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2018: O que vem por aí pela V&R Editoras

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Neste ano, a V&R lança Escrito e Desenhado por Enriqueta, segundo título do argentino Liniers publicado pela editora no Brasil.

Neste trabalho, Liniers faz uma homenagem ao processo de criação de uma obra. Como diz o título, a história de uma jovem valente que enfrenta monstros e outras ameaças é contada por Enriqueta, uma das protagonista da série de tiras Macanudo.

A editora vai lançar também o 13o volume de Diário de um Banana e uma edição especial com o primeiro volume da coleção, em comemoração aos 10 anos de publicação no Brasil.

2018: O quem vem por aí pela Geektopia/Novo Século

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Nem parece que faz menos de dois anos que a Novo Século lançou seu selo Geektopia, voltada para o público geek. Em pouco tempo, a editora trouxe ao Brasil HQs de fora do circuito tradicional e com alta qualidade. 

De Volta para o FuturoLocke & KeyAmor é AmorThe Wicked +The Divine são apenas alguns exemplos, sem contar a linha de livros em prosa da Marvel. 

Neste ano, não será diferente. Veja abaixo alguns dos lançamentos anunciados pela editora até o momento. 

Archie (Mark Waid e Fiona Staples): Novidade ansiosamente aguardada. A série lançada nos Estados Unidos em 2015 oferece uma versão atualizada dos clássicos quadrinhos de Archie e sua turma que vêm sendo publicados desde 1941. 

Com roteiro de Mark Waid, essa reformulação serviu de base para o seriado de TV Riverdale, exibido no Brasil pelo canal Warner. Deu origem também a um grande número de títulos – JugheadBetty & VeronicaRiverdale e outros – que, tomara, a Novo Século também traga para o Brasil. 

A editora ainda não revelou detalhes, mas o mais provável é que publique aqui de forma regular e no formato de encadernado norte-americano, com seis edições cada – lá foram já saíram quatro volumes. 

geekderivaÀ Deriva: do premiado Brian O’Malley (Scott Pilgrim contra o MundoRepeteco) chega a história de uma garota tímida de 18 anos que acha que sua alma foi roubada por um gato e embarca numa viagem com colegas da escola para refletir sobre a vida. 

geekmeninasfofasA Irmandade das Meninas Fofas (de Greg Means, Mk Reed e Joe Flood): Jane pensa em namorar Jack, um cara que ela conheceu por acaso e que tem uma péssima reputação amorosa, de acordo com o grupo de informação compartilhando entre solteiras da cidade, a Irmandade das Meninas Fofas. 

geekinsufferableMais uma de Mark Waid, Os Insuportáveis (com arte de Peter Krause) mostra o reencontro de dois parceiros na luta contra o crime que seguiram caminhos diferentes: o nobre Nocturnus e seu antigo e insuportável sidekick, Galahad. 

geekeldeafoEl Deafoautobiografia em quadrinhos de Cece Bell, conta a história de uma menina com problemas auditivos. Para suportar a discriminação, ela cria o alterego Ed Deafo, uma heroína que usa seu aparelho de ouvido como um superpoder. 

geekfriendsFriends with Boys (de Faith Erin Hicks): Maggie McKay precisa enfrentar a vida, mas isso significa passar primeiro pelo ensino médio, resolver o mistério do fantasma que a acompanhar por toda a vida e fazer novas amizades.

 

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Alex e Ada – volumes 2 e 3 (de Jonathan Luna e Sarah Vaughn): Alex despertou a consciência de Ada, a androide de alta tecnologia que ganhou de sua avó. Quanto mais tempo passam juntos, mas eles se aproximam e precisam lidar com a crescente onda de restrições aos androides. O volume 1 foi lançado pela Novo Século no ao passado. 

geekwickedQuem também ganha sequência é The Wicked + The Divine, de Kieron Gillen e Jamie McKelvie. De acordo com a sinopse, esse terceiro volume é mais sombrio e estranho que os anteriores, também lançados pela Novo Século (em 2016 e 2017). A HQ acompanha a saga de deuses que vivem entre os mortais como se fossem ídolos pop. 

