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Tag: Mangá

Bate-Papo de Quadrinho 4 apresenta o mangá “Chobits”

Neste programa comentamos o relançamento da JBC Editora, Chobits, que sai agora em 8 volumes.

 

Adaptação de “Death Note” tem novo diretor

deathnote

Adam Wingard foi confirmado pela Warner para dirigir a adaptação do cultuado mangá Death Note, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata.

Wingard tem em seu currículo produções menores de terror, como The Guest, Você é o Próximo e um segmento de VHS. Recentemente, ele foi anunciado pelo Cinemax como diretor da série de TV Outcast, adaptada dos quadrinhos de Robert Kirkman (The Walking Dead).

A Warner vem falando da produção de Death Note, baseada nos três primeiros volumes do mangá, desde que adquiriu seus direitos em 2009. Shane Black (diretor de Homem de Ferro 3) chegou a se envolver com o projeto, mas não foi adiante. Jeremy Slater, um dos roteiristas do reboot do Quarteto Fantástico, que chega aos cinemas em agosto, assina a versão final do roteiro.

Death Note já teve três longas-metragens produzidos no Japão: dois em 2006, com a trama principal, e o spin-off L: Change the World, em 2008.

Na trama, o jovem Light Yagami encontra um caderno cujo poder é matar as pessoas que têm o nome escrito em suas páginas. Com isso, ele decide criar um mundo melhor, livre de malfeitores. A polícia começa a investigar a onda de mortes misteriosas e recebe a ajuda do detetive independente L, que trava um embate intelectual com Light na busca de provar sua identidade como o assassino Kira.

Quem é o leitor brasileiro de quadrinhos?

leitor

Para responder esta pergunta, Papo de Quadrinho realizou uma pesquisa pela Internet, divulgada através das redes sociais a partir de suas páginas no Facebook e twitter, que ficou no ar entre os dias 20 e 27 de janeiro e foi respondida por 2.273 pessoas.

De acordo com a amostra, o leitor médio de quadrinhos é do sexo masculino, tem entre 25 e 39 anos, e reside na região Sudeste.

Terminou a faculdade, trabalha, mora com os pais e tem renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (R$ 1.576,00 a R$ 3.940,00, pelo piso nacional).

Algumas vezes por mês, este leitor vai a bancas de jornal e livrarias, onde compra um total de 2 a 5 gibis de super-heróis norte-americanos e desembolsa de R$ 10 a R$ 100. Autores e personagens são fatores determinantes na sua escolha.

Ele compra quadrinhos nacionais, mas pouco. Apesar de o Brasil aparecer como o segundo principal país de origem, estas HQs representam menos de 10% do que ele lê. O quadrinho digital ainda não faz parte do seu hábito de consumo.

Veja os gráficos (clique nas imagens se quiser ampliar):

As leitoras ainda são minoria, mas representam uma parcela considerável de quase um terço do total:

Pesquisa - Sexo

 

Depois do Sudeste, Sul e Nordeste são as regiões que mais concentram leitores

Pesquisa - Região

 

A faixa etária em destaque é a dos jovens e adultos. Como a amostragem foi colhida a partir dos perfis do Papo de Quadrinho, cuja faixa etária de seguidores é maior, crianças e adolescentes praticamente não aparecem. 

A divulgação da pesquisa foi feita pela técnica da “bola de neve” (indicações), portanto, para trabalhar com crianças e adolescentes, outras abordagens como “entrevistas” e “grupos focais” seriam mais adequadas. 

Pesquisa - Idade

 

O leitor de quadrinhos tem escolaridade de nível superior. É possível concluir que a maior parte já terminou a faculdade, uma vez que hoje só trabalha. 

A quantidade de leitores com pós graduação, mestrado ou doutorado é a mesma daqueles que cursam o ensino Médio.

Pesquisa - Escolaridade

Pesquisa - Ocupação

 

Ele é solteiro e a renda familiar o posiciona entre as classes C1 e B2, de acordo com o Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB), da ABEP

Pesquisa - Mora

Pesquisa - Renda

 

As faixas R$ 10 a R$ 50 e R$ 50 a R$ 100 praticamente se equivalem. Somadas, indicam que dois terços dos leitores gastam entre R$ 10 e R$ 100 por mês em quadrinhos

Pesquisa - Quantas HQs

Pesquisa - Quanto gasta

 

O leitor médio sai para comprar quadrinhos algumas vezes no mês, e prefere as bancas de jornal e livrarias. Grande parte das compras é efetuada também em sites (de livrarias, lojas especializadas, editoras etc)

Pesquisa - Frequência

Pesquisa - Locais

 

Os quadrinhos de super-heróis são seus preferidos, seguidos de Fantasia/Ficção Científica e Ação/Aventura. Aqui, o gênero Infantil pode ter sido prejudicado pela ausência de leitores menores de 12 anos na amostra.

