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2016: O que vem por aí pela Peirópolis

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Depois de um ano sem lançamentos (vamos combinar, 2015 não foi fácil pra ninguém!), a editora retoma a publicação de sua série Clássicos HQ que, como o nome diz, traduz para os quadrinhos aclamados clássicos da literatura brasileira e estrangeira. O legal é que todas as adaptações são feitas por roteiristas e desenhistas brasileiros.

A Peirópolis já abriu este ano com o anúncio de Macunaíma, clássico modernista de Mario de Andrade, traduzido para os quadrinhos por Angelo Abu e Dan X. O lançamento estava previsto inicialmente para março do ano passado.

Outros dois títulos finalmente devem ver a luz do dia, ambos de Goethe: O sofrimento do jovem Werther, por Daniel Gisé, e Fausto, por Rom Freire e Dinei. Ambos foram anunciados pela primeira vez em 2014.

A novidade na lista de lançamentos previstos pela Peirópolis para 2016 é Tio Vânia, de Tchekhov, levado aos quadrinhos pela arte característica de Caco Galhardo.

2015: O que vem por aí pela Peirópolis

Macunaíma2A editora tem pelo menos três novos títulos programados para sua principal linha de quadrinhos, a ótima Clássicos HQ, que adapta obras da literatura brasileira e universal, sempre pelas mãos de autores nacionais.

Dois deles estavam previstos para 2014 e foram reprogramados: Fausto, de Goethe, com roteiro de Léo Santana e arte de Rom Freire; e Os Sofrimentos do Jovem Werther, também de Goethe, adaptada por Daniel Gisé.

A novidade mesmo chega agora em março: Macunaíma, de Mario de Andrade. Publicada em 1928, a história inovadora do anti-herói que encarna todos os vícios do povo brasileiro se converteu numa das obras-símbolo do Modernismo. O roteiro adaptado e a arte são de Ângelo Abu.

Infelizmente, Édipo Rei, a tragédia grega de Sófocles na versão dos talentosos Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole, programada para 2014, não saiu naquele ano e nem está na previsão de 2015.

2014: O que vem por aí pela Peirópolis

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Neste ano, a editora mantém em sua linha de quadrinhos a coleção Clássicos em HQ, com adaptações de clássicos da literatura brasileira e universal feitas por artistas brasileiros.

Os títulos previstos para 2014 são:

A morte de Ivan Ilitch: considerada uma das novelas mais bem escritas da literatura universal, o livro de Lev Tolstói acompanha as reflexões de um juiz de instrução à beira da morte e o arrependimento de uma vida inteira baseada em aparências. A tradução e adaptação do texto são de Boris Schnaiderman e a arte, de Caeto (programado anteriormente para 2013).

Fausto: o clássico do alemão Goethe tem início quando Mefistófeles e Deus fazem uma aposta pela alma de Henrique Fausto, sábio que almeja deter todo o conhecimento do universo. O livro tornou-se o símbolo do que significa vender a alma ao Diabo. Roteiro adaptado por Léo Santana, arte de Rom Freire e cores de Dinei.

Os Sofrimentos do Jovem Werther: Mais uma obra de Goethe selecionada pela Peirópolis, foi publicada originalmente em 1774. A história é centrada em Werther, jovem talentoso e introspectivo em busca de si mesmo e de seu lugar no mundo. Adaptação para os quadrinhos de Daniel Gisé. (programado anteriormente para 2013).

Édipo Rei: tragédia grega escrita por Sófocles e encenada pela primeira vez no ano 427 a.C. Por meio do relato de um escravo cego, o jovem rei Édipo descobre como foi vítima da profecia que seus pais tentaram evitar – e que acabaram provocando. Roteiro e arte de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (arte conceitual acima).

Orlando: escrito por Virginia Wolf em 1928, expõe questões atuais até hoje, como identidade e gênero. Adaptado para cinema e teatro, é a primeira vez que o livro chega aos quadrinhos de Luciana Penna e Luana Geiger.