2018: O que vem por aí pela Zarabatana Books

SENFUIR_00.pdfA Zarabatana Books confirma para este ano o lançamento da mais recente obra do franco-canadense Guy Delisle, Fugir: O Relato de um Refém (título provisório).

A obra consumiu 15 anos para ficar pronta. Nela, Delisle acompanha o inferno do confinamento de 111 dias de Christophe André, sequestrado enquanto trabalhava na administração da ONG Médicos sem Fronteiras no Cáucaso.

O lançamento tem 432 páginas e está programado para o primeiro semestre. O catálogo da Zarabana conta com outros títulos de Guy Delisle: Pyongyang, Shenzhen, Crônicas Birmanesas, Crônicas de Jerusalém e O Guia do Pai sem Noção vol. 1.

2018: O que vem por aí pela Rocco

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A Rocco vem fazendo poucos mas bons investimentos no segmento de histórias em quadrinhos, como o ótimo Entrevista com o Vampiro – A História de Cláudia, em 2015, e o premiado O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman e P.Craig Russell, no final do ano passado.

Para este ano, a editora programou o lançamento de Slugfest (Pancadaria, em tradução livre), do jornalista Reed Tucker.

O livro expõe os bastidores dos 50 anos de rivalidade entre as duas maiores editoras norte-americanas de quadrinhos, DC Comics e a Marvel, e revela o arsenal de estratégias empregado por ambas para superar a concorrência, como roubar ideias e funcionários, plantar espiões e implementar a guerras de preços

A Rocco ainda não definiu o título em português, capa e data de lançamento no Brasil.

2018: O que vem por aí pela WMF Martins Fontes

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Abrimos a tradicional prévia deste ano com os lançamentos anunciados pela WMF Martins Fontes.

Entre os poucas e boas novidades da editora para 2018, chama atenção o livro Words for Pictures: the Art and Business of Writing Comics and Graphic Novels (ainda sem título em português), de Brian Michael Bendis.

Como vocês sabem, Bendis foi um dos principais nomes da Marvel nas duas últimas décadas e pegou o mundo de surpresa ao anunciar sua partida para a concorrente DC Comics no final do ano passado.

No livro, publicado pela primeira vez em 2014, o roteirista revela suas técnicas e de outros autores para criar uma HQ de sucesso e apresenta todas as etapas de produção, da ideia original à arte final. Apresenta exemplos de roteiros, um glossário dos termos mais usados na indústria dos quadrinhos e alguns exercícios para praticar.

Vale lembrar que a WMF Martins Fontes foi responsável por trazer para o Brasil em 2014 o clássico e até então inédito How to Draw Comics in the Marvel Way, de John Buscema e Stan Lee.

Nori & Eu é outro bom lançamento da editora, esse nacional, com roteiro de Caeto (Dez Anos para o Fim do Mundo) e arte de Masanori. Confira na galeria abaixo alguns esboços exclusivos a que o Papo de Quadrinho teve acesso.

wmf2_democraciaPor fim, volta aos planos da WMF Democracia, anunciado anteriormente em 2016. Dos mesmos artistas de Logicomix, Alecos Papadatos e Annie Di Donna, e textos de Abraham Kawa, a trama tem início em 490 a. C., com Atenas em guerra. Através da história de vida do personagem Leander, o leitor acompanha fatos históricos anteriores àquela época e os acontecimentos que levaram ao surgimento da democracia.

 

 

Esboços exclusivos de Nori & Eu, de Caeto e Masanori (clique para ampliar)

HeroWorld: nova linha colecionável da Funko!

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Preparem os bolsos, colecionadores! A Funko acaba de anunciar mais uma linha de bonecos de vinil, chamada HeroWorld.

A novidade será vendida com exclusividade nas lojas físicas e virtuais da rede de varejo Target, mas é bem possível que em pouco tempo esteja disponível no marketplace de outras cadeias.

