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O mercado de quadrinhos nos Estados Unidos em 2011

Feito o balanço das vendas da Diamond Comic, maior distribuidor mundial de quadrinhos em língua inglesa, a DC Comics emplacou nada menos que nove títulos na lista dos 10 mais vendidos no ano passado, com destaque para Justice League – que aparece com três edições –, Batman e Action Comics (duas edições cada).

A única posição não ocupada pela DC foi a sexta: Ultimate Spider-Man 160 – a edição que culmina na morte do super-herói no universo alternativo da Marvel.

Veja a lista (as tiragens são estimadas pelo site Comic Chronicles)

1) Justice League 1: 231 mil

2) Batman 1: 218 mil

3) Action Comics 1: 204 mil

4) Justice League 2: 186 mil

5) Batman 2: 179 mil

6) Ultimate Comics Spider-Man 160: 173 mil

7) Green Lantern 1: 172 mil

8) Justice League 3: 161 mil

9) Action Comics 2: 156 mil

10) Detective Comics 1: 154 mil

Só que a DC ganhou, mas não levou. No total do ano, a Marvel confirmou seu favoritismo na maioria dos meses – e a recente recuperação em dezembro – e liderou o mercado americano tanto em unidades vendidas (40,9% de market share) como em faturamento (37,3%). A DC ficou com 36,8% e 31,4%, respectivamente.

O sucesso do Restart da DC teve o mérito de evitar que o mercado americano de quadrinhos tivesse um resultado mais desastroso. Quando consideradas apenas as 300 HQs mais vendidas do ano, há um aumento de quase 3 milhões de exemplares na comparação com o ano passado.

Porém, quando os 5 milhões de encadernados e graphic novels vendidos a menos entram na conta, em termos de faturamento 2011 acabou praticamente empatando com 2001 (-1%).

Por falar em encadernados, 2011 reservou um novo fenômeno: a série The Walking Dead. Os encadernados dos quadrinhos de Robert Kirkman ocuparam seis posições entre os mais vendidos da categoria.

A explicação, claro, é o sucesso do programa de TV baseado nas HQs. Basta notar que a primeira posição no ranking de venda dos encadernados de 2011 é o primeiro volume de The Walking Dead (34,7 mil exemplares vendidos).

Os volumes 2 e 3 ocupam a quinta e oitava posição, respectivamente. Ou seja, foi grande a quantidade de pessoas que correram para tirar o atraso da leitura – caso, inclusive, deste editor.

No Restart da DC, Lanterna Verde nasceu “ontem”

Quem levantou a bola foi o site Bleeding Cool (para variar…). Esperei ter acesso à publicação antes de repercutir. Ler para crer.

Nas páginas finais da terceira edição da revista Justice League, lançada semana passada nos Estados Unidos, há um sketchbook demonstrando como foi o processo de criação do visual do Lanterna Verde Hal Jordan no “novo” Universo DC.

Entre outras informações, a ficha do personagem diz que sua primeira aparição foi em Justice League#1 (2011) !

Até onde me recordo, isso nunca aconteceu. Mesmo depois da saga Crise nas Infinitas Terras, um reboot muito mais bem elaborado que o atual Restart da DC, as enciclopédias da editora continuaram trazendo a informação correta: a primeira aparição de Hal Jordan foi na revista Showcase 22, com data de capa de outubro de 1959.

Erro, má fé, ignorância ou uma estratégia equivocada para tentar convencer todo mundo que mais de 50 anos de cronologia nunca existiram?

Em se tratando de DC Comics, é difícil saber…

Restart da DC: “segundo round” começa bem

Chamada de “Semana 5” do novo Universo DC, a semana passada marcou a chegada da edição número 2 de parte dos 52 novos títulos que compõem o Restart da DC.

Da mesma forma que na “Semana 1”, Papo de Quadrinho se ateve a analisar duas revistas seminais da editora e da própria reformulação: Action Comics e Detective Comics.

Curiosamente, as duas parecem engrenar num caminho interessante…

Nunca é demais reforçar: há sérios spoilers nos parágrafos abaixo.

Passada a rejeição inicial às mudanças impressas ao Superman em início de carreira – rebelde, quase um fora-da-lei –, a proposta de Grant Morrison começa a ficar mais clara.

Lex Luthor e o General Ross na hesitam em torturar o recém capturado Superman sob alegação de que, como alienígena, ele não tem “direitos humanos”. O herói, porém, tem pleno domínio da situação e, no momento que julga adequado, consegue escapar com facilidade.

