SraPoe

Do Press-Release

Nova York, inverno de 1845. Edgar Allan Poe havia escrito “O corvo” e se tornado uma das maiores celebridades literárias americanas. Nessa mesma época, a escritora Frances Osgood, abandonada pelo marido, oferece seus poemas a jornais e passa a frequentar salões literários, em busca de reconhecimento por suas obras e dinheiro para sustentar suas duas filhas com a literatura. Poe, casado com a prima Virginia, bem mais jovem que ele, frequenta as mesmas reuniões e é cortejado por várias mulheres, mas se encanta por Frances.

Inspirada pelo encontro dos dois, a escritora Lynn Cullen escreveu Sra. Poe (Bertrand Brasil, 400 páginas, R$ 39,90), em que imagina os detalhes do que teria sido esse romance conturbado e descreve o ambiente literário numa cidade que crescia e começava a se modernizar.

Para atrair Frances, Poe a convida para visitar sua mulher, enferma, e para assistir a peças de teatro, ir a suas palestras e conviver com o casal. Com sua fama de misterioso e antipático, além de crítico literário severo, Poe atrai tanto a ira de seus pares quanto a curiosidade da sociedade.

Ao passar a conviver com o casal, Frances se vê em meio a uma trama de mistério e passa a desconfiar primeiro das intenções de Virginia, depois a temer o próprio Poe e sua literatura gótica e assustadora. À medida em que o romance entre os dois avança, os ciúmes da mulher de Poe aumentam e o medo de serem descobertos transformam cada cena do livro em um suspense digno dos melhores contos do autor.

Em meio aos encontros e desencontros dos personagens principais, Lynn constrói um interessante painel da literatura americana no século XIX. Nos salões frequentados por Poe e Frances, figuram nomes como Walter Whitman e Herman Melville, e discutem-se novidades como a fotografia feita pelo daguerreotipo, instrumento criticado pelo marido de Frances, que vive de atrair mulheres ricas para pintar seus retratos.

A água encanada, a construção de prédios e a discussão sobre o que viria a ser, no futuro, o Central Park, são temas dos salões das casas ricas de Nova York – uma delas, a de John Bartlett, famoso lexicógrafo, que acolhe Frances quando esta é abandonada pelo marido.

Numa sociedade extremamente conservadora, em que o casamento não podia ser desfeito, a mulher era vista como propriedade do homem e a hipocrisia se destacava na maioria das relações, o triângulo amoroso entre Poe, Virginia e Frances é um escândalo notório. É na ambiguidade que perpassa a relação das duas mulheres, com as duas lutando pelo título de “Sra. Poe”, pontuada pela presença da misteriosa senhora Clemm, tia de Poe e mãe de sua mulher, que o romance tem a sua força.

“Para mim, os fatos que inventei poderiam ter realmente ocorrido”, diz a autora.