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Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2015

Depois da lista de Melhores HQs estrangeiras, chegou a hora das nacionais.

Num ano de produção vasta e qualificada, amplificada pela realização de dois importantes eventos, FIQ e CCXP, selecionar apenas 10 obras não foi uma tarefa fácil.

Nunca é demais repetir: os livros abaixo são os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do blog – um volume muito aquém de toda a produção anual.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2015, em ordem alfabética:

DodôDodô (Felipe Nunes – Independente)

Felipe Nunes é considerado um dos expoentes da nova geração de quadrinhistas brasileiros, uma geração que tem muito a dizer. Depois do excelente e premiado Klaus, o autor volta a explorar o universo infantil. Desta vez, pelos olhos de Lola, menina de seis anos que não vai à escola, não tem amigos e recebe pouca atenção da mãe. Até que num belo dia ela encontra um (amigo imaginário?) Dodô. De simples distração, o pássaro se converte no gatilho que vai explodir emoções e segredos há muito guardados. A forma como Nunes trabalha o sentimento de rejeição é um soco no estômago no leitor.

Dois IrmãosDois Irmãos (Fabio Moon e Gabriel Bá – Cia. das Letras)

A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011. Diferentes e rivais desde muito cedo, Yaqub e Halim são como luz e sombra – um recurso gráfico que os autores exploram não só na relação entre eles, mas também, e principalmente, no detalhamento da arquitetura de Manaus, onde se passa grande parte da história. Moon e Bá traduziram com maestria a densidade da narrativa de Hatoum para a nona arte e preencheram algumas lacunas que antes viviam apenas na imaginação dos leitores da obra original.

Limiar Dark MatterLimiar: Dark Matter (Luciano Salles – Independente)

Luciano Salles optou por encerrar a trilogia iniciada em O Quarto Vivente e seguida por L’Amour: 12 Oz com uma ficção científica. Os amigos Carino e Nádio pretendem honrar – e vingar – um terceiro integrante da sua confraria, Amerício, “memorizado” por desafiar as regras de uma sociedade controladora. Neste futuro distópico, a “matéria escura” do título – um elemento cósmico que desafia a Ciência até hoje – encontra-se sintetizada numa espécie de alucinógeno que amplia os sentidos dos dois amigos e os incita a se lançarem numa aventura suicida. Na comparação com os demais trabalhos de Luciano, Dark Matter talvez seja o que tem a narrativa mais linear, mas não menos intrigante. E sua arte, como sempre, é arrebatadora.

Louco FugaLouco – Fuga (Rogério Coelho – MSP Produções/Panini)

Esta é mais que uma aventura nonsense, como costuma acontecer nas recorrentes participações especiais do Louco nas revistas da Turma da Mônica. Rogério Coelho lança mão de sua vasta experiência como ilustrador para contar uma história que homenageia a arte de contar histórias. Na trama, o Louco é o herói de seu mundo interior, onde precisa salvar o pássaro mágico – que inspira todos os escritores – das garras dos Guardiões do Silêncio. Isso se dá numa narrativa que mistura metalinguagem, lirismo, diagramação ousada, cenários fantásticos, traços e cores que remetem aos livros de fábulas.

Mil Léguas TransamazônicasMil Léguas Transamazônicas (Will e Spacca – Independente)

Quando dois visionários se encontram, o resultado não pode ser menos que impressionante. Isso vale para o encontro fictício do Barão de Mauá e Júlio Verne, e também para a dupla de autores, Will e Spacca. A obra é uma mistura tão bem elaborada de ficção e pesquisa histórica que fica difícil distinguir onde termina uma e começa a outra. A trama, que envolve a exploração do Rio Amazonas em pleno Segundo Império no barco voador Uirapuru, tem intrigas políticas, a lenda das guerreiras amazonas e até um certo “Diabo Coxo” que embarca meio que acidentalmente na aventura. Esse último elemento faz de Mil Léguas Transamazônicas uma homenagem não só à História do Brasil e à ficção científica, mas também ao próprio desenvolvimento da nona arte no País.

O Astronauta de PijamaO Astronauta de Pijama (Samantha Flôor – Marsupial Editora)

A autora mergulha fundo no imaginário infantil ao acompanhar a aventura do garoto que precisa resgatar seu gato das entranhas de um simpático e imaginário monstro. O recurso da ausência de texto, que estende a leitura para todas as idades, é compensado de forma competente pela expressividade dos personagens e o dinamismo da narrativa.

