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Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: Novo Século

 

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Para quem é leitor de quadrinhos, a lista de expositores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que começa na próxima 5ª feira (31), não é muito animadora. São poucas as editoras especializadas com estande no evento.

Mas claro que se tem Bienal, tem lançamentos. A partir de hoje, vamos publicar o que essas editoras estão levando de novidade para o evento literário.

Começamos com a Novo Século, que vem investindo bastante no segmento e até criou um selo, o Geektopia, apresentado na Bienal de São Paulo no ano passado.

The Wicked + The Divine 2 (Kieron Gillen e Jamie Mckelvie)

A saga dos deuses que caminham entre nós e se assemelham a ícones pop continua. A Novo Século lançou o primeiro volume, que reúne as edições 1 a 5 originais, no final do ano passado. O segundo volume traz as edições 6 a 11. O álbum está em pré-venda na Amazon por R$ 49.

Na linha de romances inspirados/adaptados nos quadrinhos da Marvel, a editora apresenta dois novos títulos:

Homem de Ferro Extremis (Marie Javins)

A trama é conhecida de quem acompanha os quadrinhos: a Dra. Maya Hansen, antiga colega de Tony Stark, desenvolve um processo biológico batizado de Extremis, desenhado para reescrever o corpo humano de fora para dentro. A HQ representou um grande salto na cronologia do Homem de Ferro e serviu de inspiração para o filme Homem de Ferro 3 (2013).

Demolidor – O Homem sem medo (Paul Crilley)

Novelização da famosa minissérie de Frank Miller e John Romita Jr. (2003), que reconta a origem do Demolidor.

Os dois romances já estão à venda na Amazon por R$ 34,80.

Quadrinhos na Bienal do Livro SP: Panini

A grande novidade da Panini para o evento literário é o primeiro volume do selo Millarworld, O Legado de Júpiter, anunciado na Comic Con Experience do ano passado.

Marvel e DC ganham alguns encadernados de luxo, e o selo de mangá anuncia dois lançamentos.

Pela Mauricio de Sousa Produções, a Panini lança um novo volume do selo Graphic MSP e um livrão com passagens da vida do criador da Turma da Mônica retratadas por vários autores nacionais. Confira:

Mauricio de Sousa

Veja detalhes aqui.

Millarwolrd

paninijupiterO Legado de Júpiter, de Mark Millar e Frank Quitely (140 páginas, capa dura, R$ 45): Chloe e Brandon são os filhos dos maiores heróis do mundo. Eles conseguem ficar à altura de seus pais? Era um tempo mais simples para os super-heróis, uma época em que, apesar das dificuldades, era fácil distinguir o objetivo principal dos heróis: o bem da comunidade. Hoje, o mundo mudou, novas crises o ameaçam e super seres diferentes cuidam dele. Entretanto, certos valores são difíceis de morrer… Edição original: Jupiter’s Legacy 1-5.

Marvel

paninixmenFabulosos X-Men – Destroçados, de Brian Bendis e Irving Bachalo (148 páginas, capa dura, R$ 28,90): De volta às aulas, os Fabulosos X-Men, que já sentiram na pele o que acontece quando seus poderes estão fora de controle, decidem que isso não pode se repetir. Um deles aprende que, após deixar a equipe, o mundo “lá fora” pode ser um lugar cruel; outro, por sua vez, aprende o que significa ser um x-man de verdade. Ciclope e Magneto finalmente acertam suas contas e um antigo membro da equipe se junta à SHIELD para vigiar os X-Men. Edição original: Uncanny X-Men 12-17.

paninidemolidorDemolidor – O Rei da Cozinha do Inferno, de Brian Bendis e Alex Maleev (Coleção Marvel Deluxe – 356 páginas, capa dura, R$ 99): O segredo mais obscuro de Matt Murdock vem à tona e ele trava uma batalha legal contra o veículo responsável pela bombástica revelação de sua identidade secreta como Demolidor. O Escritório de Advocacia Nelson & Murdock se torna o alvo perfeito, dentro e fora dos tribunais, para todos os vilões e patifes. A Cozinha do Inferno está em ebulição e o Homem Sem Medo terá de adotar uma nova e ousada postura para lidar com o submundo nova-iorquino. Edição original: Daredevil 41-50 e 56-60.

