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Papo de Quadrinho viu: X-men – Fênix Negra

A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu X-men – Fênix Negra, última aventura dos mutantes pelas mãos da Fox.

A franquia dos mutantes pelas mãos da Fox termina no mais recente filme X-Men: Fênix Negra, que entra em cartaz nesta quinta feira (6) nos cinemas. O filme, que mais uma vez traz às telas a transformação de Jean Grey na Fênix é o ato final de uma sequência de filmes do supergrupo mutante que começou em 2000 e passou por pontos altos (X-Men 2, Logan) e algumas bombas (X-Men 3: O confronto final) e teve até mesmo um reboot (X-Men: Primeira Classe de 2011).

Dirigido e roteirizado por Simon Kinberg, a história se inicia em forma de flashback, contando a história de Jean Grey (a atriz Sophie Turner, a “Sansa Stark”, de Game of Thrones), que ao passar por um trauma de infância acaba sendo convidada pelo Professor Charles Xavier a se unir aos X-Men na sua escola para superdotados.

Anos depois, em 1992, os X-Men são considerados heróis nacionais. Durante uma missão de resgate de astronautas, que coloca a equipe em perigo no espaço, Jean Grey acaba utilizando seus poderes para salvar todos de uma explosão solar. Porém esse fato acaba alterando os poderes e emoções da telepata que acaba se tornando uma ameaça para seus companheiros e para o planeta à medida que essa recém adquirida força Fênix vai emergindo sem controle através dela.

Em relação às participações do longa temos Mística (Jennifer Lawrence), visivelmente cansada do papel, fazendo o link racional da equipe; Charles Xavier (James Mcavoy) , como o mentor da equipe, que durante o enredo se deixa levar pelo ego e mostra que mesmo os mais experientes podem errar; Ciclope (Tye Sheridan), o mutante de rajadas óticas e namorado de Jean,  além do teletransportador Noturno (Kodi Smit-McPhee), o velocista Mercúrio (Evan Peters), a deusa do clima Tempestade/Ororo (Alexandra Shipp) e o acrobata azul Fera/Hank McCoy (Nicholas Hoult). A trama também conta com a participação de Magneto (Michael Fassbender) e sua irmandade de mutantes, além de Jessica Chastain como uma alienígena que busca a força Fênix, num papel praticamente sem carisma algum e com uma motivação clichê.

Entre altos e baixos do filme, um destaque fica para a trilha grandiosa e competente de Hans Zimmer (Homem de Aço), que consegue segurar o enredo, principalmente da segunda metade da história.

De forma geral, o filme procura trazer questões contidas nos quadrinhos, como a batalha interna de Jean com as tentações da força Fênix e sua relação familiar com a equipe de mutantes. As semelhanças com a saga dos gibis terminam aí (com exceção da breve aparição de uma cantora mutante), ou seja, nada de Clube do Inferno, Mestre Mental ou Shiars. Num primeiro momento isso pode decepcionar os fãs da franquia, que desde o fadado X-Men: O Confronto Final (2006) ficaram na promessa de uma adaptação à altura dessa fase dos mutantes.

Parece impossível, talvez inviável, que uma adaptação cinematográfica de duas horas seja 100% fidedigna à trama original dos quadrinhos. Vale lembrar que a série animada do início dos anos 1990 conseguiu fazer isso usando quase uma temporada completa, mas lembremos: é uma série animada.

Ainda assim, detalhes bacanas que fazem dessa saga algo especial foram limados, tirando a grandiosidade que existe no original. Por essas e outras,  X-Men: Fênix Negra, acaba deixando a desejar no quesito adaptação – simplifica demais a trama – deixando um final agridoce e uma sensação de que “faltou algo a mais” para consagrar a franquia dos mutantes nos cinemas.

Nosso veredito é que para o espectador que busca um cinema pipoca de super-heróis mutantes sem grandes pretensões, o filme cai bem, tentando passar uma mensagem bacana sobre o conceito de uma família adotiva e de como essas relações se dão entre os X-Men. Já quem é muito fã da franquia X, principalmente os iniciado nos quadrinhos, talvez se frustre ao notar que a tentativa de trazer a “Saga da Fênix Negra” em toda sua grandeza para os cinemas não tenha sido bem sucedida.  São mídias diferentes, mas o gostinho de quero mais permanece. Quem sabe, futuramente, seja um trabalho para a Disney resolver?

