Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Tag: Stan Lee

Papo de Quadrinho escolhe as melhores HQs de 2016

Papo de Quadrinho segue a tradição de elencar as melhores HQs do ano. Nunca é demais repetir: essa lista é tão subjetiva quanto qualquer outra. Ela apresenta as preferidas entre as HQs lidas pelos editores Jota Silvestre e Társis Salvatore.

Importante dizer que por maior que tenha sido nosso esforço, é possível que nossa leitura mal chegou a 10% de tudo que foi publicado. Vale lembrar que foi um ano de muitos lançamentos e pouco dinheiro.

Os critérios continuam os mesmos das listas anteriores: material inédito lançado no Brasil no ano que terminou – ou seja, importados e relançamentos ficaram de fora. As HQs desta lista são aquelas que, de algum modo, trouxeram algo de inusitado, surpreenderam e, por que não dizer, emocionaram os editores.

Dito nisso, esperamos que os leitores vejam esta seleção como um conjunto de obras que valem muito serem lidas.

Vamos a elas…

pau-e-pedra10. Pau e Pedra, de Paul Kuper (edição única, Quadrinhos na Cia)

Kuper usou toda sua experiência em HQs mudas (sem balões, recordatórios e onomatopeias) para fazer uma metáfora dos tempos atuais. Em pouco mais de 100 páginas, o autor versa sobre a perda da inocência, ganância, tirania, guerra e meio ambiente. Uma aula máster para leitores e, principalmente, criadores de quadrinhos.

monica-forca9. Mônica – Força, de Bianca Pinheiro (série, Panini/MSP)

O selo Graphic MSP continha marcando presença entre os melhores do ano. Desta vez, a talentosa Bianca Pinheiro enveredou por um lado pouco explorado da “dona da rua”. De forma nunca antes vista, Mônica tem que encarar problemas de gente grande, daqueles que não dá pra resolver na base da coelhada. Sensível e emocionante.

ore-monotagari8. Ore Monogatari!! (Minha História), de Aruko e Kazune Kawahara (série bimestral, Panini)

Ore Monogatari está para o shojo (mangás românticos “para meninas”) assim como One Punch Man (veja abaixo) está para o shonen (mangás de aventura “para meninos”). É uma paródia que não deve ser levada a sério exceto como uma ironia às fórmulas sacramentadas desse gênero. A trama foca em Takeo Gouda, um cara gente fina, mas meio bronco e completamente ingênuo, enquanto seu melhor amigo, Makoto Sunakawa – este sim, o galã idealizado de shojo – é pouco mais que um coadjuvante. Divertidíssimo!

one-punch-man7. One Punch Man, de One e Yusuke Murata (série bimestral, Panini)

One Punch Man nasceu como uma webcomic escrita e garranchada pelo jovem One, até que Murata reconheceu seu potencial e assumiu a arte para a versão impressa. Hoje, é um dos mangás mais vendidos do mundo e ganhou um anime de enorme sucesso. Saitama treinou seu corpo até perder os cabelos (literalmente!) e o que deveria ser uma virtude se transformou num problema: como ele derrota todos inimigos com apenas um soco, vive em busca de um adversário à altura. Uma divertida paródia dos mangás e animes de super-heróis com poderes estranhos, vilões bizarros e destruição em massa.

nimona6. Nimona, de Noelle Stevenson (edição única, Intrínseca)

Num reino meio medieval, meio high-tech, os papéis de vilão e herói são definidos pelos governantes. A transmorfa Nimona chega para auxiliar o “maléfico” Lorde Ballister Coração Negro a derrotar seu ex-amigo e arqui-inimigo, o “virtuoso” Sir Ambrosius Ouropelvis. Mais que isso, Nimona subverte a ordem estabelecida, evidencia quem é o verdadeiro inimigo e faz aflorar o melhor que cada personagem traz dentro de si.

sopa-de-salsicha5. Sopa de Salsicha, de Eduardo Medeiros (edição única, Quadrinhos na Cia)