A história deixa pistas sobre a cronologia do Superman ao mostrar que a nave em que ele chegou à Terra é dotada de algum tipo de inteligência artificial e também ela está em poder de seus captores. Soma-se a isto a deixa para o surgimento das novas versões de dois inimigos clássicos do Superman: Metallo e Brainiac.

Assim como em Action Comics, Detective Comics se passa cinco anos antes da “atual” cronologia do novo Universo DC e mostra Batman em início de carreira.

A trama segue o tom sombrio do número 1 e exagera nas cores da violência. O vilão principal é Dollmaker – aparentemente nenhuma relação com seu homônimo no antigo universo -, um maníaco que gosta de transformar suas vítimas em bonecos.

No número anterior, ele já havia arrancado a pele da face do Coringa e, nesse, judiou bastante do Comissário Gordon. Os rostos cobertos de máscaras de gesso ou de pele humana da “família” de Dollmaker lembram o clássico filme de terror O Massacre da Serra Elétrica. Referência interessante.

Fora isso, a história tenta quebrar dois tabus do “antigo” universo DC: Bruce Wayne arruma tempo para se envolver romanticamente e o Comissário Gordon largou o vício do cigarro. Aparentemente, Tony Daniel conseguiu livrar-se da influência “Frank Miller” – e isso é bom.

No geral, a segunda edição de Action Comics e Detective Comics são agradáveis de se ler e reafirmam sua missão de reformular dois dos principais super-heróis dos quadrinhos.

Está na hora de baixar a guarda, entender este Restart da DC como um “pós-Crise nas Infinitas Terras” e aceitar a mudança – com a consciência de que não estamos mais nos anos 1980.

Quadrinhos EUA: DC passa frente da Marvel em setembro

Deu a lógica. Com os 52 novos títulos de seu Restart – e o anúncio de que vários deles venderam acima das 100 mil cópias – a editora do Superman ultrapassou a Marvel em vendas no último mês.

Obviamente, os mentores de mais esta reformulação têm motivos para comemorar. Mas, se eu fosse um deles, também estaria um pouco preocupado.

Apesar de todo o estardalhaço da DC, a Marvel ainda emplacou dois de seus títulos entre os 10 mais vendidos em setembro: Fear Itself 6 e Ultimate Comics Spider-Man 1.

Além disso, não dá para considerar que foi “uma lavada”.

Se em termos de exemplares vendidos a diferença ficou acima dos cinco pontos percentuais (43% de market share para a DC e 37,9% para a Marvel), no quesito que realmente interessa – grana! – houve quase um empate técnico: 35,74% a 35,37% em faturamento, para ser bem exato.

Isto porque praticamente todos os títulos do Restart da DC custam US$ 2,99, enquanto a Marvel continua praticando o preço de US$ 3,99.

Independentemente da disputa entre as majors, o mais importante é que o Restart da DC chacoalhou o mercado. Movidos pela curiosidade, especulação ou esperança em dias melhores para os quadrinhos de super-heróis, o fato é que os leitores correram para as comics shops.

Em números de exemplares, as vendas de HQs nos Estados Unidos em setembro foi 13% maior que o mês anterior e 14% maior que no mesmo mês do ano passado – estes números não incluem as graphic novels, que por alguma razão tiveram vendas desastrosas e puxam o cômputo geral para baixo.

Para terminar, um aviso: a lista com as HQs mais vendidas no mês já está disponível; porém, como a distribuidora Diamond divulga primeiro em forma de “índice”, vamos aguardar a estimativa em número de exemplares para publicá-la.

Restart da DC: Aquaman recebe o devido respeito

Dando prosseguimento à missão de ler o maior número possível de títulos do “novo” universo DC, a bola da vez é Aquaman, da dupla sensação do momento: Geoff Johns e o brasileiro Ivan Reis.

Não há muito que se falar deste primeiro número da nova revista do Rei dos Mares da DC. É o bom e velho Aquaman (está mais para bom e jovem, mas tudo bem) da Era de Prata, com seu traje clássico e origem mestiça, meio humana, meio atlante.

Nada que já não tenha sido mostrado antes. Mais uma vez, o Restart da DC fica devendo a “novidade”.

