes, por que sempre estarão entre nós, o que revela sobre quem somos e em que ainda podemos nos transformar”.

A descrição é correta, em parte. Mais precisamente, no que se refere às últimas páginas de um total de quase 500. Antes disso, Morrison fala especificamente da relação dos heróis de papel com uma pessoa: ele mesmo.

Mistura de análise das diferentes Eras dos quadrinhos (e suas obras seminais) com autobiografia, Superdeuses parte da gênese do mito do super-herói dos quadrinhos em Superman e chega aos dias de hoje, citando HQs recentes como Invasão Secreta (de 2008).

Neste percurso, passa por obscuros heróis da Era de Ouro, pelo Iluminismo da Era de Prata, pela resposta da DC ao Comics Code na forma de histórias surreais, os heróis “humanos” do Universo Marvel nos anos 1960, o início da Era das Trevas e suas HQs sombrias, a Era Image, a fase atual, que Morrison chama de Renascimento.

O que diferencia Superdeuses de outros livros que já se prestaram a contar a história dos comics é que, à análise socioeconômica de cada época em que os quadrinhos foram publicados, Morrison adiciona uma visão da cultura pop: o que os jovens vestiam e ouviam, que drogas usavam, o que tocava nas pistas.

No meio desta trajetória, o roteirista introduz as principais passagens da própria vida, da infância num bairro operário ao sonho de fazer a diferença no mundo das artes. Sem nenhum pudor, fala da perda da virgindade, da adesão ao movimento punk, dos rituais xamânicos que praticava vestido de mulher, da experiência extrassensorial que experimentou num quarto de hotel em Katmandu.

Mais importante de tudo, ele prova que perseguiu obstinadamente o objetivo de trabalhar para a indústria de quadrinhos de super-heróis, e não só chegou lá, como também é considerado um dos mais importantes roteiristas de sua época. Morrison faz parte da chamada “invasão britânica”, grupo de escritores e artistas que passaram a trabalhar para a DC Comics na virada dos anos 1980-90 e inovaram a fórmula de fazer quadrinhos. O fruto mais conhecido deste período é a criação do selo Vertigo, de histórias adultas. Não é pouca coisa.

A maior crítica que a edição brasileira recebeu foi em relação à capa. Na tentativa de reproduzir o conceito da original – a chegada de Superman à Terra – a arte nacional erra feio. A Seoman confirmou a este blog que a capa será refeita para a segunda edição do livro.

Se erra na capa, a editora acerta enormemente na tradução. Morrison tem uma escrita fluida, cativante, mas um estilo difícil, de longos períodos desconexos, cheios de digressões e neologismos. Érico Assis, do site de cultura pop Omelete – e que já traduziu quadrinhos de Craig Thompson e Daniel Clowes, entre outros – conseguiu transpor o turbilhão de ideias e conceitos para o Português, e ainda preservar o estilo do autor.

Superdeuses é leitura obrigatória, mas quase que exclusiva para os iniciados em quadrinhos de super-heróis. O livro exige certa familiaridade com nomes de autores e obras para se tirar o melhor proveito. Se o leitor deste blog faz parte deste grupo, o livro vale o investimento.

Superdeuses, de Grant Morrison, chega ao Brasil

Incensado pelos novos leitores de quadrinhos, o roteirista britânico tem uma carreira que mistura momentos de genialidade com verdadeiras bombas. Entre os muitos exemplos da primeira categoria está Grandes Astros: Superman; entre os muitos da segunda, a chatíssima série Crise Final.

Morrison tem também a capacidade de passar por um grande babaca sem fazer muito esforço – digo isso por conta de suas recentes declarações sobre a sexualidade do Batman (pior ainda a grande imprensa tratar uma opinião pessoal como verdade absoluta – mas isso já é outra história).

Seja como for, não se pode negar que Morrison conhece seu ofício. Seus melhores trabalhos são cheios de referências a períodos clássicos dos quadrinhos o que denota, no mínimo, preocupação com a pesquisa.

Os fãs brasileiros ganham agora a oportunidade de conhecer em profundidade o pensamento do escritor britânico em relação aos super-heróis. A Editora Seoman está trazendo para o Brasil Superdeuses (Supergods: What Masked Vigilantes, Miraculous Mutants and a Sun God from Smallville Can Teach Us About Being Human, no original).

No livro, lançado originalmente em 2011, Morrison analisa a trajetória editorial dos superseres desde 1936, desde medalhões como Batman, Superman e X-Men, até obscuros vigilantes mascarados, passeando pelas diferentes Eras dos quadrinhos.

Para o autor, os super-heróis de papel são representações arquetípicas, importantes como produto cultural e fonte de influência na vida dos seres humanos.

Superdeuses é um tijolo de quase 500 páginas, tem formato 16 x 23 cm e preço de R$ 59,90. Vou conferir e posto minha opinião sobre o livro depois.

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2019