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Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2014

Depois de eleger algumas das melhores HQs estrangeiras publicadas no ano recém-encerrado, chegou a vez de revelar nossa lista de obras nacionais.

O critério é o mesmo – apenas HQs inéditas – e sujeito à mesma falha: foram selecionados os títulos preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2014.

lizzie10. Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço (Germana Viana – Jambô Editora)

Uma grata surpresa do ano que passou. Em seu primeiro trabalho em quadrinhos, a veterana ilustradora Germana Viana destila um humor nonsense, inteligente, anárquico. São histórias curtas, publicadas originalmente na internet, sobre um grupo pouco comum de amigas que viajam pelo espaço. Quem quiser, pode acompanhar o trabalho da autora neste endereço.

Veja matéria completa aqui.

Klaus9. Klaus (Felipe Nunes – Balão Editorial)

O jovem autor, de apenas 19 anos, criou uma fábula instigante para retratar a passagem da adolescência para a vida adulta. O personagem-título é o único humano numa terra de animais antropomórficos. Por ser diferente, passou a vida como vítima de preconceito, até que a verdade se revela e ele precisa fazer uma escolha: manter a convivência com os pais-tigres amorosos ou dar um salto no escuro rumo à maturidade.

Vigor Mortis Comics8. Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, Suor e Nanquim (José Aguiar, Paulo Biscaia, DW Ribatski e André Dulci – Quadrinhofilia)

Segundo volume das HQs que adaptam obras multimídia da Cia. Vigor Mortis. Neste caso, a história fundiu o filme Nervo Craniano Zero e a peça Seance – As Algemas de Houdini. O resultado é uma trama ambientada em 1969 repleta de repressão política, assassinatos em série e viagens alucinógenas, misturada à vida miserável da enfermeira Lavínia, personagem fictícia da protagonista Bruna Bloch. Destaque para a mudança de estilo artístico a cada aspecto diferente da narrativa.

Beladona7. Beladona (Ana Recalde e Denis Mello – Avec Editora)

A personagem Samantha nasceu na internet, em páginas semanais publicadas no site Petisco. Graças ao financiamento coletivo, ganhou este belo álbum de terror sobre uma menina assombrada por pesadelos. Parte da história se passa nesse mundo de sonhos terríveis, em que Samantha é perseguida e atormentada por espíritos malignos; outra parte, menor, se dá no mundo real. Ana Recalde é uma das grandes roteiristas da atual geração, e o traço nervoso de Denis Mello faz jus à trama.

Click6. Click (Samanta Flôor – Independente)

Outra grata surpresa de 2014: apesar de curto – pouco mais de 30 páginas –, é o trabalho mais longo até agora da jovem, porém veterana, ilustradora. Sem diálogos, a história combina uma câmera misteriosa, zumbis, um artista de rua e uma garota amável.

 

 

Helena5. Helena (Montserrat e Simone Beatriz – New Pop)

Mangá produzido no Brasil, adapta a obra homônima de Machado de Assis. Da fase romântica do autor, a história tem todos os ingredientes daquela escola literária: a heroína trágica, o herói nobre, um amor impossível. Como outros livros deste período, é possível identificar elementos do Realismo, em especial a crítica social.

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bidu4. Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho – MSP/Panini)

Ao longo da trama, o famoso cãozinho azul criado por Mauricio de Sousa precisa fazer uma série de escolhas: encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade. À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa. Tudo isso antes de encontrar seu dono e eterno amigo Franjinha. Mais uma obra-prima da série Graphic MSP.

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Jonas3. A Vida de Jonas (Magno Costa – Zarabatana Books)

Envolvido em problemas com álcool e recém-separado de Júlia, Jonas tem uma existência solitária e sem perspectiva. Só mesmo uma grande perda para fazê-lo por fim à autoindulgência e encontrar um novo sentido para a vida. A grande sacada de Magno Costa é a caracterização dos personagens como fantoches de pano.

