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Marsupial lança HQ francesa “Senso (In)comum”

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A Marsupial Editora anuncia mais um título de seu catálogo pelo selo Jupati Books: Senso (In)comum, dos franceses Lejeune Yannick, Turalo e Jean-Philippe Peyraud.

O lançamento acontece na Bienal de Quadrinhos de Curitiba, de 8 a 11 de setembro, no Museu Municipal de Arte (MuMA).

São 48 páginas coloridas com questionamentos do tipo: Você realmente acredita que a Floresta Amazônica é o pulmão do mundo? Que a Guerra dos Cem Anos durou cem anos? Que os touros são atraídos pela cor vermelha? Que o espinafre é rico em ferro? Que os gatos sempre caem em pé?

Ao todo, a o livro revela a verdade sobre mais de 45 equívocos que fazem parte do senso comum. Senso (in)comum tem tradução de Pedro Bouça e está em pré-venda na Amazon.com com preço promocional. http://tinyurl.com/juojkrw

A Marsupial adianta que, em dezembro, lança Ruínas, do lendário Peter Kuper (Spy vs. Spy), durante a Comic Con Experience. A HQ venceu o Eisner Awards 2016 na categoria “Melhor Álbum”.

Jupati Books lança “Trolls de Troy – Histórias trolladas”

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Do Press-Release

 A Marsupial Editora, por meio do selo Jupati Books, traz mais um título para os fãs e apreciadores da arte em quadrinhos: Trolls de Troy – volume 1 – Histórias Trolladas (96 páginas, R$ 42), com roteiro de Christophe Arleston e arte de Jean-Louis Mourier.

A obra, derivada da série Lanfeust de Troy conta com muito humor as insanas e inusitadas histórias de uma aldeia com os seres mais sanguinários e inconsequentes do planeta, os “trools”, e sua cidade Troy, um mundo fascinante, onde a magia faz parte do cotidiano.

Parte dos habitantes de Troy, os trolls são terríveis predadores, porém simpáticos. Eles caçam dragões, colhem camponeses e conhecem várias receitas para prepará-los.

Mas no dia em que os homens decidem exterminar os trolls, formam um grupo de caçadores com poderes terríveis. Tetram, um bravo troll, acompanhado da sua filha adotiva, a humana Waha, vai tentar de tudo para salvar os seus semelhantes.

Veja algumas páginas do álbum (clique para ampliar):

5 perguntas para: Samanta Flôor

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Samanta Flôor é uma ilustradora e quadrinista que vem se destacando no mercado de quadrinhos com uma arte expressiva e delicada, aliada a uma narrativa consistente, elegante e sensível.

Foram inúmeras participações: Café Espacial, MSP, Guia Culinário do Falido e algumas internacionais como Aqui e Acolá e trabalhos autorais pela Marsupial e Polvo Rosa Books.

Antes que ela se torne uma pop star e não tenha mais tempo de nos atender, Papo de Quadrinho fez 5 perguntas para essa talentosa artista.

1) Para quem ainda não conhece, quais suas influências e como é seu trabalho?

Minhas influências estão mais fora do mundo dos quadrinhos, na verdade. São mais filmes, livros e seriados e o que eu estiver ouvindo no momento. Mas posso citar alguns (certamente esquecerei de gente importante, por isso detesto listas… hehe) como: Lynda Barry, Charles Schulz, Chris Ware, Laerte, Laura Park, Lucy Knisley etc.

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O meu trabalho é essencialmente de humor, mas como todo humorista, tem um lado mais sombrio. Eu gosto muito dessa mistura de humor com melancolia, acho que o humor mais interessante anda de mãos dadas com a tristeza. Gosto muito do trabalho do Louis CK, por exemplo, que é o cara que atualmente melhor trabalha isso, na minha opinião.

2) Como você vê o mercado de quadrinhos hoje no Brasil?

Fica difícil opinar sobre o mercado. Se produz muita quadrinho hoje no Brasil, tem muita editora independente surgindo, muitos projetos de financiamento coletivo, mas o mercado continua o mesmo, não acho que essa intensa produção nacional atual (não apenas em números,  também em qualidade) esteja se refletindo em uma popularização das HQs, infelizmente. Mas posso estar errada (tomara né?).

3) Como é trabalhar fora dos grandes Centros (Samanta é de Pelotas-RS e mora em Porto Alegre). Seu trabalho encontra espaço ou fica difícil por conta da distância?

Acho que não tem tanta diferença hoje em dia, a internet tá aí pra isso. Porém é muito importante participar de feiras e convenções, não apenas pelo contato com o público, mas pra conhecer outros artistas. E porque é divertido pra cacete, né?

4) A questão de gênero é a pauta da vez no Brasil. Você sente que o mercado tem alguma reserva ao seu trabalho ou isso não existe? Como funciona?