HeroWorld inclui figuras de 4 polegadas (10 cm) da Liga da Justiça, Teen Titans Go!, Power Rangers, Scooby Doo e outras (veja galeria abaixo), em packs de 2 e 5 personagens.

Warner troca o comando dos filmes da DC

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Se havia alguma dúvida do descontentamento dos executivos da Warner com o resultado criativo e comercial de Liga da Justiça, ela não existe mais.

A Variety divulgou na manhã de hoje (4) que Walter Hamada é o novo presidente da divisão de filmes da DC Comics.

A notícia que Jon Berg e Geoff Johns seriam substituídos começou a circular poucas semanas depois da estreia de Liga da Justiça, quando então já se conhecia a recepção pouco calorosa dos fãs.

E olha que os dois foram chamados às pressas para socorrer Zack Snyder depois da decepção de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça.

Hamada trabalhava como produtor executivo da New Line – que também pertence à Warner –, onde produziu sucessos como Invocação do Mal 1 e 2 e It: a Coisa, sexta maior bilheteria dos Estados Unidos em 2017.

Geoff Johns continuará supervisionando os quadrinhos, séries de TV e animações da DC, mas está fora do poder decisório dos filmes e vai ocupar apenas um papel consultivo.

O que esperar de Runaways, nova série de TV da Marvel?

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Runaways estreia amanhã, dia 21, na plataforma de vídeos Hulu. A boa notícia vem acompanhada de duas más: o Hulu ainda não está disponível no Brasil e, por isso, a série chega por aqui só em 2018, pelo canal Sony (sem data definida).

Quem são os Runaways?

A rigor, a trama criada Brian K. Vaughan (roteiro) e Adrian Alphona (arte) no início dos anos 2000 não tem nada de original, e aí reside seu maior trunfo.

Os autores pegaram elementos recorrentes das HQs de super-heróis – alienígenas, mutantes, viajantes do tempo, magos, cientistas malucos – e criaram algo novo, cheio de frescor.

Na trama, seis adolescentes – Alex, Chase, Gert, Karolina, Molly e Nico – descobrem acidentalmente que seus pais fazem parte de uma seita chamada Orgulho e sacrificam inocentes em nome dos Gibborim, raça ancestral que deseja purificar a Terra.

Na tentativa de impedir seus pais supervilões, os jovens descobrem que alguns deles herdaram esses poderes e se veem obrigados a fugir. No meio do caminho, eles cruzam com vampiros e personagens do Universo Marvel, como a dupla Manto e Adaga e até o Capitão América.

Eles também ganham a companhia de um dinossauro fêmea geneticamente alterado e batizado de Alfazema. Detalhe: em vez computação gráfica, os produtores optaram por usar um boneco bastante realista que contracena de verdade com o restante do elenco.

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

Por que devo assistir a Runaways?

Porque, pela qualidade do quadrinho original, a série merece pelo menos uma chance. Os dois trailers divulgados antes da estreia passam a impressão de que a adaptação para a telinha será bem fiel.

Tanto a HQ quanto a série foram concebidas tendo em mente o público adolescente. O confronto super-heroico da trama nada mais é que uma metáfora do clássico conflito de gerações entre pais – que às vezes tomam decisões questionáveis pensando no bem da prole – e filhos – que a despeito do esforço dos pais, têm uma necessidade natural de ir contra a ordem estabelecida.

Haja vista que o slogan que estampa boa parte das edições em quadrinhos é: “Em algum momento da vida, todo jovem acha que seus pais são maus. Mas e se eles forem de verdade?”.

Mesmo não sendo um estouro de vendas na época em que foi lançada, Runaways ganhou um Eisner em 2005 e um Harvey em 2006. No mesmo ano, a American Library Association incluiu o encadernado da série na lista de 10 melhores livros para jovens adultos.

Runaways, a HQ – e, espera-se, a série também – tem todos os elementos que garantem uma boa diversão: diálogos inteligentes, humor, drama, descobertas, relacionamentos, traição. Sem falar que a formação eclética da equipe carrega um tema bastante atual na cultura pop, a representatividade.