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Yeshuah2. Yeshuah volume 3 – Onde tudo está (Laudo Ferreira e Omar Viñole – Devir)

Depois de uma longa espera, Laudo concluiu a trilogia com sua visão personalíssima da vida de Jesus. Baseados em textos apócrifos de diferentes origens, este volume concentra-se na etapa final do Novo Testamento: a viagem a Belém para a comemoração da Páscoa, a prisão, calvário e execução. Ao longo dessa trajetória, Laudo reforça, de forma sensível e assertiva, a base dos ensinamentos de Jesus: o amor acima de tudo. Valeu a espera. Uma HQ emocionante.

Rafaela1. Aos Cuidados de Rafaela (Marcelo Saravá e Marco Oliveira – Zarabatana Books)

Rafaela, moça rebelde e independente, se passa por cuidadora de idosos e conquista a confiança da velha atriz Aurelita e os desejos secretos de seu filho, Nicolas. Aos poucos, ela domina a rotina de casa e tem início uma espiral de luxúria e submissão que só poderia terminar em tragédia. Tão perturbador quanto o roteiro de Saravá é a arte de Marco Oliveira, repleta de rostos disformes, planos ousados e uma intencional ausência de perspectiva.

Leia resenha completa aqui.

Veja as primeiras imagens de “Astronauta – Singularidade”, novo título da série Graphic MSP

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Na tarde desta quarta-feira (5), o jornalista e editor da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman, divulgou as primeiras imagens de Astronauta – Singularidade, de Danilo Beyruth (roteiro e arte) e Cris Peter (cores) (veja galeria abaixo).

A graphic novel dá continuidade ao primeiro título da série Graphic MSP, Astronauta – Magnetar, da mesma dupla criativa, lançado em outubro de 2012.

Nesta nova aventura, o Astronauta investiga um buraco negro. O texto de apresentação é do quadrinhista argentino Eduardo Risso.

Astronauta – Singularidade será lançado em dezembro pela Panini, em duas versões: em bancas, com capa cartonada, (R$ 19,90) e em livrarias, com capa dura (R$ 29,90).

Resenha: Bidu – Caminhos, Desafios e Escolhas

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Alguns atributos unem todas as edições da série Graphic MSP: a qualidade de roteiro e arte, a experimentação narrativa, o capricho editorial. Outros as separam. A trama mais complexa e séria coloca Astronauta – Magnetar e Piteco – Ingá de um lado; o tom lúdico e bem-humorado de Turma da Mônica – Laços e Chico Bento – Pavor Espaciar, de outro.

Bidu – Caminhos, lançada nesta semana pela Panini, engorda as fileiras desta última categoria.

O livro bem que poderia ser chamado de Bidu – Escolhas. Ao longo da trama, o cãozinho azul precisa fazer muitas delas. Ele escolhe encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade.

À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa.

A HQ denota as escolhas que também os autores Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho fizeram. Eles escolheram contar a história (até onde sei inédita) dos caminhos que levaram Bidu e Franjinha e se tornarem melhores amigos; escolheram o estilo aquarelado e a paleta de tons pastéis para reforçar o caráter lúdico do livro; escolheram dar vida às onomatopeias e “iconizar” as falas dos cães, um recurso narrativo que enriquece enormemente seu trabalho.

É lícito supor que os autores, assim como Bidu, superaram seus próprios desafios para fazer as escolhas certas. No fim, escolheram o caminho da qualidade, experimentação e capricho trilhado por seus antecessores do selo Graphic MSP. O resultado é uma HQ sensível, divertida, deliciosa.

Bidu – Caminhos tem 80 páginas coloridas, formato 19 x 27,5 cm e dois preços: R$ 19,90 (capa cartão) e R$ 29,90 (capa dura).

O Jogo do Exterminador: HQ é melhor que filme

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Sem alarde, como de praxe, a Panini colocou nas bancas um encadernado com a primeira parte da adaptação de O Jogo do Exterminador – Escola de Combate, premiada ficção científica de Orson Scott Card, para os quadrinhos.