Não tive nenhuma dificuldade por isso, mas confesso que tive muito receio de me expor no começo, como qualquer mulher iniciando num mercado dominado por homens. Sobre eventos e publicações: acredito que seja um pouco mais difícil de ser convidada. Ou às vezes te convidam e deixam claro que estão te convidando apenas para preencher “cotas”, não porque o teu trabalho é bom. É muito mais simples pro cara que está começando conseguir uma certa relevância nesse meio do que uma mulher. 

É como se, por ser mulher, ela tem que fazer algo mil vezes melhor que o homem, apenas pra ficar no mesmo nível. Hoje me sinto muito mais à vontade porque existem muitas mulheres publicando e ganhando espaço. Não acho que todas elas tenham surgido ontem, acredito que elas não apareciam tanto, não conseguiam espaço ou simplesmente ficavam temerosas de se expor, como eu, no começo. É uma ótima época para os quadrinhos, mas infelizmente o machismo ainda é muito presente no meio, por isso eu admiro tanto cartunistas como a Lovelove6 (que faz a tira Garota Siririca) que encabeçam debates e discussões sobre feminismo. Mas as coisas estão melhorando, eu sou otimista. :)

5) Fale do teu último projeto e o que os fãs (este editor incluso) podem esperar para 2016?

Meu último trabalho foi uma Chance tem roteiro do Diogo Cesar e eu fiz a arte. Foi um processo novo pra mim. Esse ano eu também colaborei com autores portugueses, no livro Aqui e Acolá, mas Chance foi meu primeiro projeto grande colaborativo e foi ótimo! Foi bem orgânico, no sentido que eu me meti a dar pitacos no roteiro e o Diogo ajudou muito na arte, sugerindo ângulos e enquadramentos diferentes.

Eu diria que Chance é uma história de suspense e humor com pitadas de mitologia e muitos gatos. Está na coletânea Tentáculos, em ótima companhia, em uma nova editora, mas muito promissora: o cuidado com o design dos livros e toda atenção que o editor dispensa aos autores certamente renderá muitos ótimos livros! Em 2016, de confirmado eu tenho um novo livro infantil (esse com palavras) e pelo menos mais duas colaborações. Espero ter uma HQ própria também, mas veremos!

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Você pode acompanhar o trabalho da Samanta Flôor aqui.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2015

Depois da lista de Melhores HQs estrangeiras, chegou a hora das nacionais.

Num ano de produção vasta e qualificada, amplificada pela realização de dois importantes eventos, FIQ e CCXP, selecionar apenas 10 obras não foi uma tarefa fácil.

Nunca é demais repetir: os livros abaixo são os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do blog – um volume muito aquém de toda a produção anual.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2015, em ordem alfabética:

DodôDodô (Felipe Nunes – Independente)

Felipe Nunes é considerado um dos expoentes da nova geração de quadrinhistas brasileiros, uma geração que tem muito a dizer. Depois do excelente e premiado Klaus, o autor volta a explorar o universo infantil. Desta vez, pelos olhos de Lola, menina de seis anos que não vai à escola, não tem amigos e recebe pouca atenção da mãe. Até que num belo dia ela encontra um (amigo imaginário?) Dodô. De simples distração, o pássaro se converte no gatilho que vai explodir emoções e segredos há muito guardados. A forma como Nunes trabalha o sentimento de rejeição é um soco no estômago no leitor.

Dois IrmãosDois Irmãos (Fabio Moon e Gabriel Bá – Cia. das Letras)

A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011. Diferentes e rivais desde muito cedo, Yaqub e Halim são como luz e sombra – um recurso gráfico que os autores exploram não só na relação entre eles, mas também, e principalmente, no detalhamento da arquitetura de Manaus, onde se passa grande parte da história. Moon e Bá traduziram com maestria a densidade da narrativa de Hatoum para a nona arte e preencheram algumas lacunas que antes viviam apenas na imaginação dos leitores da obra original.

Limiar Dark MatterLimiar: Dark Matter (Luciano Salles – Independente)

Luciano Salles optou por encerrar a trilogia iniciada em O Quarto Vivente e seguida por L’Amour: 12 Oz com uma ficção científica. Os amigos Carino e Nádio pretendem honrar – e vingar – um terceiro integrante da sua confraria, Amerício, “memorizado” por desafiar as regras de uma sociedade controladora. Neste futuro distópico, a “matéria escura” do título – um elemento cósmico que desafia a Ciência até hoje – encontra-se sintetizada numa espécie de alucinógeno que amplia os sentidos dos dois amigos e os incita a se lançarem numa aventura suicida. Na comparação com os demais trabalhos de Luciano, Dark Matter talvez seja o que tem a narrativa mais linear, mas não menos intrigante. E sua arte, como sempre, é arrebatadora.

Louco FugaLouco – Fuga (Rogério Coelho – MSP Produções/Panini)

Esta é mais que uma aventura nonsense, como costuma acontecer nas recorrentes participações especiais do Louco nas revistas da Turma da Mônica. Rogério Coelho lança mão de sua vasta experiência como ilustrador para contar uma história que homenageia a arte de contar histórias. Na trama, o Louco é o herói de seu mundo interior, onde precisa salvar o pássaro mágico – que inspira todos os escritores – das garras dos Guardiões do Silêncio. Isso se dá numa narrativa que mistura metalinguagem, lirismo, diagramação ousada, cenários fantásticos, traços e cores que remetem aos livros de fábulas.