Por outro lado, há que se dizer que Johns é um ótimo escritor de diálogos e que a arte de Reis não deixa nada a desejar. A leitura flui rápida e prazerosa.

O mais relevante, porém, é que Johns trata Aquaman com o respeito que um dos mais antigos heróis da DC merece. Para provar isso, faz um curioso exercício de metalinguagem.

Nas palavras de um fanboy abobado, Johns revive todo o preconceito que o herói já sofreu: “Tenho certeza de que você já ouviu todas aquelas piadas e viu as paródias do Saturday Night Live no Youtube. Como é se sentir uma piada? Como é se sentir motivo de chacota? Como é se sentir o herói preferido de ninguém?”.

Sem falar que, em dado momento, Aquaman afirma categoricamente: “Eu NÃO falo com os peixes”. Cool!

Interessante em que num mundo que parece temer e desconfiar de todos os superseres, como visto em outros novos títulos da DC, Aquaman goza do respeito e admiração da população e da própria polícia.

Ao que tudo indica, finalmente apareceu um título do Restart da DC que valerá a pena acompanhar.

Restart da DC: Superman 1 tem mais acertos que erros

Como disse antes, posso não concordar com os caminhos que Grant Morrison vem dando ao jovem Superman em Action Comics, mas pelo menos ele imprimiu alguma inovação ao Restart da DC.

O mesmo se pode dizer de Geroge Pérez na revista Superman 1, lançada esta semana nos Estados Unidos, e por isso merece elogios.

Altos níveis de spoilers a seguir; se você pretende aguardar um ano para saber o que acontece nesta HQ, melhor afastar-se deste texto agora…

Para deixar claro que se trata de uma nova era, Pérez começa sua história pondo abaixo um ícone do “antigo” universo DC: o Planeta Diário.

Se um dos objetivos do Restart da DC é tornar suas tramas mais condizentes com os tempos atuais, o roteiro acerta ao mostrar como os tradicionais jornais impressos vêm sendo incorporados a grandes empresas de comunicação multimídia – nesse caso, a Galaxy Communications, de Morgan Edge.

A venda do Planeta Diário desencadeia outros pontos importantes: a resistência de Clark Kent em aceitá-la denuncia um certo conservadorismo de Clark Kent/Superman; a ambiciosa Lois Lane, por outro lado, abraça a mudança e é promovida na nova estrutura do jornal – o que, de cara, provoca a primeira desavença entre o casal, que, como foi amplamente divulgado, não é casado no “novo” universo DC.

Ao mesmo tempo, Pérez explora um dos poucos vilões que Superman não consegue deter: o mundo das corporações, das finanças, dos acordos espúrios. A cena de Superman assistindo aos escombros do antigo prédio do Planeta Diário é bastante emblemática.

A partir daí, a história ganha ação, com Superman enfrentando um monstro de fogo de origem aparentemente kryptoniana. Como visto na primeira edição de Justice League, neste novo universo os heróis são tratados com desconfiança; mesmo Superman, mais aceito que os demais, é visto com ressalvas.

Não é apenas o super-herói que vence a ameaça; Clark Kent também sai vitorioso em seu próprio terreno ao redigir uma elogiada matéria, impressa, sobre a batalha.

A sequência final é arrebatadora: Clark procura Lois para fazer as pazes e dá de cara com o namorado dela dentro do apartamento. Assistir ao alterego do maior herói do mundo arrastar-se com ombros caídos em direção ao elevador diz muita coisa. Pérez é gênio.

Mas… como nem tudo são flores no Restart da DC, ficam algumas dúvidas:

– Por que mudar a etnia de Morgan Edge para afrodescendente? Alguma relação com a escolha do ator negro Lawrence Fishburne para viver o editor Perry White no cinema?

– Falando em Perry White, por que transformá-lo num galã? O veterano editor do Planeta Diário sempre foi conhecido por seu caráter firme e não por seus dotes físicos…

– Por que transformar Jimmy Olsen num clone de Justin Bieber? Para atrair os leiores jovens?

E, agora, algo bem interessante. O site Bleeding Cool comparou o preview de Superman 1 distribuído meses atrás pela DC com a edição que chegou às bancas. Em algum momento entre um ponto e outro, algum gênio decidiu que Clark Kent deveria parecer mais jovem. Bem mais jovem…

Em tempo: continuo achando totalmente desnecessária a mudança no uniforme. A sunga por cima das calças em nada compromete a imagem do maior super-herói de todos os tempos.

