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Tag: Melhores HQs

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2015

Depois da lista de Melhores HQs estrangeiras, chegou a hora das nacionais.

Num ano de produção vasta e qualificada, amplificada pela realização de dois importantes eventos, FIQ e CCXP, selecionar apenas 10 obras não foi uma tarefa fácil.

Nunca é demais repetir: os livros abaixo são os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do blog – um volume muito aquém de toda a produção anual.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2015, em ordem alfabética:

DodôDodô (Felipe Nunes – Independente)

Felipe Nunes é considerado um dos expoentes da nova geração de quadrinhistas brasileiros, uma geração que tem muito a dizer. Depois do excelente e premiado Klaus, o autor volta a explorar o universo infantil. Desta vez, pelos olhos de Lola, menina de seis anos que não vai à escola, não tem amigos e recebe pouca atenção da mãe. Até que num belo dia ela encontra um (amigo imaginário?) Dodô. De simples distração, o pássaro se converte no gatilho que vai explodir emoções e segredos há muito guardados. A forma como Nunes trabalha o sentimento de rejeição é um soco no estômago no leitor.

Dois IrmãosDois Irmãos (Fabio Moon e Gabriel Bá – Cia. das Letras)

A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011. Diferentes e rivais desde muito cedo, Yaqub e Halim são como luz e sombra – um recurso gráfico que os autores exploram não só na relação entre eles, mas também, e principalmente, no detalhamento da arquitetura de Manaus, onde se passa grande parte da história. Moon e Bá traduziram com maestria a densidade da narrativa de Hatoum para a nona arte e preencheram algumas lacunas que antes viviam apenas na imaginação dos leitores da obra original.

Limiar Dark MatterLimiar: Dark Matter (Luciano Salles – Independente)

Luciano Salles optou por encerrar a trilogia iniciada em O Quarto Vivente e seguida por L’Amour: 12 Oz com uma ficção científica. Os amigos Carino e Nádio pretendem honrar – e vingar – um terceiro integrante da sua confraria, Amerício, “memorizado” por desafiar as regras de uma sociedade controladora. Neste futuro distópico, a “matéria escura” do título – um elemento cósmico que desafia a Ciência até hoje – encontra-se sintetizada numa espécie de alucinógeno que amplia os sentidos dos dois amigos e os incita a se lançarem numa aventura suicida. Na comparação com os demais trabalhos de Luciano, Dark Matter talvez seja o que tem a narrativa mais linear, mas não menos intrigante. E sua arte, como sempre, é arrebatadora.

Louco FugaLouco – Fuga (Rogério Coelho – MSP Produções/Panini)

Esta é mais que uma aventura nonsense, como costuma acontecer nas recorrentes participações especiais do Louco nas revistas da Turma da Mônica. Rogério Coelho lança mão de sua vasta experiência como ilustrador para contar uma história que homenageia a arte de contar histórias. Na trama, o Louco é o herói de seu mundo interior, onde precisa salvar o pássaro mágico – que inspira todos os escritores – das garras dos Guardiões do Silêncio. Isso se dá numa narrativa que mistura metalinguagem, lirismo, diagramação ousada, cenários fantásticos, traços e cores que remetem aos livros de fábulas.

Mil Léguas TransamazônicasMil Léguas Transamazônicas (Will e Spacca – Independente)

Quando dois visionários se encontram, o resultado não pode ser menos que impressionante. Isso vale para o encontro fictício do Barão de Mauá e Júlio Verne, e também para a dupla de autores, Will e Spacca. A obra é uma mistura tão bem elaborada de ficção e pesquisa histórica que fica difícil distinguir onde termina uma e começa a outra. A trama, que envolve a exploração do Rio Amazonas em pleno Segundo Império no barco voador Uirapuru, tem intrigas políticas, a lenda das guerreiras amazonas e até um certo “Diabo Coxo” que embarca meio que acidentalmente na aventura. Esse último elemento faz de Mil Léguas Transamazônicas uma homenagem não só à História do Brasil e à ficção científica, mas também ao próprio desenvolvimento da nona arte no País.

O Astronauta de PijamaO Astronauta de Pijama (Samantha Flôor – Marsupial Editora)

A autora mergulha fundo no imaginário infantil ao acompanhar a aventura do garoto que precisa resgatar seu gato das entranhas de um simpático e imaginário monstro. O recurso da ausência de texto, que estende a leitura para todas as idades, é compensado de forma competente pela expressividade dos personagens e o dinamismo da narrativa.