Medeiros apresenta retratos bem-humorados do seu cotidiano, entremeados com momentos de sua vida e carreira. Impressiona a capacidade que o autor tem de rir de si mesmo. No fundo, é um álbum sobre amor, capacidade criativa e transformação. A cereja do bolo são as “participações especiais” de artistas como Marcelo Campos, Rafael Albuquerque, Gustavo Duarte e os gêmeos Moon e Bá.

stan-lee4. Incrível, Fantástico, Inacreditável, de Stan Lee, Peter David e Colleen Doran (edição única, Novo Século)

Esta biografia em quadrinhos de Stan Lee, que acaba de completar 94 anos, reflete a personalidade bem-humorada do biografado e brinca o tempo todo com seu ego superinflado. A vida de Lee é revista desde a infância até as recentes aparições no cinema. Polêmicas não foram esquecidas, como as conhecidas desavenças com os artistas Jack Kirby e Steve Ditko. A arte faz uso de ótimas soluções narrativas, como a reprodução das capas e quadros de revistas antológicas da Marvel.

lei-de-murphy3. A Lei de Murphy, de Flavio Soares (edição única, Jupati Books)

Com roteiro que daria fácil uma série de TV, embalado pela arte competente e uma narrativa que prende o leitor até o último quadro, Flavio Soares criou uma nova perspectiva para o gênero de super-heróis. O advogado Douglas Murphy defende meta-humanos que se metem em problemas com os poderes recém-adquiridos. Mas ele não é nenhum Matt Murdock; ao contrário, Murphy vê nisso uma oportunidade para ficar rico e famoso, até que um caso estranho faz com que o advogado revele segredos inesperados até o ato final.

capitao-gralha2. As Aventuras Perdidas do Capitão Gralha, vários autores (edição única, Quadrinhópole)

No melhor estilo de O Escapista, de Michael Chabon, um grupo de quadrinhistas curitibanos criou o herói fictício Capitão Gralha, que teria tido suas histórias publicadas na Era de Ouro. A ideia inicial era criar um background para um novo personagem, O Gralha, que viria a ser publicado em tiras de jornal. Só que a biografia do criador imaginário, Francisco Iwerten, foi tão bem elaborada que ele chegou a ser indicado a uma premiação de quadrinhos e, consta, estava prestes a virar enredo de escola de samba antes que os autores revelassem a verdade. O álbum reúne as aventuras “recuperadas” nos anos 40 e captam com precisão o espírito daquela Era.

coisas-de-adornar-paredes1. Coisas de Adornar Paredes, de José Aguiar (edição única, Quadrinhofilia)

De tão simples, a ideia chega a ser genial. Nesse álbum, José Aguiar (um dos autores envolvidos com o Capitão Gralha, acima) explora a relação das pessoas com azulejos, quadros, santos e tudo aquilo que se usa para decorar as paredes. Não bastasse a edição caprichada, a arte aquarelada em tons de cinza e a visão poética de Aguiar sobre um tema tão prosaico, a HQ explora de forma magistral a metalinguagem. O personagem Chico é o autor dos contos apresentados, que se desenvolvem à medida que ele se relaciona com os colegas de trabalho.

Para encerrar, fica a dica de outros títulos que adoramos e não podem deixar de ser lidos:

São Paulo dos Mortos – vol. 3, de Daniel Esteves (série, independente);

Pieces – Partes do Todo, de Mario Cau (série, Jupati Books);

Finório, de Marco Oliveira (edição única, Zarabatana Books);

Cadernos de Viagem, de Laudo Ferreira Jr. (edição única, Devir);

Bidu – Juntos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (série, Panini/MSP);

Ajin, de Tsuina Miura e Gamon Sakurai (série bimestral, Panini);

Repeteco, de Bryan Lee O’Malley (edição única, Quadrinhos na Cia).

Quadrinhos na Bienal do Livro SP: Novo Século

Incrível fantástico inacreditável_CAPA DURA.indd

A editora Novo Século deve estar bastante satisfeita com o resultado dos romances adaptados de títulos da Marvel, que vem publicando no Brasil desde 2013.