Uma curiosidade: Molly Hayes, a caçula mutante e superforte da HQ, teve sua identidade alterada na série para Molly Hernandez. Isso porque qualquer coisa relacionada a “mutantes” no cinema e na TV é de propriedade da Fox. Seus pais, inclusive, nem aparecem creditados no material de divulgação, o que indica que a origem e os poderes da personagem sofreram mudanças na adaptação.

Como faço para assistir a Runaways?

A não ser que você queira recorrer a métodos ilegais e não recomendáveis, o jeito é esperar até 2018.

Uma dica é aproveitar esse intervalo para conhecer a equipe nos quadrinhos, batizada aqui de Fugitivos. A Salvat acaba de lançar um encadernado da coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel (capa vermelha) com o primeiro arco de história.

Antes, a Panini publicou as três primeiras séries completas nesta ordem: Pocket Panini 3 e 4 (2006); Fugitivos 1 e 2 (2006); Avante Vingadores 1 a 14 (2006 a 2008); e Marvel Especial 10 (2008) e 13 (2009). A quarta e quinta séries (2015 e 2017) continuam inéditas no Brasil.

Justiceiro é a melhor série da Marvel-Netflix desde Demolidor

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Depois de algum suspense quanto à data de estreia, a primeira temporada de Justiceiro (The Punisher) finalmente desembarcou na Netflix na última sexta-feira (17).

É a sétima produção conjunta da plataforma de vídeos em parceria com a Marvel e uma das melhores até agora.

Jessica Jones (2015) e Luke Cage (2016) começaram bem, mas cansaram depois da primeira metade. Punho de Ferro (2017) nem isso: mal sobreviveu aos três primeiros episódios – e o fato de a série ser comandada pelo mesmo showrunner de Inumanos, Scott Buck, diz muita coisa a esse respeito.

Defensores, que uniu os quatro heróis urbanos, não é de todo má, mas ficou muito aquém do que poderia ter rendido.

A primeira temporada de Demolidor continua imbatível, com sua violência crua e bom desenvolvimento (sem contar o elemento surpresa), enquanto a segunda foi praticamente salva pela subtrama envolvendo… o Justiceiro!

Marvel's The Punisher

E é justamente nesta posição que a série solo de Frank Castle se posiciona no ranking das melhores produções da Marvel-Netflix até agora: entre a primeira e a segunda temporada de Demolidor.

A trama é bem desenvolvida ao longo dos 13 episódios, sem cansar o espectador nem acelerar em direção ao desfecho. Mesmo as subtramas, como a do jovem que voltou traumatizado do Afeganistão ou a do veterano que montou um grupo de apoio para ex-soldados, trabalham a favor da trama principal.

Justiceiro começa com Frank Castle (Jon Bernthal) ainda limpando a área (eufemismo para exterminando) do que restou dos assassinos de sua família.

Feito isso, ele se transforma num homem sem propósito, um soldado sem missão. Mas como a jornada de todo herói, fatores externos tiram Frank Castle de sua catarse e o jogam no olho do furacão. Pior: ele descobre que no caso da morte de sua mulher e filhos, o buraco é mais embaixo – ou melhor, nas camadas mais acima da hierarquia governamental.

O responsável por essa reviravolta é David Lieberman (o ótimo Ebon Moss-Bachrach), vulgo Micro, um ex-analista da Agência Nacional de Segurança que precisa se fingir de morto para garantir a segurança de sua família. Ele sabe que seus inimigos são os mesmos de Castle e acredita que o ex-fuzileiro é um meio essencial para atingir seus fins.

O difícil é convencer Castle disso, e o rodízio de papéis entre caça e caçador que se forma, a dinâmica entre interesse, identificação e, finalmente, amizade entre eles é uma das melhores coisas de Justiceiro.

Marvel's The Punisher

Pode ser que a série desaponte alguns fãs que esperavam 13 horas de banho de sangue. Sim, há cenas de violência típica dos quadrinhos do anti-herói – algumas bem pesadas – mas o que a série tem de melhor é a forma como desenvolve os personagens e as relações entre eles.

