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CCXP Tour Nordeste: lançamentos da editora Leya

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A ideia era fazer uma prévia dos lançamentos na CCXP Tour Nordeste (13 a 16 de abril, em Recife), como fazemos em todos os grandes eventos e no começo de cada ano.

Mas sem a lista de expositores, ficou difícil consultar as editoras. Então, vamos divulgando aqui o que elas espontaneamente estão enviando para nós.

Começamos pela Leya. A editora reservou para o evento o terceiro volume da série Alien – Rio de Sofrimento; o romance de ficção científica de George R.R. Martin, Gardner Dozois e Daniel Abraham, Caçador em Fuga; as edições de colecionador de Batman: Os Arquivos Secretos do Homem-Morcego e Superman: Os Arquivos Secretos do Homem de Aço; o terceiro e último volume da trilogia A Sombra do Corvo: A Rainha do Fogo; e o box da primeira era de Mistborn, de Brandon Sanderson.

Outras obras de George R.R. Martin estarão em destaque no estande da Leya: a coleção Wild Cards (volumes 1 a 7), o recém-lançado Mulheres Perigosas e, claro, a série As Crônicas de Gelo e Fogo.

Entre os nacionais, destaque para os dois volumes de O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano, com direito a sessão de autógrafo do autor junto com os demais integrantes do podcast Matando Robôs Gigantes (MRG), Didi Braga e Beto Estrada.

A editora também participa da programação oficial com apresentações em seu estande e no auditório Ultra, vai levar o Trono de Ferro para os visitantes tirarem fotos e fará a cobertura da CCXP Tour Nordeste em suas redes sociais.

Humor incorreto de “Cianeto & Felicidade” chega ao Brasil pela Leya

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Numa época em que grupos organizados colocam de joelhos artistas e editoras mainstream, é um alento saber que tem gente nadando contra a maré, pelo menos no cenário independente.

Consta que as tirinhas online de Cyanide & Happiness surgiram quando o jovem Kris Wilson ficou de molho para se recuperar de uma amigdalite. Para passar o tempo, usou seu parco conhecimento de desenho para colocar bonecos palitos em situações politicamente incorretas.

As tiras foram publicadas na internet e chamaram a atenção dos sócios Rob, Matt e Dave, que hospedaram o material, passaram a contribuir na produção e transformaram o passatempo num negócio.

Hoje, Cyanide & Happiness tem 10 milhões de curtidas no Facebook, 133 mil seguidores no Twitter, quase 80 mil no Instagram, e 1 milhão de visitas diárias no site oficial.

Parte deste material chega agora em versão impressa aos leitores brasileiros pela editora Leya, em dois volumes: Cianeto & Felicidade e Sorvete e Depressão. Cada álbum reúne 100 tiras selecionadas pelos autores, algumas delas inéditas.

A boa notícia que vem acompanhada deste lançamento é que a Leya diminuiu, mas não abandonou, a publicação de quadrinhos depois que desfez a parceria com a editora Barba Negra.

No final do ano passado, a Leya lançou dois volumes da série O Cavaleiro dos Sete ReinosA Espada Juramentada e O Cavaleiro Andante –, adaptados da obra de George R.R. Martin e que funcionam como uma espécie de prelúdio de Guerra dos Tronos.

Apesar disso, a editora afirma que não tem outros lançamentos em quadrinhos previstos para este ano.

Cianeto & Felicidade (160 páginas) e Sorvete e Depressão (176 páginas) têm formato 21 x 14 cm e preço de R$ 39,90 cada.

Cianeto e Felicidade

Crítica: “Marvel Comics – A História Secreta”: Ídolos com pés de barro

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Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis. A frase e suas muitas variações são atribuídas ao primeiro chanceler alemão, Otto Von Bismark.

Depois de ler Marvel Comics: A História Secreta, de Sean Howe, é grande a tentação de incluir mais um elemento à frase original: Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas, as leis e as histórias em quadrinhos.

O livro de Howe faz uma radiografia da Marvel, maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, desde sua gênese no final dos anos 1930 até próximo aos dias atuais.

Ao longo das páginas, o autor vai destruindo mitos. Um exemplo é a imagem lúdica do Bullpen, apelido carinhoso dado por Stan Lee à redação da Marvel nos anos 1960.

Lee perpetuou a ideia de uma sala animada, cheia de gente criativa e boa praça. Nada disso! Segundo Howe, era mais um conjunto de freelancers trabalhando nos próprios estúdios ou nos porões de suas casas, que apareciam na Marvel vez ou outra para entregar as páginas desenhadas.

E por aí vai. Nos anos 1970, à medida que os medalhões – Lee, Kirby, Ditko – saíram da editora ou se afastaram do o dia a dia, a redação foi tomada por guetos que se autoprotegiam para publicarem o que bem entendessem.