Os  formatos mais comuns (séries simples ou especiais, edições únicas com capa cartonada ou de luxo) praticamente se equivalem

Pesquisa - Gênero

Pesquisa - Tipo

 

O autor (roteirista/desenhista) desponta como o principal motivo que leva o leitor brasileiro a comprar uma HQ, pouco à frente dos personagens.

Este é um indicativo para as editoras trabalharem melhor o nome dos autores nas capas das publicações

Pesquisa - Motivo

 

O Brasil aparece como segundo principal país de origem das HQs, atrás dos Estados Unidos e à frente do Japão – o que  chama a atenção, dada a oferta de mangás nas bancas.

Porém, a maioria dos leitores ainda compra poucos quadrinhos nacionais (menos de 10% do que consome), por razões que merecem ser debatidas

Pesquisa - País

Pesquisa - Nacional

 

Os quadrinhos digitais ainda não caíram no gosto do leitor brasileiro. A maioria não compra; para os que compram, representa menos de 10%.

A pesquisa não aferiu a leitura de scans (quadrinhos baixados na internet, com ou sem a autorização dos produtores) ou de leitura de HQs online

Pesquisa - Digital

 

Mesmo com o financiamento coletivo se consolidando como uma das modalidades mais procuradas pelos autores independentes, a maioria dos leitores nunca contribuiu com um projeto. 

A boa notícia é que não há rejeição a esta modalidade e eles podem vir a colaborar no futuro

Pesquisa - Financiamento

 

 
Considerações finais:
 
– Das 2.273 respostas, foram eliminadas apenas 8 duplicidades e 2 imbecis (menos de 0,5%);

– 36 e-mails (1,5%) não puderam ser validados;

– Nas próximas semanas, vamos publicar outros resultados da pesquisa, com as preferências por sexo, faixa etária etc;

– Essa é uma pesquisa quantitativa, cujos resultados abrem caminho para aprofundar as questões com pesquisas qualitativas (entrevistas, grupos focais, observação participante).

 

Livro traça evolução dos quadrinhos nos últimos 50 anos

Quadrinhos

Conforme antecipado pelo Papo de Quadrinho, a WMF Martins Fontes confirma para este mês o lançamento de Quadrinhos: História Moderna de uma Arte Global, de Dan Mazur e Alexander Danner.

A partir de movimento underground de 1968 nos Estados Unidos, o livro traça um panorama da evolução da nona arte em diversos países, o Brasil entre eles.

Abrange, portanto, os principais estilos, artistas e movimentos conhecidos: super-heróis, underground, mangás, bandes dessinées, fumetti, tebeos, historietas… até chegar aos atuais quadrinhos digitais, que vêm encurtando a distância entre artistas e leitores. Tudo isso embalado em 300 ilustrações em que foram mantidas as cores originais.

Por falar em artistas, são muitos os retratados em Quadrinhos: dos ilustres Jack Kirby, Hergé, Moebius, Katsuhiro Otomo, Neil Gaiman e Alan Moore até outros pouco conhecidos, como Andrea Pazienza e Fabrice Neaud.

Quadrinhos: História Moderna de uma Arte Global tem 320 páginas e preço de R$ 89. A revisão técnica é de Waldomiro Vergueiro, um dos maiores estudiosos do assunto no nosso país.

Mercado de Pulgas será Festival Guia dos Quadrinhos

Evento-FESTIVAL

Em 2008 surgia o evento Mercado de Pulgas, organizado por Edson Diogo, o criador do portal Guia dos Quadrinhos – um dos sites sobre HQs mais importantes do Brasil.

O evento tornou-se um dos favorito entre os nerds, não apenas porque em nenhum outro evento do Brasil é possível encontrar HQs raras à venda, mas também porque é um dos únicos eventos onde os leitores são capazes de conversar, trocar ideias e dar sugestões aos profissionais dos quadrinhos no Brasil. Assim, o Mercado de Pulgas virou uma grande reunião de amigos e pessoas que compartilham sua paixão por HQs, Mangás e Cultura Pop.

