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Resenha: Bidu – Caminhos, Desafios e Escolhas

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Alguns atributos unem todas as edições da série Graphic MSP: a qualidade de roteiro e arte, a experimentação narrativa, o capricho editorial. Outros as separam. A trama mais complexa e séria coloca Astronauta – Magnetar e Piteco – Ingá de um lado; o tom lúdico e bem-humorado de Turma da Mônica – Laços e Chico Bento – Pavor Espaciar, de outro.

Bidu – Caminhos, lançada nesta semana pela Panini, engorda as fileiras desta última categoria.

O livro bem que poderia ser chamado de Bidu – Escolhas. Ao longo da trama, o cãozinho azul precisa fazer muitas delas. Ele escolhe encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade.

À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa.

A HQ denota as escolhas que também os autores Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho fizeram. Eles escolheram contar a história (até onde sei inédita) dos caminhos que levaram Bidu e Franjinha e se tornarem melhores amigos; escolheram o estilo aquarelado e a paleta de tons pastéis para reforçar o caráter lúdico do livro; escolheram dar vida às onomatopeias e “iconizar” as falas dos cães, um recurso narrativo que enriquece enormemente seu trabalho.

É lícito supor que os autores, assim como Bidu, superaram seus próprios desafios para fazer as escolhas certas. No fim, escolheram o caminho da qualidade, experimentação e capricho trilhado por seus antecessores do selo Graphic MSP. O resultado é uma HQ sensível, divertida, deliciosa.

Bidu – Caminhos tem 80 páginas coloridas, formato 19 x 27,5 cm e dois preços: R$ 19,90 (capa cartão) e R$ 29,90 (capa dura).

Veja as primeiras imagens da graphic novel “Bidu – Caminhos”

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Seguindo a tradição, o jornalista e coordenador Editorial da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman, divulgou na tarde desta quarta-feira (23) um preview da próxima Graphic MSP, Bidu – Caminhos (veja galeria abaixo – clique para ampliar).

A HQ foi produzida por Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, do projeto Quadrinhos Rasos. O texto da quarta capa é do ilustrador e quadrinhista Lelis.

Bidu – Caminhos é o quinto volume da série em que autores nacionais criam histórias autorais a partir de personagens do universo de Mauricio de Sousa. Antes dele vieram Astronauta – Magnetar (Danilo Beyruth e Cris Peter), Turma da Mônica – Laços (Vitor e Lu Cafaggi), Chico Bento – Pavor Espaciar (Gustavo Duarte) e Piteco – Ingá (Shiko).

Em novembro passado, durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), Gusman anunciou as próximas graphic novels: Papa Capim (Marcela Godoy e Renato Guedes), Turma da Mata (Greg Tocchini, Davi Calil e Artur Fujita), Penadinho (Paulo Crumbim e Cristina Eiko), Astronauta 2 (Danilo Beyruth e Cris Peter) e Turma da Mônica 2 (Vitor e Lu Cafaggi) – além, claro, de Bidu.

Para esta nova HQ, foram mantidos os mesmos preços das anteriores: R$ 19,90 a versão com capa cartonada e R$ 29,90 com capa dura. Bidu – Caminhos chega às lojas e livrarias em agosto. O lançamento é da Panini.

Crítica – Piteco – Ingá: Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia

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O último volume da primeira fase da série Graphic MSP foi lançado no mês passado durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) e está chegando às bancas de todo o Brasil.

Um dos grandes trunfos desta coleção é permitir aos autores imprimir sua visão pessoal sobre o enorme manancial de personagens criados por Mauricio de Sousa.

Em Piteco – Ingá não é diferente. O paraibano Shiko insere elementos da cultura nordestina numa aventura do tempo das cavernas. O próprio título faz referência à Pedra do Ingá, no agreste paraibano, em que constam inscrições datadas de cinco mil anos.

Mas a obra é muito mais que isso. Assim como os outros autores das Graphic MSP (Danilo Beyruth, Vitor e Lu Cafaggi, e Gustavo Duarte), Shiko resgata a mitologia dos personagens para criar um universo novo, adulto.