Por mais um dia com ZapataPor Mais um Dia com Zapata (Daniel Esteves, Alex Rodrigues e Al Stefano – Zapata Edições)

A obra refaz os passos do revolucionário mexicano Emiliano Zapata desde os primeiros confrontos com os soldados do ditador Porfirio Díaz até seu assassinato numa emboscada em Chinameca. A história é contada pelo ponto de vista de “Brasileño”, personagem fictício que faz o elo entre a Revolução Mexicana e o massacre da comunidade de Canudos, ocorrida no interior da Bahia em 1896. A convergência de duas linhas temporais distintas forma um mosaico que lança um novo olhar sobre este importante momento histórico da América Latina.

Quando a Noite fecha os OlhosQuando a Noite Fecha os Olhos (André Diniz e Mário Cau – Independente)

A diversidade tratada de forma honesta e sensível. Não se pode esperar menos dos dois autores que, com carreiras consagradas, realizam seu primeiro trabalho conjunto. Camilo vive uma noite eterna e tem como companhia apenas os objetos de seu quarto. Quando as circunstâncias se impõem, ele precisa enfrentar demônios internos e externos para finalmente se libertar. O recurso narrativo de usar o clima e objetos inanimados para expor a psique do personagem é, se não inédito, de uma beleza ímpar.

Steampunk LadiesSteampunk Ladies – Vingança a Vapor (Zé Wellington, Di Amorin e Wilton Santos – Editora Draco)

Rabiosa e Sue foram unidas pelo destino, pelo desejo de vingança e pela percepção que, juntas, têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado. O roteiro é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Os autores optaram pelo ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. Os flashbacks funcionam de forma orgânica e lembram alguns bons filmes do gênero. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus de faroeste.

Turma da Mônica – Lições (Vitor e Lu Cafaggi – MSP Produções/Panini)

Como o próprio nome evoca, Lições versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos. Um olhar mais atento revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental; eles cresceram e perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura. O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizades. O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades. Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs estrangeiras de 2015

Em nome da tradição, Papo de Quadrinho lista as melhores HQs publicadas no Brasil em 2015, na opinião dos editores.

Como sempre, o critério foi: HQs inéditas publicadas no País no ano que termina – ou seja, importados e relançamentos ficaram de fora.

E mais importante: só entraram na seleção as HQs lidas pelos editores. Apesar dos nossos esforços, não conseguimos ler mais que 200 lançamentos durante o ano, o que deve representar cerca de 10% do total (em 2014, o HQ Mix listou mais de 1.700 títulos, isso num ano sem FIQ e CCXP).

Portanto – nunca é demais lembrar – essa lista não tem a pretensão de ser definitiva. Pense nela como um conjunto de dicas de amigos tão apaixonados pela nona arte quanto você, leitor.

Abaixo, seguem, em ordem alfabética, nossa lista de Melhores HQs estrangeiras publicadas no Brasil em 2015. Nos próximos dias, publicaremos nossa preferência dentro da grande e qualificada safra nacional.

Criminosos do SexoCriminosos do Sexo – Vol. 1 (Matt Fraction e Chip Zdarsky – Devir Editora)

Fraction transformou as reações físicas do corpo durante o orgasmo numa espécie de superpoder e desenvolveu toda uma complexa trama em torno dela. A história deste primeiro volume é contada em três tempos narrativos: o flashback em que Suzanne é surpreendida pelo “superpoder” ainda na adolescência, quando se masturba na banheira; um passado mais recente, em que ela conhece Jonathan, um cara que tem a mesma habilidade que ela; e o presente momento, com os dois encurralados numa tentativa de assalto a banco. Uma HQ divertida e envolvente, daquelas que a gente torce para não acabar.

Entrevista com o VampiroEntrevista com o Vampiro – A História de Cláudia (Ashley Marie Witter – Editora Rocco)

Mais que uma simples adaptação, a HQ se propõe a recontar o clássico de Anne Rice sob o ponto de vista de Cláudia, a menina transformada em vampira num arroubo de carência e irresponsabilidade de Louis e Lestat. O livro original dá conta de explorar o drama da imortal que envelhece num corpo de criança; a HQ se propõe a ir ainda mais longe ao retratar, em primeira pessoa, as hostilidades crescentes com Lestat, o amor por Louis e a necessidade cada vez maior de descobrir a origem de sua espécie – com consequências nada boas, como bem sabem os leitores das Crônicas Vampirescas.