DC Comics

paninigothamGotham DPGC: Alvos Fáceis, de Ed Brubaker e Greg Rucka (292 páginas, capa dura, R$ 80): O Coringa está aterrorizando Gotham City na época de Natal e executando pessoas aleatoriamente com um rifle. E ninguém, do prefeito ao cidadão mais comum, está a salvo. A caçada começa, mas uma atitude desconcertante do Palhaço do Crime deixa todos perplexos. E ainda nesse volume: a história da garota que tem como trabalho ligar o batsinal; uma série de assassinatos que acaba chamando a atenção da Caçadora; e um velho caso que ameaça piorar a vida do detetive Harvey Bullock.

paninisuicidaEsquadrão Suicida: Chute na Cara, de Adam Glass, Federico Dallocchio e Clayton Henry (164 páginas, capa dura, R$ 29,90): Eles são supervilões recrutados em prisões e enviados em missões secretas e potencialmente mortais em troca de redução em suas penas. Nanobombas são instaladas em seus pescoços para mantê-los sob controle e cada um ali é inteiramente dispensável. Sua primeira missão consiste em enfrentar uma horda de sessenta mil pessoas completamente descontroladas. Primeiro arco da equipe no universo de Os Novos 52.

Planet Mangá

paniniyokaiYo-kai Watch 1, de Noriyuki Konishi (104 páginas, R$ 8,90. Acompanha adesivo exclusivo): Natham Adams era um estudante normal, que levava uma vida pacata até o dia em que acabou libertando um Yo-kai e ganhando um estranho objeto chamado Yo-kai Watch. Com ele, Natham passou a enxergar seres fantásticos normalmente invisíveis aos humanos, e resolveu fazer amizade com eles. Série mensal em andamento no Japão, onde tem 10 volumes publicados até o momento.

paniniajinAjin – Demi-Human 1, de Tsuina Miura e Gamon Sakurai (232 páginas, R$ 17,90): Kei Nagai está focado nos seus estudos para entrar em uma Faculdade de Medicina, e vive uma vida mediana com falsos amigos enquanto pensa apenas em como vencer na vida, até o dia em que descobre ser um Ajin, uma entidade imortal. Encurralado pela polícia e pela sociedade, que sai à sua caça para submetê-lo a experiências científicas, seu único aliado é Kai, um antigo amigo de infância com quem havia cortado relações. Série bimestral em andamento no Japão, com 8 volumes publicados até o momento.

Crítica: “Jessica Jones” (com spoilers)

A esta altura, quem aderiu ao espírito de “maratona” já terminou de assistir aos 13 episódios da primeira temporada de Jessica Jones, que estreou na Netflix na última sexta-feira (20).

Antes desse dia, deixamos aqui nossa impressão dos 7 primeiros episódios com informações que não estragavam a surpresa. O texto que segue agora contém spoilers; então, se você ainda não assistiu a toda a série, é melhor voltar em outra hora.

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Jessica Jones alarga a via aberta por Demolidor: é ainda mais adulta, realista e violenta.

Na essência, a série trata do Poder. Não no sentido de força ou superpoder. As habilidades sobre-humanas de Jessica são um mero acessório na trama – o que não deixa de ser uma opção interessante da showrunner Melissa Rosenbenrg em se tratando, em tese, de um programa de super-heróis.

Poder, aqui, é no sentido de Controle, de quem está no comando, quem dá as cartas. Isso se manifesta na constante troca de papéis entre dominador e dominado que alimenta o jogo de gato-e-rato de Jessica (Krysten Ritter) e seu adversário Kilgrave (David Tennant).

É explorado também nos abusos cometidos pela mãe da então celebridade mirim Trish Walker e até mesmo nas cenas de sexo entre Jessica e Luke Cage (Mike Colter) e Trish (Rachel Taylor) e Will Simpson (Wil Traval).

A questão do Poder é tão relevante que, na reta final, a prioridade de Kilgrave é aumentar suas capacidades mentais não para dominar o mundo, como faria qualquer vilão clichê, mas para recuperar o controle perdido sobre Jessica.

