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Brasil terá exibição exclusiva de “A Piada Mortal” nos cinemas

PiadaMorta

O Brasil não vai ficar de fora do hype do novo longa animado da DC/Warner, A Piada Mortal, adaptado da antológica graphic novel produzida por Alan Moore e Brian Bolland em 1988.

Numa parceria da rede Cinemark com o grupo Omelete, o longa será exibido em sessão única e exclusiva no dia 25 de julho, às 20h, com áudio original e legendas em português. Veja abaixo a lista das cidades e salas participantes.

Os ingressos já estão à venda (inclusive esgotados em algumas localidades), e podem ser adquiridos nas bilheterias ou site da rede Cinemark. O valor é de R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia entrada. Clientes Cinemark Mania têm 50% de desconto.

Nos Estados Unidos, A Piada Mortal será exibida no mesmo dia, em 1.075 salas – um recorde, segundo a revista Variety. Lá, a sessão será precedida de uma introdução feita por Mark Hamill (que dubla o Coringa), um documentário sobre o envolvimento do ator no projeto de adaptação, e os bastidores de uma das cenas.

Complexos participantes:

ARACAJU (SE)

Shopping Jardins – Av. Ministro Geraldo Barreto Sobral, 215

BELO HORIZONTE (MG)

Pátio Savassi – Av. do Contorno, 6061

BH Shopping – BR 356, 3049

BRASÍLIA (DF)

Pier 21 – S.C.E. Sul, Trecho 2

Iguatemi Brasília – St Shi/Norte, Quadra Ca-04

CAMPINAS (SP)

Iguatemi Campinas – Av. Iguatemi, 777

CAMPO GRANDE (MS)

Shopping Campo Grande – Av. Afonso Pena, 4909

CUIABÁ (MT)

Goiabeiras Shopping – Av. José Monteiro de Figueiredo, 500

CURITIBA (PR)

Shopping Mueller – Av. Candido de Abreu, 127

ParkShopping Barigui – Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 600

FOZ DO IGUAÇU (PR)

Shopping Catuí Palladium – Av das Cataratas, 3570 – Vila Yolanda

FLORIANÓPOLIS (SC)

Floripa Shopping – Rod. Virgilio Várzea, 587

GOIÂNIA (GO)

Flamboyant – Av. Jamel Cecilio, 3300

GUARULHOS (SP)

Internacional Shopping Guarulhos – Rodovia Pres. Dutra, 397/650

JUAZEIRO (BA)

Juá Garden Shopping – Rodovia Lomato Júnior, km06, BR-407, 600 – Alto do Cruzeiro

LONDRINA (PR)

Boulevard Londrina Shopping – Av. Theodoro Victorelli, 150

MANAUS (AM)

Studio 5 – Av. Rodrigo Otávio, 555

MOGI DAS CRUZES (SP)

Mogi Shopping – Av Vereador Narciso Yague Guimarães 1001

NATAL (RN)

Midway Mall Natal – Av. Bernardo Vieira, 3775

NITERÓI (RJ)

Plaza Shopping Niterói – Rua XV de Novembro, 8

PORTO ALEGRE (RS)

Barra Shopping Sul – Av. Diário de Notícias, 300

Bourbon Ipiranga – Av. Ipiranga, 5200

RECIFE (PE)

RioMar – Av. República do Líbano, s/nº

Ribeirão Preto (SP)

Novo Shopping – Av. Presidente Kennedy, 1500

Rio de Janeiro (RJ)

Botafogo Praia Shopping – Praia de Botafogo, 400

Shopping Metropolitano Barra – Av. Embaixador Abelardo Bueno, 1300

Downtown – Av. das Américas,500

SALVADOR (BA)

Salvador Shopping – Av. Tancredo Neves, 2915

SANTOS (SP)

Praiamar Shopping – Rua Alexandre Martins, 80

SÃO PAULO (SP)

