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HQ nacional “Depois da Meia-Noite” ganha versão digital

 icon-edicao2A minissérie em três edições escrita e desenhada por Laudo Ferreira, e arte-finalizada por Omar Viñole, foi lançada originalmente de forma independente em 2007, e ganhou o Prêmio HQ Mix como Melhor Publicação Independente Especial.

Agora, numa parceria entre o Estúdio Banda Desenhada, de Laudo e Omar, e a empresa Caos Developers, a HQ chega em versão digital. Entre os recursos aplicados estão ambientação em áudio (que pode ser desativada) e animação de elementos nos quadros de algumas páginas.

A trama é centrada no misterioso assassino em série Meia-Noite, que vem atuando há décadas, e na investigação realizada por um detetive todo certinho e sua parceira viciada em heroína.

Inicialmente, Depois da Meia-Noite está disponível apenas para dispositivos com sistema iOs e pode ser baixada na Apple Store. A Caos Developers está estudando da viabilidade de versões para Android e Windows Phone, sem previsão de lançamento até o momento.

A primeira edição pode ser baixada de graça; as outras duas vão custar 99 centavos de dólar – a segunda estará disponível no dia 15 de junho.

O próximo fruto da parceria é a versão digital e em e-book da coletânea de tiras do Coelho Nero, de Omar Viñole.

Nossa opinião

A indústria de quadrinhos, tanto nacional quanto estrangeira, ainda está tateando esse admirável mundo novo que são as mídias digitais.

Algumas experiências não vão além da simples página impressa preenchendo a tela, enquanto outras abusam tanto dos recursos de áudio e animação que se afastam da essência da narrativa gráfica.

Papo de Quadrinho baixou a primeira edição digital de Depois da Meia-Noite e concluiu que a publicação está trilhando um caminho correto, dos muitos possíveis. A Caos Developers parece ter encontrado o meio termo entre os dois extremos citados acima.

Os recursos multimídia foram usados de modo a não se sobreporem à narrativa gráfica convencional; ao contrário, acrescentam “informações” à trama por meio do tom sombrio da trilha sonora, de elementos animados e de “efeitos especiais” que antecipam acontecimentos da página seguinte – como a tela preenchida por buracos de bala e o som de tiros.

Alguns recursos poderiam melhorar a experiência da leitura, especialmente na tela pequena do iPhone: a opção de zoom e a leitura quadro a quadro, semelhante ao sistema de navegação Guided View do Comixology.

De todo modo, Depois da Meia-Noite representa não só um avanço na produção nacional digital, mas, mais importante, indica o caminho.

Considerando a produção prolífica da dupla Laudo e Omar, se este modelo se viabilizar financeiramente poderemos ter nas nossas telas, num curto espaço de tempo, obras importantes como Yeshuah, Histórias do Clube da Esquina e Auto da Barca do Inferno.

Resenha: Livro, Clássicos em HQs

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Uma edição primorosa da editora Peirópolis, apresenta no livro Clássicos em HQ, um panorama da produção de algumas adaptações importantes de clássicos da literatura para as HQs .

O livro reúne trechos de álbuns da Coleção Clássicos em HQ, textos sobre as obras literárias quadrinizadas e seus autores, com testemunhos dos artistas envolvidos, além de entrevistas com os quadrinistas e roteiristas, feitas especialmente para esta edição.

A introdução de Wilton José Marques, Por que ler os Clássicos, fala de forma clara e concisa da importância de conhecer e celebrar as mais importantes obras produzidas pelos ícones da literatura mundial e de como esse trabalho sobrevive ao tempo. Já na sequencia, Fabiano Azevedo Barroso, continua com Quadrinizar a Literatura ou Literatulizar o quadrinho, dando mais pistas sobre a importância de ambas as mídias e suas convergências.

O livro tem trechos comentados e públicados na compilação: Dom Quixote, por Caco Galhardo; Os Lusíadas, por Fido Nesti; O Corvo, por Luciano Irrthum; Demônios, por Guazzelli; Auto da Barca do inferno, por Laudo Ferreira; Conto de Escola, por Silvino; A Divina Comédia, por Piero e Giuseppe Bagnariol; Frankenstein, por Taisa Borges; I-Juca Pirama, por Silvino; Eu, Fernando Pessoa, por Susana Ventura e Guazzelli e A mão e a luva, por Alex Mir e Alex Genaro.

É um livro que deve constar na lista de leitura de estudiosos, educadores e pesquisadores do gênero. E o bacana é que o projeto pode ser baixado na íntegra e gratuitamente clicando aqui.

 

2014: O que vem por aí pela Peirópolis

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Neste ano, a editora mantém em sua linha de quadrinhos a coleção Clássicos em HQ, com adaptações de clássicos da literatura brasileira e universal feitas por artistas brasileiros.

Os títulos previstos para 2014 são:

A morte de Ivan Ilitch: considerada uma das novelas mais bem escritas da literatura universal, o livro de Lev Tolstói acompanha as reflexões de um juiz de instrução à beira da morte e o arrependimento de uma vida inteira baseada em aparências. A tradução e adaptação do texto são de Boris Schnaiderman e a arte, de Caeto (programado anteriormente para 2013).

Fausto: o clássico do alemão Goethe tem início quando Mefistófeles e Deus fazem uma aposta pela alma de Henrique Fausto, sábio que almeja deter todo o conhecimento do universo. O livro tornou-se o símbolo do que significa vender a alma ao Diabo. Roteiro adaptado por Léo Santana, arte de Rom Freire e cores de Dinei.

Os Sofrimentos do Jovem Werther: Mais uma obra de Goethe selecionada pela Peirópolis, foi publicada originalmente em 1774. A história é centrada em Werther, jovem talentoso e introspectivo em busca de si mesmo e de seu lugar no mundo. Adaptação para os quadrinhos de Daniel Gisé. (programado anteriormente para 2013).

Édipo Rei: tragédia grega escrita por Sófocles e encenada pela primeira vez no ano 427 a.C. Por meio do relato de um escravo cego, o jovem rei Édipo descobre como foi vítima da profecia que seus pais tentaram evitar – e que acabaram provocando. Roteiro e arte de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (arte conceitual acima).

Orlando: escrito por Virginia Wolf em 1928, expõe questões atuais até hoje, como identidade e gênero. Adaptado para cinema e teatro, é a primeira vez que o livro chega aos quadrinhos de Luciana Penna e Luana Geiger.

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