Christopher Yost já havia mostrado competência para transpor uma linguagem para outra no seu trabalho à frente da animação Vingadores: Os Maiores Heróis da Terra, que levou para a TV arcos importantes da superequipe nos quadrinhos. Agora, ele prova que domina seu ofício.

Toda adaptação incorre em perda, e o leitor deve estar ciente disso – ainda mais numa ficção complexa como a de Scott Card. O Jogo do Exterminador não é apenas sobre o treinamento de uma criança superdotada com potencial para salvar a Terra de uma raça alienígena, como faz parecer o longa-metragem de 2013.

Há sutilezas que envolvem a manipulação das emoções de Andrew “Ender” Wiggin – em especial a relação de amor e ódio com o irmão mais velho Peter e o papel fundamental da outra irmã, Valentine – que o roteiro de Yost capta muito melhor do que o filme consegue fazer.

A arte de Pasqual Ferry dispensa apresentação, e neste trabalho ele teve a felicidade caracterizar personagens complexos como se estivessem num livro infantil. Chega a ser uma vantagem sobre o livro, uma vez que não deixa o leitor esquecer que, apesar de tudo, trata-se de crianças.

Agora é torcer para que a Panini lance não só a segunda e última parte com a conclusão da trama principal (O Jogo do Exterminador – Escola de Comando), mas também se empolgue em trazer para o Brasil as outras HQs publicadas nos Estados Unidos.

Em especial The League War, que mostra os esforços dos irmãos de Ender para manipular o jogo de poder mundial e impedir que a tênue paz entre as nações da Terra seja rompida com o fim da guerra espacial. No original de Scott Card, esta é uma das passagens mais interessantes.

Veja as primeiras imagens da graphic novel “Bidu – Caminhos”

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Seguindo a tradição, o jornalista e coordenador Editorial da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman, divulgou na tarde desta quarta-feira (23) um preview da próxima Graphic MSP, Bidu – Caminhos (veja galeria abaixo – clique para ampliar).

A HQ foi produzida por Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, do projeto Quadrinhos Rasos. O texto da quarta capa é do ilustrador e quadrinhista Lelis.

Bidu – Caminhos é o quinto volume da série em que autores nacionais criam histórias autorais a partir de personagens do universo de Mauricio de Sousa. Antes dele vieram Astronauta – Magnetar (Danilo Beyruth e Cris Peter), Turma da Mônica – Laços (Vitor e Lu Cafaggi), Chico Bento – Pavor Espaciar (Gustavo Duarte) e Piteco – Ingá (Shiko).

Em novembro passado, durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), Gusman anunciou as próximas graphic novels: Papa Capim (Marcela Godoy e Renato Guedes), Turma da Mata (Greg Tocchini, Davi Calil e Artur Fujita), Penadinho (Paulo Crumbim e Cristina Eiko), Astronauta 2 (Danilo Beyruth e Cris Peter) e Turma da Mônica 2 (Vitor e Lu Cafaggi) – além, claro, de Bidu.

Para esta nova HQ, foram mantidos os mesmos preços das anteriores: R$ 19,90 a versão com capa cartonada e R$ 29,90 com capa dura. Bidu – Caminhos chega às lojas e livrarias em agosto. O lançamento é da Panini.

Mauricio de Sousa lança concorrente da “Capricho”

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O quadrinhista-empresário e sua equipe não brincam em serviço. Chegou neste mês às bancas a revista Tina, estrelada pela personagem criada na década de 1970, em roupagem nova, e voltada para meninas pré-adolescentes e adolescentes.

Mauricio já abocanhou uma parte deste segmento com o bem sucedido projeto Turma da Mônica Jovem. A inovação, agora, são as 19 páginas (de um total de 64) de conteúdo editorial, com matérias de interesse do público-alvo: personalidade (Jennifer Lawrence), namoro, blogueiras, produção de moda e beleza, teste de comportamento, amizade, pets e saúde da mulher.

Com Tina, os Estúdios Mauricio de Sousa passam a disputar um nicho editorial relevante, hoje dominado pela revista Capricho, seguida de publicações como Toda Teen, Atrevida, Yes Teen e outras.

