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2017: O que vem por aí pela Quadrinhos na Cia

A Quadrinhos na Cia, selo de quadrinhos da Companhia das Letras revelou pra gente alguns de seus lançamentos para este ano. E tem muita coisa boa.

Primeiro, os destaques de fora (as capas são das edições originais e podem sofrer alteração na versão brasileira):

cia_aquiAqui, de Richard McGuire: Talvez o lançamento de maior destaque da editora neste ano, o álbum ganhou o prêmio Fauve d’Or no Festival Internacional de Angoulême do ano passado. Nessa obra inovadora, o ponto de vista do leitor não muda: em mais de 300 páginas e milhares de quadros, ele assiste ao mesmo canto de uma sala. O que muda é a paisagem, os personagens e o tempo, numa trajetória de histórias dentro de histórias que se estende por séculos.

cia_girlsHow to talk to girls at parties (ainda sem título nacional), de Neil Gaiman, Gabriel Bá e Fábio Moon: Os brasileiros Bá e Moon adaptaram o conto de Gaiman sobre o jovem Enn, que não leva o menor jeito com mulheres. Em companhia do seu amigo Vic, ele acaba no meio de uma festa onde as garotas não são nem um pouco o que parecem. A HQ foi lançada nos Estados Unidos pela Dark Horse no ano passado e deve parar nas telas ainda neste ano.

cia_crumbDrawn together (ainda sem título nacional) de Robert Crumb e Alice Kominsky: A coletânea apresenta alguns dos melhores trabalhos produzidos pela dupla Crumb-Kominsky – marido e mulher e ícones do movimento underground nos anos 1970. A obra traz tanto trabalhos produzidos em parceria quanto separadamente, e outros que permaneciam inédito até o lançamento deste álbum.

Hilda e o Troll e Hilda e o Gigante da Meia-Noite, de Luke Pearson: A editora traz para o Brasil dois títulos da série conhecida lá fora como Hildafolk. Hilda é uma garota que não resiste a explorar seu mundo encantando, habitado por trolls, corvos falantes e montanhas que se movem.

Agora, os lançamentos nacionais…

Mensur, de Rafael Coutinho: O autor trabalhou no roteiro e arte dessa obra por mais de cinco anos. O Mensur do título era uma prática de esgrima muito comum na Alemanha dos séculos XVI a XIX, e que funcionava mais como ritual de passagem do que como esporte.

Bellini e o Corvo, de Tony Bellotto e Pedro Franz: primeira incursão numa história em quadrinhos do detetive criado pelo Titã. Antes, ele apareceu nos romances (que viraram filme) Bellini e a Esfinge e Bellini e os Demônios. Na trama dessa HQ, produzida a quatro mãos por Bellotto e Franz, o detetive está aposentado e mora em Florianópolis. As lembranças do antigo desaparecimento de uma mulher misturam passado e presente.

Manual do Minotauro, de Laerte, e Los Três Amigos, de Laerte, Angeli e Glauco: Essas coletâneas de tiras aparecem na prévia da editora no Papo de Quadrinho desde 2012. Vamos ver se agora vai!

Neil Gaiman responde ao One Million Moms

luciferfox

Do Comic Book Resources

Na semana passada, os vigias da mídia One Million Moms lançou uma petição para que a Fox cancele sua próxima série de TV, Lúcifer. Em sua argumentação, o grupo reclama que o programa “descaracteriza” Satã e zomba da Bíblia.

Neil Gaiman, o criador do personagem, respondeu à petição por meio de uma postagem em seu Tumblr: “Ah, parece que foi ontem (mas foi em 1991) que o grupo Mães Preocupadas da América anunciou que iria boicotar Sandman porque continha personagens lésbicas, gays, bis e trans.”, escreveu.

“Foi Wanda que mais os aborreceu: a ideia de uma mulher trans numa história em quadrinhos… Eles nos disseram que estavam organizando um boicote a Sandman que só seria interrompido se nós escrevêssemos para a American Family Association com a promessa de reformar a HQ”.

“Eu me pergunto se eles notaram que não funcionou da última vez, ou…”

Até o momento, a petição tem 11.784 assinaturas, mas Gaiman não parece nada preocupado. Lúcifer ainda está programada para ir ao ar pela Fox no início de 2016.

Escrita por Tom Kapinos (Californication) e dirigida por Len Wiseman (Underworld), Lúcifer é estrelada por Tom Ellis (Once Upon a Time, Doctor Who) como o Senhor do Inferno que, entediado e infeliz, renuncia ao trono e troca seu reinado por Los Angeles. Lá, ele usa seus poderes para ajudar a polícia a punir criminosos (tudo aquilo que, por sinal, o One Million Moms desaprova).