Revistas e personagens viraram instrumentos de crenças pessoais e vinganças mesquinhas. As puxadas de tapete eram uma constante. Tempos depois, a mão de ferro do editor-chefe Jim Shooter foi um mal necessário. Mas até ele sucumbiu à egolatria a partir do sucesso da saga Guerras Secretas.

Passa a impressão que Howe selecionou os piores trechos das numerosas entrevistas que realizou. Não há motivos para duvidar da seriedade de sua pesquisa nem de suas boas intenções. Em entrevista à revista Mundo dos Super-Heróis, o autor declara-se um fã da Marvel e coloca a paixão por gibis como motivação para escrever a obra.

Não é culpa Howe se nossos ídolos têm pés de barro.

A escrita fica um pouco corrida no final. Enquanto são dedicadas muitas páginas para tentar explicar as manobras que salvaram a Marvel da falência nos anos 1990, a recente compra pela Disney – um negócio de mais de US$ 4 bilhões – recebe pouquíssima atenção.

Nada disso tira o brilho do complexo trabalho de Sean Howe. Marvel Comics – A História Secreta é daqueles livros que não dá para parar de ler, e material indispensável tanto para fãs quanto para profissionais e pesquisadores.

O livro é um adorável tijolo com 560 páginas e preço de R$ 49,90. Vale o investimento de tempo e dinheiro.

Para aliviar a abstinência de “Game of Thrones”

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A quarta temporada do seriado que adapta a obra literária de George R.R. Martin chega à TV somente no dia 30 de março.

A editora Leya Brasil tem duas boas notícias para aliviar a abstinência dos fãs. A primeira delas é o lançamento de A Filosofia de Tyrion Lannister, uma compilação de pensamentos espirituosos e cínicos, divididos por temas, de um dos personagens mais icônicos de Game of Thrones. As frases são extraídas diretamente da obra original de Martin.

Com capa dura, formato pocket e ilustrado por Jonty Clark, o livreto tem 160 páginas e preço de R$ 29,90.

A segunda notícia é ainda melhor. Por meio do selo Fantasy, a editora traz para o Brasil o segundo volume da versão em quadrinhos de Game of Thrones.

O primeiro foi lançado em 2012, quando a Leya Brasil ainda mantinha parceria com a Barba Negra para publicação de quadrinhos. Com o fim da parceria, o destino da série no Brasil era incerto.

Game of Thrones HQ Vol. 2 tem roteiro adaptado por Daniel Abraham e arte de Tommy Peterson, 240 páginas, capa cartonada e preço de R$ 39,90. Nos Estados Unidos, a HQ é publicada em edições mensais pela Dynamite Entertainment.

Livro sobre trajetória da Marvel é lançado no Brasil

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Finalmente, começa a chegar às livrarias Marvel Comics: A História Secreta, de Sean Howe, vencedor do Eisner Awards em 2013, considerado o “Oscar” dos quadrinhos.

O livro é um calhamaço de 560 páginas, típico objeto de desejo de todos os fãs com preço acessível: R$ 49,90. Parte da criação da revista Magazine Management por Martin Goldman (antes mesmo se tornar a Timely Comics) até culminar na recente compra pela Disney – passando, obviamente, pelos períodos de enorme sucesso no início das décadas de 1940  e 60, e da quase bancarrota das décadas de 1950 e 90.

A edição brasileira traz como apêndice exclusivo a listagem de todas as publicações citadas na obra que foram publicadas no Brasil, com informações da edição original, período e editora.

É um alívio saber que a tradução é de Érico Assis, um especialista no assunto – o que garante que todos os nomes e referências foram corretamente adaptados à forma como os conhecemos no Brasil.

Sean Howe tem experiência com o mundo do entretenimento e conhece seu ofício. Já foi editor da revista Entertainment Weekly e publicou artigos e matérias em muitas outras publicações americanas. É autor de outro livro sobre quadrinhos, Give Our Regards to the Atomsmashers, um compêndio de depoimentos de vários profissionais do ramo sobre os quadrinhos que eles mais amam e odeiam.

Marvel Comics: A História Secreta se propõe não só a narrar a trajetória da maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, mas também a jogar luz sobre os bastidores.

Torço para que Howe siga o exemplo do escritor Roberto Guedes no ótimo Stan Lee: O Reinventor de Super-Heróis e faça justiça, em vez de sucumbir ao lugar comum de pintar o velho Stan como o grande usurpador das ideias alheias.

Fica aqui o convite ao leitor para voltar nas próximas semanas e ler nossa resenha de Marvel Comics: A História Secreta.

2013: O que vem por aí (outras editoras)

LeYa: a editora confirmou para este ano o lançamento da primeira colocada no Prêmio Barba Negra, de 2011: Imaginário Coletivo, de Wesley Rodrigues (imagem acima). Quando foi anunciado o final da LeYa com a Barba Negra no final do ano passado, o editor Sandro Lobo garantiu que o compromisso assumido com os vencedores do concurso seria honrado. Sobre os outros dois colocados – Salalé e O Pássaro da Boa-Hora – não há informação.