Por mais um dia com ZapataPor Mais um Dia com Zapata (Daniel Esteves, Alex Rodrigues e Al Stefano – Zapata Edições)

A obra refaz os passos do revolucionário mexicano Emiliano Zapata desde os primeiros confrontos com os soldados do ditador Porfirio Díaz até seu assassinato numa emboscada em Chinameca. A história é contada pelo ponto de vista de “Brasileño”, personagem fictício que faz o elo entre a Revolução Mexicana e o massacre da comunidade de Canudos, ocorrida no interior da Bahia em 1896. A convergência de duas linhas temporais distintas forma um mosaico que lança um novo olhar sobre este importante momento histórico da América Latina.

Quando a Noite fecha os OlhosQuando a Noite Fecha os Olhos (André Diniz e Mário Cau – Independente)

A diversidade tratada de forma honesta e sensível. Não se pode esperar menos dos dois autores que, com carreiras consagradas, realizam seu primeiro trabalho conjunto. Camilo vive uma noite eterna e tem como companhia apenas os objetos de seu quarto. Quando as circunstâncias se impõem, ele precisa enfrentar demônios internos e externos para finalmente se libertar. O recurso narrativo de usar o clima e objetos inanimados para expor a psique do personagem é, se não inédito, de uma beleza ímpar.

Steampunk LadiesSteampunk Ladies – Vingança a Vapor (Zé Wellington, Di Amorin e Wilton Santos – Editora Draco)

Rabiosa e Sue foram unidas pelo destino, pelo desejo de vingança e pela percepção que, juntas, têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado. O roteiro é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Os autores optaram pelo ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. Os flashbacks funcionam de forma orgânica e lembram alguns bons filmes do gênero. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus de faroeste.

Turma da Mônica – Lições (Vitor e Lu Cafaggi – MSP Produções/Panini)

Como o próprio nome evoca, Lições versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos. Um olhar mais atento revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental; eles cresceram e perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura. O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizades. O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades. Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

“Quando a noite fecha os olhos” marca primeira parceria de André Diniz e Mario Cau

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Faltam 20 dias para o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, e começam a se intensificar as notícias de lançamentos programados para o evento.

Não é para menos: entre suas muitas qualidades, o FIQ se notabilizou como uma plataforma importante para a produção nacional. Segundo levantamento do Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, na edição de 2011 foram lançadas pelo menos 136 HQs nacionais.

Um dos lançamentos que chegaram ao nosso conhecimento é Quando a noite fecha os olhos, obra independente que marca a primeira parceria de André Diniz (roteiro) e Mario Cau (arte). O prefácio é de Laudo Ferreira Jr.

Segundo a sinopse, “Camilo leva a vida adiante, uma vida que não sabe mais se é sua. Uma vida sem luz, onde o Sol não nasce e onde as únicas vozes que ele consegue ouvir são ecos de seu inconsciente”. Na definição de Cau, é “um drama cotidiano estilo slices-of-life”.

Quando a noite fecha os olhos tem 72 páginas, capa colorida e miolo preto e banco. O preço não foi divulgado.

“Travessias”: nova HQ nacional, digital e independente

 

travessias

Não bastassem todos estes atributos, a obra ainda reúne alguns dos principais artistas da atual produção de quadrinhos brasileiros: Will (Passagens & Paisagens, em parceria com a escritora Mônica Lan), Alexandre Montandon (Cristóvão e o Segredo do Tempo), Lillo Parra e Toni D’Agostinho (As Muitas Vidas de Gustavo Boa Morte), Aloísio de Castro (O Encontro), André Diniz e Marcela Mannheimer (Muzinga), Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (Cadernos de Viagem).

Outro diferencial é que Travessias – O Fantástico Cotidiano em Quadrinhos é uma iniciativa do mesmo pessoal do Comix Trip, nova plataforma de distribuição de HQs digitais exclusivamente nacionais. A obra está disponível na loja a partir de hoje (14) ao preço de US$ 1,99. É preciso baixar o instalar o aplicativo, gratuito, ainda disponível somente para dispositivos com sistema iOS.