Cidade São Paulo – Avenida Paulista, 1230

Eldorado – Av. Rebouças, 3970

Market Place – Av. Dr. Chucri Zaidan, 920

Metrô Santa Cruz – Rua Domingos de Morais, 2564

Pátio Paulista – Rua Treze de Maio, 1947

Metro Tatuapé – Rua Domingos de Agostin, 91

Metrô Tucuruvi – Av. Doutor Antônio Maria Laet, 566

Tietê Plaza Shopping – Av. Raimundo Pereira de Magalhães, 1465

SÃO CAETANO DO SUL (SP)

ParkShopping São Caetano – Alameda Terracota, 545

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)

Colinas Shopping – Av. São João, 2200

UBERLÂNDIA (MG)

Uberlândia Shopping – Av. Paulo Gracindo, 15

VARGINHA (MG)

Via Café Garden Shopping – Rua Humberto Pizzo, 999

VILA VELHA (ES)

Shopping Vila Velha – Rua Luciano das Neves, 2418

VITÓRIA (ES)

Shopping Vitória –Av. Américo Buaiz, 200

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs estrangeiras de 2014

Atualizado em 31.12.2014: 

Miracleman, que ocupava o sétimo lugar da lista, já foi publicado no Brasil, ainda que parcialmente, pela editora Tannos no final dos anos 1980. Assim sendo, fugiu do critério estabelecido e abriu lugar para o mais recente volume dos encadernados do Demolidor. Veja abaixo como ficou a nova lista.

 

Mais uma vez o final do ano impõe a difícil e prazerosa tarefa de preparar a lista das melhores HQs.

Como nas vezes anteriores, cabe explicar o critério: HQs inéditas publicadas no país ao longo de 2014, o que deixou bons importados e ótimos relançamentos de fora.

Que fique claro, também, que estes títulos foram os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho. Apesar de ultrapassar 200 HQs lidas, é ainda um universo muito pequeno frente ao grande e qualificado volume de lançamentos do ano.

Portanto, como bem disse o jornalista Telio Navega na lista do Gibizada, mais do que uma seleção dos “melhores” – sempre subjetiva e passível de cometer injustiças – a relação abaixo serve como um guia para os leitores aproveitarem pelo menos uma parte da ótima safra de 2014.

Como foram muitos e bons lançamentos, decidimos dividir a lista deste ano em duas categorias: estrangeiros e nacionais. A primeira você encontra abaixo; a segunda, nos próximos dias.

10. Demolidor 6 (Panini)

DemolidorO sexto volume de encadernados do Demolidor fecha com chave de ouro a fantástica fase do personagem nas mãos do talentoso roteirista Mark Waid. Ele conseguiu, ao mesmo tempo, retomar a origem mais leve do Demolidor sem, no entanto, fingir que as últimas décadas da cronologia não existiram. Obrigado a encerrar esta fase para abrir o caminho do novo selo Marvel NOW!, Waid optou por uma história simples, porém direta e impactante. Sem dúvida, um dos melhores – se não o melhor – título de super-heróis nas bancas brasileiras.

Star Wars9. Star Wars Legends (Panini)

Muito esperado pelos fãs da saga de George Lucas, este lançamento marca o início, no Brasil, da publicação do material da editora Dark Horse, de 2013, que amplia a trama original. A primeira história, À Sombra de Yavin, se passa logo após a destruição da Estrela da Morte em Star Trek IV – Uma Nova Esperança. A segunda é situada cronologicamente um pouco antes, depois dos eventos mostrados em Star Wars III – A Vingança dos Sith.

Ladrão dos ladrões8. O Ladrão dos Ladrões (HQM Editora)

O que levou Conrad Paulson, o maior ladrão do mundo, reconhecido e respeitado por seus pares e clientes, a se aposentar? O amor perdido? O filho que fracassou ao tentar seguir seus passos? Ou a pressão de uma bela e incansável agente do FBI? Em se tratando de um ladrão, todas as respostas podem estar corretas… ou nenhuma delas. Numa trama repleta de espionagem e reviravoltas que lembram o filme Onze Homens e Um Segredo, o roteiro de Nick Spencer vem recheado pela arte elegante de Shawn Martinbrough. O personagem foi criado por Robert Kirkman, de The Walking Dead, e pode até virar série de TV.