E isso se estende para todo o elenco, da agente da Departamento de Segurança Nacional, Dinah Madami (Amber Rose Revah), até o ex-fuzileiro Billy Russo (Ben Barnes).

A forma como Russo evolui de melhor amigo de Frank Castle a algo mais parecido com sua contraparte nos quadrinhos é primorosa, e boa dose do mérito é de Barnes, que consegue construir um personagem com numerosas camadas.

As aparições de Karen Page são pontuais e certeiras, e a atriz Deborah Ann Woll está cada vez mais à vontade com a personagem.

Se no geral Justiceiro já entrega um produto bom muito, há momentos que são dignos de nota. O 10º episódio é um primor de narrativa, com o recurso de um mesmo fato contado sob diferentes perspectivas, e o 12º não só é um dos mais cruéis como também serve para definir o momento em que Frank Castle aceita em sua alma e em seu coração o encargo do Justiceiro.

Será muito bom se Justiceiro servir de exemplo para as próximas produções da Marvel-Netflix. Os fãs agradecem.

Papo de Quadrinho viu: Liga da Justiça (SEM SPOILERS)

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (14). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para que serve um filme de super-heróis?
Se você responder essa pergunta, pode ser que o entendimento deste filme (e dos muitos que estão por vir neste subgênero cinematográfico) se torne mais claro e com isso as motivações para assistir filmes de super-heróis adquiram outros significados.

Se o objetivo for se divertir, se encantar, se emocionar com o dia sendo salvo por pessoas com dons especiais e, finalmente, ter o prazer de passar algumas horas vendo ao vivo seus super-heróis favoritos dos quadrinhos – ali, em uma versão em carne e osso – você não deve perder o filme Liga da Justiça.

Vamos listar 5 motivos para você ir ao cinema e se divertir, e focar no que deu certo, SEM SPOILERS. Sim, nós sabemos que a boa crítica deve pesar o que deu errado também, mas vamos dar uma chance de fazer diferente desta vez.

1. É A LIGA DA JUSTIÇA, C%$&@L&O!

Não importa se você é fã veterano de histórias em quadrinhos, “bazingueiro” ou nunca deu bola para super-heróis e gibis: você nasceu neste planeta e sabe o que é a Liga da Justiça. Um grupo de super-heróis reunido para defender a Terra e seus habitantes de ameaças externas e internas. Ver o grupo em ação já é motivo suficiente para pagar o ingresso (cada dia mais caro) e passar 2 horas em companhia de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Ciborgue, Flash e Aquaman – os super-heróis da vez (#saudadesLanternaVerde), escolhidos para essa estreia cinematográfica.

2. É UMA BOA (E SIMPLES) HISTÓRIA

Não tem nenhum segredo ou roteiro rocambolesco. A história se passa levando em conta os eventos que ocorrem após a morte do Superman, mostrados no polêmico  Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Sem o Azulão de Krypton, a Terra está aberta para qualquer ameaça em larga escala. Assim, surge um vilão ancestral, o Lobo da Estepe, comandante de um exército de criaturas horrendas chamadas de parademônios. Nos quadrinhos, esses monstros são ligados ao maior vilão da editora, Darkseid, criação do genial Jack Kirby.

O Lobo da Estepe está na Terra em busca das Caixas Maternas, artefatos de poder imensurável, capazes de terraformar um planeta por meio da vida ou da morte. A motivação é essa, tomar o planeta Terra e transformá-lo em um inferno (muito, muito pior do que é hoje). Simples assim, sem enormes digressões filosóficas e conceituais, sem muita margem para interpretação. E ainda que este vilão seja o ponto mais fraco do filme, não compromete. Ele não tem incríveis axiomas emocionais, nem um intelecto soberbo alienígena ou um refinamento tático: é um comandante de invasão e veio aqui acabar com tudo. Ponto.