O PerfuraneveO Perfuraneve (Jacques Lob, Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette – Editora Alpeh)

Um cataclisma nuclear reduziu a humanidade a alguns poucos milhares de sobreviventes que conseguiram embarcar num moderno trem. O Perfuraneve, como é chamado, tem um sistema autossustentável, o que lhe garante seguir indefinidamente pelos trilhos que cortam parte do globo terrestre. Por meio dessa parábola distópica, os autores demonstram que a humanidade não aprende nada com os próprios erros: o Perfuraneve mantém um sistema autoritário que preserva a divisão de classes sociais e, para isso, utiliza as mesmas velhas ferramentas: força, mídia, religião e medo. A HQ foi adaptada para o cinema, exibido no Brasil recentemente.

O Trem dos ÓrfãosO Trem dos Órfãos (Phillipe Charlot e Xavier Fourquemin – Edições Besourobox)

“Orphan Train Riders” foi um programa iniciado na segunda metade do século 19 que pretendia resolver dois problemas: a quantidade de crianças abandonadas nas metrópoles do leste dos Estados Unidos e a necessidade de mão de obra barata para trabalhar nas lavouras do oeste. Esse importante, porém desconhecido, evento social americano é narrado a partir do ponto de vista de um garoto que precisa tomar conta da irmã e sobreviver num ambiente de rigor religioso e competição juvenil. É uma história também de autoconhecimento, de um idoso que busca se reencontrar depois de décadas de rancor pela traição de um amigo.

ParasyteParasyte (Hitoshi Iwaaki – Editora JBC)

Esse mangá chega ao Brasil com mais de 25 anos de atraso, motivado, provavelmente pela recente adaptação para anime pela produtora Madhouse. Antes tarde que nunca! Parasitas criados para dar um basta aos danos causados pela humanidade ao meio ambiente começam a invadir corpos e se alimentar de outras pessoas. No caso do jovem estudante Shinichi Izumi, algo inusitado acontece e o parasita se aloja em sua mão direita. A partir daí, os dois seres passam a viver uma relação conflituosa, porém simbiótica. Parasyte chama atenção pelo contraste entre humor, terror e drama. A arte de traços simples e limpos provoca ainda mais estranheza no leitor. Acaba de chegar às bancas a 5ª edição, de um total de 10.

PlanetesPlanetes (Makoto Yukimura – Panini)

Planetes talvez seja uma das melhores definições de space opera: uma “novela” espacial que apresenta um admirável mundo novo, quando a humanidade desenvolveu a tecnologia para colonizar a Lua e se prepara para explorar os recursos naturais de outros planetas do Sistema Solar. Como toda boa ficção científica, Planetes é centrado em pessoas: o futuro e a ciência são artifícios para expor o comportamento humano nesse novo ambiente. A história começa centrada em três amigos astronautas, “lixeiros espaciais”, e aos poucos vai se aprofundando no drama, motivações e relações pessoais e amorosas deles. O quarto e último volume chegou às bancas há poucos dias.

SnowdenSnowden – Um Herói do Nosso Tempo (Ted Rall – WMF Martins Fontes)

A HQ desvenda a personalidade, a biografia e os feitos do protagonista de um dos maiores escândalos do início deste século: Edward Snowden, responsável por revelar ao mundo os abusos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos contra a privacidade de milhões de cidadãos do mundo todo. Ted Rall usa seu estilo cartunesco para retratar os personagens em uma obra que se assemelha mais a um livro ilustrado que a uma história em quadrinhos. A obra trata de um assunto polêmico sem ser pedante ou didática. Pelo título, já dá para perceber o posicionamento do autor em relação ao tema, mas nem por isso ele deixa de apresentar o ponto de vista daqueles que consideram Snowden um traidor, e deixa para o leitor o papel de formar sua própria opinião.

TarzanTarzan – Contos da Selva (Vários autores – Pixel Media)

Uma releitura moderna, por meio do trabalho de por 12 artistas, de contos que integram a mitologia criada por Edgar Rice Burroughs – entre eles, o brasileiro Sérgio Cariello. A graça de Contos da Selva está não só na qualidade dos roteiros e artes, mas justamente na diversidade de estilos que traduzem a obra de Burroughs para novos leitores, sem deixar de lado o respeito ao texto original. As histórias mostram como Tarzan precisou conquistar o respeito dentro da comunidade de primatas que o criaram, seus desafios pessoais, o sentimento de rejeição e os primeiros interesses amorosos.

