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2017: O que vem por aí pela Quadrinhos na Cia

A Quadrinhos na Cia, selo de quadrinhos da Companhia das Letras revelou pra gente alguns de seus lançamentos para este ano. E tem muita coisa boa.

Primeiro, os destaques de fora (as capas são das edições originais e podem sofrer alteração na versão brasileira):

cia_aquiAqui, de Richard McGuire: Talvez o lançamento de maior destaque da editora neste ano, o álbum ganhou o prêmio Fauve d’Or no Festival Internacional de Angoulême do ano passado. Nessa obra inovadora, o ponto de vista do leitor não muda: em mais de 300 páginas e milhares de quadros, ele assiste ao mesmo canto de uma sala. O que muda é a paisagem, os personagens e o tempo, numa trajetória de histórias dentro de histórias que se estende por séculos.

cia_girlsHow to talk to girls at parties (ainda sem título nacional), de Neil Gaiman, Gabriel Bá e Fábio Moon: Os brasileiros Bá e Moon adaptaram o conto de Gaiman sobre o jovem Enn, que não leva o menor jeito com mulheres. Em companhia do seu amigo Vic, ele acaba no meio de uma festa onde as garotas não são nem um pouco o que parecem. A HQ foi lançada nos Estados Unidos pela Dark Horse no ano passado e deve parar nas telas ainda neste ano.

cia_crumbDrawn together (ainda sem título nacional) de Robert Crumb e Alice Kominsky: A coletânea apresenta alguns dos melhores trabalhos produzidos pela dupla Crumb-Kominsky – marido e mulher e ícones do movimento underground nos anos 1970. A obra traz tanto trabalhos produzidos em parceria quanto separadamente, e outros que permaneciam inédito até o lançamento deste álbum.

Hilda e o Troll e Hilda e o Gigante da Meia-Noite, de Luke Pearson: A editora traz para o Brasil dois títulos da série conhecida lá fora como Hildafolk. Hilda é uma garota que não resiste a explorar seu mundo encantando, habitado por trolls, corvos falantes e montanhas que se movem.

Agora, os lançamentos nacionais…

Mensur, de Rafael Coutinho: O autor trabalhou no roteiro e arte dessa obra por mais de cinco anos. O Mensur do título era uma prática de esgrima muito comum na Alemanha dos séculos XVI a XIX, e que funcionava mais como ritual de passagem do que como esporte.

Bellini e o Corvo, de Tony Bellotto e Pedro Franz: primeira incursão numa história em quadrinhos do detetive criado pelo Titã. Antes, ele apareceu nos romances (que viraram filme) Bellini e a Esfinge e Bellini e os Demônios. Na trama dessa HQ, produzida a quatro mãos por Bellotto e Franz, o detetive está aposentado e mora em Florianópolis. As lembranças do antigo desaparecimento de uma mulher misturam passado e presente.

Manual do Minotauro, de Laerte, e Los Três Amigos, de Laerte, Angeli e Glauco: Essas coletâneas de tiras aparecem na prévia da editora no Papo de Quadrinho desde 2012. Vamos ver se agora vai!

Papo de Quadrinho escolhe as melhores HQs de 2016

Papo de Quadrinho segue a tradição de elencar as melhores HQs do ano. Nunca é demais repetir: essa lista é tão subjetiva quanto qualquer outra. Ela apresenta as preferidas entre as HQs lidas pelos editores Jota Silvestre e Társis Salvatore.

Importante dizer que por maior que tenha sido nosso esforço, é possível que nossa leitura mal chegou a 10% de tudo que foi publicado. Vale lembrar que foi um ano de muitos lançamentos e pouco dinheiro.

Os critérios continuam os mesmos das listas anteriores: material inédito lançado no Brasil no ano que terminou – ou seja, importados e relançamentos ficaram de fora. As HQs desta lista são aquelas que, de algum modo, trouxeram algo de inusitado, surpreenderam e, por que não dizer, emocionaram os editores.

Dito nisso, esperamos que os leitores vejam esta seleção como um conjunto de obras que valem muito serem lidas.