Na trama, a tribo de Lem, da qual fazem parte os protagonistas Piteco, Thuga, Beleléu e Ogra, precisa mover a aldeia em busca de uma nova área fértil, já que o rio próximo secou. Na véspera da partida, Thuga é sequestrada pelos Homens-Tigre, e seus amigos partem para o resgate. No caminho, enfrentam perigos e encontram divindades do folclore brasileiro.

Por tomar como ponto de partida as inscrições da Pedra do Ingá, a palavra e os símbolos têm grande relevância na história criada por Shiko: escrituras grafadas no leito seco preveem a partida da tribo; cânticos evocam espíritos da floresta; amuletos têm poder.

A própria trama carrega seus simbolismos: o êxodo de Lem remete aos retirantes da seca nordestina; tanto quanto a necessidade, é a fé – materializada em antigas escrituras – que move aquela gente; é o desprendimento de Thuga, convertida numa xamã, que promove a reunião de povos apartados há gerações; a mesma personagem fala a Piteco sobre o amor carnal por meio de belas metáforas.

Shiko arrasa na caracterização dos personagens (veja aqui o preview). Piteco é viril sem ser musculoso; Thuga é sensual, mesmo fugindo do padrão anoréxico de beleza; Ogra é a própria visão da mulher-guerreira na melhor tradição de Edgar Rice Burroughs.

Os drealocks usados pelo povo de Lem e o estilo de suas roupas conferem um visual que mistura cultura rastafári com futuro pós-apocalíptico. É Bob Marley e Mad Max em perfeita harmonia.

Assim como os volumes anteriores de Graphic MSP, Piteco – Ingá é uma obra-prima, leitura obrigatória e uma das melhores HQs do ano. O livro tem 80 páginas, capa e miolo coloridos, e duas opções de preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). Vale muito o investimento.

MSP anuncia graphic novels para 2014

O coordenador editorial da Maurcio de Sousa Produções, Sidney Gusman, divulgou na tarde desta sexta-feira (15), durante o Festival Internacional de Quadrinhos, os teasers e autores dos próximos seis volumes da coleção Graphic MSP (veja capas na galeria, clique para ampliar):

Papa Capim, de Marcela Godoy e Renato Guedes;

Bidu, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho;

Turma da Mata, de Greg Tocchini, Davi Calil e Artur Fujita;

Penadinho, de Paulo Crumbim e Cristina Eiko;

Astronauta 2, de Danilo Beyruth; e

Turma da Mônica 2, de Vitor e Lu Cafaggi.

Graphic MSP apresenta histórias autorais estreladas pelos personagens de Mauricio de Sousa.

Já foram publicadas Astronauta – Magnetar (Danilo Beyruth), Turma da Mônica – Laços (Vitor e Lu Caffagi), Chico Bento – Pavor Espaciar (Gustavo Duarte) e a recém lançada Piteco – Ingá (Shiko).

Os álbuns são publicados pela Panini e costumam vir em duas versões: capa cartonada (R$ 19,90) e capa dura (R$ 29,90).

Veja as primeiras imagens da Graphic MSP “Piteco: Ingá”

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O quarto volume da série que reúne trabalhos autorais estrelados pelos personagens de Mauricio de Sousa – os anteriores foram Astronauta: Magnetar, Turma da Mônica: Laços e Chico Bento: Pavor Espaciar – tem lançamento programado para novembro, durante o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos.

O protagonista da vez é Piteco, que tem suas histórias ambientadas na pré-História. Batizada de Ingá, a graphic novel foi escrita e desenhada pelo quadrinhista e artista plástico paraibano Shiko. O texto de apresentação da quarta capa é de Mike Deodato Jr.

Na tarde de hoje (3), o editor Sidney Gusman manteve a tradição e publicou nas redes sociais as primeiras imagens da obra. Pela prévia, dá para notar o tom realista que Shiko imprimiu ao personagem. A movimentada trama envolve o resgate de Thuga, raptada pela tribo dos homens-tigre.

Piteco: Ingá vai custar R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). No site da Comix ambas versões estão em pré-venda com desconto.