Terra FormarsTerra Formars (Yu Sasuga e Ken-ichi Tachibana – Editora JBC)

Prevendo problemas com a superpopulação mundial, nações se unem em torno de um ambicioso projeto: colonizar Marte. Para tornar a árida superfície do planeta vermelho habitável, ela é bombardeada com uma mistura de algas e insetos. Séculos depois, os humanos descobrem que os insetos – baratas, no caso – não só se reproduziram, como também evoluíram para a forma uma humanoide com inteligência razoável e incrível poder de adaptação. E, aparentemente, elas têm pelos humanos a mesma ojeriza que provoca neles. As missões enviadas para enfrentar o problema são compostas por astronautas infectados por diferentes insetos e animais. Em alguns momentos, Terra Formars assume as características de um típico shonen, com cada astronauta manifestando um incrível poder. E os autores ainda dedicam um tempo a explicar as características básicas do inseto ou animal que se manifesta nos personagens. Uma ótima e divertida ficção científica. Já foram publicados 5 volumes de um total de 15.

Uma Vida ChinesaUma Vida Chinesa (P. Otié e Li Kunwu – WMF Martins Fontes)

Uma verdadeira aula de História moderna da China em quadrinhos. Esse primeiro volume cobre o governo de Mao Tsé-tung, desde a tomada do poder (1949) até sua morte (1976). Tudo isso pelo ponto de vista do autor, representado pelo garoto Xiao Li. O foco humano ajuda a entender como tantos chineses não só suportaram, mas também apoiaram, com enorme veneração, um regime severo, marcado pelo Grande Salto e pela Revolução Cultural, e que matou milhões de camponeses de fome e expurgou outros milhares.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2014

Depois de eleger algumas das melhores HQs estrangeiras publicadas no ano recém-encerrado, chegou a vez de revelar nossa lista de obras nacionais.

O critério é o mesmo – apenas HQs inéditas – e sujeito à mesma falha: foram selecionados os títulos preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2014.

lizzie10. Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço (Germana Viana – Jambô Editora)

Uma grata surpresa do ano que passou. Em seu primeiro trabalho em quadrinhos, a veterana ilustradora Germana Viana destila um humor nonsense, inteligente, anárquico. São histórias curtas, publicadas originalmente na internet, sobre um grupo pouco comum de amigas que viajam pelo espaço. Quem quiser, pode acompanhar o trabalho da autora neste endereço.

Veja matéria completa aqui.

Klaus9. Klaus (Felipe Nunes – Balão Editorial)

O jovem autor, de apenas 19 anos, criou uma fábula instigante para retratar a passagem da adolescência para a vida adulta. O personagem-título é o único humano numa terra de animais antropomórficos. Por ser diferente, passou a vida como vítima de preconceito, até que a verdade se revela e ele precisa fazer uma escolha: manter a convivência com os pais-tigres amorosos ou dar um salto no escuro rumo à maturidade.

Vigor Mortis Comics8. Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, Suor e Nanquim (José Aguiar, Paulo Biscaia, DW Ribatski e André Dulci – Quadrinhofilia)

Segundo volume das HQs que adaptam obras multimídia da Cia. Vigor Mortis. Neste caso, a história fundiu o filme Nervo Craniano Zero e a peça Seance – As Algemas de Houdini. O resultado é uma trama ambientada em 1969 repleta de repressão política, assassinatos em série e viagens alucinógenas, misturada à vida miserável da enfermeira Lavínia, personagem fictícia da protagonista Bruna Bloch. Destaque para a mudança de estilo artístico a cada aspecto diferente da narrativa.

Beladona7. Beladona (Ana Recalde e Denis Mello – Avec Editora)

A personagem Samantha nasceu na internet, em páginas semanais publicadas no site Petisco. Graças ao financiamento coletivo, ganhou este belo álbum de terror sobre uma menina assombrada por pesadelos. Parte da história se passa nesse mundo de sonhos terríveis, em que Samantha é perseguida e atormentada por espíritos malignos; outra parte, menor, se dá no mundo real. Ana Recalde é uma das grandes roteiristas da atual geração, e o traço nervoso de Denis Mello faz jus à trama.

Click6. Click (Samanta Flôor – Independente)

Outra grata surpresa de 2014: apesar de curto – pouco mais de 30 páginas –, é o trabalho mais longo até agora da jovem, porém veterana, ilustradora. Sem diálogos, a história combina uma câmera misteriosa, zumbis, um artista de rua e uma garota amável.