Editores da Panini, Abril, Mauricio de Sousa, HQM, JBC, Nova Sampa e várias outras já participaram do evento, assim como desenhistas e roteiristas da Disney; autores dos mais variados quadrinhos nacionais e importados e colecionadores lendários no mercado. Não é à toa que o Mercado de Pulgas já é considerado o evento nerd mais divertido do Brasil.

Apesar de o nome Mercado de Pulgas ter se popularizado entre os fãs de quadrinhos, não trazia nenhuma ligação com o site Guia dos Quadrinhos e causava confusão quando pesquisado na internet, devido à quantidade de eventos homônimos, mas com foco muito diferente.

Desde 2012, o evento também deixou de ser apenas um encontro para compra e venda de quadrinhos e incorporou palestras, sorteios, quizes e paineis de discussão entre suas atrações. Por isso, a partir de outubro, o Mercado de Pulgas passa a ser chamado de Festival Guia dos Quadrinhos, um nome mais adequado a um evento importante envolvendo Quadrinhos e Cultura Pop.

Para atender a pedidos de expositores e visitantes, este ano o evento será realizado em dois dias: 11 e 12 de outubro.
Além do tradicional salão de vendas e trocas de quadrinhos, mangás, DVDs, action figures e outros; o evento trará mais palestras e bate-papos com profissionais, maior participação de artistas nacionais e editoras; sessões de autógrafos; atividades especiais para crianças e um concurso de cosplay organizado pelo tradicional grupo Comics Cosplay BR.

Como nas últimas três edições, o evento será realizado na Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai (Rua Domingos de Moraes, 1581 – Vila Mariana – São Paulo), mas – uma outra novidade – ocupará dois andares do edifício, em vez de apenas um.
Em breve a organização divulgará palestras, convidados, participantes e outras atrações. Um fotoclipe pode ser conferido aqui

Sobre o site Guia dos Quadrinhos:
Há 7 anos no ar, o site é o maior banco de dados sobre quadrinhos publicados no Brasil, com mais de 88 mil edições cadastradas e 40 mil membros. O Guia dos Quadrinhos também tem o maior acervo de capas de gibis, com mais de 40 mil imagens.

SERVIÇO:
Festival Guia dos Quadrinhos 2014 (antigo Mercado de Pulgas)
Datas: 11 e 12 de Outubro
Local: Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai (Rua Domingos de Moraes, 1581 – Vila Mariana, a 100 metros do metrô
Organização: Guia dos Quadrinhos (www.guiadosquadrinhos.com)
Contato: festival@guiadosquadrinhos.com
Contate-nos para informações sobre como ser expositor ou patrocinador do evento

Evento virtual homenageia Osamu Tezuka

O artista japonês é considerado o precursor de um estilo de quadrinhos que mais vende no mundo, os mangás. O mesmo vale para os desenhos animados. Seu Astro Boy é considerado a fonte estilística dos atuais animes.

Fãs e mantenedores de sites, blogs, vlogs e podcastas brasileiros dedicados a ao gênero decidiram homenagear o criador com um evento virtual no próximo sábado, dia 17, eleito o Tezuka Day.

Neste dia serão postados diferentes artigos sobre Osamu Tezuka e suas obras; ao longo desta semana, a página do grupo no Facebook vem promovendo concursos, sorteios e promoções que culminam no dia 17, quando haverá também um quiz.

O objetivo dos organizadores é conquistar um posto nos Trend Topics do Twitter e chamar a atenção dos não iniciados para a importância dos mangás e animes na cultura popular.

A iniciativa tem apoio do portal internacional TezukainEnglish.com.

Para mais informações, o contato é TezukaDay@gmail.com.

5 perguntas para Sonia Luyten

 Sonia Luyten é a maior especialista brasileira em mangás. Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, tem mais de três décadas dedicadas ao estudo, docência e pesquisa dos quadrinhos no Brasil, Oriente e Europa. É autora de vários artigos e livros sobre o tema, com destaque para o livro: “Mangá: o poder dos Quadrinhos Japoneses”.

Sônia responde as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quem foi o grande responsável pelo interesse dos jovens nos animes e mangás no Brasil? Existe algum marco: filme, desenho ou gibi?
Embora já houvesse algumas publicações de mangá e algumas TVs  mostrando animes no Brasil, o grande boom aconteceu de forma global (e o Brasil entrou neste contexto no final dos anos 1990), com Cavaleiros do Zodíaco, e a Cultura Pop japonesa – como um todo – passou a fazer parte do universo dos jovens brasileiros. Algumas editoras comerciais como a Conrad, JBC e Panini iniciaram a tradução e publicação de mangás que já haviam sido sucesso no Japão. Isto somou-se à febre dos animes, concursos de cosplays e os megaencontros em todo Brasil.