Vamos a elas…

pau-e-pedra10. Pau e Pedra, de Paul Kuper (edição única, Quadrinhos na Cia)

Kuper usou toda sua experiência em HQs mudas (sem balões, recordatórios e onomatopeias) para fazer uma metáfora dos tempos atuais. Em pouco mais de 100 páginas, o autor versa sobre a perda da inocência, ganância, tirania, guerra e meio ambiente. Uma aula máster para leitores e, principalmente, criadores de quadrinhos.

monica-forca9. Mônica – Força, de Bianca Pinheiro (série, Panini/MSP)

O selo Graphic MSP continha marcando presença entre os melhores do ano. Desta vez, a talentosa Bianca Pinheiro enveredou por um lado pouco explorado da “dona da rua”. De forma nunca antes vista, Mônica tem que encarar problemas de gente grande, daqueles que não dá pra resolver na base da coelhada. Sensível e emocionante.

ore-monotagari8. Ore Monogatari!! (Minha História), de Aruko e Kazune Kawahara (série bimestral, Panini)

Ore Monogatari está para o shojo (mangás românticos “para meninas”) assim como One Punch Man (veja abaixo) está para o shonen (mangás de aventura “para meninos”). É uma paródia que não deve ser levada a sério exceto como uma ironia às fórmulas sacramentadas desse gênero. A trama foca em Takeo Gouda, um cara gente fina, mas meio bronco e completamente ingênuo, enquanto seu melhor amigo, Makoto Sunakawa – este sim, o galã idealizado de shojo – é pouco mais que um coadjuvante. Divertidíssimo!

one-punch-man7. One Punch Man, de One e Yusuke Murata (série bimestral, Panini)

One Punch Man nasceu como uma webcomic escrita e garranchada pelo jovem One, até que Murata reconheceu seu potencial e assumiu a arte para a versão impressa. Hoje, é um dos mangás mais vendidos do mundo e ganhou um anime de enorme sucesso. Saitama treinou seu corpo até perder os cabelos (literalmente!) e o que deveria ser uma virtude se transformou num problema: como ele derrota todos inimigos com apenas um soco, vive em busca de um adversário à altura. Uma divertida paródia dos mangás e animes de super-heróis com poderes estranhos, vilões bizarros e destruição em massa.

nimona6. Nimona, de Noelle Stevenson (edição única, Intrínseca)

Num reino meio medieval, meio high-tech, os papéis de vilão e herói são definidos pelos governantes. A transmorfa Nimona chega para auxiliar o “maléfico” Lorde Ballister Coração Negro a derrotar seu ex-amigo e arqui-inimigo, o “virtuoso” Sir Ambrosius Ouropelvis. Mais que isso, Nimona subverte a ordem estabelecida, evidencia quem é o verdadeiro inimigo e faz aflorar o melhor que cada personagem traz dentro de si.

sopa-de-salsicha5. Sopa de Salsicha, de Eduardo Medeiros (edição única, Quadrinhos na Cia)

Medeiros apresenta retratos bem-humorados do seu cotidiano, entremeados com momentos de sua vida e carreira. Impressiona a capacidade que o autor tem de rir de si mesmo. No fundo, é um álbum sobre amor, capacidade criativa e transformação. A cereja do bolo são as “participações especiais” de artistas como Marcelo Campos, Rafael Albuquerque, Gustavo Duarte e os gêmeos Moon e Bá.

stan-lee4. Incrível, Fantástico, Inacreditável, de Stan Lee, Peter David e Colleen Doran (edição única, Novo Século)

Esta biografia em quadrinhos de Stan Lee, que acaba de completar 94 anos, reflete a personalidade bem-humorada do biografado e brinca o tempo todo com seu ego superinflado. A vida de Lee é revista desde a infância até as recentes aparições no cinema. Polêmicas não foram esquecidas, como as conhecidas desavenças com os artistas Jack Kirby e Steve Ditko. A arte faz uso de ótimas soluções narrativas, como a reprodução das capas e quadros de revistas antológicas da Marvel.

lei-de-murphy3. A Lei de Murphy, de Flavio Soares (edição única, Jupati Books)

Com roteiro que daria fácil uma série de TV, embalado pela arte competente e uma narrativa que prende o leitor até o último quadro, Flavio Soares criou uma nova perspectiva para o gênero de super-heróis. O advogado Douglas Murphy defende meta-humanos que se metem em problemas com os poderes recém-adquiridos. Mas ele não é nenhum Matt Murdock; ao contrário, Murphy vê nisso uma oportunidade para ficar rico e famoso, até que um caso estranho faz com que o advogado revele segredos inesperados até o ato final.

