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“Forrest Gump” completa 30 anos e ganha edição especial pela Aleph

 

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Forrest Gump, a encantadora obra de Winston Groom sobre a trajetória do jovem que só queria fazer as coisas certas, foi lançada originalmente há 30 anos, em 1986.

Em comemoração à data, a Aleph lança uma edição luxuosa que chega às livrarias a partir da segunda quinzena deste mês.

Forrest Gump (392 páginas, R$ 79,90, tradução de Aline Storto Pereira) tem acabamento em capa dura, 13 ilustrações do quadrinhista Rafael Coutinho e um ensaio comparando o livro à sua adaptação cinematográfica, escrito pela francesa Isabelle Roblin – professora da Université du Littoral-Côte d’Opale.

A capa é dupla-face: uma sobrecapa de papel com impressão em ambos os lados permite ao leitor escolher o seu design favorito do artista Pedro Inoue (veja acima), o mesmo de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.

Com direção de Robert Zemeckis e estrelado por Tom Hanks, Forrest Gump, o filme, conquistou seis Oscars, incluindo o de Melhor Filme. No livro, o protagonista é ainda mais inusitado e peculiar que no cinema. Aliás, toda a narrativa é mais polêmica e densa no original do que na adaptação.

Para quem conhece Forrest Gump só do cinema, vale a pena conferir essa edição comemorativa.

“Sra. Poe” revisita triângulo amoroso com Edgar Allan Poe

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Do Press-Release

Nova York, inverno de 1845. Edgar Allan Poe havia escrito “O corvo” e se tornado uma das maiores celebridades literárias americanas. Nessa mesma época, a escritora Frances Osgood, abandonada pelo marido, oferece seus poemas a jornais e passa a frequentar salões literários, em busca de reconhecimento por suas obras e dinheiro para sustentar suas duas filhas com a literatura. Poe, casado com a prima Virginia, bem mais jovem que ele, frequenta as mesmas reuniões e é cortejado por várias mulheres, mas se encanta por Frances.

Inspirada pelo encontro dos dois, a escritora Lynn Cullen escreveu Sra. Poe (Bertrand Brasil, 400 páginas, R$ 39,90), em que imagina os detalhes do que teria sido esse romance conturbado e descreve o ambiente literário numa cidade que crescia e começava a se modernizar.

Para atrair Frances, Poe a convida para visitar sua mulher, enferma, e para assistir a peças de teatro, ir a suas palestras e conviver com o casal. Com sua fama de misterioso e antipático, além de crítico literário severo, Poe atrai tanto a ira de seus pares quanto a curiosidade da sociedade.

Ao passar a conviver com o casal, Frances se vê em meio a uma trama de mistério e passa a desconfiar primeiro das intenções de Virginia, depois a temer o próprio Poe e sua literatura gótica e assustadora. À medida em que o romance entre os dois avança, os ciúmes da mulher de Poe aumentam e o medo de serem descobertos transformam cada cena do livro em um suspense digno dos melhores contos do autor.

Em meio aos encontros e desencontros dos personagens principais, Lynn constrói um interessante painel da literatura americana no século XIX. Nos salões frequentados por Poe e Frances, figuram nomes como Walter Whitman e Herman Melville, e discutem-se novidades como a fotografia feita pelo daguerreotipo, instrumento criticado pelo marido de Frances, que vive de atrair mulheres ricas para pintar seus retratos.

A água encanada, a construção de prédios e a discussão sobre o que viria a ser, no futuro, o Central Park, são temas dos salões das casas ricas de Nova York – uma delas, a de John Bartlett, famoso lexicógrafo, que acolhe Frances quando esta é abandonada pelo marido.

Numa sociedade extremamente conservadora, em que o casamento não podia ser desfeito, a mulher era vista como propriedade do homem e a hipocrisia se destacava na maioria das relações, o triângulo amoroso entre Poe, Virginia e Frances é um escândalo notório. É na ambiguidade que perpassa a relação das duas mulheres, com as duas lutando pelo título de “Sra. Poe”, pontuada pela presença da misteriosa senhora Clemm, tia de Poe e mãe de sua mulher, que o romance tem a sua força.

