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Categoria: Vertigo

Neil Gaiman responde ao One Million Moms

luciferfox

Do Comic Book Resources

Na semana passada, os vigias da mídia One Million Moms lançou uma petição para que a Fox cancele sua próxima série de TV, Lúcifer. Em sua argumentação, o grupo reclama que o programa “descaracteriza” Satã e zomba da Bíblia.

Neil Gaiman, o criador do personagem, respondeu à petição por meio de uma postagem em seu Tumblr: “Ah, parece que foi ontem (mas foi em 1991) que o grupo Mães Preocupadas da América anunciou que iria boicotar Sandman porque continha personagens lésbicas, gays, bis e trans.”, escreveu.

“Foi Wanda que mais os aborreceu: a ideia de uma mulher trans numa história em quadrinhos… Eles nos disseram que estavam organizando um boicote a Sandman que só seria interrompido se nós escrevêssemos para a American Family Association com a promessa de reformar a HQ”.

“Eu me pergunto se eles notaram que não funcionou da última vez, ou…”

Até o momento, a petição tem 11.784 assinaturas, mas Gaiman não parece nada preocupado. Lúcifer ainda está programada para ir ao ar pela Fox no início de 2016.

Escrita por Tom Kapinos (Californication) e dirigida por Len Wiseman (Underworld), Lúcifer é estrelada por Tom Ellis (Once Upon a Time, Doctor Who) como o Senhor do Inferno que, entediado e infeliz, renuncia ao trono e troca seu reinado por Los Angeles. Lá, ele usa seus poderes para ajudar a polícia a punir criminosos (tudo aquilo que, por sinal, o One Million Moms desaprova).

Mr. Gaiman, claro, tem razão. Mas nós aqui do Papo de Quadrinho ficamos curiosos para saber o que pensam disso todos aqueles que aplaudiram quando a capa comemorativa do Coringa para a revista Batgirl 41 foi cancelada pela DC por pressão de grupos organizados.

Porque, como disse Rafael Albuquerque, autor da ilustração da capa: quando se toca num “nervo exposto”, “sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, nenhuma opinião deve ser desacreditada”.

Papo de Quadrinho viu: “iZombie”

iZombie

A série de TV estreou nesta terça-feira (17) nos Estados Unidos e se junta a outras tantas atualmente em exibição adaptadas dos quadrinhos: The Walking Dead, Gotham, Agents of S.H.I.E.L.D., Arrow, Agent Carter e Constantine – as duas últimas tiveram a primeira temporada encerrada recentemente.

iZombie é uma criação de Chris Roberson (roteiro) e Mike Alred (arte), e apareceu pela primeira vez em 2008, na edição especial de Halloween da revista House of Mystery. No ano seguinte, ganhou título próprio e foi publicada até a edição 28, em outubro de 2012.

No Brasil, o timming da Panini foi perfeito. Na semana passada, chegou às bancas o encadernado com as seis primeiras histórias. Ironicamente, desta vez não era preciso: TV e quadrinhos têm muito pouco em comum.

Gwen Dylan (renomeada para Liv Moore na TV) é uma garota zumbi que precisa se alimentar de cérebros frescos para não perder a inteligência e virar um “monstro de Romero”, como costuma dizer. O efeito colateral dessa dieta é que ela absorve momentaneamente as lembranças e visões do defunto, inclusive o momento da morte. Se a pessoa foi assassinada, Gwen/Liv se converte na melhor testemunha ocular que pode haver.

As semelhanças terminam aí. Enquanto os quadrinhos fazem a linha comédia-sobrenatural – os melhores amigos de Gwen são uma fantasma e um lobisomen – a série de TV segue um caminho de comédia-policial. Com a ajuda do médico legista Ravi Chakrabarti (o único que conhece seu segredo) e do detetive novato Clive Babineaux, Liv vai desvendar crimes no conhecido estilo “vilão da semana”.

iZombie, a série de TV, é divertida, leve e cheia de tiradas engraçadas, sem perder o clima de investigação e suspense. Há várias referências à cultura pop; a linguagem escolhida é moderna, dinâmica e honra sua origem dos quadrinhos ao fazer a transição entre algumas cenas com desenhos e legendas.

Como a CW não é besta, colou a exibição de iZombie na de The Flash para fazer o chamado “trilho”: manter a audiência de uma atração para a outra. Deu certo. Dos 3,6 milhões que assistiram ao episódio 15 do herói velocista (aliás, um dos melhores até temporada), 2,3 milhões permaneceram sintonizados na estreia garota zumbi. Nada mau.

Segundo a Warner, até o momento não há previsão se iZombie será exibida no Brasil.

Revista Mundo Nerd tem lançamento na loja Geek

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Os editores do Papo de Quadrinho são colaboradores desta nova revista da Editora Europa e convidam a todos para o lançamento.