A Mão e a Luva em Quadrinhos: Tradução competente

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A editora Peirópolis vem fazendo um ótimo trabalho com sua coleção Clássicos em HQ, em que obras da literatura universal são adaptadas por artistas nacionais. Dom Quixote (de Cervantes, por Caco Galhardo), Auto da Barca do Inferno (de Gil Vicente, por Laudo Ferreira e Omar Viñole) e O Corvo, (de Poe, por Luciano Irrithum) são alguns bons exemplos.

O título mais recente da coleção é A Mão e a Luva em Quadrinhos, de Machado de Assis, com roteiro de Alex Mir e arte de Alex Genaro. A obra original foi publicada em capítulos no ano de 1874 e faz parte da fase romântica do autor.

Guiomar, jovem de bela figura e espírito independente, de origem humilde e adotada pela baronesa quando esta perdeu uma filha da sua idade, precisa administrar três pretendentes à sua mão.

Apesar de nesta fase já ficarem evidentes algumas das características mais conhecidas do Machado “realista” – o sarcasmo, a crítica social –, é curioso lembrar como no Romantismo a pureza do amor e as boas intenções superam até as mesmo as rígidas convenções sociais da época.

Alex Mir faz uma tradução (como defendem alguns teóricos, no lugar de “adaptação”) competente, sem cortes abruptos nem sobressaltos no roteiro – o que por si só já é um grande feito. O texto machadiano é tão coeso que dificulta achar o ponto de corte.

Justamente por conta dessa dificuldade, alguns quadros e mesmo páginas inteiras de A Mão e a Luva em Quadrinhos acabam sofrendo com o excesso de palavras. Mas nisso o autor original sai em socorro do roteirista: o estilo de Machado é tão instigante, especialmente nos diálogos, que mesmo a grande quantidade de texto não torna a leitura maçante.

A arte de Alex Genaro é limpa e precisa, como convém a uma obra que tem como alvo prioritário o púbico infanto-juvenil. Não sou especialista em século XIX, mas a reconstituição de época nos cenários, figurinos e gestuais parece bastante correta.

O único senão é o uso frequente de setas para indicar a sequência de leitura dos quadros. Este recurso era bastante utilizado em meados do século passado, quando os artistas começaram a romper a estrutura rígida de nove quadros por página e a inovar na diagramação.

Como ainda não tinham pleno domínio da narrativa em quadrinhos, usavam o artifício de “guiar” os olhos do leitor (da esquerda para a direita, de cima para baixo) por meio destas setas. Hoje em dia, é um recurso que empobrece a narrativa. Intencionalmente ou não, de certa forma este artifício confere um ar “retrô” à Mão e a Luva em Quadrinhos.

O livro tem 64 páginas, capa e miolo coloridos, formato 20,5 x 27 cm e preço de R$ 35.

Para quem já leu o livro de Machado, é bastante curioso visualizar a forma como os autores do quadrinho imaginaram os personagens e cenários; para quem nunca leu, é uma boa oportunidade de entrar em contato com uma das grandes obras da literatura brasileira.

2013: O que vem por aí pela Peirópolis

A editora especializou-se em adaptar obras da literatura para os quadrinhos, tanto brasileira (Conto da Escola, I-Juca Pirama) quanto universal (O Corvo, Frankenstein, Os Lusíadas) – todas feitas por autores nacionais.

Em 2013, a Peirópolis dá continuidade à sua coleção Clássicos em Quadrinhos com quatro lançamentos previstos até o momento.

A morte de Ivan Ilitch: considerada uma das novelas mais bem escritas da literatura universal, o livro de Lev Tolstói acompanha as reflexões de um juiz de instrução à beira da morte e o arrependimento de uma vida inteira baseada em aparências. A tradução e adaptação do texto é de Boris Schnaiderman e a arte, de Caeto.

Dom Quixote – Volume II: conclusão da adaptação iniciada pelo cartunista Caco Galhardo da obra-prima de Miguel de Cervantes. O primeiro volume foi lançado pela Peirópolis há cinco anos. Neste, as aventuras do cavaleiro andante concentram-se no salvamento da donzela Dulcineia.

Fernando Pessoa em quadrinhos: O poeta português é analisado a partir de sua obra e de uma carta ao amigo João Gaspar em que explica o nascimento e vida de seus heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, e do semi-heterônimo Bernardo Soares. Roteiro de Susana Ventura e arte de Eloar Guazzelli.

