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5 Perguntas para André Morelli

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André Morelli é um colaborador de primeira hora da revista Mundo dos Super-Heróis e autor dos livros Super-Heróis nos Desenhos Animados e Super-Heróis no Cinema e nos Longas-metragens da TV da Editora Europa.

Morelli se especializou em pesquisas sobre Cultura Pop, emoldurada em um texto ágil, bem escrito e bem apurado. Agora, ele ataca com seu mais novo livro: Heróis dos Animes (Editora Europa, 144 págs., R$ 24,99) um obra bonita, que foca nos Animes. São fichas completas com nomes originais das séries, sinopses, datas de lançamento e curiosidades. Indispensável para os fãs do gênero. Papo de Quadrinho não perdeu a oportunidade de fazer 5 perguntas para o amigo e escritor:

1 – Os animes arrebataram o público jovem. A que você atribui esse interesse por mangás e animes?

Acredito que um ponto importante para entender essa popularidade é perceber que não estamos falando de um único grupo. Apesar de apresentarem muitas características em comum, os fãs de animes e mangás acabam se dividindo em uma série de subgrupos, cada um com seu gênero favorito: comédia, romance, luta, ficção científica, terror, esportes… A diversidade de temas é provavelmente a maior arma dos japoneses para alcançar diferentes públicos.

2 – Tecnicamente o que evoluiu nos animes, a narrativa, o desenho…?

Talvez a principal diferença seja uma tendência a padronização nos estúdios ocidentais. Ao contrário dos estúdios japoneses, que costumam imprimir características fortes em cada uma de suas produções, é difícil perceber o mesmo processo em estúdios ocidentais, a não ser em trabalhos mais autorais ou longas-metragens. Outra diferença fundamental está nos roteiros. Mesmo em um anime para crianças, os roteiristas não veem problemas em adicionar drama ou discutir temas considerados tabus como morte e sexualidade. O Japão é um país budista, com outra visão a respeito de uma série de temas.

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3 – Como você  se apaixonou pelos animes?

Não me considero um apaixonado e sim um grande admirador. Como qualquer pessoa da minha geração, fui fisgado por séries com Sawamu, Patrulha Estelar e Pirata do Espaço. Mas naquela época a noção de que essas séries eram animes ainda era muito vaga. Pra mim a identificação do gênero só aconteceu mais tarde, com a série Zillion.

4 – Porque os Animes são mais atraentes para os jovens que os desenhos animados Ocidentais?

Porque os animes normalmente apresentam um visual mais arrojado e histórias menos unidimensionais.
Quanto à questão técnica, se tornou difícil bater os asiáticos. Tanto que desde os anos 1980 que algumas produções norte-americanas e europeias são animadas na Ásia, como é o caso dos Thundercats e até mesmo dos Simpsons. Atualmente, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul se transformaram em grandes fornecedores de mão de obra para o mercado de animação, aliando qualidade técnica a custos baixos.

5 – indique para nossos leitores três animes clássicos, três novos e três heróis.

Clássicos: A Princesa e o Cavaleiro, Speed Racer e Patrulha Estelar

Contemporâneos: Cowboy Bebop, Fullmetal Alchemist: Brotherhood e Death Note.

Heróis: Goku (Dragon Ball), Yusuke (Yu Yu Hakusho) e Astro (Astro Boy).

Crítica: Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil

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O livro Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil reúne depoimentos organizados por três especialistas que eu respeito e admiro: Waldomiro Vergueiro, Nobu Chinen e Paulo Ramos (do Blog dos Quadrinhos).

Esses depoimentos são verdadeiras declarações de amor aos Quadrinhos, feitos por seis professores: José Marques de Melo, Álvaro de Moya, Antonio Cagnin, Moacy Cirne, Sonia Luyten e Waldomiro Vergueiro, especialistas que enfrentaram preconceito na própria universidade quando se dedicaram ao estudo da narrativa sequencial. Foram os primeiros, mas não os únicos, a defenderem suas qualidades como objeto de arte e cultura.

Ao falarem em favor dos quadrinhos quando estes eram perseguidos e difamados, estes homens e mulheres tiveram um papel fundamental para nossa compreensão e interesse nas HQs, estimulando o estudo dos gibis como uma mídia especial. Foram carreiras dedicadas a estudar, apresentar e estimular a produção nacional das HQs. As. Os depoimentos são emocionantes, recheados de histórias pessoais que se confundem com a própria história dos Quadrinhos no Brasil.

O lançamento é da Editora Criativo e o livro é recomendadíssimo, em especial para a leitura de educadores, artistas e interessados em entender melhor nossa histórica ligação de amor com os gibis.

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