Uma dica final: a revista Mundo dos Super-heróis deste mês se debruça sobre o filme e faz uma comparação sobre a adaptação, relembrando os grandes momentos dos quadrinhos e falando detalhes do filme para quem não está tão familiarizado com os quadrinhos.

Papo de Quadrinho viu: Brightburn – Filho das Trevas


A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu Brightburn – Filho das Trevas, que une superpoderes e terror à mais mitológica origem de um super-herói nos quadrinhos.

A história da origem do Superman já é um marco na cultura popular, quando uma nave caiu na Terra trazendo um bebê e foi encontrada pelo casal de fazendeiros Jonathan Kent e Martha Kent. O casal cria a criança como seu filho adotivo, Clark Kent, que mais tarde viria a ser herói que todos conhecemos: como gentil, generoso, nobre, incorruptível, praticamente um escoteiro gentil, altruísta e um símbolo da “verdade, justiça”, sendo tudo o que aspiramos ser e muito mais. Com poderes como superforça, invulnerabilidade, voo, visão de calor, entre outros frutos da sua natureza biológica, sua personalidade e humanidade são consequência da criação.

Mas e se as coisas fossem um pouco diferentes? E se o rapaz tivesse crescido com um sentimento de superioridade sobre o restante da humanidade, egoísta e achando que poderia escravizar todos? Esse é o mote de Brightburn – Filho das Trevas, do diretor David Yerovesky.

O filme aborda praticamente a mesma origem do Superman, em que Brandon Breyer (o Clark Kent desse universo) é criado por Kylie Brayere (David Denman) e Tori Brayer (Elizabeth Banks),  réplicas exatas dos carinhosos e cuidadosos Kent, depois de ser encontrado em uma nave espacial. Ele vai descobrindo seus superpoderes à medida que cresce, porém ao invés de um comportamento bom, o rapaz se torna um assassino frio e maléfico.

O que causa essa grande mudança? É nesse ponto que os escritores Brian e Mark Gunn (irmãos do diretor e roteirista James Gunn, de Guardiões da Galáxia, que participa como produtor da película) erram a mão. Deslocando o filme do que poderia ser uma ótima apresentação de conflito psicológico entre “natureza versus criação”, os roteiristas decidem tornar o filme mais simplista ao conectar a brusca persona maléfica de Brandon à uma possessão por sua nave espacial. A partir desse ponto, o personagem vira uma máquina de matar que utiliza seus superpoderes elimina todos que se atrevem a contrariar seus passos.

Apesar do enredo pender para um filme de terror genérico no estilo “slash movies” temperado com superpoderes, o diretor David Yarvesky merece créditos pela brutalidade explícita das cenas de morte, que poderão atrair os fãs do gore. As cenas em que a mandíbula de uma das vítimas fica pendurada ou em que um caco de vidro é retirado de dentro do olho são de deixar os nervos à flor da pele. Entretanto as emoções param aí…

As interpretações são benfeitas e um dos pontos positivos do filme, com Jackson A. Dunn (que interpretou o jovem Scott Lang em Vingadores: Ultimato) retratando um Brandon Beyer assustador e misterioso, até mesmo quando o personagem ainda é “bom”. Elizabeth Banks e David Denman são o ponto forte do filme como o casal Breyer, representando de forma sólida os encantadores pais de família que aos poucos vão se dando conta do perigo que têm dentro de casa.

Outro destaque é a trilha sonora nos momentos mãe-filho do filme. Composta por Tim Williams, a música remete e emula o tema criado por Hans Zimmer para o filme Superman: Man of Steel (2013). Praticamente um easter-egg para os fãs do Homem de Aço.

Uma pena que, ao tentar apresentar o lado sombrio de uma origem alternativa do Superman, a película peca ao não se aprofundar numa discussão moral e cai no clichê de filmes de terror convencionais de assassinos, em que o que mais vale são as cenas de morte, o suspense passageiro e os momentos gore.

A sensação ao sair do cinema foi de mais um filme de terror genérico, deixando o telespectador que buscava um paralelo maligno à origem do Superman com vontade de algo mais.