 

 

Helena5. Helena (Montserrat e Simone Beatriz – New Pop)

Mangá produzido no Brasil, adapta a obra homônima de Machado de Assis. Da fase romântica do autor, a história tem todos os ingredientes daquela escola literária: a heroína trágica, o herói nobre, um amor impossível. Como outros livros deste período, é possível identificar elementos do Realismo, em especial a crítica social.

Leia resenha completa aqui.

bidu4. Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho – MSP/Panini)

Ao longo da trama, o famoso cãozinho azul criado por Mauricio de Sousa precisa fazer uma série de escolhas: encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade. À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa. Tudo isso antes de encontrar seu dono e eterno amigo Franjinha. Mais uma obra-prima da série Graphic MSP.

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Jonas3. A Vida de Jonas (Magno Costa – Zarabatana Books)

Envolvido em problemas com álcool e recém-separado de Júlia, Jonas tem uma existência solitária e sem perspectiva. Só mesmo uma grande perda para fazê-lo por fim à autoindulgência e encontrar um novo sentido para a vida. A grande sacada de Magno Costa é a caracterização dos personagens como fantoches de pano.

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Yeshuah2. Yeshuah volume 3 – Onde tudo está (Laudo Ferreira e Omar Viñole – Devir)

Depois de uma longa espera, Laudo concluiu a trilogia com sua visão personalíssima da vida de Jesus. Baseados em textos apócrifos de diferentes origens, este volume concentra-se na etapa final do Novo Testamento: a viagem a Belém para a comemoração da Páscoa, a prisão, calvário e execução. Ao longo dessa trajetória, Laudo reforça, de forma sensível e assertiva, a base dos ensinamentos de Jesus: o amor acima de tudo. Valeu a espera. Uma HQ emocionante.

Rafaela1. Aos Cuidados de Rafaela (Marcelo Saravá e Marco Oliveira – Zarabatana Books)

Rafaela, moça rebelde e independente, se passa por cuidadora de idosos e conquista a confiança da velha atriz Aurelita e os desejos secretos de seu filho, Nicolas. Aos poucos, ela domina a rotina de casa e tem início uma espiral de luxúria e submissão que só poderia terminar em tragédia. Tão perturbador quanto o roteiro de Saravá é a arte de Marco Oliveira, repleta de rostos disformes, planos ousados e uma intencional ausência de perspectiva.

Leia resenha completa aqui.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs estrangeiras de 2014

Atualizado em 31.12.2014: 

Miracleman, que ocupava o sétimo lugar da lista, já foi publicado no Brasil, ainda que parcialmente, pela editora Tannos no final dos anos 1980. Assim sendo, fugiu do critério estabelecido e abriu lugar para o mais recente volume dos encadernados do Demolidor. Veja abaixo como ficou a nova lista.

 

Mais uma vez o final do ano impõe a difícil e prazerosa tarefa de preparar a lista das melhores HQs.

Como nas vezes anteriores, cabe explicar o critério: HQs inéditas publicadas no país ao longo de 2014, o que deixou bons importados e ótimos relançamentos de fora.

Que fique claro, também, que estes títulos foram os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho. Apesar de ultrapassar 200 HQs lidas, é ainda um universo muito pequeno frente ao grande e qualificado volume de lançamentos do ano.

Portanto, como bem disse o jornalista Telio Navega na lista do Gibizada, mais do que uma seleção dos “melhores” – sempre subjetiva e passível de cometer injustiças – a relação abaixo serve como um guia para os leitores aproveitarem pelo menos uma parte da ótima safra de 2014.

Como foram muitos e bons lançamentos, decidimos dividir a lista deste ano em duas categorias: estrangeiros e nacionais. A primeira você encontra abaixo; a segunda, nos próximos dias.

10. Demolidor 6 (Panini)

DemolidorO sexto volume de encadernados do Demolidor fecha com chave de ouro a fantástica fase do personagem nas mãos do talentoso roteirista Mark Waid. Ele conseguiu, ao mesmo tempo, retomar a origem mais leve do Demolidor sem, no entanto, fingir que as últimas décadas da cronologia não existiram. Obrigado a encerrar esta fase para abrir o caminho do novo selo Marvel NOW!, Waid optou por uma história simples, porém direta e impactante. Sem dúvida, um dos melhores – se não o melhor – título de super-heróis nas bancas brasileiras.