2) A que você atribui esse interesse dos jovens brasileiros pelo mangá, em vez dos tradicionais super-heróis Marvel/DC?
Os motivos são vários. Em primeiro lugar, sempre houve um vazio editorial para o segmento dos adolescentes, que era preenchido com publicações estrangeiras. O Mauricio de Sousa, hoje em dia, faz sucesso com a Turma da Mônica Jovem exatamente por sua boa qualidade e deu continuidade aos fãs fiéis da infância.
Outro fator foi a globalização da Cultura Pop japonesa que – com a difusão pela internet – entrou de cheio no Brasil. Estes jovens, mais do que depressa, passaram a “ver” o que estava acontecendo no mundo. No final dos anos 1990 e início do novo milênio, os super heróis americanos já estavam desgastados. O mangá e anime entraram no gosto do jovem brasileiro (e também de outras partes do mundo) em função de vários fatores: os heróis não são eternos. Eles duram enquanto são publicados. A indústria japonesa sabe fazer seu marketing e eles estão presentes em todo lugar – merchandising, objetos, itens de coleção etc. Os heróis japoneses também são mais humanos. Eles sofrem, são persistentes e lutam por seu ideal. Tem muito a ver com a cultura oriental, de origem confucionista. Por fim, a estética do mangá e anime é muito atraente, vibrante e entrou no gosto internacional.

3) O sucesso comercial de Turma da Mônica Jovem no estilo mangá é uma prova de que para se ter sucesso editorial aqui no Brasil é preciso pensar em desenhar nesse estilo?
Não necessariamente. Não sou contra o desenho em estilo mangá pois o mangá não é propriedade do Japão. Sempre digo que a arte não tem fronteiras.
Os japoneses, no início de sua produção, copiaram o modelo ocidental. Logo perceberam que tanto o conteúdo como o desenho não iam ao encontro do gosto japonês. O próprio criador da palavra mangá, o famoso xilogravurista Hokusai, teve muita influência da Europa, dos gravuristas holandeses.
Acredito que, no Brasil, muitos jovens gostam de fazer HQ  em estilo mangá. Mas não basta. É preciso ter um bom roteiro. Com um bom roteiro pode-se fazer histórias em qualquer estilo. Temos, portanto, que olhar para dentro, procurar algo que o público se identifique. E não ter vergonha de nós mesmos: tanto no estilo como no roteiro. Os japoneses conseguiram isto. Por que não a gente?

4) Os tablets afetam (ou não) o mercado de mangás?
Nenhum meio de comunicação ou inovação tecnológica atrapalha o outro. Com o advento do rádio, o jornal impresso modificou-se, com o advento da TV, o rádio idem. Com a internet, os outros meios de comunicação adaptaram-se a ela. Os tablets vieram para somar e não atrapalhar.

5) Quando nós editores do Papo de Quadrinho conhecemos o mangá, havia basicamente o Akira, o Lobo Solitário, além de uma minissérie, Crying Freeman. Hoje existem centenas de mangás nas bancas brasileiras. Como escolher um entre tantas opções? Você tem alguma dica para facilitar a vida de quem não conhece os títulos e inúmeros subgêneros do mangá?
Se alguém quer se iniciar no mundo dos mangás, deve começar com Osamu Tezuka. Tem várias histórias deles traduzidas no Brasil e também sua vida e obra (da Conrad, da qual fiz a introdução).
Uma obra belíssima é Buda. Vale a pena ler, recomendado para todas as idades.
O básico para anime é também Tezuka (Astro Boy) e  Miyazaki, com inúmeros títulos: La PiutaA viagem de Chihiro, Naushika e Totoro.
No Brasil, editorialmente, não há um segmento definido para o público masculino e feminino como no Japão, mas pode-se escolher entre Sakurai, Dragonball, Samurai X, Death Note (que foi muito bem adaptado no Brasil para uma peça de teatro) Naruto e One Piece.
Para um público mais cult recomendo o mangá Mulheres, de Yoshihiro Tatsumi. Ele inventou o termo “gekigá”, que significa drama (geki) ilustrado (gá), para designar uma nova maneira de se fazer mangá, com temas adultos, desconcertantes e até cruéis. Fiz também a introdução deste belíssmo exemplar falando de Tatsumi e a retratação das mulheres numa época de pobreza no Japão.

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