Restart da DC terá super-herói gay

Seu nome é Miguel Jose Barragan, codinome Bunker, e vai integrar a superequipe adolescente Jovens Titãs – que fará sua estréia no Restart da DC no próximo dia 28.

A novidade foi antecipada pelo artista do título, Brett Booth, em seu blog no último final de semana. Bunker já pode ser visto na ilustração da capa da edição número 1 – ao fundo, de mãos grandes e cor púrpura (imagem abaixo)-, mas será integrado à trama apenas na edição 3 (novembro).

Segundo seu criador, o roteirista Scott Lobdell, Miguel cresceu numa pequena vila mexicana chamada El Chilar e foi muito amado por sua família e pelos demais habitantes – e aceito tanto por sua homossexualidade quanto por seus superpoderes.

O mais interessante é que Lobdell e Booth conceberam o personagem de forma abertamente homossexual, de modo que tivesse sua orientação sexual reconhecida imediatamente pelos leitores. Por isso, ao que parece, ele terá uma aparência e atitude mais “extravagante”.

“Ele será mais efeminado do que já vimos antes, o ‘típico’ personagem gay masculino? Sim!”, garante Booth. “Nós queríamos mostrar um personagem interessante, cuja homossexualidade fosse parte integrante dele e não algo para ser escondido”.

O poder de Bunker será o de criar campos de força em miniatura que se parecem com tijolos.

As HQs mais vendidas nos Estados Unidos em agosto

Dando continuidade à repercussão no mercado do Restart da DC, finalmente já é possível ter uma ideia bastante precisa da venda de cada título.

Como estimado anteriormente, Justice League 1, de Geoff Johns e Jim Lee, lançada no dia 31 de agosto, ocupou o primeiro lugar no ranking com mais de 171 mil cópias vendidas. O alardeado 200 mil vai se confirmar apenas no mês que vem, quando forem contabilizadas as duas reimpressões e embarques para o Reino Unido.

O anúncio da Restart da DC impulsionou o título Flashpoint, que encerra o “velho” universo da editora. Com dois números desta revista e mais a segunda edição de War of the Green Lanterns Aftermath, a editora do Superman fecha sua participação no ranking das 10 HQs mais vendidas no mês, com quatro títulos.

Pelo menos neste mês, a Marvel continua mandando no mercado com 42,5% de participação no total de exemplares vendidos e 37,3% do faturamento. A DC vem logo atrás com 38,9% e 30,8%, respectivamente.

Este quadro deve mudar em setembro, quando se confirmar que vários dos 52 títulos do Restart da DC, lançados com numeração zerada ao longo do mês, tiveram vendas acima das 100 mil cópias.

Veja a lista das 10 HQs mais vendidas em agosto nos Estados Unidos.

1)     Justice League 1: 171.334 cópias

2)     Flashpoint 5: 94.547

3)     Fear Itself 5: 90,914

4)     Flashpoint 4: 86,216

5)     Ultimate Comics Fallout 4: 73,764

6)     Amazing Spider-Man 667: 71,235

7)     Avengers 16: 60,295

8)     War of the Green Lanterns Aftermath 2: 57,707

9)     Amazing Spider-Man 668: 57,533

10)   New Avengers 15: 56,035

Enquanto isso, no Brasil…

Continuamos na era do obscurantismo. Quem audita a circulação (ou seja, venda efetiva) das publicações, inclusive HQs, é o Instituto Verificador de Circulação (IVC) – que só disponibiliza os dados para seus assinantes.

Por ocasião da nota publicada ontem sobre as vendas da revista Turma da Mônica Jovem, Papo de Quadrinho solicitou à assessoria de imprensa da Panini a confirmação dos 500 mil exemplares vendidos. Até o momento, silêncio…

Restart da DC: Justice League 1 é HQ americana mais vendida do ano

Os números da Diamond Comics, maior distribuidora de quadrinhos em língua inglesa, ainda são estimados, mas a DC já saiu alardeando que o primeiro título de seu Restart superou os 200 mil exemplares vendidos.

Outra revista que deve bater esta marca, segundo a editora, é Action Comics, bem como 10 outros títulos podem ter superado a casa dos 100 mil. No próximo mês, quando a Diamond divulgar as vendas de setembro, será possível comprovar.