Tanto que, na Bienal do Livro de SP, de 26 de agosto a 4 de setembro, a editora vai apresentar não apenas lançamentos, mas todo um selo voltado à cultura pop: o Geektopia.

O primeiro título do novo selo é a biografia do Stan Lee, Incrível, fantástico, inacreditável: a biografia em quadrinhos do gênio que criou os super-heróis da Marvel (192 páginas, capa dura, R$ 59,90), escrito pelo próprio Lee em parceria com o roteirista Peter David, e ilustrações de Colleen Doran. A tradução é de Mauricio Muniz, consultor e editor convidado do Geektopia.

No livro, Stan Lee – que comemora 94 anos em dezembro – relembra os principais momentos de sua vida, da infância conturbada na cidade de Nova York à ascensão como principal escritor e editor-chefe da Marvel Comics nos anos 1960; da parceria com os mestres Joe Simon, Jack Kirby e Steve Ditko à aparição no mais recente filme da superequipe Vingadores, Era de Ultron.

O segundo título do selo Geektopia, também presente no estande da Novo Século na Bienal, é Como saber se seu gato está planejando matar você, de Matthew Inman.

Veja aqui como visitar a Bienal do Livro de SP.

Especial Stan Lee, O criador e suas maravilhas, na Mundo

EspecialStanLee001 capa

A revista Mundo dos Super-Heróis traz uma edição especial com a incrível carreira de Stan Lee, o grande criador do universo Marvel. Conheça os principais detalhes de sua longa carreira, inclusive as várias curiosidades e inúmeras polêmicas.

Essa edição especial de 68 páginas é dividida em:

> Primeiros tempos (1922-1960)
O início da carreira de Stan Lee na Timely (a antiga Marvel) aos 17 anos e as curiosidades sobre seu trabalho e vida pessoal.

> Um universo fantástico (1961-1970)
Como a parceria entre Stan Lee e outros artistas (Jack Kirby, Steve Ditko…) mudou os rumos da Marvel e rendeu a criação do Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Vingadores, Hulk e outros tantos super-heróis que encantam gerações.

> Diferenciais de sucesso (1965-1967)
Os outros fatores que alavancaram a Marvel: suas primeiras animações e o tratamento vip dado aos leitores.

> De olho nos negócios (1970-2015)
Como Stan Lee deixou os roteiros para se tornar o publisher responsável por abrir novas oportunidades para a Marvel. Listamos os principais projetos em que o artista esteve envolvido até os dias de hoje.

> Guerra de egos
Os detalhes das lendárias brigas e desentendimentos entre Stan Lee e seus parceiros Jack Kirby e Steve Ditko em meio ao sucesso da Marvel nos anos 1960 e 1970.

> Participações especiais
Seja em filmes, séries e desenhos animados, Stan Lee virou ícone pop. Listamos seus momentos mais divertidos no cinema e na TV.

> Leitura obrigatória
Uma seleção de 21 gibis marcantes criados por Stan Lee e seus parceiros, além da indicação de onde essas histórias saíram no Brasil.

> Palavras do mestre
Em duas entrevistas, Stan Lee comenta sua carreira e como criou seu mais famoso personagem – um certo herói aracnídeo.

> Artigo final
O escritor e jornalista Roberto Guedes fala do estilo carismático do publisher Stan Lee e a importância dele para os quadrinhos.

EspecialStanLee020

SERVIÇO:
O Especial Mundo dos Super-Heróis Grandes Artistas 1: Stan Lee custa R$ 12,50 e já está nas bancas em São Paulo capital e Rio de Janeiro capital. No restante do país, a revista será lançada no começo de setembro. Para receber a revista em casa, basta ligar para (11) 3038-5050 ou 0800 8888 508 ou acessar www.europanet.com.br/superheroi (na aba “edições especiais”)VERSÃO DIGITAL

Todo o conteúdo da Revista Mundo dos Super-Heróis está a venda também no site da editora: www.europadigital.com.br.