Papo de Quadrinho viu: John Wick 3 – Parabellum

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘John Wick 3 – Parabellum’, novo longa da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS

“Si vis pacem, para bellum (Se você quer paz, prepare-se para a guerra).

O primeiro John Wick era apenas um sonho do roteirista Derek Kolstad que pretendia criar um passeio através de um universo cativante, perigoso e sangrento, estruturado em suas próprias regras, porém oculto nas sombras da nossa sociedade desde os tempos imemoriais. Esse roteiro atraiu o ator Keanu Reeves, que encarnou o personagem com perfeição e o restante é uma história de sucesso com os filmes: “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014) e “John Wick: Um Novo Dia Para Matar” (2017).
Assim, John Wick se tornou um ícone abraçado por platéias curiosas e empolgadas por ver e saber mais sobre ele e seu universo.

Em ‘Parabellum’ (ou ‘prepare-se para a Guerra’) a história começa exatamente onde John Wick terminou em “Um Novo Dia Para Matar”, com o protagonista fugindo do Hotel Continental, na pulsante Manhattan. Ele quebrou uma das regras fundamentais: matou um poderoso chefe da máfia no espaço neutro e protegido do hotel, o que lhe “excomungou” e rendeu um prêmio substancioso por sua cabeça, algo que aguça a imaginação de todos ao redor do mundo.

É durante sua fuga que sabemos mais sobre The High Table (ou Alta Cúpula dos Assassinos), grupo que não apenas gerencia a morte ao redor do mundo, mas também serve como uma espécie de sistema de justiça, com seus executores dos reinos do crime pelo mundo. Todo esse sistema é mantido graças a um sólido código de honra e uma elite que faz cumprir essa lei.

Aos poucos é revelado mais sobre esse incrível mundo mitológico e hiper-real com hotéis secretos e os homens e mulheres mais perigosos do mundo que o procuram a cada esquina.

Para sobreviver, nosso anti-herói precisa sair de cena e ao voltar às suas origens. É assim que conheceremos mais sobre os mistérios de como John Wick se tornou o assassino “Baba Yaga”.

Reeves faz um personagem brutal e ao mesmo tempo carismático, embora nunca sorria. Sua fuga é marcada por sequencias impressionantes de lutas, mortes, perseguições e tiroteios – tudo emoldurado dentro de uma fotografia minuciosamente bem feita. Há tempos que esse editor se diverte muito mais com os exageros do “wickiverso” do que com as aventuras de um 007.

Por fim, é preciso dizer que embora  seja um filme divertido e conte com um elenco estrelado de grandes atores e atrizes como Ian McShane (Gerente) e Halle Berry (Sofia), a história em si mesma não acrescenta muito ao todo – é apenas mais um capítulo de vingança e morte. Mas pelo menos desta vez, todo os assassinos sabem o que acontecem quando se atira em um cachorro.

O filme estreia nesta quinta-feira (16/05) com uma ação desenfreada, maior até que os filmes antecessores.  O espectador encontrará um Wick ainda mais letal e violento em busca de sua sobrevivência, uma experiência de adrenalina e violência tão bem feita que empolga.

Despretencioso, vale o ingresso e vai agradar aos fãs do genero.

Vingadores: Ultimato – Um épico grandioso e intimista

A Marvel encerrou seu primeiro grande arco de história no cinema de forma épica. Vingadores: Ultimato, que estreia nesta quinta-feira (25), é grandioso e intimista ao mesmo tempo. É tudo que você espera, e mais.

É um filme feito para emocionar, divertir e surpreender, sem abrir mão da origem nos quadrinhos nem deixar de contar uma boa história.

É um filme-homenagem aos 11 anos do estúdio e a todos os 21 filmes que vieram antes.

A trama é conhecida ou pelo menos imaginada pela grande maioria dos fãs: os Vingadores remanescentes precisam encontrar uma forma de desfazer a dizimação causada por Thanos ao final de Guerra Infinita.

Nem por isso, seu desenrolar é óbvio ou previsível. Qualquer pista de como eles levam o plano adiante será um spoiler.

O que dá para dizer é que cada vingador lidou com a dizimação à sua própria maneira e, durante a jornada, cada um deles vai encarar seus próprios fantasmas.