Travessias tem 79 páginas coloridas e será bimestral, formada por histórias seriadas. Nesse primeiro número, a única completa é O Encontro, do “artista convidado” Aloísio de Castro. A ideia é que elas sejam lançadas em álbuns impressos ao final de cada arco.

Papo de Quadrinho teve acesso com exclusividade à primeira edição e recomenda a leitura.

Quadrinhistas brasileiros brilham em Portugal

CARTAZ

André Diniz, Laudo Ferreira, Laerte Coutinho, José Aguiar, Klévisson Viana e Sama integram a comitiva que embarca para o X Festival Internacional de BD de Beja, de 31 de maio a 14 de junho.

Os artistas brasileiros participam de exposições, sessões de autógrafos e mesas redondas. No festival, Laudo lança e autografa (no dia 31) a conclusão de sua trilogia Yeshuah – onde tudo está, e, junto com Diniz, terá uma amostra do trabalho conjunto da dupla, Olimpo Tropical, a ser lançado pela Polvo Edições em Portugal.

Diniz ainda segue para o Festival Internacional de Livros e Filmes Étonnants-Voyageurs, em Saint-Malo, na França, onde acontece a exposição Photo de La Favela, com páginas de seu álbum Morro da Favela e fotos de Maurício Hora.

HQ de alunos da Quanta Academia tem lançamento nesta sexta-feira (14)

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Gibi Quântico foi produzido pela turma de Roteiro de Histórias em Quadrinhos ministrada por André Diniz.

Entre os roteiristas, há os profissionais Lillo Parra e Raphael Fernandes, além de Gustavo Aguilar, Alessio Esteves, Airton Marinho, Igor Damini, Liz Frizzine, Jujú Araújo, Jun Sugiyama e Tiago P. Zanetic.

A arte é dos também alunos e ex-alunos da Quanta Academia: Maurício Alves, Doug Dominicali, Tiago Silva, Leopoldo Alves, Diego Sazzo, Flavio Soares (do ótimo Vida com Logan), PriWi, Guilherme Petreca, Jefferson Costa (A Dama do Martinelli) e Ichirou.

A coletânea reúne dez histórias que vão do humor à ficção científica. A edição é de Raphael Fernandes e a capa, do professor André Diniz.

O lançamento acontece nesta sexta-feira (14) na Quanta Academia de Arte (Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246 – Vila Mariana – São Paulo, SP – Próximo ao metrô Ana Rosa).

A revista tem 124 páginas em preto e branco, capa colorida, formato 13,5 x 20,5 cm e distribuição gratuita. No lançamento, será feito o esquema “pague quanto quiser”, para os interessados em colaborar financeiramente com o projeto.

ProAC Quadrinhos 2013 anuncia projetos selecionados

proac

Foi publicado no Diário Oficial do Estado neste sábado, dia 26, a lista com as 15 HQs que serão financiados pela Secretaria da Cultura de São Paulo.

Cada um deles receberá R$ 40 mil. A partir do depósito da primeira parcela de R$ 28 mil (75%), os autores têm 10 meses para concluir seus projetos, podendo solicitar prorrogação de 2 meses. O prazo é menor que o dado pelo edital do ano passado: 12 regulamentares mais 3 de prorrogação (entenda as mudanças aqui).

Veja a lista dos 15 projetos selecionados pelo ProAC 2013

O Colhedor de Raios, de Marcelo Shun Izumi

Cidadão N, de Daniel A Lopes

Pare!, de Elias Paulo Martins

La Dansarina, de Willians Martines Parra

Escrevendo com o lado direito do fígado, de Artur Fujita

Página Virada, de Luiz Carlos Fernandes

Acordes # 2, de Rogério Gonçalves Ferreira Vilela

Olimpo Tropical, de André Diniz

Thanatos, de Rodrigo Costa Estravini Pereira

Segundo Tempo, de Alex Mir

Goiabada e Queijo Branco, de Bruno Hamzagic de Carvalho

Jockey, de André Moreira Aguiar

Ópera Jones, de Mauro Henrique Costa de Souza

Kalunga – Histórias de Resistência, de Marcelo D’Salete:

Selena, de Jinnie Anne Pak

ProAC 2012

O prazo para conclusão dos cinco projetos selecionados no edital do ano passado será encerrado amanhã, dia 31 de outubro.