A parte dedicada aos quadrinhos também apresenta inovações. Tina ganha visual descolado, cursa Jornalismo (parece que a profissão ainda tem seu charme entre os jovens), é apaixonada por moda e entra numa nova fase da vida adulta: morar sozinha (ou quase). A arte é totalmente digital e abre caminho para animações e games no futuro.

Outra investida não declarada, mas provável, é na área de licenciamento. Do logo da revista ao visual da personagem, Tina nasce pronta para estampar cadernos, bolsas e camisetas para adolescentes.

Com o lançamento, ganham todos: as jovem leitoras, que passam a ter mais uma opção e, quem sabe, até peguem gosto por histórias em quadrinhos; o mercado anunciante, com mais um veículo para explorar; Mauricio de Sousa, que consolida e até mesmo amplia sua penetração nesta faixa etária; e a Panini, que ganha um produto de combate num segmento em que até então não atuava.

Tina tem 64 páginas, capa e miolo coloridos, formato revista (19,5 x 27,5 cm), periodicidade mensal e preço de R$ 6,50.

“Fashion Beast”, de Alan Moore: a moda como bandeira política e cultural

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Alan Moore é um dos melhores roteiristas de quadrinhos da atualidade. Ponto!

Mais que isso, é um dos fundadores da atual Era Moderna dos quadrinhos, com obras seminais como Watchmen, V de Vingança e Monstro do Pântano, todas da década de 1980.

Fashion Beast – A Fera da Moda é deste período prolífico, um roteiro que a Avatar Press desengavetou em 2012 e que, felizmente, a Panini acaba de trazer para o Brasil.

Reza a lenda que se tratava originalmente de um filme a ser produzido por Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. O projeto não foi para frente e o roteiro ficou esquecido.

Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

Jean-Claude Celestine é o estilista que vive recluso em sua torre, em torno da qual gira toda a vida de uma cidade não identificada, numa época também incerta – a única coisa que se sabe é que a humanidade está à beira de uma guerra nuclear.

Os protagonistas são Doll e Jonni, ambas figuras andróginas: ela, recepcionista de uma casa noturna, é uma garota que parece um homem que se veste de mulher; ele, estilista aspirante, um cara que mais parece uma garota vestida de homem.

Alan Moore parece dizer que num mundo que vive de aparências, os transgressores são os verdadeiros motores da história. A questão da aparência também afeta Jean-Claude (a Fera): um príncipe gentil sob um suposto corpo disforme.

Ao contrário do que pode parecer, Fashion Beast não é uma crítica ao mundo da moda. Moore enxerga esse mundo e seus bastidores como instrumento de expressão política e cultural.

Pelas palavras de Jonni, as roupas do povo nas ruas são “bandeiras, tudo que esperam da vida condensado num certo corte, numa certa cor”. Para o jovem, o elitismo decadente de Jean-Claude retrata sua própria repressão sexual: “Quanto mais cetim, menos pele; mais pano, menos carne”.

Jonni, que, ao contrário de Doll, não abandonou seu passado proletário, está destinado a promover a ruptura e demolir tudo que Jean-Claude construiu. Doll, a Bela, alçada ao posto de modelo principal da Celestine, no fundo não passa disso mesmo, uma “boneca” conduzida ao sabor dos acontecimentos.

A tradução do roteiro de cinema para quadrinhos ficou a cargo de Antony Johnston, que demonstra grande domínio de sua arte, em especial na sobreposição de camadas narrativas.

A arte de Fecundo Persio caiu sob medida, com o perdão do trocadilho, sobre o roteiro de Johnston. Ora realista ora caricato, o que mais impressiona no seu traço é a composição das expressões faciais e corporais dos personagens. As caras de Doll são impagáveis.

Fashion Beast tem a marca de Alan Moore gravada no DNA. Se não pelo tipo de história, ao menos pela profundidade e simbologia de cada cena, cada diálogo. Uma obra que merece ser lida e relida muitas vezes. Imperdível.