Daí vem a maior carga dramática do filme e também seus momentos mais divertidos. O humor, em escala até menor que em outras produções da Marvel, é mais que orgânico, é cirúrgico.

Vingadores: Ultimato inverte muitas das expectativas, tanto no conjunto quanto no desfecho de cenas específicas.

A Marvel foi extremamente competente em guardar segredo sobre algumas passagens e personagens, e estas surpresas estão entre as melhores coisas do filme.

Desejo de coração que você consiga fugir dos spoilers para viver esta experiência ao máximo.

Sem exagero, Vingadores: Ultimato é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos.

Não só pelo filme em si – que, sim, é ótimo –, mas principalmente pelo que ele representa em termos de fechamento de todas as pontas um universo complexo, intrincado e interligado.

Quando começam a subir os créditos, a sensação é que vai demorar outra década para voltarmos a assistir a algo com tamanha magnitude.

Vingadores: Ultimato é aquele gibizão de 300 páginas que você pega para ler numa tarde preguiçosa e não quer que acabe nunca mais.

Um dia no Festival Guia dos Quadrinhos

O Festival Guia dos Quadrinhos comemorou 10 anos de casa nova, o amplo Hakka Plaza, no bairro da Liberdade, em São Paulo (a cinco minutos do metrô São Joaquim). É consenso entre todas as pessoas com quem conversei de que se trata do evento mais “raiz” dos quadrinhos – ou seja, um espaço de excelência para consumidores, colecionadores e fãs da nona arte.

Funciona um contraponto às lotadas Comic Cons, daqui e lá de fora, que têm no entretenimento e no merchandising – notadamente grandes produções para cinema e TV – seu maior atrativo, exceção feita aos chamados “Beco dos Artistas”.

No Festival, ao contrário, os quadrinhos continuam como a estrela principal. É possível comprar HQs autorais do pessoal do circuito independente, edições antigas vendidas por colecionadores e raridades em lojas especializadas como a Comic Hunter, que tem um amplo acervo e pratica preços bem honestos.

Uma das atrações deste ano foi a Culturama, que recentemente assumiu a publicação dos quadrinhos Disney no Brasil. Já de largada, a editora mostrou respeito aos leitores com um tratamento editorial de primeira e proximidade com seu público.

Para coroar estes esforços, a Culturama trouxe para o Festival o roteirista e desenhista italiano Francesco Guerrini para participar de painéis e de sessões de autógrafos.

O artista esbanjou talento e simpatia no estande da editora, que registrava as maiores filas do evento – nada comparado às filas da CCXP, por exemplo. Cada autógrafo vinha acompanhado de uma pequena obra de arte em forma de sketch.

O ambiente meio intimista do Festival Guia dos Quadrinhos é propício para o networking. Em meio às mesas dos artistas, colecionadores e visitantes, sempre tem alguém que você conhece para rever e bater papo.

A programação também é bem bacana, com mesas redondas de profissionais da área, os tradicionais quizz nerds e uma novidade deste ano (até onde me lembro), os leilões de HQs raras.

Colecionadores de action figures não ficam totalmente órfãos e conseguem encontrar lojas e vendedores espalhados em meio à predominância de mesas de gibis. Para os que curtem Funko Pop (como este editor), a Funkomania é uma expositora tradicional do Festival, com peças bacanas e bons preços.

A revista Mundo dos Super-Heróis também está no Festival vendendo suas edições regulares e especiais

Enfim, é muito bom que festivais de quadrinhos com este perfil sobrevivam, e o Edson Diogo está de parabéns por manter a chama acesa.

Para quem é de São Paulo e estiver lendo isto a tempo, o Festival Guia dos Quadrinhos vai até este domingo, 14 de abril, das 10h às 18h, com ingresso a R$ 60 (meia entrada para estudantes e para quem doar pelo menos dois gibis em bom estado para ajudar a formar a gibiteca da Escola Estadual Castro Alves).

SHAZAM! Inspira parceria entre Warner, J. W. Thompson e Associação Maria Helen Drexel

O filme Shazam! conta a história de um menino de 14 anos que cresceu longe dos pais e que se transforma em um super-herói adulto mas com espírito de uma criança e poderes divinos. Com isso em mente a J. Walter Thompson fez uma campanha para incentivar que as pessoas busquem mais informações sobre os jovens que vivem em casas de acolhimento.