Star Wars9. Star Wars Legends (Panini)

Muito esperado pelos fãs da saga de George Lucas, este lançamento marca o início, no Brasil, da publicação do material da editora Dark Horse, de 2013, que amplia a trama original. A primeira história, À Sombra de Yavin, se passa logo após a destruição da Estrela da Morte em Star Trek IV – Uma Nova Esperança. A segunda é situada cronologicamente um pouco antes, depois dos eventos mostrados em Star Wars III – A Vingança dos Sith.

Ladrão dos ladrões8. O Ladrão dos Ladrões (HQM Editora)

O que levou Conrad Paulson, o maior ladrão do mundo, reconhecido e respeitado por seus pares e clientes, a se aposentar? O amor perdido? O filho que fracassou ao tentar seguir seus passos? Ou a pressão de uma bela e incansável agente do FBI? Em se tratando de um ladrão, todas as respostas podem estar corretas… ou nenhuma delas. Numa trama repleta de espionagem e reviravoltas que lembram o filme Onze Homens e Um Segredo, o roteiro de Nick Spencer vem recheado pela arte elegante de Shawn Martinbrough. O personagem foi criado por Robert Kirkman, de The Walking Dead, e pode até virar série de TV.

A Guerra dos Tronos7. A Guerra dos Tronos HQ – volume 3 (Casa da Palavra)

A série em quadrinhos, que vem sendo lançada no Brasil em encadernados caprichados, adapta diretamente os livros de George R.R. Martin, e não o seriado da HBO. Apesar de a fidelidade ao texto original tornar ambas as obras bastante parecidas, a HQ permite um olhar diferente, em especial na caracterização dos personagens e na solução narrativa de algumas passagens. O nível de detalhamento é tamanho que só agora, neste terceiro volume, a adaptação dos quadrinhos alcançou o final da primeira temporada da série de TV.

Leia matéria completa aqui.

Sweet Tooth6. Sweet Tooth – Depois do Apocalipse volume 6 (Panini)

O encadernado conclui de forma genial o calvário do menino-cervo que constitui a chave para a praga que dizimou a Humanidade e transformou a geração seguinte em híbridos de animais. Finalmente todos os mistérios são revelados e Jeff Lemire dá uma aula de narrativa gráfica, fechando de forma sublime uma trama cheia de dor, preconceito e perdas.

 

Hideout5. Hideout (Panini)

História de terror escrita e desenhada primorosamente por Masasumi Kakizaki. A leitura tem duas camadas: a primeira, linear, é a trama de um homem que planeja assassinar a esposa numa viagem de férias, mas cai vítima de uma assustadora família canibal; a segunda, mais sutil, revela como nossos demônios interiores tendem a emergir numa situação limite. Em determinado ponto, a narrativa mistura fatos atuais com flashbacks que ajudam na construção dos personagens e na compreensão do inescapável final.

Calvin e Haroldo4. As tiras de domingo 1985 – 1995 – Calvin e Haroldo (Conrad)

Como o nome diz, o volume reúne as tiras dominicais publicadas por Bill Watterson neste período. Lançado originalmente em 2001, o álbum traz revelações importantes sobre as influências do autor, processo de licenciamento das tiras, evolução do traço dos personagens, bastidores das tiras polêmicas e muitas outras informações para satisfazer os fãs apaixonados pelo espirituoso garoto e seu amigo imaginário.

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Hoshi Mamoru Inu Capa.indd3. O Cão que Guarda as Estrelas (JBC)

São duas histórias que se relacionam. No início da primeira, o leitor já sabe como será o fim. Seguir a leitura sem um nó na garganta não é nada fácil. Um homem de meia idade perde tudo que tinha na vida: emprego, casamento, casa, saúde. O que lhe resta é a agradável e fiel companhia de um cão – e isso não é pouco. A segunda história parte do início (ou fim) da primeira e, novamente, versa sobre o amor pelos animais. Emocionante.

Fashion Beast2. Fashion Beast (Panini)

Reza a lenda que esta história nasceu como roteiro de Alan Moore para um filme de Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

Leia resenha completa aqui.