Veja as imagens na galeria abaixo (clique para ampliar):

 

Crítica: Um Chico, dois universos

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“Em time que está ganhando não se mexe” não é um ditado que se aplica a Mauricio de Sousa. Com personagens cinquentenários e enraizados na memória de seguidas gerações, o editor-empresário não hesita em abrir caminhos alternativos para suas criações.

Prova disso são dois de seus mais recentes e bem sucedidos projetos: Turma da Mônica Jovem e Graphic MSP.

O primeiro adianta a cronologia da Turma da Mônica e se posiciona para leitores pré-adolescentes e adolescentes, com uso do “estilo mangá” e tramas típicas da idade.

Graphic MSP traz a visão de autores de fora dos estúdios de Mauricio de Sousa sobre personagens consagrados, com acabamento de luxo e enredos essencialmente – mas não só – adultos.

Coincidência ou não, novidades dos dois projetos chegaram simultaneamente às bancas pela Panini, ambas estrelados pelo caipira Chico Bento.

Pavor Espaciar

Terceiro volume da série Graphic MSP, Chico Bento – Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte, mantém a qualidade artística e gráfica dos anteriores Astronauta – Magnetar e Turma da Mônica – Laços.

Duarte parte de um costume das cidades do interior – a contação de “causos” – e cria uma aventura em que Chico Bento, seu primo Zé Lelé, o porco Torresmo e a galinha Giselda são abduzidos por alienígenas. A esperteza dos garotos – e dos bichos – prevalece sobre a avançada tecnologia e garante o final feliz – pena que ninguém acredita neles.

Gustavo é conhecido por suas HQs “mudas”: , Táxi, Birds e Monstros. O autor compensa a ausência da palavra escrita com uma arte expressiva (corporal e facial) acima da média.

Mesmo sendo “quase muda” – 33 páginas das 68 de história não têm balão de fala – Pavor Espaciar herda essa técnica. Uma das diversões da leitura é acompanhar as sutis reações dos personagens; outra é procurar as várias referências à cultura pop, ao universo de Mauricio de Sousa e aos personagens do próprio Gustavo Duarte.

Dos três volumes de Graphic MSP publicados até agora, Pavor Espaciar é o mais simples. Não se propõe a dissecar o DNA dos personagens como Danilo Beyruth fez com a solidão do Astronauta, e os irmãos Cafaggi, com a amizade da Turma da Mônica.

Em vez disso, conta uma aventura divertida, magnificamente desenhada e com potencial para agradar um leque etário mais amplo de leitores.

Chico Bento Moço

A outra novidade é Chico Bento Moço, a versão “jovem” da turma da Vila da Abobrinha. Chico, Zé Lelé, Rosinha, Zé da Roça e Hiro estão todos com 18 anos, e prestes a trocar a vida pacata do campo pela agitação da faculdade nos grandes centros (a exceção é Zé Lelé, único a optar por se manter presos às raízes).

Se o ditado “em time que está ganhando…” não se aplica à Turma da Mônica Jovem, o mesmo não se pode dizer de Chico Bento Moço. O novo título carrega todas as características do outro: mesmo “estilo mangá”, mesmo tipo de humor, mesmos dilemas, mesmo sistema de flashbacks.

É mais que uma extensão; é como se fosse a própria revista da Turma da Mônica Jovem com outros protagonistas.

Faltou ousadia e sobrou confiança que Chico Bento Moço vai repetir o sucesso comercial da sua antecessora – o que é muito provável, já que a equipe que faz as revistas sabe trabalhar muito bem com as emoções adolescentes.

Para completar, o visual do Chico recebeu um tratamento “sertanejo universitário”. Não falta nem a cena em que ele exibe o novo físico sarado.

A primeira edição trata da transição; as próximas devem explorar as dificuldades de adaptação de um caipira na cidade grande e deixar as coisas um pouco mais agitadas. Mesmo sem inovar, Chico Bento Moço tem tudo para agradar o público-alvo.

SERVIÇO

Chico Bento – Pavor Espaciar: 84 páginas coloridas, formato 27,5 x 19 cm, e duas opções de capa: cartonada (R$ 19,90) e dura (R$ 29,90).