Stan Lee vai lançar mais uma autobiografia

stanleebiografia

Amazing Fantastic Incredible: A Marvelous Memoir está programado para chegar às livrarias gringas em outubro, pelo selo Touchstone, da editora Simon & Schuster.

A autobiografia foi escrita em parceria com o roteirista de HQs Peter David e ilustrada por Colleen Doran. Segundo a editora, o livro traça a trajetória de Stan Lee desde a infância em Manhattan, passando pelos primeiros trabalhos na indústria de quadrinhos, os filmes de treinamento militar que produziu no exército durante a 2ª Guerra, até chegar à criação do atual Universo Marvel, nos anos 1960.

Lee já escreveu a autobiografia Excelsion! The Amazing Live of Stan Lee, em 2002, também pela Toucstone, junto com George Mair.

A Marvelous Memoir terá 196 páginas, capa dura e preço de R$ 30.

Quem não quiser esperar pode ler a ótima – e única – biografia de Stan Lee produzida no Brasil pelo pesquisador, roteirista e editor Roberto Guedes: Stan Lee, o Reinventor de Heróis, lançada pela Kalaco.

Stan Lee, quem diria, virou boneco

 

stan-lee-1-129805

Atualizado em 02.04.2015, às 18h39

O amigo Alexandre Nunes, do blog Galeria dos Brinquedos, lembra que Stan Lee já teve outras versões em bonecos. Veja aqui.

Post original

A bem da verdade, já estava passando da hora.

Stan Lee está com 92 anos. Há milhares de figuras de ação, estátuas, miniaturas e outros bonecos de todas suas criaturas. O criador, até onde chega nosso conhecimento, só ganhou um Pop Vinyl da Funko em 2013.

A figura de ação de Stan Lee tem cerca de 30 cm (escala 1:6), roupa de tecido e acessórios intercambiáveis: duas opções de cabeça, quatro posições de mão, dois óculos, um relógio de pulso, dois anéis, um lenço e uma base para a figura.

Serão produzidas apenas 1.000 unidades em todo o mundo. O boneco está em pré-venda no site da Go Hero por US$ 250 (fora o frete).

Por ora, vamos ter que nos contentar com o Pop Funko da nossa coleção…

 

“Como desenhar histórias em quadrinhos no estilo Marvel” chega ao Brasil

Como desenhar histórias em quadrinhos no estilo Marvel

Conforme antecipado pelo Papo de Quadrinho no início do ano, a editora WMF Martins Fontes lança neste mês o livro escrito por Stan Lee e John Buscema.

À época, a capa nacional não estava pronta nem o preço havia sido definido. Agora está: R$ 49,80.

Como desenhar histórias em quadrinhos no estilo Marvel foi lançado em 1978 e permanecia inédito por aqui. O livro é um compêndio de dicas de dois gênios da narrativa gráfica.

Quase 40 anos depois, extrapolou seu público alvo: os aspirantes a desenhistas da Marvel. Transformou-se no registro histórico de um jeito de fazer quadrinhos que não existe mais. Por isso, é essencial para todos os amantes da nona arte: roteiristas, leitores, estudiosos e, claro, artistas.

Crítica: “Marvel Comics – A História Secreta”: Ídolos com pés de barro

Cover

Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis. A frase e suas muitas variações são atribuídas ao primeiro chanceler alemão, Otto Von Bismark.

Depois de ler Marvel Comics: A História Secreta, de Sean Howe, é grande a tentação de incluir mais um elemento à frase original: Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas, as leis e as histórias em quadrinhos.

O livro de Howe faz uma radiografia da Marvel, maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, desde sua gênese no final dos anos 1930 até próximo aos dias atuais.

Ao longo das páginas, o autor vai destruindo mitos. Um exemplo é a imagem lúdica do Bullpen, apelido carinhoso dado por Stan Lee à redação da Marvel nos anos 1960.

Lee perpetuou a ideia de uma sala animada, cheia de gente criativa e boa praça. Nada disso! Segundo Howe, era mais um conjunto de freelancers trabalhando nos próprios estúdios ou nos porões de suas casas, que apareciam na Marvel vez ou outra para entregar as páginas desenhadas.