Mr. Gaiman, claro, tem razão. Mas nós aqui do Papo de Quadrinho ficamos curiosos para saber o que pensam disso todos aqueles que aplaudiram quando a capa comemorativa do Coringa para a revista Batgirl 41 foi cancelada pela DC por pressão de grupos organizados.

Porque, como disse Rafael Albuquerque, autor da ilustração da capa: quando se toca num “nervo exposto”, “sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, nenhuma opinião deve ser desacreditada”.

2013: O que vem aí pela Panini (DC)

Entre os muitos títulos da DC previstos pela editora neste anos, estes são alguns dos já confirmados.

Livrarias

Justiça – Edição Definitiva: Relançamento da sensacional série em 12 partes produzida por Alex Ross, agora em formato de luxo e venda em livrarias. No Brasil, Justiça foi lançada entre 2007 e 2008 em edições mensais. O leitor deve lembrar da trama: os maiores supervilões da Terra decidem ocupar o lugar dos heróis como defensores da humanidade; para isso, seus antigos inimigos precisam desaparecer. Essa é cofre!

Superman Crônicas Vol. 3: Depois de um hiato de quase cinco anos, a Panini volta a publicar a série de encadernados de luxo do Homem de Aço – muito provavelmente motivada pela estreia do filme dirigido por Zack Snyder. O terceiro volume reúne histórias publicadas nas revistas Action Comics, Superman e The New York World’s Fair Comics na década de 1940.

Batman Deluxe Vol. 3- A Morte Do Batman: terceiro volume da coleção de encadernados de luxo estrelada pelo Homem-Morcego. As anteriores foram A Luva Negra e Batman e Filho, ambas em 2012.

Encadernados

Batman: O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?: A principal atração deste encadernado com venda em bancas é a história em duas partes escritas por Neil Gaiman e publicadas nas revistas Batman 686 e Detective Comics 583, em 2009. O britânico faz um tributo ao Homem-Morcego na fase em que o personagem morreu depois da saga Crise Final. O nome adapta a antológica HQ que Alan Moore escreveu para o Superman antes da reformulação que se seguiu à Crise nas Infinitas Terras. Se copiar o formato publicado nos Estados Unidos, o encadernado traz ainda histórias mais antigas publicadas nas revistas Batman: Black & White e Secret Origins.

Bancas

Mantendo a promessa de publicar todas os 52 títulos do Restart da DC, a Panini vai colocar nas bancas os encadernados de Rapina & Columba (Gates Sterling e Rob Liefeld) e Legião dos Super-Heróis (Paul Levitz e Walt Simonson).

Biografia de Neil Gaiman chega ao Brasil

A Geração Editorial acaba de anunciar o lançamento de Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman, escrito por Hank Wagner, Christopher Golden e Stephen R. Bissete.

Sim, você conhece estes nomes: entre outros trabalhos com HQs, Golden foi roteirista de Buffy: The Vampire Slayer e Bissete, o artista do consagrado arco Gótico Americano na fase de Alan Moore na revista Swamp Thing. O prefácio é de outro nome ligado aos quadrinhos, Terry Pratchett.

Até para os menos iniciados, Neil Gaiman dispensa apresentações. Foi um dos grandes nomes da cultura pop nos anos 1980/1990 e, ao lado de Frank Miller e Alan Moore, responsável por elevar a nona arte a um novo patamar.

Apenas para ilustrar a influência de seu trabalho, a primeira revista a estampar o selo Vertigo, de quadrinhos adultos da DC Comics, foi Morte: O Preço da Vida, de Gaiman.

Sua série de maior sucesso, Sandman, conquistou uma legião de fãs pelo mundo todo e até hoje é considerada uma das grandes obras em quadrinhos de todos os tempos.

É difícil decifrar qual o segredo de tanto sucesso. Se fosse para arriscar algum palpite, este editor diria que foi a mistura, em doses exatas, de vários fatores: roteiros inteligentes, tramas adultas, referências a outras formas de arte – música, teatro, literatura e aos próprios quadrinhos – e o total domínio dos rumos de seu personagem. Prova disso é o último arco da série regular, Entes Queridos, para o qual convergem os principais acontecimentos das quase 70 edições anteriores.

Gaiman já se arriscou em outras áreas, como literatura e cinema. A biografia que chega agora ao Brasil reúne artigos, entrevistas, perfis de seus personagens, dados biográficos – do início da carreira como crítico de música e cinema na Inglaterra, passando pelo ingresso nos quadrinhos, o sucesso nos Estados Unidos e a diversificação de sua obra – e detalhes do seu processo criativo.

Lançado originalmente em 2008, Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman é dividido em 12 partes, tem 660 páginas e preço de R$ 69,90.

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