Curiosamente, a última revista da DC que vendeu nesse patamar foi também Justice League of America 1, em agosto de 2006 – aquela escrita por Brad Meltzer e desenhada pelo brasileiro Ed Benes.

Até o mês passado, a revista mais vendida no mercado americano, com 167 mil exemplares, foi Ultimate Spider-Man 160, última edição do título e a conclusão do arco que culmina na morte do Homem-Aranha no Universo Ultimate.

Quando saírem os números fechados de agosto, será possível ver como Justice League 1 se posiciona entre as HQs mais vendidas na última década.

Restart da DC: Papo de Quadrinho viu Action Comics e Detective Comics

O texto abaixo contém doses radioativas de spoilers. Continue a ler se quiser…

Action Comics e Detective Comics são as pedras fundamentais da DC Comics. A primeira, lançada junho de 1938, fez nascer o gênero de super-heróis quando estampou o Superman na capa da primeira edição. A segunda não só trouxe Batman ao mundo na edição 27 (maio de 1939), como também emprestou suas iniciais ao nome da própria editora.

Por sua importância, ambos os títulos sobrevieram aos numerosos solavancos criativos e financeiros por que a DC passou em mais de 75 anos de existência e se mantiveram firmes, contínuos, tornando-se os mais longevos dos quadrinhos.

Mas nada disso segurou a sanha editorial dos senhores Grant Morrison, Jim Lee, Geoff Johns e Dan Didio, artífices do Restart da DC que, aos poucos, vai mostrando sua cara.

Uma semana depois do lançamento da nova revista Justice League, nesta quarta-feira (7) começou a chegar às lojas especializadas a primeira leva de revistas do “novo” Universo DC.

Action Comics e Detective Comics, ambas com numeração zerada pela primeira vez na história, estão entre elas.

Action Comics é pilotada por Grant Morrison (roteiro) e Rags Morales (arte). Assm como em Justice League, a trama se passa num mundo que mal está se acostumando aos super-humanos – cuja extravagante presença provoca medo na população e desconfiança nas autoridades.

Superman, o astro deste título, parece não se esforçar para desfazer a má impressão. Ao mesmo tempo em que protege desabrigados e mulheres vítimas da violência doméstica, enfrenta a polícia com um sorriso no rosto e tortura um empresário corrupto e inescrupuloso – ou simular que vai jogar um cara da cobertura de um prédio não é tortura?

Há quem diga que é uma volta às origens. De fato, o Superman de Siegel e Shuster não hesitava em saltar com um culpado sobre os ombros para forçá-lo a confessar seus crimes e teria carregado Hitler e Stalin pelo colarinho para acabar com a 2ª Guerra Mundial.

Porém, mais de 70 anos de histórias acabaram por sedimentar a imagem de um herói respeitoso da moral e das leis – o que muitas vezes rendeu problemas e piadas ao personagem.

Neste sentido, vem bem a calhar a mais recente edição da revista DC + Aventura, da Panini, em que a história escrita por Joe Casey em 2003 prova que o senso de justiça do Superman original não tem mais lugar nos dias de hoje.

Goste este editor ou não, o Superman do Restart da DC pelo menos mostra alguma inovação – ou revisão. Não é o caso do Batman visto em Detective Comics 1.

Tony Salvador Daniel, responsável pelo roteiro e arte do título, bebe descaradamente da fonte de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Estão lá os mesmos recordatórios a serviço das digressões dos personagens; está lá o mesmo Batman amargurado e um passo à frente de todos; está lá o mesmo apoio do comissário Gordon ao vigilante de Gotham, a despeito das ordens do prefeito; está lá o mesmo Coringa insano, rindo da incapacidade do Batman em matá-lo. Há até uma boneca que explode. Parece familiar?

Como não consegue ser original, Salvador decide pesar a mão numa história em que arrancar a pele do rosto dos bandidos parece fazer algum sentido. A seu favor, conta somente a arte (finalizada por Ryan Winn) caprichada e vigorosa, e que apresenta boas soluções narrativas em pelo menos duas cenas de diálogos – mas mesmo elas lembram a diagramação de Miller, inovadora nos anos 1980.

Em poucas palavras: é o mesmo Batman dos últimos 25 anos. Cadê a novidade?

Os outros títulos que chegaram às bancas neste dia 7 foram: Justice League International, Green Arrow, Batwing, Batgirl. Stormwatch, Swamp Thing, Animal Man, OMAC, Men of War, Static Schock e Hawk and Dove.

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