Muitas crianças e adolescentes que moram nesses abrigos podem ser apadrinhados afetivamente ou adotados, o que nem sempre é de conhecimento da sociedade brasileira. Este editor só sabia desse modelo de apadrinhamento porque casualmante já tinha conhecidos que faziam esse trabalho incrível que envolve mais que doação em dinheiro, mas também interesse, amor e compaixão. 

Para celebrar esta campanha, a Warner Bros. Pictures apadrinhou simbolicamente 80 crianças de casas de acolhimento por um dia, convidando-as para assistir ao filme Shazam! em uma pré-estreia especial realizada no último sábado, 30 de março, com o apoio do Kinoplex Vila Olímpia (SP), que cedeu a sala e a pipoca e da Piticas, que doou as camisetas para as crianças. Juízes que apoiaram e autorizaram a campanha também estavam presentes.

As peças da campanha foram assinadas com a frase: “os superpoderes eles já têm. Agora só falta o seu apoio”, pois o objetivo da campanha é informar e conscientizar as pessoas por meio das histórias dos jovens. As crianças que vivem em instituições de acolhimento, como a Associação Maria Helen Drexel, convidam você a conhecer os super-heróis da vida real no site da instituição.

Você pode ler nessa resenha do filme Shazam, aqui!

Papo de Quadrinho viu e gritou: – SHAZAM!

A convite da produtora Espaço Z e da Warner,  nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu o mais novo filme da DC Universe nos cinemas, Shazam! Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Um jovem delinquente órfão de 14 anos chamado Billy Batson recebeu o poder mágico de se tornar um super-herói praticamente imbatível. Para isso, basta ele gritar a palavra mágica – SHAZAM!

Shazam! ou melhor, o Capitão Marvel foi criado em 1939 pelo roteirista Bill Parker e o desenhista C.C. Beck, aparecendo pela primeira vez em 1940. Foi publicado pela Fawcett Comics até 1953, e só retornou em 1973 quando teve seus direitos adquiridos pela DC Comics, depois de uma longa batalha judicial que não nos deteremos agora.

A versão que você verá nos cinemas traz elementos baseados tanto na origem de Shazam, como nas versões apresentadas nos quadrinhos em 1994 por Jerry Ordway e mais recentemente por Geoff Johns.

Como todos os filmes de origem, o diretor David F. Sandenberg (Anabelle 2)  narra como o jovem órfão Billy Batson (Asher Angel), recebe de um misterioso mago o poder de se transformar em um super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi) apenas evocando seu nome.

Num panorama cinematográfico Shazam! reforça a mudança de direcionamento criativo que a DC/Warner vem tomando nos cinemas desde Mulher-Maravilha e seguindo por Aquaman. O filme apresenta um enredo e ambientação mais voltados aos quadrinhos heróicos e despretensiosos, mesclando de forma equilibrada humor e aventura, e abandonando toda a ambientação “dark” e a seriedade de Batman vs. Super-Homem e Liga da Justiça. Ponto positivo para agradar os mais diversos espectadores e marcar o caminho que as produções da DC/Warner devem seguir daqui por diante.

Durante o filme vemos situações cômicas com a descoberta dos poderes de Billy como Shazam, assim como sua relação com sua família adotiva e seus irmãos. O mérito do filme é abordar a história de origem com um tom leve, com inocência e diversão. Ficamos realmente com a impressão que Shazam é um garoto no corpo de um adulto superpoderoso, interpretação muito bem executada por Zachay Levi.

A interação dos personagens, especialmente nas cenas com o irmão Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), é outro pontos forte do filme, com tiradas geeks relacionadas aos poderes de super-heróis. Chama a atenção a essência familiar do filme, que aproxima e humaniza o personagem, deixando claro que além de super-herói, ele ainda é um adolescente de 14 anos órfão que precisa se ajustar com um novo lar e uma família adotiva. Essa questão vai se desenvolvendo ao longo do filme, construindo as relações entre os personagens.