A Guerra dos Tronos7. A Guerra dos Tronos HQ – volume 3 (Casa da Palavra)

A série em quadrinhos, que vem sendo lançada no Brasil em encadernados caprichados, adapta diretamente os livros de George R.R. Martin, e não o seriado da HBO. Apesar de a fidelidade ao texto original tornar ambas as obras bastante parecidas, a HQ permite um olhar diferente, em especial na caracterização dos personagens e na solução narrativa de algumas passagens. O nível de detalhamento é tamanho que só agora, neste terceiro volume, a adaptação dos quadrinhos alcançou o final da primeira temporada da série de TV.

Leia matéria completa aqui.

Sweet Tooth6. Sweet Tooth – Depois do Apocalipse volume 6 (Panini)

O encadernado conclui de forma genial o calvário do menino-cervo que constitui a chave para a praga que dizimou a Humanidade e transformou a geração seguinte em híbridos de animais. Finalmente todos os mistérios são revelados e Jeff Lemire dá uma aula de narrativa gráfica, fechando de forma sublime uma trama cheia de dor, preconceito e perdas.

 

Hideout5. Hideout (Panini)

História de terror escrita e desenhada primorosamente por Masasumi Kakizaki. A leitura tem duas camadas: a primeira, linear, é a trama de um homem que planeja assassinar a esposa numa viagem de férias, mas cai vítima de uma assustadora família canibal; a segunda, mais sutil, revela como nossos demônios interiores tendem a emergir numa situação limite. Em determinado ponto, a narrativa mistura fatos atuais com flashbacks que ajudam na construção dos personagens e na compreensão do inescapável final.

Calvin e Haroldo4. As tiras de domingo 1985 – 1995 – Calvin e Haroldo (Conrad)

Como o nome diz, o volume reúne as tiras dominicais publicadas por Bill Watterson neste período. Lançado originalmente em 2001, o álbum traz revelações importantes sobre as influências do autor, processo de licenciamento das tiras, evolução do traço dos personagens, bastidores das tiras polêmicas e muitas outras informações para satisfazer os fãs apaixonados pelo espirituoso garoto e seu amigo imaginário.

Leia matéria completa aqui.

Hoshi Mamoru Inu Capa.indd3. O Cão que Guarda as Estrelas (JBC)

São duas histórias que se relacionam. No início da primeira, o leitor já sabe como será o fim. Seguir a leitura sem um nó na garganta não é nada fácil. Um homem de meia idade perde tudo que tinha na vida: emprego, casamento, casa, saúde. O que lhe resta é a agradável e fiel companhia de um cão – e isso não é pouco. A segunda história parte do início (ou fim) da primeira e, novamente, versa sobre o amor pelos animais. Emocionante.

Fashion Beast2. Fashion Beast (Panini)

Reza a lenda que esta história nasceu como roteiro de Alan Moore para um filme de Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

Leia resenha completa aqui.

Parafusos-capa.indd1. Parafusos – Mania, Depressão, Michelangelo e eu (WMF Martins Fontes)

Poucas vezes o Transtorno Bipolar, que assola parte significativa da população, foi tratado de forma tão honesta, transparente e detalhada. Ainda mais com recurso da linguagem dos quadrinhos. Depois de diagnosticada com a doença, a quadrinhista Ellen Forney vai fundo no estudo de grandes gênios das artes que sofreram o mesmo mal. Ela narra os dolorosos processos do Transtorno Bipolar e a batalha contra o tratamento medicamentoso que poderia afetar sua criatividade. Tudo isso num traço estilizado, eloquente e desafiador.

Leia matéria aqui.

“Fashion Beast”, de Alan Moore: a moda como bandeira política e cultural

fashionbeast

Alan Moore é um dos melhores roteiristas de quadrinhos da atualidade. Ponto!

Mais que isso, é um dos fundadores da atual Era Moderna dos quadrinhos, com obras seminais como Watchmen, V de Vingança e Monstro do Pântano, todas da década de 1980.