“Para mim, os fatos que inventei poderiam ter realmente ocorrido”, diz a autora.

2016: O que vem por aí pela Peirópolis

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Depois de um ano sem lançamentos (vamos combinar, 2015 não foi fácil pra ninguém!), a editora retoma a publicação de sua série Clássicos HQ que, como o nome diz, traduz para os quadrinhos aclamados clássicos da literatura brasileira e estrangeira. O legal é que todas as adaptações são feitas por roteiristas e desenhistas brasileiros.

A Peirópolis já abriu este ano com o anúncio de Macunaíma, clássico modernista de Mario de Andrade, traduzido para os quadrinhos por Angelo Abu e Dan X. O lançamento estava previsto inicialmente para março do ano passado.

Outros dois títulos finalmente devem ver a luz do dia, ambos de Goethe: O sofrimento do jovem Werther, por Daniel Gisé, e Fausto, por Rom Freire e Dinei. Ambos foram anunciados pela primeira vez em 2014.

A novidade na lista de lançamentos previstos pela Peirópolis para 2016 é Tio Vânia, de Tchekhov, levado aos quadrinhos pela arte característica de Caco Galhardo.

A Mão e a Luva em Quadrinhos: Tradução competente

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A editora Peirópolis vem fazendo um ótimo trabalho com sua coleção Clássicos em HQ, em que obras da literatura universal são adaptadas por artistas nacionais. Dom Quixote (de Cervantes, por Caco Galhardo), Auto da Barca do Inferno (de Gil Vicente, por Laudo Ferreira e Omar Viñole) e O Corvo, (de Poe, por Luciano Irrithum) são alguns bons exemplos.

O título mais recente da coleção é A Mão e a Luva em Quadrinhos, de Machado de Assis, com roteiro de Alex Mir e arte de Alex Genaro. A obra original foi publicada em capítulos no ano de 1874 e faz parte da fase romântica do autor.

Guiomar, jovem de bela figura e espírito independente, de origem humilde e adotada pela baronesa quando esta perdeu uma filha da sua idade, precisa administrar três pretendentes à sua mão.

Apesar de nesta fase já ficarem evidentes algumas das características mais conhecidas do Machado “realista” – o sarcasmo, a crítica social –, é curioso lembrar como no Romantismo a pureza do amor e as boas intenções superam até as mesmo as rígidas convenções sociais da época.

Alex Mir faz uma tradução (como defendem alguns teóricos, no lugar de “adaptação”) competente, sem cortes abruptos nem sobressaltos no roteiro – o que por si só já é um grande feito. O texto machadiano é tão coeso que dificulta achar o ponto de corte.

Justamente por conta dessa dificuldade, alguns quadros e mesmo páginas inteiras de A Mão e a Luva em Quadrinhos acabam sofrendo com o excesso de palavras. Mas nisso o autor original sai em socorro do roteirista: o estilo de Machado é tão instigante, especialmente nos diálogos, que mesmo a grande quantidade de texto não torna a leitura maçante.

A arte de Alex Genaro é limpa e precisa, como convém a uma obra que tem como alvo prioritário o púbico infanto-juvenil. Não sou especialista em século XIX, mas a reconstituição de época nos cenários, figurinos e gestuais parece bastante correta.

O único senão é o uso frequente de setas para indicar a sequência de leitura dos quadros. Este recurso era bastante utilizado em meados do século passado, quando os artistas começaram a romper a estrutura rígida de nove quadros por página e a inovar na diagramação.

Como ainda não tinham pleno domínio da narrativa em quadrinhos, usavam o artifício de “guiar” os olhos do leitor (da esquerda para a direita, de cima para baixo) por meio destas setas. Hoje em dia, é um recurso que empobrece a narrativa. Intencionalmente ou não, de certa forma este artifício confere um ar “retrô” à Mão e a Luva em Quadrinhos.

O livro tem 64 páginas, capa e miolo coloridos, formato 20,5 x 27 cm e preço de R$ 35.

Para quem já leu o livro de Machado, é bastante curioso visualizar a forma como os autores do quadrinho imaginaram os personagens e cenários; para quem nunca leu, é uma boa oportunidade de entrar em contato com uma das grandes obras da literatura brasileira.

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