O vilão do filme, Dr. Silvana, interpretado por Mark Strong, traz um personagem bem construído, contando sua origem e deixando claro suas intenções, com visual e trejeitos que conseguem unir as diferentes versões do personagem dos quadrinhos.

Em relação aos efeitos especiais e as cenas de ação, elas não deixam nada a desejar para o gênero de um filme de super-herói. Tanto os efeitos nas cenas de ação urbanas quanto de outros obstáculos que surgem para ameaçar o Shazam, nada destoa. Parece que a DC/Warner aprendeu a criar vilões e outros perigos virtuais que funcionem e amedrontem, diferente do insípido (e virtual) Lobo da Estepe em Liga da Justiça.

A trilha sonora une músicas populares, com rock (Ramones – I don´t Wanna Grow Up), rap (Kendrick Lamar – Humble), soul (Natalie Cole – This Will Be) e até clássicos (Bing Crosby – Do you hear what I hear) que consegue casar com os diversos momentos do filme, reforçando ainda mais a função da película  de entregar uma narrativa alto astral e divertida, lembrando os filmes de aventura dos anos 1980. O tema musical do Shazam foi conduzido e composto por Benjamin Wallfisch, e remete ao clássico grandioso de John Willians em Superman.

Para os fãs de quadrinhos o filme não foge à regra e está recheado de referências tanto dos quadrinhos, quanto no universo cinematográfico da DC e até de um certo clássico do cinema de 1978.

Ah e após os créditos, teremos duas cenas extras, portanto vale a pena ficar até o final da projeção!

Nerds da quebrada


Com fotos e informações de Edie Fortini para o Papo de Quadrinho.

No último domingo (24/03), a Fábrica de Cultura do Capão Redondo recebeu a primeira edição do PerifaCon, uma iniciativa de um grupo de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop o geral que cresceram nas periferias de São Paulo. A ideia era levar a Cultura Pop para quem não tem no mínimo 110 pilas para um ingresso “barato” de uma CCXP e acaba ficando à margem deste universo Nerd.

O evento foi produziado de modo colaborativo, através do lançamento de uma campanha de financiamento coletivo no final do ano passado. Contou ainda, com o patrocínio e o apoio da Chiaroscuro Studios, uma das maiores agências de representação de quadrinistas que também levou uma programação exclusiva com a presença de vários artistas brasileiros de renome que atuam na DC Comics, Marvel Comics, Image Comics, Titan Books e Dark Horse entre outras. Um incentivo financeiro e operacional que merece aplausos.

Foram mais de 7 horas de programação acontecendo simultaneamente nos 7 andares da Fábrica. Em números a 1ª edição teve mais 200 pedidos de artistas para participar do Beco dos Artistas, mais de 150 mídias de imprensa credenciadas, mais de 150 inscrições de voluntários e quase 3 mil pessoas previamente credenciadas como visitantes.

“Nossa expectativa de público era de aproximadamente 3 mil pessoas, tendo como base as inscrições feitas previamente. Às 14h, do dia 24 a fila na porta do evento já apresentava indícios de um sucesso além do esperado. O público ultrapassou a marca de 4 mil visitantes, levando a superlotação do prédio, o que infelizmente nos levou a encerrar e entrada de novos visitantes por uma questão de segurança”, comenta Luíze Tavares, produtora do evento.

As filas causaram algum transtorno para os visitantes, mas com o sucesso nas visitas, ficou impressão que o evento precisa de mais espaço para crescer em sua próxima edição.

O evento

A programação da PerifaCon contou com 230 palestrantes e oficineiros da cena pop e periférica, como o rapper Rashid, que falou de como surgiu seu interesse por quadrinhos e as influências desse universo em seu novo clipe “Não é desenho”, KL Jay do grupo Racionais MC’s que participou da mesa de debate com o tema “Arte como resistência”, Natalia Bridi, editora-chefe do Omelete participou da mesa de debate “Mulheres no Mundo Nerd”.

Já o “Beco dos Artistas” teve a participação de 44 expositores e 14 lojas e editoras vendendo seus trabalhos a preços acessíveis, entre eles estão Companhia das Letras que levou ao evento o trono da Guerra de Tronos, editora Morro Branco, editora Draco entre outras. O concurso de cosplay foi um ponto alto da PerifaCon, já que o cosplay é uma tradição entre os frequentadores deste tipo de evento nerd.