Fashion Beast – A Fera da Moda é deste período prolífico, um roteiro que a Avatar Press desengavetou em 2012 e que, felizmente, a Panini acaba de trazer para o Brasil.

Reza a lenda que se tratava originalmente de um filme a ser produzido por Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. O projeto não foi para frente e o roteiro ficou esquecido.

Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

Jean-Claude Celestine é o estilista que vive recluso em sua torre, em torno da qual gira toda a vida de uma cidade não identificada, numa época também incerta – a única coisa que se sabe é que a humanidade está à beira de uma guerra nuclear.

Os protagonistas são Doll e Jonni, ambas figuras andróginas: ela, recepcionista de uma casa noturna, é uma garota que parece um homem que se veste de mulher; ele, estilista aspirante, um cara que mais parece uma garota vestida de homem.

Alan Moore parece dizer que num mundo que vive de aparências, os transgressores são os verdadeiros motores da história. A questão da aparência também afeta Jean-Claude (a Fera): um príncipe gentil sob um suposto corpo disforme.

Ao contrário do que pode parecer, Fashion Beast não é uma crítica ao mundo da moda. Moore enxerga esse mundo e seus bastidores como instrumento de expressão política e cultural.

Pelas palavras de Jonni, as roupas do povo nas ruas são “bandeiras, tudo que esperam da vida condensado num certo corte, numa certa cor”. Para o jovem, o elitismo decadente de Jean-Claude retrata sua própria repressão sexual: “Quanto mais cetim, menos pele; mais pano, menos carne”.

Jonni, que, ao contrário de Doll, não abandonou seu passado proletário, está destinado a promover a ruptura e demolir tudo que Jean-Claude construiu. Doll, a Bela, alçada ao posto de modelo principal da Celestine, no fundo não passa disso mesmo, uma “boneca” conduzida ao sabor dos acontecimentos.

A tradução do roteiro de cinema para quadrinhos ficou a cargo de Antony Johnston, que demonstra grande domínio de sua arte, em especial na sobreposição de camadas narrativas.

A arte de Fecundo Persio caiu sob medida, com o perdão do trocadilho, sobre o roteiro de Johnston. Ora realista ora caricato, o que mais impressiona no seu traço é a composição das expressões faciais e corporais dos personagens. As caras de Doll são impagáveis.

Fashion Beast tem a marca de Alan Moore gravada no DNA. Se não pelo tipo de história, ao menos pela profundidade e simbologia de cada cena, cada diálogo. Uma obra que merece ser lida e relida muitas vezes. Imperdível.

Resenha: O que aconteceu ao Homem de Aço? E aos quadrinhos?

OQueAconteceuHomemDeAco

O lançamento do encadernado de luxo Superman: O que aconteceu ao Homem de Aço é ao mesmo tempo oportunista e oportuno.

Deixando de lado o primeiro aspecto, comercial (não há nada de errado na Panini aproveitar o hype em cima do novo filme do herói), não deixa de ser interessante reler, em tempos de Novos 52, a HQ que marcou o fim de outra era dos quadrinhos.

As duas histórias que compõem O que aconteceu… foram publicadas originalmente em 1986, nas revistas Superman 423 e Action Comics 583, e representam oficialmente o encerramento da cronologia do Superman antes da reformulação que se seguiu à saga Crise nas Infinitas Terras.

Representam também o desligamento de dois importantes nomes da indústria dos quadrinhos: Julius Schwartz, o homem que reinventou o gênero de super-heróis com a Era de Prata, e Curt Swan, artista que trabalhou com o Superman por mais de três décadas.

O roteiro de Alan Moore para a “última história” do primeiro super-herói não é menos que genial. Estranhos acontecimentos – Bizarro torna-se um monstro assassino, a identidade secreta de Clark Kent é exposta publicamente, e antigos inimigos ameaçam as pessoas próximas a ele – são o prenúncio de que a carreira e a vida do Superman estão próximas do fim.

Tudo isso é contado em flashback por Lois Lane, agora uma jornalista aposentada, levando uma vida pacata ao lado do marido e do filho. Vários personagens e elementos da Era de Prata são resgatados e a arte de Swan encarrega-se de recriar o clima das antigas histórias.