capitao-gralha2. As Aventuras Perdidas do Capitão Gralha, vários autores (edição única, Quadrinhópole)

No melhor estilo de O Escapista, de Michael Chabon, um grupo de quadrinhistas curitibanos criou o herói fictício Capitão Gralha, que teria tido suas histórias publicadas na Era de Ouro. A ideia inicial era criar um background para um novo personagem, O Gralha, que viria a ser publicado em tiras de jornal. Só que a biografia do criador imaginário, Francisco Iwerten, foi tão bem elaborada que ele chegou a ser indicado a uma premiação de quadrinhos e, consta, estava prestes a virar enredo de escola de samba antes que os autores revelassem a verdade. O álbum reúne as aventuras “recuperadas” nos anos 40 e captam com precisão o espírito daquela Era.

coisas-de-adornar-paredes1. Coisas de Adornar Paredes, de José Aguiar (edição única, Quadrinhofilia)

De tão simples, a ideia chega a ser genial. Nesse álbum, José Aguiar (um dos autores envolvidos com o Capitão Gralha, acima) explora a relação das pessoas com azulejos, quadros, santos e tudo aquilo que se usa para decorar as paredes. Não bastasse a edição caprichada, a arte aquarelada em tons de cinza e a visão poética de Aguiar sobre um tema tão prosaico, a HQ explora de forma magistral a metalinguagem. O personagem Chico é o autor dos contos apresentados, que se desenvolvem à medida que ele se relaciona com os colegas de trabalho.

Para encerrar, fica a dica de outros títulos que adoramos e não podem deixar de ser lidos:

São Paulo dos Mortos – vol. 3, de Daniel Esteves (série, independente);

Pieces – Partes do Todo, de Mario Cau (série, Jupati Books);

Finório, de Marco Oliveira (edição única, Zarabatana Books);

Cadernos de Viagem, de Laudo Ferreira Jr. (edição única, Devir);

Bidu – Juntos, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho (série, Panini/MSP);

Ajin, de Tsuina Miura e Gamon Sakurai (série bimestral, Panini);

Repeteco, de Bryan Lee O’Malley (edição única, Quadrinhos na Cia).

Quadrinhos na Bienal do Livro SP: Companhia das Letras

Por meio do selo Quadrinhos na Cia, a Companhia das Letras reservou três lançamentos em quadrinhos para a Bienal do Livro de SP: dois nacionais e um estrangeiro. Confira:

magdacialetrasMagda, de Rapha Campos Rocha (114 páginas, R$ 44,90): do mesmo autor de Deus, Essa Gostosa, Magda conta a história de um ser ancestral que se escondeu na Terra. Um predador de milhares de anos que pode ter sido responsável por extinções do passado. Agora ele se apossou de Magda, numa relação de simbiose que acaba por criar um dos seres mais poderosos do planeta. E Magda está com fome. Esse é o ponto de partida para uma ficção cientifica que, segundo o autor, bebe na obra de clássicos como Moebius, Robert E. Howard e Milton Caniff. O resultado é um álbum ao mesmo tempo inesperado e violento, sensível e brutal.

DezanosCialetrasDez anos para o fim do mundo, de Caeto (176 páginas, R$ 54,90): Em Memória de elefante, Caeto criou uma das mais belas autobiografias do quadrinho nacional. Agora, ele retoma sua trajetória pessoal numa história sobre o passado, a família, o processo de amadurecimento e a arte. Preenchendo as lacunas do livro anterior, Caeto volta a infância, num retrato contundente sobre sua pré-adolescência, a paternidade e a vida adulta.

ReportagensCiaLetrasReportagens, de Joe Sacco (200 páginas, R$ 54,90): Joe Sacco tem se voltado cada vez mais aos quadrinhos curtos para relatar conflitos ao redor do globo. Reunidas pela primeira vez, essas pequenas reportagens mostram por que Sacco é um dos principais correspondentes de guerra dos nossos tempos. São histórias de refugiados africanos em Malta, de contrabandistas palestinos, de criminosos de guerra e de suas vítimas, de uma incursão com o exército americano no Iraque.