Mil Léguas TransamazônicasMil Léguas Transamazônicas (Will e Spacca – Independente)

Quando dois visionários se encontram, o resultado não pode ser menos que impressionante. Isso vale para o encontro fictício do Barão de Mauá e Júlio Verne, e também para a dupla de autores, Will e Spacca. A obra é uma mistura tão bem elaborada de ficção e pesquisa histórica que fica difícil distinguir onde termina uma e começa a outra. A trama, que envolve a exploração do Rio Amazonas em pleno Segundo Império no barco voador Uirapuru, tem intrigas políticas, a lenda das guerreiras amazonas e até um certo “Diabo Coxo” que embarca meio que acidentalmente na aventura. Esse último elemento faz de Mil Léguas Transamazônicas uma homenagem não só à História do Brasil e à ficção científica, mas também ao próprio desenvolvimento da nona arte no País.

O Astronauta de PijamaO Astronauta de Pijama (Samantha Flôor – Marsupial Editora)

A autora mergulha fundo no imaginário infantil ao acompanhar a aventura do garoto que precisa resgatar seu gato das entranhas de um simpático e imaginário monstro. O recurso da ausência de texto, que estende a leitura para todas as idades, é compensado de forma competente pela expressividade dos personagens e o dinamismo da narrativa.

Por mais um dia com ZapataPor Mais um Dia com Zapata (Daniel Esteves, Alex Rodrigues e Al Stefano – Zapata Edições)

A obra refaz os passos do revolucionário mexicano Emiliano Zapata desde os primeiros confrontos com os soldados do ditador Porfirio Díaz até seu assassinato numa emboscada em Chinameca. A história é contada pelo ponto de vista de “Brasileño”, personagem fictício que faz o elo entre a Revolução Mexicana e o massacre da comunidade de Canudos, ocorrida no interior da Bahia em 1896. A convergência de duas linhas temporais distintas forma um mosaico que lança um novo olhar sobre este importante momento histórico da América Latina.

Quando a Noite fecha os OlhosQuando a Noite Fecha os Olhos (André Diniz e Mário Cau – Independente)

A diversidade tratada de forma honesta e sensível. Não se pode esperar menos dos dois autores que, com carreiras consagradas, realizam seu primeiro trabalho conjunto. Camilo vive uma noite eterna e tem como companhia apenas os objetos de seu quarto. Quando as circunstâncias se impõem, ele precisa enfrentar demônios internos e externos para finalmente se libertar. O recurso narrativo de usar o clima e objetos inanimados para expor a psique do personagem é, se não inédito, de uma beleza ímpar.

Steampunk LadiesSteampunk Ladies – Vingança a Vapor (Zé Wellington, Di Amorin e Wilton Santos – Editora Draco)

Rabiosa e Sue foram unidas pelo destino, pelo desejo de vingança e pela percepção que, juntas, têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado. O roteiro é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Os autores optaram pelo ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. Os flashbacks funcionam de forma orgânica e lembram alguns bons filmes do gênero. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus de faroeste.

Turma da Mônica – Lições (Vitor e Lu Cafaggi – MSP Produções/Panini)

Como o próprio nome evoca, Lições versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos. Um olhar mais atento revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental; eles cresceram e perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura. O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizades. O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades. Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

Livros da Marsupial analisam perfil e influência dos fãs de cultura pop

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Se você chegou a este blog, é provável que goste de quadrinhos e cultura pop. Então, é grade a chance que você vá se identificar ou pelo menos se interessar por estes dois lançamentos da Marsupial: Invasores de Texto e Fãs, Blogueiros e Gamers, ambos do pesquisador Henry Jenkins.

Jenkins é professor assistente de Literatura no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e especializado na área de Comunicação e Cultura Participativa, também chamada de Cultura da Convergência ou, ainda, Cultura de Fã.

Em Invasores de Texto, o autor constata que o novo fã de cultura pop está longe da antiga imagem de nerd obsessivo por um único tema. Hoje, ele acompanha atentamente todos os acontecimentos a sua volta e abraça as diferentes mídias em que suas preferências se manifestam.

Fãs, Blogueiros e Gamers reúne os destaques de uma década e meia de pesquisa de Jenkins na vida cultural de consumidores de mídia. O livro mapeia as questões ligadas ao comportamento deste público, e traça o crescimento da cultura participativa na web tendo os blogs como agentes da participação dos consumidores de mídia mainstream. Também debate as implicações de políticas públicas que cercam a participação e propriedade intelectual.

O primeiro livro tem 384 páginas, preço de R$ 69,90 e já está à venda em livrarias especializadas e no site na loja virtual da Marsupial; o segundo entrará em pré-venda até o final de outubro e ainda não há informação de preço.

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