E por aí vai. Nos anos 1970, à medida que os medalhões – Lee, Kirby, Ditko – saíram da editora ou se afastaram do o dia a dia, a redação foi tomada por guetos que se autoprotegiam para publicarem o que bem entendessem.

Revistas e personagens viraram instrumentos de crenças pessoais e vinganças mesquinhas. As puxadas de tapete eram uma constante. Tempos depois, a mão de ferro do editor-chefe Jim Shooter foi um mal necessário. Mas até ele sucumbiu à egolatria a partir do sucesso da saga Guerras Secretas.

Passa a impressão que Howe selecionou os piores trechos das numerosas entrevistas que realizou. Não há motivos para duvidar da seriedade de sua pesquisa nem de suas boas intenções. Em entrevista à revista Mundo dos Super-Heróis, o autor declara-se um fã da Marvel e coloca a paixão por gibis como motivação para escrever a obra.

Não é culpa Howe se nossos ídolos têm pés de barro.

A escrita fica um pouco corrida no final. Enquanto são dedicadas muitas páginas para tentar explicar as manobras que salvaram a Marvel da falência nos anos 1990, a recente compra pela Disney – um negócio de mais de US$ 4 bilhões – recebe pouquíssima atenção.

Nada disso tira o brilho do complexo trabalho de Sean Howe. Marvel Comics – A História Secreta é daqueles livros que não dá para parar de ler, e material indispensável tanto para fãs quanto para profissionais e pesquisadores.

O livro é um adorável tijolo com 560 páginas e preço de R$ 49,90. Vale o investimento de tempo e dinheiro.

Graphic novel dos Vingadores chega simultaneamente ao Brasil e EUA

1a CAPA VINGADORES GUERRA SEM FIM

Em abril deste ano, Papo de Quadrinho anunciou que a Marvel voltaria a produzir uma série de graphic novels. Numa parceria com a Panini internacional, o lançamento aconteceria no início de outubro em vários países simultaneamente aos Estados Unidos.

Pois bem, a promessa foi cumprida. A Panini Brasil acaba de anunciar que Vingadores: Guerra Sem Fim chega nesta semana às bancas, com distribuição nacional.

O roteiro é de Warren Ellis, com arte de Mike McKone. Tem prefácio do ator Clark Gregg (que interpreta o agente Coulson, da SHIELD, no cinema e na TV) e posfácio de Stan Lee.

O melhor desta notícia é que Vingadores: Guerra Sem Fim tem tamanho grande (18,5 x 27,5 cm), acabamento premium, capa dura e um precinho camarada de R$ 24,90 por 124 páginas de história.

A edição oferece ainda volume extra de por meio do aplicativo Marvel AR, que inclui coletânea de capa e informações de bastidores.

Livro sobre trajetória da Marvel é lançado no Brasil

Cover

Finalmente, começa a chegar às livrarias Marvel Comics: A História Secreta, de Sean Howe, vencedor do Eisner Awards em 2013, considerado o “Oscar” dos quadrinhos.

O livro é um calhamaço de 560 páginas, típico objeto de desejo de todos os fãs com preço acessível: R$ 49,90. Parte da criação da revista Magazine Management por Martin Goldman (antes mesmo se tornar a Timely Comics) até culminar na recente compra pela Disney – passando, obviamente, pelos períodos de enorme sucesso no início das décadas de 1940  e 60, e da quase bancarrota das décadas de 1950 e 90.

A edição brasileira traz como apêndice exclusivo a listagem de todas as publicações citadas na obra que foram publicadas no Brasil, com informações da edição original, período e editora.

É um alívio saber que a tradução é de Érico Assis, um especialista no assunto – o que garante que todos os nomes e referências foram corretamente adaptados à forma como os conhecemos no Brasil.

Sean Howe tem experiência com o mundo do entretenimento e conhece seu ofício. Já foi editor da revista Entertainment Weekly e publicou artigos e matérias em muitas outras publicações americanas. É autor de outro livro sobre quadrinhos, Give Our Regards to the Atomsmashers, um compêndio de depoimentos de vários profissionais do ramo sobre os quadrinhos que eles mais amam e odeiam.