A Bienal do Livro de SP acontece de 26 de agosto a 4 de setembro, no Anhembi. Veja aqui como visitar o evento.

Livro reúne reportagens em quadrinhos de Joe Sacco

sacco

Do Press-Release

Na última década, Joe Sacco tem se voltado cada vez mais aos quadrinhos curtos para nos mandar relatos dos conflitos ao redor do globo. Reunidas pela primeira vez, essas reportagens mostram por que Sacco é um dos principais correspondentes de guerra dos nossos tempos.

São histórias de refugiados africanos em Malta, de contrabandistas palestinos, de criminosos de guerra e de suas vítimas. E ainda de uma incursão com o exército americano no Iraque, em que ele vê de perto a miséria e o absurdo da guerra.

Um de seus trabalhos mais maduros, Reportagens traz Sacco nas linhas de frente dos conflitos, relatando com sensibilidade e crueza os horrores — e as esperanças — da humanidade.

Com lançamento previsto para 27 de junho pela Companhia das Letras, Reportagens tem 200 páginas, formato 19,5 x 26,5 cm e preço de R$ 49,90.

2016: O que vem por aí pela Quadrinhos na Cia

QuadrinhosnaCia2016

Dos muitos lançamentos do selo de quadrinhos da Companhia das Letras para este ano, a editora adiantou dois para a prévia do Papo de Quadrinho. Em ambos os casos, trata-se de coletâneas de tiras.

O primeiro é Sopa de Salsicha – O Filme, que compila as tiras autobiográficas iniciadas por Eduardo Medeiros em 2007. O material da Quadrinhos na Cia será inédito, com quase 200 páginas. A previsão de lançamento é no final de março.

O outro, ainda sem previsão de lançamento, é Manual do Minotauro, de Laerte Coutinho.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2015

Depois da lista de Melhores HQs estrangeiras, chegou a hora das nacionais.

Num ano de produção vasta e qualificada, amplificada pela realização de dois importantes eventos, FIQ e CCXP, selecionar apenas 10 obras não foi uma tarefa fácil.

Nunca é demais repetir: os livros abaixo são os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do blog – um volume muito aquém de toda a produção anual.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2015, em ordem alfabética:

DodôDodô (Felipe Nunes – Independente)

Felipe Nunes é considerado um dos expoentes da nova geração de quadrinhistas brasileiros, uma geração que tem muito a dizer. Depois do excelente e premiado Klaus, o autor volta a explorar o universo infantil. Desta vez, pelos olhos de Lola, menina de seis anos que não vai à escola, não tem amigos e recebe pouca atenção da mãe. Até que num belo dia ela encontra um (amigo imaginário?) Dodô. De simples distração, o pássaro se converte no gatilho que vai explodir emoções e segredos há muito guardados. A forma como Nunes trabalha o sentimento de rejeição é um soco no estômago no leitor.

Dois IrmãosDois Irmãos (Fabio Moon e Gabriel Bá – Cia. das Letras)

A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011. Diferentes e rivais desde muito cedo, Yaqub e Halim são como luz e sombra – um recurso gráfico que os autores exploram não só na relação entre eles, mas também, e principalmente, no detalhamento da arquitetura de Manaus, onde se passa grande parte da história. Moon e Bá traduziram com maestria a densidade da narrativa de Hatoum para a nona arte e preencheram algumas lacunas que antes viviam apenas na imaginação dos leitores da obra original.

Limiar Dark MatterLimiar: Dark Matter (Luciano Salles – Independente)

Luciano Salles optou por encerrar a trilogia iniciada em O Quarto Vivente e seguida por L’Amour: 12 Oz com uma ficção científica. Os amigos Carino e Nádio pretendem honrar – e vingar – um terceiro integrante da sua confraria, Amerício, “memorizado” por desafiar as regras de uma sociedade controladora. Neste futuro distópico, a “matéria escura” do título – um elemento cósmico que desafia a Ciência até hoje – encontra-se sintetizada numa espécie de alucinógeno que amplia os sentidos dos dois amigos e os incita a se lançarem numa aventura suicida. Na comparação com os demais trabalhos de Luciano, Dark Matter talvez seja o que tem a narrativa mais linear, mas não menos intrigante. E sua arte, como sempre, é arrebatadora.