Parafusos-capa.indd1. Parafusos – Mania, Depressão, Michelangelo e eu (WMF Martins Fontes)

Poucas vezes o Transtorno Bipolar, que assola parte significativa da população, foi tratado de forma tão honesta, transparente e detalhada. Ainda mais com recurso da linguagem dos quadrinhos. Depois de diagnosticada com a doença, a quadrinhista Ellen Forney vai fundo no estudo de grandes gênios das artes que sofreram o mesmo mal. Ela narra os dolorosos processos do Transtorno Bipolar e a batalha contra o tratamento medicamentoso que poderia afetar sua criatividade. Tudo isso num traço estilizado, eloquente e desafiador.

Leia matéria aqui.

Promoção: Melhores HQs de 2012

Com o fim do ano (e do mundo, para alguns) se aproximando rapidamente, chegou a hora de produzir as famosas listas de “melhores”. Papo de Quadrinho não vai ficar de fora: no começo de janeiro, os editores vão revelar o que de melhor na cultura pop leram, jogaram e assistiram, em casa e no cinema, em 2012.

Neste ano, queremos saber também a opinião dos nossos leitores. Por isso, estamos lançando uma promoção que vai sortear quatro HQs entre os participantes: Astronauta: Magnetar, Coleção Histórica: VingadoresEu sou Homem de Ferro e Sweet Tooth – Saindo da Mata.

Veja como é fácil (mas se tiver alguma dúvida, pode escrever para papodequadrinho@gmail.com):

1 – Cada participante deve montar sua lista com as 5 (cinco) melhores HQs que leu neste ano, em ordem de preferência (em primeiro lugar a que mais gostou e assim por diante). Será atribuída pontuação diferente para cada colocação da lista;

2 – A lista deve ser publicada na área de comentários deste post até o dia 21/12. É imprescindível preencher os campos Nome e E-mail. Informe um e-mail válido, pois este será nosso canal de comunicação com os ganhadores;

3 – Todo mundo pode participar: leitores, autores, artistas, editores, jornalistas… mas só será permitida UMA participação por pessoa;

4 – A lista pode conter qualquer tipo de HQ, nacional ou estrangeira, desde que lançada no Brasil em 2012. Valem relançamentos, coletâneas, produções independentes e revistas de linha (neste caso, informar qual o número da edição);

5 – HQs fora destes critérios serão desconsideradas para efeito de resultado final, mas o participante continua concorrendo ao sorteio;

6 – O nome dos sorteados e a lista final com as “melhores HQs de 2012 – voto popular” serão divulgados entre os dias 7 e 11 de janeiro, junto com a lista oficial do Papo de Quadrinho;

7 – Os sorteados serão contatados via e-mail para fornecer os dados pessoais e receberão os prêmios pelo correio, sem qualquer custo. Só serão aceitos endereços de remessa dentro do território nacional.

Estamos esperando sua lista. Mãos à obra!

Papo de Quadrinhos escolhe as melhores HQs de 2011

É verdade que toda lista é polêmica. Se há uma unanimidade este ano, pelo menos entre os jornalistas que cobrem quadrinhos, é a dificuldade em escolher as “melhores HQs”, tamanha a quantidade, qualidade e diversidade de lançamentos – inclusive de nacionais e independentes.

É verdade que toda lista tem limitações. Na nossa, a primeira é autoimposta: escolher apenas 10 títulos. Por isso, tiveram que ficar de fora e merecem menção honrosa livros como Um Sábado Qualquer, de Carlos Ruas; Dreadstar, de Jim Starlin; Valente para Sempre, de Vitor Cafaggi; Histórias do Clube da Esquina e Auto da Barca do Inferno, de Laudo Ferreira e Omar Viñole; 3 Tiros e 2 Otários, de Daniel Esteves e Caio Majado, e os encadernados de Jonah Hex, de Jimmy Palmioti – só para citar alguns.

Curiosamente, o gênero que domina as bancas, o de super-heróis, não teve nenhum grande destaque neste ano. O que saiu de melhor foram os encadernados Thor, o Despertar dos Deuses e Lanterna Verde – Origem Secreta. Mas em razão de outra limitação da lista – não entram relançamentos –, também ficaram de fora.

A terceira limitação é que a lista contempla apenas as HQs lidas pelos editores deste blog. Foram muitas, mas não chegam nem perto de cobrir 100% dos lançamentos do ano.

Com tantas falhas, esta lista de Melhores HQs de 2011 não se pretende unânime nem definitiva. Mas que sirva, ao menos, como um bom guia de leitura para aqueles que desejam conhecer parte do que de mais interessante o mercado ofereceu no ano que termina.