Mercado de Pulgas será Festival Guia dos Quadrinhos

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Em 2008 surgia o evento Mercado de Pulgas, organizado por Edson Diogo, o criador do portal Guia dos Quadrinhos – um dos sites sobre HQs mais importantes do Brasil.

O evento tornou-se um dos favorito entre os nerds, não apenas porque em nenhum outro evento do Brasil é possível encontrar HQs raras à venda, mas também porque é um dos únicos eventos onde os leitores são capazes de conversar, trocar ideias e dar sugestões aos profissionais dos quadrinhos no Brasil. Assim, o Mercado de Pulgas virou uma grande reunião de amigos e pessoas que compartilham sua paixão por HQs, Mangás e Cultura Pop.

Editores da Panini, Abril, Mauricio de Sousa, HQM, JBC, Nova Sampa e várias outras já participaram do evento, assim como desenhistas e roteiristas da Disney; autores dos mais variados quadrinhos nacionais e importados e colecionadores lendários no mercado. Não é à toa que o Mercado de Pulgas já é considerado o evento nerd mais divertido do Brasil.

Apesar de o nome Mercado de Pulgas ter se popularizado entre os fãs de quadrinhos, não trazia nenhuma ligação com o site Guia dos Quadrinhos e causava confusão quando pesquisado na internet, devido à quantidade de eventos homônimos, mas com foco muito diferente.

Desde 2012, o evento também deixou de ser apenas um encontro para compra e venda de quadrinhos e incorporou palestras, sorteios, quizes e paineis de discussão entre suas atrações. Por isso, a partir de outubro, o Mercado de Pulgas passa a ser chamado de Festival Guia dos Quadrinhos, um nome mais adequado a um evento importante envolvendo Quadrinhos e Cultura Pop.

Para atender a pedidos de expositores e visitantes, este ano o evento será realizado em dois dias: 11 e 12 de outubro.
Além do tradicional salão de vendas e trocas de quadrinhos, mangás, DVDs, action figures e outros; o evento trará mais palestras e bate-papos com profissionais, maior participação de artistas nacionais e editoras; sessões de autógrafos; atividades especiais para crianças e um concurso de cosplay organizado pelo tradicional grupo Comics Cosplay BR.

Como nas últimas três edições, o evento será realizado na Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai (Rua Domingos de Moraes, 1581 – Vila Mariana – São Paulo), mas – uma outra novidade – ocupará dois andares do edifício, em vez de apenas um.
Em breve a organização divulgará palestras, convidados, participantes e outras atrações. Um fotoclipe pode ser conferido aqui

Sobre o site Guia dos Quadrinhos:
Há 7 anos no ar, o site é o maior banco de dados sobre quadrinhos publicados no Brasil, com mais de 88 mil edições cadastradas e 40 mil membros. O Guia dos Quadrinhos também tem o maior acervo de capas de gibis, com mais de 40 mil imagens.

SERVIÇO:
Festival Guia dos Quadrinhos 2014 (antigo Mercado de Pulgas)
Datas: 11 e 12 de Outubro
Local: Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai (Rua Domingos de Moraes, 1581 – Vila Mariana, a 100 metros do metrô
Organização: Guia dos Quadrinhos (www.guiadosquadrinhos.com)
Contato: festival@guiadosquadrinhos.com
Contate-nos para informações sobre como ser expositor ou patrocinador do evento

Crítica: Antes de Watchmen – Dollar Bill & Moloch é desperdício de papel

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Antes de Watchmen tem se mostrado uma série bastante regular. Na mediocridade.

As melhores edições, até agora, são aquelas que ou oferecem uma nova e instigante visão sobre os personagens (caso do ótimo Dr. Manhattan) ou contam sua história pregressa sem forçar o tempo todo uma relação de causa e efeito com Watchmen (Coruja e Espectral).

O resto é sofrível em diferentes graus. O sétimo volume da série, Dollar Bill & Moloch, se posiciona entre as piores, cabeça a cabeça com Rorschach e Comediante.