Louco FugaLouco – Fuga (Rogério Coelho – MSP Produções/Panini)

Esta é mais que uma aventura nonsense, como costuma acontecer nas recorrentes participações especiais do Louco nas revistas da Turma da Mônica. Rogério Coelho lança mão de sua vasta experiência como ilustrador para contar uma história que homenageia a arte de contar histórias. Na trama, o Louco é o herói de seu mundo interior, onde precisa salvar o pássaro mágico – que inspira todos os escritores – das garras dos Guardiões do Silêncio. Isso se dá numa narrativa que mistura metalinguagem, lirismo, diagramação ousada, cenários fantásticos, traços e cores que remetem aos livros de fábulas.

Mil Léguas TransamazônicasMil Léguas Transamazônicas (Will e Spacca – Independente)

Quando dois visionários se encontram, o resultado não pode ser menos que impressionante. Isso vale para o encontro fictício do Barão de Mauá e Júlio Verne, e também para a dupla de autores, Will e Spacca. A obra é uma mistura tão bem elaborada de ficção e pesquisa histórica que fica difícil distinguir onde termina uma e começa a outra. A trama, que envolve a exploração do Rio Amazonas em pleno Segundo Império no barco voador Uirapuru, tem intrigas políticas, a lenda das guerreiras amazonas e até um certo “Diabo Coxo” que embarca meio que acidentalmente na aventura. Esse último elemento faz de Mil Léguas Transamazônicas uma homenagem não só à História do Brasil e à ficção científica, mas também ao próprio desenvolvimento da nona arte no País.

O Astronauta de PijamaO Astronauta de Pijama (Samantha Flôor – Marsupial Editora)

A autora mergulha fundo no imaginário infantil ao acompanhar a aventura do garoto que precisa resgatar seu gato das entranhas de um simpático e imaginário monstro. O recurso da ausência de texto, que estende a leitura para todas as idades, é compensado de forma competente pela expressividade dos personagens e o dinamismo da narrativa.

Por mais um dia com ZapataPor Mais um Dia com Zapata (Daniel Esteves, Alex Rodrigues e Al Stefano – Zapata Edições)

A obra refaz os passos do revolucionário mexicano Emiliano Zapata desde os primeiros confrontos com os soldados do ditador Porfirio Díaz até seu assassinato numa emboscada em Chinameca. A história é contada pelo ponto de vista de “Brasileño”, personagem fictício que faz o elo entre a Revolução Mexicana e o massacre da comunidade de Canudos, ocorrida no interior da Bahia em 1896. A convergência de duas linhas temporais distintas forma um mosaico que lança um novo olhar sobre este importante momento histórico da América Latina.

Quando a Noite fecha os OlhosQuando a Noite Fecha os Olhos (André Diniz e Mário Cau – Independente)

A diversidade tratada de forma honesta e sensível. Não se pode esperar menos dos dois autores que, com carreiras consagradas, realizam seu primeiro trabalho conjunto. Camilo vive uma noite eterna e tem como companhia apenas os objetos de seu quarto. Quando as circunstâncias se impõem, ele precisa enfrentar demônios internos e externos para finalmente se libertar. O recurso narrativo de usar o clima e objetos inanimados para expor a psique do personagem é, se não inédito, de uma beleza ímpar.

Steampunk LadiesSteampunk Ladies – Vingança a Vapor (Zé Wellington, Di Amorin e Wilton Santos – Editora Draco)

Rabiosa e Sue foram unidas pelo destino, pelo desejo de vingança e pela percepção que, juntas, têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado. O roteiro é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Os autores optaram pelo ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. Os flashbacks funcionam de forma orgânica e lembram alguns bons filmes do gênero. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus de faroeste.

Turma da Mônica – Lições (Vitor e Lu Cafaggi – MSP Produções/Panini)

Como o próprio nome evoca, Lições versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos. Um olhar mais atento revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental; eles cresceram e perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura. O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizades. O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades. Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

2015: O que vem aí pela Quadrinhos na Cia

dois irmaos

A partir de hoje, Papo de Quadrinho dá início a uma série de postagens com os títulos em quadrinhos já planejados pelas principais editoras brasileiras para o ano que começa.

A primeira é a Quadrinhos na Cia, selo de quadrinhos da Companhia das Letras, que mantém um catálogo caprichado de HQs nacionais e estrangeiras.