Marvel Comics: A História Secreta se propõe não só a narrar a trajetória da maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, mas também a jogar luz sobre os bastidores.

Torço para que Howe siga o exemplo do escritor Roberto Guedes no ótimo Stan Lee: O Reinventor de Super-Heróis e faça justiça, em vez de sucumbir ao lugar comum de pintar o velho Stan como o grande usurpador das ideias alheias.

Fica aqui o convite ao leitor para voltar nas próximas semanas e ler nossa resenha de Marvel Comics: A História Secreta.

Amazing Spider-Man 700: o fim de uma era

AVISO DE SPOILER: a nota a seguir lida com informações ainda inéditas no Brasil. Leia por sua conta e risco…

 

Depois que a DC zerou a numeração de títulos seminais como Action Comics e Detective Comics – por conta do Restart de 2011 – a revista do Homem-Aranha era uma das mais longevas do gênero de super-heróis. Era…

A primeira edição tem data de capa de março de 1963, depois de uma arrebatadora estreia do escalador de paredes no último número de Amazing Fantasy seis meses antes.

Toda esta história de 50 anos acaba de chegar ao fim. No último dia 26, chegou às bancas norte-americanas a edição 700 de The Amazing Spider-Man (capa acima). É o último número do título, que será substituído por Superior Spider-Man (capa abaixo), a versão do herói numa nova realidade batizada de Marvel NOW!

Principal roteirista do Homem-Aranha há quase cinco anos, Dan Slott declarou em entrevista que a conjunção destes três fatores – os 50 anos do personagem, a marca de 700 edições e o advento de Marvel NOW! – merecia “algo grande”. Aí, ele optou por fazer uma grande merda.

Na trama, o Doutor Octopus, um dos principais inimigos do Aracnídeo, está às portas da morte. Antes, porém, troca de mente com o Homem-Aranha e assume seu corpo, poderes e memórias, inclusive as de Peter Parker. Do outro lado, o herói vê-se preso ao corpo moribundo do vilão.

A edição 700 mostra os esforços do Homem-Aranha para recuperar sua identidade. Ao final, sem alcançar o objetivo, o Aranha (no corpo de Octopus) vem a morrer, mas consegue fazer com que Octopus perceba o verdadeiro significado do que é ser um herói.

Sobre o cadáver do antigo inimigo, Octopus (no corpo do Aranha) faz uma promessa solene de levar adiante seu legado. Mais que isso: garante que será um herói melhor, “superior”. Daí o nome da nova revista.

Slott chegou a receber ameaças de morte por parte de fãs indignados nas redes sociais antes mesmo de a edição chegar às bancas.

Não dá para negar que a história é boa. É coerente dentro do que se propõe, tem nostalgia e dramaticidade. O turning point – o momento em que Octopus decide assumir-se como herói – é bem conduzido. É o tipo de história que cairia muito bem como uma minissérie ou arco fechado. Mas nunca como elemento definitivo da cronologia.

Definitivo? Sim. Slott garante que não se trata de uma fase passageira. Em outra entrevista, chegou a comparar o novo Homem-Aranha a Wally West, quando este assumiu o manto do herói Flash depois da morte de Barry Allen na saga Crise nas Infinitas Terras.

Apesar da decisão equivocada, Slott é bom roteirista. O mesmo não se pode dizer de Humberto Ramos no ofício de desenhista. Sua arte é esquálida, caricata, nojenta.

Para encerrar, veja como Stan Lee respondeu a Dan Slott pelos cumprimentos por seus 90 anos, comemorados dia 28 de dezembro, via Twitter: “Que presente! Alguns caras dão um charuto bacana, um relógio… mas não você! Eu ganhei um Peter Parker morto! Obrigado pelos cumprimentos, meu amigo”.

No Brasil, a morte do Homem-Aranha demora pelo menos um ano para chegar. Quem sabe até lá este pesadelo para os fãs já tenha acabado.

Página 0 de 2

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2017