Vamos a ela:

As Melhores HQs de 2011, por Jota Silvestre

1) Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá (Panini): A morte vive a flertar conosco, mas quando ela vem dar seu abraço fatal? Num dia simples de brincadeira infantil? No dia em que descobrimos o verdadeiro amor? Daytripper apresenta as muitas possíveis vidas do escritor Brás Domingos e mostra que o dia mais importante da vida é o hoje, pois nunca há a certeza do amanhã (leia resenha completa aqui).

2) Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (Quadrinhos na Cia): Uma HQ em que todos os recursos da narrativa gráfica estão a serviço da epopeia pessoal de Asterios Polyp, o arquiteto aposentado que embarca numa viagem de autoconhecimento depois que seu apartamento pega fogo. Nascimento, carreira, casamento, divórcio e uma estranha obsessão por duplos opostos são narrados pelo irmão gêmeo natimorto de Asterios (leia resenha completa aqui).

3) Mundo Fantasma, de Daniel Clowes (Gal Editora): Retrato da juventude norte-americana dos anos 1980, em que duas amigas se valem das armas que têm – sarcasmo, crueldade, egoísmo – para lidar com um mundo que não conseguem compreender. Mundo Fantasma é uma obra sobre a transição para a inexorável chegada da vida adulta e a conseqüente morte dos sonhos (leia resenha completa aqui).

4) Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente, de Lourenço Mutarelli (Quadrinhos na Cia): Mutarelli volta aos quadrinhos, depois de anos afastado do gênero, em grande estilo. A história surreal do viúvo que manteve um contato imediato de primeiro grau é acentuada pela confusão de suas memórias com a de outros desconhecidos, refletida na disposição desconexa dos vários quadros que compõem o livro. (leia resenha completa aqui).

5) Duo.Tone, de Vitor Cafaggi (independente): Poucos artistas conseguem representar a visão de mundo de uma criança com tanta sensibilidade como o mineiro Vitor Cafaggi. Duo.Tone versa sobre as brincadeiras de super-heróis, os amigos imaginários e a dor de abandonar tudo isso em troca de um suposto amadurecimento. O traço, as expressões e as cores reforçam o caráter lúdico da obra (leia resenha completa aqui).

6) Zoo 2 – Jogos de Predadores, de Nestablo Ramos (HQM Editora): Segunda parte da fábula moderna em que animais e humanos trocam de papéis: estes são os oprimidos e aqueles, os opressores. Os animais carregam todos os vícios da humanidade, inclusive o gosto pela violência e pela fama passageira. Mas nada é o que parece em Zoo, e um grupo de defensores de humanos está prestes a decifrar seus segredos. Este segundo volume começa a desvendar o mistério, inclusive por meio da história de vida de Sims, o herói chimpanzé.

7) Combate Inglório, de Archie Goodwin e vários autores (Gal Editora): Obra antológica e pacifista, publicada em plena guerra do Vietnã, reúne consagrados artistas. A série sofreu censura e boicote à época de seu lançamento até ser cancelada, e chegou pela primeira vez ao Brasil reunida em edição única. As histórias, ambientadas em diferentes conflitos armados da história, demonstram a estupidez das guerras.

8) Três Sombras, de Cyril Pedrosa (Quadrinhos na Cia): Um casal e seu filho levam uma vida simples até que passam a ser assombrados pelas três sombras do título. Espanto, revolta, fuga e resignação se sucedem no enfrentamento da única certeza da vida: a morte. Uma bela história, uma arte precisa e sensível e uma amostra do tipo de sacrifício que o amor de um pai por seu filho é capaz. Uma demonstração, também, de que a vida segue, para os que ficam e os que se vão.

9) Saino a Percurá – Ôtra Vez, de Lelis (Zarabatana Books): Apanhado de “causos”, a maioria inédita, sobre a vida nem sempre pacata nos rincões do Brasil. As tramas têm traços da literatura de Cordel, amparadas pelos tipos retratados pelo traço e aquarelas de Lelis. As tramas retratam a inocência e a malícia do matuto em confronto com a chamada “modernidade”. Embutidos nos contos, há a crítica social, de costumes, da suposta superioridade do cidadão típico das grandes cidades.

10) Birds, de Gustavo Duarte (independente): A arte expressiva de Gustavo Duarte dispensa qualquer texto, sejam legendas, balões ou onomatopeias. Birds apresenta a manhã tumultuada de dois pássaros-homens num encontro inesperado com a morte. Quanto mais eles se esforçam para escapar de seu destino, mais caminham em direção a ele (leia resenha completa aqui).

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