Ainda tiveram atrações musicais, sala de games, oficina de RPG, e a exposição “Rap em Quadrinhos” idealizada pelos artistas Load e Wagner Loud que também fizeram parte do roteiro de quem esteve na 1ª comic con da favela.

O espaço kids foi idealizado para mexer com a imginação e o interesse dos pequenos, e teve um concurso de desenhos, uma oficina de poções e decoração de cupcakes, entre outros destaques.

O saldo da PerifaCom foi muito positivo. Cumpriu seu objetivo de levar o universo Nerd com diversão, personagens, produtos e serviços para os jovens da periferia, que historicamente são negligenciados. Além disso, deu o pontapé inicial para fomentar outros eventos de cultura pop, nerd e geek nas periferias de São Paulo, contribuindo para a quebra de barreiras culturais e financeiras, sem deixar de promover para os jovens o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa. Quem venham muitos outros eventos como esse.

Papo de Quadrinho viu: Uma Aventura Lego II

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor em Porto Alegre conferiu o novo filme da franquia Lego.

Quando a primeira Aventura Lego foi lançada (2014), pegou o mundo de surpresa. Divertida, engraçada e frenética, a animação trazia um caldeirão de referências e personagens carismáticos, entre conhecidos e novos, e uma boa história, sem se esquecer que seu universo é baseado em um brinquedo de blocos dinamarqueses remontáveis.

Essa ação de remontar blocos com novas possibilidades não é somente um mote de venda de bonecos, mas foi habilmente usado na primeira história.  Depois vieram Lego Batman (2017) e Lego Ninjago (2017).

Com o sucesso desta fórmula, Uma Aventura Lego II procura dar um passo além, quebrando a 4ª parede e deixando claro que os bonecos fazem parte de um universo maior e real, mas ainda assim explorando a mitologia criada pela Lego com seus licenciamentos e seus personagens próprios. Esse é o grande mérito do diretor Mike Mitchell de Trolls (2016).

Nesta nova aventura, temos mais uma vez o jovem e otimista construtor Emmet (que na dublagem original é feita pelo ator Chris Pratt), vivendo em uma sociedade destroçada pela invasão de ‘alienígenas’ da linha Lego Duplo (a linha de brinquedos para crianças pequenas) que aparecem para destruir tudo, numa clara referência às crianças pequenas que querem ‘destruir’ a brincadeira dos irmãos e irmãs mais velhos.

É nesta sociedade chamada de Apocalipsópolis (referência à Mad Max, com direito a estátua da Liberdade destruída de Planeta dos Macacos) que surge um novo vilão de outro universo.

Esse novo inimigo captura Lucy, Batman, Capitão Pirata, Ultra Gata e o Astronauta e os arrasta para uma galáxia distante: um prenúncio do fim do mundo. Resta ao dócil Emmet partir para o resgate e salvar seus amigos e o universo, desta vez com a ajuda de um novo personagem, Rex, um aventureiro casca grossa que quer transformar Emmet em um cara durão.

Chama atenção como o diretor consegue contar bem uma história em meio à ação colorida e frenética, ao mesmo tempo em que insere várias referências pop para os pais. O filme investe na quebra da 4ª parede, outro acerto que conecta ainda mais o público infantil com o ato de imaginar e brincar usando blocos.

São essas mudanças em relação ao primeiro filme que remontam (trocadilho involuntário) o universo Lego e dão um passo além para a franquia.

É um filme que deve trazer boas lembranças aos pais e cumpre o papel de entreter e capturar a atenção das crianças. Afinal a razão de ser deste universo ainda são as crianças (ou seriam também os adultos?).

Compre sua pipoca, leve seus filhos, sobrinhos, netos e passe umas horas divertidas no cinema. Todos merecem.

Papo de Quadrinho viu: Aquaman

A convite da produtora Espaço Z e da Warner,  nossos editores em Porto Alegre e São Paulo conferiram o filme Aquaman.

Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers (e na medida do possível, usando poucos jargões náuticos).