Kalaco: O editor Franco de Rosa confirma os lançamentos para este ano, porém sem data definida, de duas produções nacionais: 3.000 Anos Depois, do “clã Deodato”: Deodato Borges e Mike Deodato Jr., e Família Titan, de Gian Danton (roteiro) e Joe Bennett (arte).

Zarabatana: a editora reprogramou para 2013 um lançamento previsto para 2012, Crônicas de Jerusalém, HQ canadense de Guy Delisle com uma visão bem humorada da convivência entre israelenses e palestinos. A Zarabatana vai publicar também mais um volume, o sexto, de Macanudo, do argentino Liniers.

Pixel: o selo de quadrinhos da Ediouro teve um 2012 bem agitado, com lançamento de revistas em formatinho e preço acessível de vários clássicos: Recruta Zero, Gasparzinho e Brasinha entre eles. Neste ano, a Pixel dará continuidade a estes títulos e está definindo os detalhes para uma edição especial comemorativa dos 70 anos dos primeiros desenhos animados da personagem Luluzinha.

Paraíso de Zahra: tortura e morte na terra dos aiatolás

Para sorte dos leitores, tem sido cada vez mais comum a publicação de HQs vindas de países com pouca tradição neste gênero. É o caso da iraniana O Paraíso de Zahra, que a editora Leya/Barba Negra lançou no Brasil no início deste ano, de autoria de Amir e Khalil.

Os nomes dos autores são fictícios e é fácil entender por quê. Predomina no Irã a censura, o medo, a ameaça – frutos de uma leitura torta do Alcorão, livro sagrado do Islamismo, e do regime teocrático dos aiatolás.

O livro em quadrinhos faz uma denúncia do clima de terror a que a população comum é constantemente submetida. A trama tem inícios com os protestos populares que se seguiram à fraudulenta eleição presidencial de 2009 que manteve Mahmoud Ahmadinejad no cargo.

Mehdi, filho de Zahra, desaparece em meio à onda de repressão às passeatas e tem início uma busca desesperada pelo rapaz. A história é narrada por Hassan, irmão de Mehdi, por meio de um blog.

A partir daí, O Paraíso de Zahra cumpre a função didática, pelo menos para nós, do Ocidente, de revelar o quanto o Irã está tomado pelo aparelho burocrático do Estado, pelo silêncio, pelo desdém das autoridades com a aflição da população, pelo apadrinhamento, pela corrupção.

Zahra e Hassan transitam pelas esferas do poder, de delegacias de polícia à porta da prisão de Edin, de hospitais a necrotérios. Infelizmente, sua jornada termina no cemitério da capital Teerã, conhecido como Zahra’s Paradise.

O Paraíso de Zahra tem sido comparado a obras como Persépolis, Maus e outras de Joe Sacco. Por sua relevância, concordo; por seu conteúdo, não.

O trabalho de Amir e Khalil não tem o caráter autobiográfico dos dois primeiros nem o rigor jornalístico de Sacco. É uma história ficcional, porém baseada em um fato concreto – as eleições de 2009 – e em toda a cultura de terror vigente na Irã.

É um alerta e uma denúncia contra os direitos civis da população daquele país; é, também, um retrato da força da rede mundial para desfazer fronteiras e driblar a rigidez da censura. Antes de virar livro, a HQ foi publicada na Internet em 12 diferentes idiomas.

O livro traz, ainda, um posfácio bastante elucidativo, como glossário dos termos mais comuns, significados dos nomes, contexto das eleições presidenciais e o chocante Memorial Omid, uma lista com quase 17 mil nomes de pessoas assassinadas pela República Islâmica do Irã nas últimas décadas.

O Paraíso de Zahra tem 272 páginas, formato 16 x 23 cm, capa colorida, miolo p&b e preço de R$ 39,90. Vale o investimento.

2012: O que vem por aí pela Leya

Desde que se instalou no País há pouco mais de dois anos, o grupo editorial português publicou alguns ótimos títulos em parceria com a brasileira Barba Negra, tanto estrangeiros (Cicatrizes, Koko be good, 676 Aparições de Killoffer) quanto nacionais (Emir Saad, Uma Patada com Carinho, Morro da Favela, Encruzilhada).

A editora lança, já neste mês de janeiro, a HQ iraniana O Paraíso de Zahra, de Amir e Khalil – os nomes são fictícios, criados para proteger os autores de prováveis perseguições políticas.

Publicada originalmente na Internet no início de 2010 em 12 idiomas, a narrativa parte de uma marcha nas ruas de Teerã por eleições presidenciais e segue acompanhando o drama de Zaha em busca de seu filho desaparecido durante a manifestação.

O Paraíso de Zahra é uma referência ao cemitério na região sul da capital iraniana, um dos possíveis destinos do filho de Zaha.

A HQ tem 272 páginas, formato 16 x 23 cm e preço de R$ 39,90.

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