A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu X-men – Fênix Negra, última aventura dos mutantes pelas mãos da Fox.

A franquia dos mutantes pelas mãos da Fox termina no mais recente filme X-Men: Fênix Negra, que entra em cartaz nesta quinta feira (6) nos cinemas. O filme, que mais uma vez traz às telas a transformação de Jean Grey na Fênix é o ato final de uma sequência de filmes do supergrupo mutante que começou em 2000 e passou por pontos altos (X-Men 2, Logan) e algumas bombas (X-Men 3: O confronto final) e teve até mesmo um reboot (X-Men: Primeira Classe de 2011).

Dirigido e roteirizado por Simon Kinberg, a história se inicia em forma de flashback, contando a história de Jean Grey (a atriz Sophie Turner, a “Sansa Stark”, de Game of Thrones), que ao passar por um trauma de infância acaba sendo convidada pelo Professor Charles Xavier a se unir aos X-Men na sua escola para superdotados.

Anos depois, em 1992, os X-Men são considerados heróis nacionais. Durante uma missão de resgate de astronautas, que coloca a equipe em perigo no espaço, Jean Grey acaba utilizando seus poderes para salvar todos de uma explosão solar. Porém esse fato acaba alterando os poderes e emoções da telepata que acaba se tornando uma ameaça para seus companheiros e para o planeta à medida que essa recém adquirida força Fênix vai emergindo sem controle através dela.

Em relação às participações do longa temos Mística (Jennifer Lawrence), visivelmente cansada do papel, fazendo o link racional da equipe; Charles Xavier (James Mcavoy) , como o mentor da equipe, que durante o enredo se deixa levar pelo ego e mostra que mesmo os mais experientes podem errar; Ciclope (Tye Sheridan), o mutante de rajadas óticas e namorado de Jean,  além do teletransportador Noturno (Kodi Smit-McPhee), o velocista Mercúrio (Evan Peters), a deusa do clima Tempestade/Ororo (Alexandra Shipp) e o acrobata azul Fera/Hank McCoy (Nicholas Hoult). A trama também conta com a participação de Magneto (Michael Fassbender) e sua irmandade de mutantes, além de Jessica Chastain como uma alienígena que busca a força Fênix, num papel praticamente sem carisma algum e com uma motivação clichê.

Entre altos e baixos do filme, um destaque fica para a trilha grandiosa e competente de Hans Zimmer (Homem de Aço), que consegue segurar o enredo, principalmente da segunda metade da história.

De forma geral, o filme procura trazer questões contidas nos quadrinhos, como a batalha interna de Jean com as tentações da força Fênix e sua relação familiar com a equipe de mutantes. As semelhanças com a saga dos gibis terminam aí (com exceção da breve aparição de uma cantora mutante), ou seja, nada de Clube do Inferno, Mestre Mental ou Shiars. Num primeiro momento isso pode decepcionar os fãs da franquia, que desde o fadado X-Men: O Confronto Final (2006) ficaram na promessa de uma adaptação à altura dessa fase dos mutantes.

Parece impossível, talvez inviável, que uma adaptação cinematográfica de duas horas seja 100% fidedigna à trama original dos quadrinhos. Vale lembrar que a série animada do início dos anos 1990 conseguiu fazer isso usando quase uma temporada completa, mas lembremos: é uma série animada.

Ainda assim, detalhes bacanas que fazem dessa saga algo especial foram limados, tirando a grandiosidade que existe no original. Por essas e outras,  X-Men: Fênix Negra, acaba deixando a desejar no quesito adaptação – simplifica demais a trama – deixando um final agridoce e uma sensação de que “faltou algo a mais” para consagrar a franquia dos mutantes nos cinemas.

Nosso veredito é que para o espectador que busca um cinema pipoca de super-heróis mutantes sem grandes pretensões, o filme cai bem, tentando passar uma mensagem bacana sobre o conceito de uma família adotiva e de como essas relações se dão entre os X-Men. Já quem é muito fã da franquia X, principalmente os iniciado nos quadrinhos, talvez se frustre ao notar que a tentativa de trazer a “Saga da Fênix Negra” em toda sua grandeza para os cinemas não tenha sido bem sucedida.  São mídias diferentes, mas o gostinho de quero mais permanece. Quem sabe, futuramente, seja um trabalho para a Disney resolver?

Uma dica final: a revista Mundo dos Super-heróis deste mês se debruça sobre o filme e faz uma comparação sobre a adaptação, relembrando os grandes momentos dos quadrinhos e falando detalhes do filme para quem não está tão familiarizado com os quadrinhos.