Entrincheirado na Fortaleza da Solidão e depois de ver muitos amigos perecerem, o Homem de Aço finalmente descobre a mente por trás de tudo: Mxyzptlk, o duende da Quinta Dimensão – não mais um fanfarrão de chapéu coco, mas sim uma maligna e vingativa entidade.

Ao final, Superman vê-se obrigado a quebrar seu antigo juramento de jamais tirar uma vida, qualquer vida. Isso é suficiente para que ele se banhe de radiação de kryptonita dourada – que remove permanentemente todos seus superpoderes – e desaparecer para sempre.

O que aconteceu… é, na forma e na essência, o fim do mito recriado nos anos 1950 e a transição da Era de Bronze dos quadrinhos para a chamada Era Moderna (ou Era das Trevas) iniciada nos 80. É o Canto do Cisne do primeiro e maior super-herói dos quadrinhos e também de seu mais longevo artista. É um final digno para um personagem que marcou mais de uma geração de leitores.

O que surgiu após a Crise nas Infinitas Terras pelas mãos do escritor e artista John Byrne foi um Superman remodelado, mais humano, menos poderoso e mais adaptado àquela época. As mudanças – e não foram poucas – agradaram os novos e antigos leitores porque, no fundo, a essência do personagem permaneceu intacta.

Por sua importância para o gênero, Superman merecia ter ganhado um novo “o que aconteceu” na transição para o universo Novos 52. Muito mais do que na fase Byrne, o herói que emergiu da sofrível saga Ponto de Ignição pode, sim, ser considerado algo totalmente novo – no uniforme, na origem, na personalidade, no elenco de apoio.

Mas a DC teve que fazer tudo tão às pressas que sequer teve tempo de homenageá-lo dignamente. Todos perdemos com isto.

O encadernado da Panini traz ainda duas ótimas histórias do Superman escritas por Alan Moore: A linha da Selva e Para o Homem que Tem Tudo – de menor importância se comparadas a O que aconteceu…, mas ainda assim relevantes na trajetória do personagem.

Superman – O que aconteceu ao Homem de Aço tem 132 páginas, capa dura e preço convidativo de R$ 19,90. Essencial para os fãs compreenderem como os heróis dos quadrinhos eram tratados não tão antigamente assim e se perguntarem: O que aconteceu aos quadrinhos?

Neonomicon, de Alan Moore, é banida de biblioteca nos Estados Unidos

A diretora-executiva do sistema de bibliotecas de Greenville, no estado da Carolina do Sul, decidiu retirar as duas cópias da HQ atendendo à reclamação de uma mãe.

Beverly James anulou a decisão um comitê que avaliou Neonomicon após a reclamação. O comitê havia sugerido manter o quadrinho no catálogo levando em conta “os reviews, listas de recomendação, a reputação do autor e o fato de o livro ter ganhado o prêmio Bram Stocker (concedido a obras de horror)”.

Antes de decidir pelo banimento, James leu Neonomicon e o considerou “desagradável”. Grupos em defesa da liberdade de expressão nos Estados Unidos vêm se manifestando desde o início da polêmica e consideram a decisão de Beverly James como “censura”.

O caso teve início em junho do ano passado, quando a mãe de uma adolescente de 14 anos reclamou do conteúdo erótico do quadrinho, escrito por Alan Moore e desenhado por Jacen Burrows.

A garota retirou Neonomicon da seção de livros adultos. As regras da biblioteca de Greenville permitem que maiores de 13 anos possam ter acesso a esta seção com um tipo especial de cartão, que contempla a autorização dos pais.

Por ocasião do lançamento de Neonomicon no Brasil, Papo de Quadrinho apurou que a Panini teve dificuldades em imprimir o livro na Indonésia e na China.

Também por aqui aconteceu um caso semelhante: em 2009, O Nome do Jogo, de Will Eisner, foi recolhida de uma biblioteca no Espírito Santo pelo mesmo motivo.