O título pode dar a impressão de que há alguma ligação entre membro dos Minutemen e o vilão que enfrentou as duas gerações de heróis. Nada disso. É só uma acomodação de séries que foram publicadas de forma independente nos Estados Unidos.

O que ambas têm em comum é a pobreza narrativa. Dollar Bill & Moloch limita-se a fantasiar o passado dos personagens em incontáveis recordatórios narrados em primeira pessoa, oferecidos pelos respectivos roteiristas Len Wein e J.M. Straczynski.

Para que interessa saber que Moloch converteu-se ao catolicismo pouco antes de sair da cadeia? Qual a importância de Dollar Bill ter sido um jovem atleta brilhante que teve a carreira interrompida por uma lesão?

O pior é a descaracterização. Em que pese a ótima arte de Eduardo Risso, ele transformou Moloch numa caricatura, quase uma gárgula. E em Dollar Bill (desenhado por Steve Rude), o Capitão Metrópolis não é mais aquele ingênuo cheio de boas intenções, e sim um perfeito idiota.

Antes de Watchmen – Dollar Bill e Moloch é puro desperdício de papel. Mas não é porque a revista já está impressa e nas bancas que o leitor precisa desperdiçar seu tempo e dinheiro. A HQ tem 84 páginas e preço de R$ 9,90.

ET.: Agora as esperanças de ver mais alguma coisa boa em Antes de Watchmen recaem no oitavo e último volume da série, Minutemen. Darwyn Cooke não costuma decepcionar.

Crítica – Piteco – Ingá: Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia

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O último volume da primeira fase da série Graphic MSP foi lançado no mês passado durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) e está chegando às bancas de todo o Brasil.

Um dos grandes trunfos desta coleção é permitir aos autores imprimir sua visão pessoal sobre o enorme manancial de personagens criados por Mauricio de Sousa.

Em Piteco – Ingá não é diferente. O paraibano Shiko insere elementos da cultura nordestina numa aventura do tempo das cavernas. O próprio título faz referência à Pedra do Ingá, no agreste paraibano, em que constam inscrições datadas de cinco mil anos.

Mas a obra é muito mais que isso. Assim como os outros autores das Graphic MSP (Danilo Beyruth, Vitor e Lu Cafaggi, e Gustavo Duarte), Shiko resgata a mitologia dos personagens para criar um universo novo, adulto.

Na trama, a tribo de Lem, da qual fazem parte os protagonistas Piteco, Thuga, Beleléu e Ogra, precisa mover a aldeia em busca de uma nova área fértil, já que o rio próximo secou. Na véspera da partida, Thuga é sequestrada pelos Homens-Tigre, e seus amigos partem para o resgate. No caminho, enfrentam perigos e encontram divindades do folclore brasileiro.

Por tomar como ponto de partida as inscrições da Pedra do Ingá, a palavra e os símbolos têm grande relevância na história criada por Shiko: escrituras grafadas no leito seco preveem a partida da tribo; cânticos evocam espíritos da floresta; amuletos têm poder.

A própria trama carrega seus simbolismos: o êxodo de Lem remete aos retirantes da seca nordestina; tanto quanto a necessidade, é a fé – materializada em antigas escrituras – que move aquela gente; é o desprendimento de Thuga, convertida numa xamã, que promove a reunião de povos apartados há gerações; a mesma personagem fala a Piteco sobre o amor carnal por meio de belas metáforas.

Shiko arrasa na caracterização dos personagens (veja aqui o preview). Piteco é viril sem ser musculoso; Thuga é sensual, mesmo fugindo do padrão anoréxico de beleza; Ogra é a própria visão da mulher-guerreira na melhor tradição de Edgar Rice Burroughs.

Os drealocks usados pelo povo de Lem e o estilo de suas roupas conferem um visual que mistura cultura rastafári com futuro pós-apocalíptico. É Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia.

Assim como os volumes anteriores de Graphic MSP, Piteco – Ingá é uma obra-prima, leitura obrigatória e uma das melhores HQs do ano. O livro tem 80 páginas, capa e miolo coloridos, e duas opções de preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). Vale muito o investimento.

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