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Votação para o Prêmio Angelo Agostini 2011 vai até 6 de janeiro

A mais tradicional premiação brasileira dos quadrinhos, orientada exclusivamente para a produção nacional, liberou a cédula de votação.

É preciso copiar as categorias disponíveis na página da Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo, preencher e enviar para o e-mail aqc.waz@gmail.com. O prazo será encerrado na próxima sexta-feira, dia 6.

A página também oferece uma lista de lançamentos de quadrinhos nacionais em 2011 para auxiliar os votantes, e os critérios de votação.

A festa de entrega do 28º Prêmio Angelo Agostini está marcada para o dia 4 de fevereiro, no Instituto Cervantes (Avenida Paulista, ultimo quarteirão antes da Rua da Consolação – São Paulo).

Angelo Agostini, muito além dos quadrinhos

As melhores biografias são aquelas que não tratam o objeto de estudo como um ser autônomo, dissociado da época e local em que vive e que influencia a História movido sabe-se lá por que tipo de inspiração heróica ou criativa.

Em vez disso, retratam o biografado como fruto do seu meio, que reage aos fatos e pessoas que o cercam com tamanha inventividade que acaba por influenciar este próprio meio. É o que se convém chamar de contexto.

E quanto mais detalhada a contextualização, mais clara a fica a compreensão de seus atos e motivações.

É neste quesito que Gilberto Maringoni acerta em cheio na ótima biografia do patrono do quadrinho brasileiro, Angelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte á Capital Federal, 1864-1910, lançado pela Devir.

O livro adapta a tese de doutorado de História Social de Maringoni defendida em 2006 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais da USP. Mistura o rigor da apuração acadêmica com uma prosa fluente e agradável.

Por meio da trajetória profissional de Angelo Agostini – do início no semanário Diabo Coxo, em 1864, até os últimos anos como colaborador de O Malho, em 1910 -, o autor vai descrevendo não só os costumes da época como também as mudanças por que passa a imprensa e o próprio País num dos períodos mais conturbados de sua História: a abolição da escravatura, o fim do Segundo Império e os primeiros anos da República.

Como não poderia deixar de ser, Angelo Agostini aborda a relevância do trabalho pelo qual talvez o artista seja mais conhecido pelas gerações atuais: as histórias em quadrinhos (atualmente há uma premiação com seu nome para prestigiar os profissionais brasileiros de quadrinhos e o dia 30 de janeiro – quando em 1869 foi publicada a primeira tira de Zhô Quim – é comemorado como o Dia do Quadrinho Nacional).

Porém, na obra de Maringoni, este aspecto do trabalho de Agostini não recebe nem mais nem menos importância que os demais; é apenas mais um exemplo de seu extremo talento como artista e cronista dos homens e costumes do seu tempo.

Se há uma fase da trajetória de Agostini que, com justiça, ganha mais destaque no livro é a de seu engajamento na luta pela abolição da escravatura. O período como editor da Revista Illustrada (1876-1888) representa o auge de sua carreira.

De forma corajosa – e até onde esse editor sabe, inédita – Maringoni aborda outro aspecto do trabalho de Agostini, a aparente contradição entre abolicionismo e racismo.

“Aparente” porque, com muita propriedade, o autor situa Agostini como um retrato de sua época e condição social, integrante de uma elite urbana que, em que pese sua solidariedade humana aos cativos, via na escravidão um modelo econômico ultrapassado e cujo fim deveria se dar pela via institucional e conduzido por esta mesma elite, sem participação ativa dos africanos.

Mesmo entre os abolicionistas, havia muitas correntes de pensamento, e poucas delas, ou nenhuma, visualizava um projeto de integração social do negro após a libertação. Com a assinatura da Lei Áurea, em 1888, os ex-escravos são entregues à própria sorte; o trabalho assalariado privilegia os imigrantes europeus e a leva de desocupados resulta no aumento da violência e do caos urbano no Rio de Janeiro, então capital federal.

São estes últimos aspectos que Agostini vai criticar dão duramente em seu retorno à imprensa brasileira, depois de seis anos de afastamento na Itália, evidenciando um viés racista.

Por tudo isso, Angelo Agostini merece ser lido não apenas pelos fãs e estudiosos de quadrinhos, mas por estudantes e profissionais de Jornalismo e todo interessado em rever, sob um outro ponto de vista, um importante momento da História do Brasil.

Angelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte á Capital Federal, 1864-1910 tem 256 páginas e preço de R$ 39,50. Vale o investimento.

Devir lança biografia de Angelo Agostini

O artista italiano nascido em 1843 foi o precursor do quadrinho no Brasil. Desde 1984, o dia 30 de janeiro – em que foi publicada sua HQ Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, em 1869 – é comemorado o Dia Nacional do Quadrinho.

A biografia escrita por Gilberto Maringoni, Angelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910, que a Devir lança esta semana, apresenta o artista como um cronista do seu tempo, um crítico do Segundo Império e observador privilegiado da transição da monarquia para a República em nosso País.

Multitalentoso, Agostini foi também jornalista e crítico ácido dos governantes por meio de suas publicações Revista Illustrada, Diabo Coxo, O Cabrião, O Mosquito e O Tico-Tico.

No prefácio do livro, o escritor Flávio Aguiar compara a importância de Agostini, na caricatura, a Machado de Assis, na literatura, e a Artur Azevedo, no teatro. Muito justo.

Com exceção do livro da tese de doutorado de Marcelo Balaban, Poeta do Lápis: Sátira e política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial (1864-1888), publicado em formato de livro pela Editora Unicamp em 2009, esta é a primeira biografia de Angelo Agostini que este editor tem notícia.

Angelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910 tem 256 páginas e preço de R$ 39,50.

Amanhã tem entrega do Prêmio Ângelo Agostini

Na programação estão incluídas uma exposição, palestra de Marcelo Cassaro e Petra Leão sobre a Turma da Mônica Jovem e a entrega dos troféus. Durante todo o evento, será produzida uma HQ coletiva pelos presentes interessados em participar.

A lista de vencedores deste ano não traz muitas novidades: Bando de Dois, que constou de todas relações de melhores HQs de 2010 feitas por sites especializados, foi eleito o Melhor Lançamento.

O cartunista Márcio Baraldi, mesmo se manifestando publicamente para ficar fora da premiação, e o fanzine QI mantiveram sua presença anual entre os vencedores.

E o amigo José Salles, editor da Júpiter II, ganhou pelo segundo ano consecutivo o Troféu Jayme Cortez, por sua contribuição para o quadrinho nacional.

A escolha dos vencedores é feita pelo público, por e-mail. Veja a lista completa:

Melhor Desenhista – Hélcio Rogério
Melhor Roteirista – Marcos Franco
Melhor Cartunista – Marcio Baraldi
Melhor Lançamento – Bando de Dois (Editora Zarabatana)
Melhor Lançamento Independente – Lucas da Vila de Sant´anna da Feira
Melhor Fanzine – QI (Edgard Guimarães)
Troféu Jayme Cortez – José Salles (Editora Júpiter II)
Mestres do Quadrinho Nacional: Dag Lemos, Eduardo Vetillo, E.C. Nickel, Elmano Silva e Novaes.

SERVIÇO:
Festa de entrega do 27º Prêmio Ângelo Agostini
Dia: 05 de fevereiro
Horário: a partir das 13h
Local: Instituto Cervantes (Avenida Paulista, 2.439 – próximo à Rua da Consolação) Informações: (11) 3987-9600
Entrada gratuita

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