O impacto do embate final está no empate: naquele momento, nem Jessica nem Kilgrave nem o espectador sabem quem está realmente no comando.

Mais ação

A série dá uma guinada a partir dos primeiros 7 episódios liberados para a imprensa pela Netflix. Se na primeira metade da temporada o confronto é predominantemente cerebral, a segunda ganha mais cenas de ação – como nas lutas de Jessica com Simpson (que finalmente se revela o psicopata Bazuca dos quadrinhos) e o descontrolado Luke Cage. Até mesmo contra Kilgrave o confronto se torna presencial, tátil.

É aí que Jessica Jones perde um pouco de sua força. Não que seja culpa do roteiro ou da atuação de Tennant, muito pelo contrário. O fato é que Kilgrave era um vilão mais assustador enquanto sujeito oculto, que manipulava nas sombras e conduzia Jessica por um labirinto de sangue.

Os melhores momentos da segunda metade da temporada se dão quando o vilão é apresentado em toda sua magnitude. Assim como no Wilson Fisk de Demolidor, o roteiro acerta ao fazer de Kilgrave um vilão multidimensional.

Nos flashbacks do abuso que sofreu na infância, nos momentos em que transpira sinceridade e até quando se mostra capaz de um ato heroico, é impossível não torcer pela felicidade do casal.

Num momento de fragilidade, ele dá a entender que seu poder é ao mesmo tempo um dom e uma maldição: “Eu preciso tomar cuidado o tempo todo com o que eu falo. Uma vez mandei um cara se ferrar. Adivinhe o que aconteceu?”.

Final convencional

O maior senão de Jessica Jones é o final convencional. Numa série com tantas qualidades que a destacam dentro do gênero, o desfecho “herói derrota o vilão” deixa a desejar. Matar Kilgrave é não só óbvio demais, mas também desperdício de um personagem que teria muito a render na mitologia que Marvel e Netflix estão construindo.

Jessica, por sua vez, está mais viva que nunca. Há uma semana, era uma personagem conhecida apenas pelos leitores de quadrinhos – nem todos, diga-se. Treze episódios depois, conquistou seu espaço na galeria de heróis urbanos da Marvel e no coração dos fãs.

Vai deixar saudade. Quem sabe ela retribua a gentileza e faça uma participação especial na série de Luke Cage, prevista para abril. Do contrário, só voltaremos a vê-la em Defensores, ainda sem data de estreia.

Papo de Quadrinho viu: “Jessica Jones”

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Os 13 episódios da mais recente parceria entre Marvel e Netflix chegam amanhã (20), de uma só vez, a todos os países em que o serviço está disponível – o Brasil, inclusive. Haja maratona no feriadão!

Papo de Quadrinho assistiu aos 7 primeiros episódios e conta o que achou, sem spoilers, mantendo o respeito aos leitores desse site.

Quem acompanhou a série em quadrinhos Alias, de Brian Bendis e Michael Gaydos, conhece a história: Jessica Jones, ex-super-heroína, usa suas habilidades especiais (superforça, capacidade de dar grandes saltos) para levar a vida como detetive particular.

Nos quadrinhos, apenas no último arco da série regular, publicado nas edições 24 a 28, é revelado que ela sofre de estresse pós-traumático em razão das coisas hediondas que foi forçada a fazer nos oito meses em que esteve sob controle mental do vilão Kilgrave, o Homem-Púrpura.

É este o ponto de partida da série de TV.

Na comparação com a produção anterior da Marvel-Netflix, Demolidor, Jessica Jones carrega ainda mais nas tintas da violência, sexo e drogas.

Como bem definiu Mike Colter, que interpreta Luke Cage: “A série é orientada para um público adulto, é diferente do Universo Cinematográfico da Marvel que você vê na tela grande”.

E este é outro ponto em que Jessica Jones se afasta levemente de Demolidor: Há, sim, cenas de ação, luta e efeitos de superpoderes, mas em menor quantidade (pelo menos até os 7 primeiros episódios). O embate entre Jessica (Krysten Ritter) e Kilgrave (David Tennant, de Doctor Who) é mais calcado num jogo de gato-e-rato, numa paranoia de quem vigia quem.