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3. OS SUPER-HERÓIS ESTÃO ÓTIMOS

Os primeiros 5 minutos do filme ganham o espectador. Aos poucos, vemos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em ação enquanto Batman (Ben Affleck) procura os outros super-heróis para formar um grupo de defesa da Terra que está, ao que tudo indica, diante de um ameça iminente. Na medida em que Bruce Wayne parte em busca destes escolhidos que possuem dons especiais, vamos aos poucos vendo o que cada um é capaz de fazer individualmente.

A Mulher-Maravilha continua ótima, tanto quanto em seu filme solo. Protagoniza cenas memoráveis de luta e, no decorrer do longa, tem uma relação intrincada e interessante com Batman.

E o Superman (Henry Cavill)? Bom, ele retorna e faz muito bem seu papel na história. Aquaman (Jason Momoa) surge muito bem dados os contextos da história e sua participação dá pistas – e boas esperanças – do que será seu filme solo. O Flash (Ezra Miller) é o alívio cômico, e também tem boa participação. Lembram do Flash do desenho Liga da Justiça sem limites do Bruce Tim? É esse Flash que está no filme.

Por fim, uma grata surpresa: Ciborgue (Ray Fisher). Apesar do visual que lembra um transformer humano, o Victor Stone do filme tem toda a carga trágica dos quadrinhos. Se você não sabe quem é o Ciborgue, ou só viu nas animações infantis de Teen Titans Go! não se preocupe, pois sua trágica história é revelada nesse filme.

No transcorrer da trama, vemos o time todo em ação, como já foi mostrado em trailers e cenas divulgadas. O objetivo do filme afinal é mostrar essas lutas amarradas em uma boa história, e assim chegamos no próximo item.

4. É UM FILME REDONDO

A estrutura e narrativa têm um ritmo adequado, bem conduzido, mas claro, não é e nem precisa ser uma obra-prima cinematográfica. O filme dá certo porque os eventos acontecem no ritmo certo. Como e por que os super-heróis se reúnem para defender a Terra e o custo dessa batalha são questões que vão envolvendo a audiência.

Outro acerto é a Warner sair do clima excessivamente sombrio, equilibrar essa paleta de cores escura adotada anteriormente (influencia de Joss Whedon, talvez?). Algumas piadas, ajustes e uma narrativa simples e coerente fizeram a diferença. Existem alguns problemas, mas nada que comprometa. Poderia ser melhor se a Warner tivesse contado as histórias anteriores de seu universo de forma diferente.

Não que o estúdio precisasse copiar o modelo eficiente da Marvel, mas o fato de não ter mais tempo para explorar as relações entre os super-heróis e outros pequenos ajustes finos impedem que Liga da Justiça seja um filme épico (para usar uma palavrinha da moda). Mas nada disso diminui seu valor nem a diversão, pode ficar tranquilo.

Atenção para duas cenas pós-créditos! Não saia do cinema antes do acender das luzes.

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5. VOLTAR A SER CRIANÇA FAZ BEM

Para uma geração que ficou feliz com Superman: O filme (1978) e nunca imaginou viver uma Era heroica no cinema, com dezenas de filmes – alguns muito bons –  baseados no universo dos super-heróis dos quadrinhos, ter o prazer de acompanhar as aventuras de uma Liga da Justiça no cinema com amazonas, atlantes, parademônios, novos deuses de Jack Kirby, caixas maternas… quem sonharia? Ajudou muito Liga da Justiça ser um filme bem-feito, com roteiro amarrado, paleta de cores mais viva.

Foi um prazer ver tudo isso! Ainda que não seja uma obra-prima, Liga da Justiça cumpre com louvor o papel de representar bem esses heróis tão icônicos para a Cultura Pop e, modo sutil, levantar algumas questões, valores do heroísmo, companheirismo e dos perigos que a nossa escuridão pode trazer. Nunca é tarde para enfrentar as trevas, ainda que elas pareçam invencíveis. São ideias que chegam em boa hora para o mundo atual que vivemos, principalmente por essas bandas tupiniquins.

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