Chico Bento Moço 1: 100 páginas, capa colorida, miolo em preto e branco, formato 21 x 16 cm e preço de R$ 7,50.

Veja primeiras imagens de “Chico Bento: Pavor Espaciar”

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Na tarde de hoje (7), o editor Sidney Gusman divulgou nas redes sociais o preview e a capa do próximo título da coleção Graphic MSP (clique na galeria abaixo para ampliar as imagens).

Chico Bento: Pavor Espaciar é o terceiro volume da série, precedido por Astronauta: Magnetar e Turma da Mônica: Laços (leia crítica aqui e aqui), e será lançado no final deste mês, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

O roteiro e arte são de Gustavo Duarte, conhecido internacionalmente por seu trabalho com HQs “mudas” (, Táxi, Birds) e pelo talento em conferir movimento e expressões aos personagens.

O texto de apresentação é de Roger Moreira, líder da banda Ultraje a Rigor.

 

Turma da Mônica – Laços: Uma das melhores HQs que você vai ler neste ano

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No mês passado, comentamos na página do Facebook deste blog que O Maravilhoso Mágico de Oz é forte candidato às listas de Melhores HQs de 2013. Pois bem, acaba de pintar mais um. Mas no caso de Turma da Mônica – Laços, o mais correto é trocar “forte candidato” por “presença garantida”.

Se ao final da leitura alguém disser que se surpreendeu com este segundo volume da coleção Graphic MSP é por que não teve a sorte de conhecer os trabalhos anteriores dos jovens irmãos e artistas mineiros Vitor e Lu Cafaggi. Está tudo lá: personagens lindamente caracterizados, perspectivas audaciosas, paleta de cores suaves, humor refinado.

Turma da Mônica – Laços parte de um argumento simples. Floquinho, o cachorro do Cebolinha, sumiu. Para encontrá-lo, a turma do bairro do Limoeiro vai embarcar numa grande aventura e provar que os laços que os unem são atados pelos valores da mais verdadeira amizade.

Este é o ponto de partida para os autores explorarem a rica mitologia da Turma da Mônica. Vitor e Lu chegam ao requinte de “explicar” um dos maiores dilemas dos quadrinhos infantis: por que só o Cebolinha usa sapatos?

Aproveitam, também, para incluir referências de sua própria formação pop. A semelhança com o filme Conta Comigo (Stand by Me, 1986) é evidente, mas há outras, como a citação a uma das cenas antológicas do filme Os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979).

No primeiro volume da coleção Graphic MSP, Astronauta – Magnetar, Danilo Beyruth deu nova dimensão a uma conhecida característica do personagem, a solidão. Em Turma da Mônica – Laços, Vitor e Lu vão pelo mesmo caminho.

Todo leitor do Mauricio de Sousa sabe que Floquinho é o animal de estimação de Cebolinha, e que eles se gostam muito. Mas nunca antes o amor de um menino por seu cão foi tão aprofundado. Impossível não se emocionar com o primeiro encontro dos dois, ainda bebê e filhote; impossível não se solidarizar com a melancolia que toma conta do garoto quando não tem notícias do cachorro desaparecido.

E aí está o ponto crucial desta HQ. Vitor e Lu manipulam a emoção do leitor com uma naturalidade que espanta. Eles captam o sentimento da infância de um modo que desconhece precedentes (se há, são raros). Criam uma história que é infantil, sem ser simplória; terna, sem ser piegas; lúdica, sem ser superficial.

Isto tudo já ficava evidente em obras-primas anteriores, como a história do Chico Bento para o primeiro volume da coletânea MSP 50 e a HQ independente Duo.tone (de Vitor), e Mixtape (de Lu).

Aqui cabe um comentário especial às páginas em que Lu Cafaggi intervém de forma mais direta, desenhando. São três flashbacks: o dia em que Cebolinha ganhou Floquinho de presente, uma homenagem explícita a Mauricio de Sousa, e o primeiro encontro da turma, ainda na creche. Há, ainda, duas páginas de “álbum de fotografias”. Se Vitor é mestre em representar crianças, Lu é insuperável com bebês.