Para março, está previsto o lançamento de Todo Bob Cuspe, que reúne as tiras estreladas pelo punk criado pelo cartunista Angeli. O encadernado deve seguir o mesmo modelo da republicação de Toda Rê Bordosa (2012): formato grande (19.50 x 26.50 cm) e capa dura.

Ainda na linha dos nacionais, sem data de lançamento, está Dois Irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá. A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011.

Estão planejados três lançamentos internacionais, também sem previsão. Em Metamaus, Art Spielgman vai fundo no processo de criação de sua obra-prima, Maus, que continua bastante atual mais de 25 anos depois da primeira publicação.

Kill my mother, do premiado cartunista Jules Feiffer, prestes a completar 86 anos, é uma homenagem aos pulps e tiras que preencheram sua infância. Em clima de filme noir, a graphic novel é centrada em cinco mulheres ligadas pelo destino ao um detetive particular acabado e beberrão.

Por último, Marzi é a autobiografia em que a cartunista polonesa Marzena Sowa conta sua infância na década de 1980 por trás da Cortina de Ferro, antes do fim do comunismo na Polônia. A HQ estava prevista para sair em 2014.

2014: O que vem por aí pela Quadrinhos na Cia

barbas

Spacca, Angeli, Laerte. A nata dos quadrinhos nacionais é destaque entre os lançamentos do selo de quadrinhos da Companhia das Letras para o primeiro semestre do ano.

Já neste mês de janeiro chega às livrarias As Barbas do Imperador, do cartunista Spacca e a historiadora Lilia M. Schwarcz. A HQ adapta o livro homônimo de Lilia sobre o Segundo Império no Brasil.

Ainda dentro da produção nacional, estão previstas duas coletâneas de tiras: Todo o Bob Cuspe, de Angeli (março) e Manual do Minotauro, de Larte (maio).

O destaque internacional fica por conta do primeiro volume de Marzi, quadrinho autobiográfico em que a cartunista polonesa Marzena Sowa conta sua infância na década de 1980 por trás da Cortina de Ferro. A previsão de lançamento é fevereiro.

HQ “As Barbas do Imperador” sai pela Quadrinhos na Cia

barbas

A historiadora Lilia Moritz Schwarcz e o quadrinhista Spacca são os melhores no que fazem, e o que eles fazem é tudo de bom.

O primeiro fruto desse “casamento” se deu em 2008, com o ótimo D. João Carioca, sátira histórica da chegada da família imperial ao Brasil e do Primeiro Império.

Agora, a Quadrinhos na Cia. – divisão de quadrinhos da Companhia das Letras – lança o mais recente trabalho da dupla: a adaptação do livro de Lilia, As Barbas do Imperador.

A obra é um deleite. A autora mistura pesquisa rigorosa com uma prosa solta para descrever e fazer revelações sobre o Segundo Império – uma das épocas de maior desenvolvimento tecnológico e cultural do nosso país.

Tomando por base o trabalho em D. João Carioca, o que se pode esperar da quadrinhização de Spacca é mais uma obra-prima, com ampla pesquisa de figurinos, objetos, construções e costumes – e muito, muito humor.

As Barbas do Imperador tem 144 páginas, formato 21 x 28 cm, capa e miolo coloridos e preço de R$ 49. A editora não confirmou a data de lançamento.

As Melhores HQs de 2012 na opinião dos leitores

No início de dezembro, Papo de Quadrinho convidou seus leitores para fazer uma lista dos quadrinhos de que mais gostaram no ano.

Os participantes concorreram, por sorteio, a quatro livros em quadrinhos: Astronauta – Magnetar, Coleção Histórica Marvel – Vingadores, Eu Sou o Homem de Ferro e Sweet Tooth – Saindo da Mata.

No total, os leitores votaram em 140 diferentes títulos. O critério que definiu os vencedores foi a posição nas listas individuais, o que equivalia a uma pontuação diferente (5 pontos para o primeiro, 4 para o segundo e assim por diante).