Por Jota Silvestre e Társis Salvatore

O Aquaman foi criado em 1941 na chamada Era de Ouro dos quadrinhos (um período de inocência e consolidação das HQs de super-heróis) por Paul Norris, com co-criação de Mort Weisinger, e sempre foi um coadjuvante.

Assim como outros personagens da DC Comics, sofreu com diversas mudanças em suas origens, mas acabou ficando mais conhecido nos quadrinhos pela história usada em seu primeiro filme solo, que estreia nesta quinta-feira (13), em circuito nacional.

Filho do faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) com a rainha atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) é a ponte entre dois mundos diferentes e o narrador da trama criada pelo diretor James Wan (Jogos Mortais, Invocação do Mal). E aqui temos o primeiro acerto.

Wan prova que não é apenas hábil em mostrar grandes cenas de luta: sabe conduzir uma boa história, amarrá-la de forma coesa e emocionante. Tudo contado de forma orgânica e sem atropelos.

A Jornada do Herói (Mundo Comum, Chamado à Aventura, Recusa ao Chamado, Encontro com o Mentor…) está toda descrita, com o protagonismo de Mera (Amber Heard) e o nascimento do ótimo vilão Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II).
Bem como as intrigas políticas de Atlântida estimuladas por Orm/Mestre dos Oceanos (Patrick Wilson) e Nereus (Dolph Lundgren) que almejam lançar o planeta em uma guerra entre os povos do mar e da superfície.

Embora os trailers tenham entregado bons momentos do filme, muitos ficaram guardados, seja na forma como Mera vai conhecendo a vida da superfície seja na crítica sobre a poluição sistemática dos mares e o aquecimento global.

Wan trabalha com excelência subtramas como as diferenças étnicas dos reinos no fundo do mar, o viés militarista, as lendas atlantes que misturam misticismo com tecnologia… Tudo bem narrado, com humor no tempero certo e com um trio de personagens (Aquaman-Mera-Arraia Negra) muito cativante. Como se não bastasse, a história vem emoldurada em um visual espetacular, que envolve de paisagens submarinas ao visual tecnológico, de armaduras ultramodernas a criaturas abissais.

Outro acerto é a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams (o mesmo da ótima trilha de Mulher-Maravilha). É um ponto forte do filme que já chamava a atenção já nos trailers.

Enquanto isso nos quadrinhos…

Um efeito colateral esperado foi a DC Comics gradualmente aproximar a imagem de um de seus mais antigos personagens ao ator Jason Momoa. O que já acontece normalmente com os action figures, se espalhou para os quadrinhos e algumas edições recentes da revista do Aquaman trazem capas variantes com o visual do filme. Mas sem sustos, embora barbudo e cabeludo ele continua loiro como em sua origem.

Os arcos de histórias que são publicados no Brasil têm alguns altos e baixos, mas no geral o saldo é bastante positivo. Somado ao provável sucesso do filme (a estreia na China já rendeu US$ 94 milhões) podem elevar o personagem a seu merecido lugar entre os grandes super-heróis das histórias em quadrinhos.

É irônico que após tantas detrações e desdém no decorrer de anos – elas vão desde esquecimento, maus tratos nas mãos de roteiristas até piadas nas chamadas do Cartoon Network – que justamente Aquaman, um personagem tão subestimado, tenha um filme tão bom, redondo e quem sabe seja a bússola para guiar os filmes vindouros da Warner/DC.

Dizer que Aquaman é um dos melhores filmes do Universo Estendido da DC pode não parecer grande coisa, dada a decepção dos fãs com Batman vs. Superman, Liga da Justiça e Esquadrão Suicida.

Por outro lado, preste atenção quando dizemos que Aquaman se equipara ao Mulher-Maravilha, embora sejam cenários bem diferentesMais ainda: no primeiro ato, o filme se equipara a uma das produções cinematográficas mais queridas dos fãs de quadrinhos: Superman – O Filme, de 1978.

Com Aquaman – e o vindouro Shazaam! – parece que a Warner/DC enterrou de vez o clima sombrio que predominou até então em suas produções. Finalmente, o estúdio perdeu a vergonha de dizer que, sim!, faz filmes bons baseados em histórias em quadrinhos.

PS: desnecessário lembrar os leitores que filme bom de super-heróis tem cena pós créditos ;)

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