O livro ganhou a qualidade gráfica que merece. A Mauricio de Sousa Editora e a Panini capricharam no projeto gráfico. Tem 84 páginas coloridas, formato 26 x 17 cm, e duas opções de capa: cartonada (R$ 19,90) e dura (R$ 29,90).

Turma da Mônica – Laços é uma das melhores HQs que você lerá neste ano e, provavelmente, na vida. Pode apostar.

Primeiras imagens da nova Graphic MSP: Turma da Mônica – Laços

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Atualizado em 11.04 com cinco novas imagens na galeria (abaixo)

Turma da Mônica – Laços, de autoria dos talentosos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, é o segundo volume de um projeto anunciado há mais de um ano por Mauricio de Sousa: uma série de álbuns de luxo, com histórias fechadas e autorais de seus personagens, produzidos por artistas nacionais de fora de seu estúdio.

O primeiro volume foi Astronauta – Magnetar, de Danilo Beyruth. Lançado em outubro do ano passado na Fest Comix, o álbum marcou presença em praticamente todas as listas de melhores HQs de 2012 e acaba de receber três indicações para o Troféu HQ Mix (desenhista, roteirista e edição especial).

Pelo que se pode ver, Laços tem tudo para seguir o mesmo caminho. Na tarde de hoje (10), o jornalista e editor Sidney Gusman divulgou nas redes sociais as primeiras imagens da graphic novel (veja na galeria abaixo).

Quem conhece a delicadeza e sensibilidade que Vitor e Lu imprimem a seus trabalhos não vai se espantar com as imagens. Mesmo assim, é de encher os olhos.

Astronauta – Magnetar: Razão e sensibilidade

O anúncio oficial foi feito em novembro do ano passado; o primeiro preview saiu no começo deste mês, poucos dias antes do lançamento no Fest Comix.

Astronauta – Magnetar inaugura a série Graphic MSP. O selo é filho direto do projeto MSP 50, em que vários autores emprestaram sua visão pessoal da Turma da Mônica.

A diferença é que os três livros do MSP 50 são coletâneas de histórias curtas, e os autores não tiveram espaço para ir fundo na mitologia dos personagens.

Com quase 70 páginas à disposição, é justamente isso que Danilo Beyruth faz em Astronauta – Magnetar: cria uma história adulta, contemporânea, sem deixar de lado as principais características do personagem.

Na trama, o herói investiga um Magnetar, nome dado ao estágio final da vida de certas estrelas. O fato de ser orbitado por asteroides torna este corpo celeste uma raridade ainda maior. Um problema inesperado com a espaçonave impede que o Astronauta deixe a orbita do Magnetar e o transforma num náufrago espacial.

A partir desta situação limite, Beyruth pega um dos temas recorrentes do personagem, o isolamento, e constrói uma obra-prima. O Astronauta sempre foi um herói solitário em sua missão de desbravar o Cosmos. Por que nesta aventura a solidão pode ameaçar até mesmo sua sanidade? A salvação pode estar nas memórias de infância; a motivação, no sentimento de culpa.

Aí reside o brilhantismo do roteiro: ser solitário por opção é uma coisa; por falta dela é outra bem diferente. Ancorado em vasta pesquisa astronômica, Beyruth constrói uma história que mistura Ciência e Filosofia. Razão e sensibilidade.

O traço reconhecido e premiado de Danilo Beyruth (Necronauta, Bando de Dois) orbita entre o estilizado e o realista. Mas mais que isso, ele detona é na narrativa.

A arte vai do micro – supercloses que aumentam a dramaticidade de certas cenas – ao macro: a página dupla com o salto na imensidão do Universo é de encher os olhos. A solução encontrada para ilustrar a monotonia do náufrago é primorosa. E a colorização de Cris Peter, privilegiando um cor à outra em alguns momentos, dão o tom certo à narrativa.

Astronauta – Magnetar é uma pequena obra-prima. Confere ao personagem uma amplitude até então inimaginável. No pósfácio, Danilo Beyruth agradece Mauricio de Sousa por “emprestar seus brinquedos”. Nós, leitores, também agradecemos.

O livro foi lançado pela Panini. Tem 84 páginas, capa e miolo coloridos e duas opções de preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura). Vale muito o investimento.

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