Krysten – que vem ao Brasil nos próximos dias como convidada especial da Comic Con Experience – honra sua contraparte nos quadrinhos e encontra o tom certo entre desleixo e sensualidade, força e fragilidade, indiferença e compaixão.

Ambivalência é um adjetivo que pode ser atribuído também, em maior escala, a David Tennant – outro que acaba de ser confirmado na CCXP. O ator britânico tem a habilidade de se transmutar entre sedutor, insensível, engraçado e assustador dentro de uma mesma cena.

Colter é a personificação do Luke Cage que conhecemos dos quadrinhos. Aqui como lá, ele e Jessica mantêm um tórrido e conturbado relacionamento, porém marcado pela sombra de um segredo devastador. É uma ótima introdução para um personagem que vai ganhar sua própria série na Netflix nos próximos meses.

Completam o elenco principal: Trish Walker (Rachel Taylor), melhor amiga de Jessica; Jeryn Hogarth (Carrie-Anne Moss, da trilogia Matrix), uma advogada inescrupulosa; Malcolm (Eka Darville), vizinho drogado de Jessica; e Will Simpson (Wil Traval), policial que ajuda na caçada a Kilgrave (e que pode se tornar o descontrolado soldado Bazuca, da HQ A Queda de Murdock).

Mais detalhes sobre Jessica Jones você encontra na edição 73 da revista Mundo dos Super-Heróis, que chega ás bancas nos próximos dias.

Resenha: Demolidor – Um novo (e brilhante) começo

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Com um ano de atraso – considerando o hiato normal de dez meses entre os lançamentos nos Estados Unidos e Brasil – a Panini finalmente colocou nas bancas a fase do Demolidor escrita por Mark Waid.

Era um pedido antigo dos leitores, e a Panini acertou duplamente ao decidir publicar em formato encadernado em vez de deixar esta fase perdida nos mixes das revistas mensais.

Demolidor – Um Novo Começo reúne as seis primeiras edições da série mensal reiniciada em 2011 nos Estados Unidos. Acompanham Waid os ótimos ilustradores Paolo Rivera e Marcos Martin, cujos estilos muitas vezes se confundem.

A HQ é mais um recomeço na atribulada trajetória do Demolidor. Desde que viveu sua primeira grande fase pelas mãos de Frank Miller nos anos 1980, o herói passou a viver uma verdadeira gangorra.

Uma frase de Matt Murdock resume bem o calvário do personagem nas últimas décadas: “Toda vez que eu achava que tinha chegado ao fundo do poço, Deus me arrumava uma pá maior”.

E o recomeço que Waid escolheu para o Homem sem Medo não poderia ser mais brilhante. As histórias têm um tom pré-Idade das Trevas: o herói é herói e ponto. Ele vive para ajudar os mais fracos e chega a experimentar satisfação na luta contra oponentes aparentemente superiores.

Essa fase é também um novo começo para os leitores. Quem nunca acompanhou as HQs do Demolidor pode começar por esta aqui tranquilamente.

Um brevíssimo resumo (meia página) conta como o herói adquiriu seus superpoderes ainda criança. Depois disso, em mais de uma ocasião o personagem vai explicar ao leitor sua visão do mundo a partir da cegueira e dos sentidos superdesenvolvidos, e a dificuldade que foi adaptar-se a esta condição.

O roteiro também ajuda quem está chegando agora a se situar na cronologia: Matt Murdock está de volta a Nova York depois de um período de ausência forçada e precisa reconstruir sua carreira de advogado, prejudicada pela revelação de sua identidade super-heroica.

Demolidor – Um Novo Começo é um oásis em meio ao marasmo em que se encontram as atuais histórias de super-heróis, tanto da Marvel quanto da DC. Nos Estados Unidos, a série mensal tem 27 edições e três encadernados publicados.

Se a Panini tiver juízo, vai dar continuidade à publicação no Brasil. A HQ tem 148 páginas, capa cartonada, papel bacana e preço mais que camarada de R$ 18,90. Imperdível!

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