Feitas as contas, confira as Melhores HQs de 2012 na opinião dos leitores:

1º LUGAR (107 pontos)

ASTRONAUTA-MAGNETAR (Danilo Beyruth, Panini)

Dando início à série Graphic MSP, Danilo Beyruth explora e aprofunda as características que transformaram o Astronauta num dos personagens mais queridos de Mauricio de Sousa: a ousadia e a solidão. O intrépido investigador depara-se com um evento raro no cosmos, uma magnetar, último estágio de uma estrela moribunda. Ao investigá-lo, um problema com a nave faz dele um náufrago espacial. O Astronauta vai buscar nas lembranças da infância na fazenda do avô a coragem para sair desta situação.

Leia resenha completa aqui: http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2012/10/21/astronauta-magnetar-razao-e-sensibilidade/

2º LUGAR (65 pontos)

FACE OCULTA #1 (Gianfranco Manfredi/Goran Parlov, Panini)

Série mensal da editora italiana Bonelli que a Panini trouxe ao Brasil no final do ano. A trama é ambientada no final do século XIX, num conturbado momento político em que o expansionismo da Itália estendia seus tentáculos na direção da Etiópia. O protagonista é Ugo Pastore, jovem inteligente, audacioso e íntegro que acompanha o pai em viagem de negócios à colônia italiana no país africano. Lá, Ugo envolve-se com obscuras transações diplomáticas e entra em contato com o enigmático Face Oculta, líder político e religioso que luta contra o imperialismo na Etiópia.

3º LUGAR (52 pontos)

DAYTRIPPER (Fábio Moon e Gabriel Bá, Panini) 

A morte vive a flertar com as pessoas, mas em que momento ela vem dar seu abraço fatal? Num dia simples de brincadeira infantil? No dia em que descobrimos o verdadeiro amor? Daytripper apresenta as muitas possíveis vidas do escritor Brás Domingos e mostra que o dia mais importante da vida é o hoje, pois nunca há a certeza do amanhã.

Leia resenha completa aqui: http://revistaogrito.com/papodequadrinho/2011/12/09/daytripper-uma-viagem-so-de-ida/

4º LUGAR (48 pontos)

TEX EDIÇÃO ESPECIAL COLORIDA #1 (Mauro Boselli/Bruno Brindisi, Mythos)

O caubói mais famoso dos quadrinhos recebe a notícia de que seu parceiro Kit Carson morreu em circunstâncias misteriosas e parte para Spokane Falls em busca de justiça e vingança. A Mythos caprichou na edição em formato italiano (16 x 21 cm) e totalmente em cores. Fica a torcida dos fãs para que a editora mantenha a publicação, especialmente após o cancelamento do título Tex em Cores que republicava suas aventuras em ordem cronológica.

5º LUGAR (48 pontos)

HABIBI (Craig Thompson, Quadrinhos na Cia)

Com a peculiar sensibilidade que imprime a seus trabalhos, Craig Thompson (Retalhos) narra uma história de amor que atravessa décadas ao mesmo tempo em que traduz para os ocidentais os verdadeiros princípios da fé islâmica. Dodola e Zam, uma jovem e um bebê escravos, refugiam-se num navio em pleno deserto. Para passar o tempo, Dodola conta histórias como no conto As Mil e Uma Noites. Mas o mundo fora do refúgio é duro, e ambos acabam sucumbindo à crueldade dos homens antes que voltem a se encontrar.

Alguns esclarecimentos:

Daytripper foi lançada originalmente em 2011; porém, a edição com capa cartonada chegou às bancas apenas no início de 2012 e, portanto, é considerado um relançamento – o que é válido segundo o regulamento.

A presença de dois títulos da editora italiana Bonelli entre as melhores do ano (Face Oculta e Tex Edição Especial Colorida) é resultado de uma campanha feita pelo fórum TexBr. A ideia dos integrantes é que a boa votação das revistas garantam maior visibilidade e a manutenção de sua publicação – tanto pela Panini quanto pela Mythos. Mantido o controle para evitar fraudes e votos repetidos, o Papo de Quadrinho considera a campanha legítima e dentro do regulamento.

Tex Edição Especial Colorida e Habibi pontuaram igualmente (48 pontos). O critério de desempate adotado foi a quantidade de votos recebidos por cada título (13 contra 12, respectivamente).

Amanhã, dia 8, serão anunciados os participantes que ganharam por sorteio as quatro HQs da promoção. Fique atento!

E não deixe de conferir a lista de Melhores HQs de 2012 na opinião dos editores do Papo de Quadrinho!

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