Segundo a Secretaria de Cultura, nenhum autor solicitou prorrogação – o que significa que nas próximas semanas o mercado vai receber pelo menos cinco obras inéditas de autores nacionais.

André Diniz lança HQ inédita em Portugal

Duas Luas

André Diniz já tem seu nome consolidado entre os principais autores da nova geração de quadinhistas brasileiros. É roteirista e desenhista, professor e autor de diversas obras premiadas. Uma delas, Morro da Favela, foi lançada em Portugal, França e Inglaterra.

Pela primeira vez, um de seus trabalhos será publicado no exterior antes que no Brasil. Duas Luas, com arte de Pablo Mayer, é um dos destaques da editora Polvo no Festival Internacional de Banda de Desenhada de Amadora, Portugal, de 25 de outubro a 10 de novembro.

De acordo com a sinopse, a HQ conta a história de Nilo, um músico que não consegue mais dormir. Realidade e sonhos se misturam e o rapaz precisa enfrentar seus problemas em meio às fantasias do mundo onírico e os fantasmas do inconsciente.

Em Amadora, Diniz promove também seus outros trabalhos e participa da exposição coletiva Seis esquinas de inquietação só com autores brasileiros: Marcelo D’Salete, Pedro Franz, Diego Gerlach, André Kitagawa e Rafael Sica.

Dias antes de embarcar para o festival, Diniz conversou com o Papo de Quadrinho:

Como surgiu o convite para lançar a HQ em Portugal?

Desde que eu publiquei o Morro da Favela em Portugal, eu e o Rui Brito, editor da editora Polvo, já conversávamos sobre os possíveis próximos lançamentos por lá. O Duas Luas já estava roteirizado e só pela sinopse o Rui se interessou. Esse lançamento em Portugal deu-se da forma mais natural possível. 

Por que não foi lançada antes no Brasil? E qual a previsão para sair aqui?

A HQ nem estava pronta ainda e o editor português já queria lançá-la a tempo do festival de Amadora. Daí, assim que foi colocado o ponto final, após revisão e edição, o livro seguiu pra gráfica. Acho que desde o meu tempo de fanzine em xerox que eu não vejo um trabalho meu ser impresso de forma tão imediata assim!…

Por aqui, eu vou ter que fazer um suspense… Mas logo, logo, terei novidades pra anunciar.

Por que você não desenhou essa HQ como costuma fazer?

Foram dois os motivos. Primeiro, porque eu estou desenhando mil HQs ao mesmo tempo e, se fosse optar por desenhar Duas Luas também, essa HQ ainda demoraria muito para ser lançada. Mas o motivo principal foi que eu desejava há muito fazer uma parceria com o Pablo Mayer, por ser fã do traço dele. Aliás, foi a primeira vez que propus a um desenhista que eu não conhecia antes desenhar um roteiro meu.

Quando a gente fala de quadrinho autoral, principalmente, tem que haver entrosamento e diálogo muito bons entre os dois e eu nunca sei se vai haver ou não essa química com alguém que não conheço. Bom, mas isso já é passado: Pablo Mayer, a essa altura, já é para mim mais um amigo do que qualquer outra coisa. Foi um prazer trabalhar com ele.

Como está o desempenho de Morro da Favela na Europa?

Não é nenhum fenômeno de vendas, longe disso… Mas cumpre sua função. Vende o esperado e repercutiu acima da expectativa, eu creio, principalmente na França. Lá, foi absurdo: teve resenhas muito positivas em publicações conhecidas mundialmente, como Paris Match, L’Express, Le Figaro… Além de programas de rádio, revistas literárias e, principalmente, as revistas sobre BD (há várias lá).

Este é um mercado que você pretende continuar explorando ou até dando preferência em relação ao brasileiro?

Preferência, não. Quero investir cada vez mais nas edições de trabalhos meus em outras línguas. Isso é maravilhoso! Mas o meu objetivo maior é traduzir o que eu vier a lançar por aqui antes. Não incluo Portugal nessa porque, a essa altura, já falo de Portugal como minha casa também. Quero produzir em língua portuguesa e traduzir para outras línguas, principalmente para o francês, o que tenha potencial de ser lido lá fora.

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