Neonomicon é uma homenagem de Alan Moore ao escritor H.P. Lovecraft e foi incluída na lista de Melhores HQs de 2012 do Papo de Quadrinho.

Neonomicon, de Alan Moore: Tributo a H.P. Lovecraft

O roteirista britânico é um dos nomes mais conhecidos e reverenciados pelos leitores de quadrinhos. Enquanto existir a arte sequencial, será sempre lembrado como o criador de Watchmen.

H.P. Lovecraft igualmente dispensa apresentações – pelo menos para os fãs da literatura de terror e ficção científica. O escritor americano viveu no início do século 20 e seus contos e novelas vêm influenciando muitos livros e filmes desde então.

Não é de se estranhar, portanto, que a obra destes dois criadores viesse um dia a se encontrar – aliás, mais estranho é ter demorado tanto.

Neonomicon, que chega ao Brasil neste mês, é a concretização deste encontro. A edição da Panini reproduz o encadernado da Avatar Press lançado em 2010, que reúne as duas partes do prelúdio O Pátio – com roteiro de Anthony Johnston baseado num conto do Moore – e as quatro da história principal – todas com arte de Jacen Burrows.

Em O Pátio, o leitor antevê o que está por vir: uma trama policialesca que envolve a investigação de assassinatos bizarros e aparentemente sem conexão entre si. Somente o agente do FBI Aldo Sax, adepto da “Teoria da Anomalia”, consegue conectar os pontos.

Tudo aponta para uma droga chamada Aklo, que Sax vai descobrir, da pior maneira, não se tratar de um simples psicotrópico.

Anos se passam e dois outros agentes, Gordon Lamper e Merril Brears, continuam investigando os assassinatos bizarros. Brears é a única com conhecimento para perceber a relação entre os locais, as referências e modus operandi com a obra de Lovecraft. Há um furo em sua teoria, porém: alguns dos crimes datam do início do século 20, antes mesmo da publicação dos livros do autor americano. Quem influencia quem?

O livro todo é um tributo de Moore a H.P. Lovecraft. Em linhas gerais, a trama principal pinça elementos de vários contos: a cidade em que se passa O Pátio vem de O Horror em Red Hook; o caráter investigativo, do clássico O Chamado de Cthulhu; os homens-peixe e o culto a eles, de A Sombra de Innsmouth.

Há também vários elementos dispersos ao longo da HQ que fazem referência direta ao universo criado por Lovecraft. Os mais iniciados na obra do americano certamente vão adicionar mais prazer à leitura ao identificar estes elementos.

A arte de Jacen Burrows é precisa e valorizada pelas cores de JuanMar. Mas o que chama mesmo atenção é a diagramação. O Pátio é toda produzida em dois quadros verticais por página e provoca uma sensação um tanto claustrofóbica. Neonomicon, com poucas exceções, foi desenhada com quatro quadros horizontais de mesmo tamanho; sem por um lado, dá impressão de linearidade, por outro parece juntar quadros de diferentes páginas.

Sexo

Alguns estudiosos alegam que a sexualidade – ou a repressão dela – é algo latente em toda obra de Lovecraft. Moore, bem ao seu estilo, escancara esta sexualidade na orgia ao culto de Dagon do qual os agentes Lamper e Brears caem vítimas.

Estas cenas mais explícitas quase custaram caro aos leitores brasileiros. Uma fonte da Panini ouvida pelo Papo de Quadrinho contou que a ideia inicial era lançar Neonomicon com capa dura. Para viabilizar o custo, a impressão seria feita na Indonésia.

O parceiro, porém, recusou o trabalho por causa do conteúdo erótico. A segunda opção da editora, a China, só imprimiria com a aprovação do Ministério da Cultura, num trâmite burocrático que levaria mais de um mês e ainda correria o risco de ser recusado.

A opção foi produzir aqui mesmo no Brasil com capa cartonada, o que resultou num preço bastante atrativo.

Neonomicon tem 188 páginas, capa e miolo coloridos e custa R$ 24,90. A edição brasileira começa a ser vendida dia 20 de agosto. Vale muito o investimento.

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