Os Sofrimentos do Jovem Werther: Adaptação da obra do alemão Goethe publicada originalmente em 1774. A história é centrada em Werther, jovem talentoso e introspectivo em busca de si mesmo e de seu lugar no mundo.

Muitos eventos de quadrinhos neste fim de semana

Impressiona a quantidade de convites para lançamentos, sessões de autógrafos e bate papos com autores de quadrinhos que chegam toda semana. Esta, porém, superou todas.

Para quem gosta do gênero, Papo de Quadrinho organizou esta pequena agenda (veja os flyers na galeria abaixo). Pena que alguns acontecem no mesmo dia e horário.

E se ainda tem alguém que acha que o mercado brasileiro não está aquecido, melhor rever seus conceitos…

Hoje, dia 9

Dossiê HQ: bate papo entre autores e leitores. Participação de Ricardo Tokumoto (Ryotiras), Luís Felipe Garrocho (Quadrinhos Rasos), Paulo Crumbim (Quadrinhos A2) e Cristina Eiko (Quadrinhos A2). Moderação de Magno Costa (Oeste Vermelho).

Na Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158), a partir das 19h.

Como na Quinta Série: Lançamento da HQ de Daniel Ribatski pela Balão Editorial, durante a Feira de Arte Impressa da Livraria Tijuana.

Na Galeria Vermelho (Rua Minas Gerais, 350), a partir das 19h.

Holly Avenger e LEDD vol.2: Lançamento do primeiro volume da Edição Definitiva da HQ de Marcelo Cassaro e Érica Awano, e do segundo volume da HQ de J.M. Trevisan.

Na Geek (Alameda Santos, 2152 – loja 122), a partir das 19h.

Amanhã, dia 10

Picles – Piadas do Fim do Mundo: lançamento da segunda HQ coletiva organizada pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP).

Na Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998), a partir das 14h.

Seu Turno – A Aventura Começa: Lançamento da HQ de Éder Gil, Raff Ribeiro e Fernando dos Santos, pela Editora Jambô (projeto selecionado pelo ProAC 2011).

Na Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998), a partir das 14h.

Ida e Volta: lançamento da HQ independente de Raphael Fernandes (Ditadura No Ar), Doug Lira, Pedro Pedrada e Rafa Louzada.

No Monkix (Rua Augusta, 1492 – loja 21), a partir das 16h.

A Máquina de Goldberg: Lançamento da HQ de Vanessa Barbara e Fido Nesti, pela Quadrinhos na Cia.

Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073), a partir das 16h.

Ano de Portugal no Brasil: bate papo com Laudo Ferreira sobre o tema “Auto da barca do inferno: Gil Vicente em quadrinhos”, que o autor adaptou pela Editora Peirópolis.

Na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37), a partir das 16h.

Frankenstein ganha mais uma versão em quadrinhos

A nova adaptação do clássico monstro criado por Mary Shelley está sendo lançado neste mês pela Editora Peirópolis dentro de sua coleção Clássicos em HQ.

O que talvez diferencie esta versão das muitas já publicadas no passado, tanto nacional quanto estrangeiras, é o trabalho da artista plástica Taisa Borges, em sua primeira incursão pelos quadrinhos.

Seu estilo tem um toque de surrealismo que pode ser observado desde a capa (acima) até as páginas internas (clique na galeria abaixo para ampliar).

Frankenstein em Quadrinhos tem 56 páginas, formato 20 x27 cm, capa e miolo coloridos e preço de R$ 35,00.

A Peirópolis vem investindo neste tipo de adaptação desde 2005, quando lançou a coleção Clássicos em HQ, todas produzidas por artistas nacionais. Já foram lançadas, até o momento, Dom Quixote (Caco Galhardo), Os Lusíadas (Fido Nesti), O Corvo (Luciano Irrthum), Demônios (Eloar Guazzelli), Conto de Escola (Silvino); Auto da Barca do Inferno ( Laudo Ferreira Jr.) e A Divina Comédia (Piero e Giuseppe Bagnariol).

Até o final do ano, a editora promete o lançamento de Orlando, de Virginia Wolf, adaptado por Luana Geiger e Luciana Penna.

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