Resenha: Morning Glories: perdidos na ilha de Lost

morning glories

Frente ao atual marasmo dos quadrinhos de super-heróis, é reconfortante descobrir que ainda há vida inteligente produzida pelo mainstream.

É o caso das três ótimas séries encadernadas que a Panini começou a publicar no Brasil no final do ano passado: Sweet Tooth, O Inescrito (ambas da DC/Vertigo) e Morning Glories (da Image).

De todos, esta última foi o que mais surpreendeu este editor. Não que seja a melhor – as três são igualmente acima da média. Mas o que parecia ser mais uma história linear de terror adolescente ganha camadas de mistério a cada novo capítulo.

Morning Glory é uma das mais prestigiadas escolas preparatórias dos Estados Unidos. O que ninguém sabe é que seu método de ensino é baseado em tortura física e psicológica, e até morte. Muito cedo, um grupo de calouros – Casey, Hunter, Jun, Jade, Zoe e Ike – descobre da pior forma que são prisioneiros da escola e reféns de seus sádicos professores.

A cada capítulo, os mistérios vão se acumulando: qual o objetivo da abjeta pesquisa realizada em Morning Glory? A quem os administradores respondem? O que os calouros têm de especial além da mesma data de nascimento? Por que os veteranos agem de forma tão imprevisível?

Mesmo o segundo volume, que se propõe a jogar alguma luz sobre o passado dos jovens alunos (atualmente nas bancas), só faz aumentar o mistério.

A analogia com o seriado Lost é uma brincadeira que faz sentido. A escola é a ilha isolada do mundo exterior; o corpo docente são os Outros, que tocam terror nos novatos e respondem a uma enigmática autoridade, o “diretor”; os calouros, claro, são os sobreviventes do voo Oceanic 815: perdidos, sem ter para onde fugir ou saber em quem confiar, e aparentemente vítimas da situação – mas que, no fundo, escondem algum tipo de segredo sujo do passado.

Nos Estados Unidos, a série mensal está quase na 30ª edição. Por aqui, os dois encadernados lançados até agora reúnem as 12 primeiras e a promessa de muitos mistérios por vir.

Morning Glories é HQ da melhor qualidade. O roteiro de Nick Spencer é kafkiano e cada porta aberta leva a outras três fechadas. Tudo isso amparado pelo traço elegante de Joe Eisma.

Se a comparação com Lost é válida, fica a torcida para que a HQ se saia melhor que a série de TV e não frustre os fãs no final.

2013: O que vem por aí pela Panini (Vertigo)

As notícias sobre novidades do selo adulto da DC ainda são poucas, mas certamente vão agradar aos fãs.

A primeira delas é Flex Mentallo, paródia (mais uma) de Grant Morrison ao gênero de super-heróis. O encadernado que chega ao Brasil reúne as quatro edições da minissérie lançada em 1996 com arte de Frank Quitely.

Esta edição foi motivo de um processo da editora Charles Atlas contra a DC e teve seus direitos de publicação suspensos por vários anos. A Panini lança Flex Mentallo em formato de livro e venda nas livrarias.

Outra boa notícia confirmada pela Panini é a continuidade das séries Sweet Tooth e O Inescrito, lançadas no final do ano passado. A editora, porém, não definiu a periodicidade dos títulos.

Na mesma situação – continua, mas ainda sem periodicidade definida – é Morning Glories, da Image.

Biografia de Neil Gaiman chega ao Brasil

A Geração Editorial acaba de anunciar o lançamento de Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman, escrito por Hank Wagner, Christopher Golden e Stephen R. Bissete.

Sim, você conhece estes nomes: entre outros trabalhos com HQs, Golden foi roteirista de Buffy: The Vampire Slayer e Bissete, o artista do consagrado arco Gótico Americano na fase de Alan Moore na revista Swamp Thing. O prefácio é de outro nome ligado aos quadrinhos, Terry Pratchett.

Até para os menos iniciados, Neil Gaiman dispensa apresentações. Foi um dos grandes nomes da cultura pop nos anos 1980/1990 e, ao lado de Frank Miller e Alan Moore, responsável por elevar a nona arte a um novo patamar.

Apenas para ilustrar a influência de seu trabalho, a primeira revista a estampar o selo Vertigo, de quadrinhos adultos da DC Comics, foi Morte: O Preço da Vida, de Gaiman.

Sua série de maior sucesso, Sandman, conquistou uma legião de fãs pelo mundo todo e até hoje é considerada uma das grandes obras em quadrinhos de todos os tempos.

É difícil decifrar qual o segredo de tanto sucesso. Se fosse para arriscar algum palpite, este editor diria que foi a mistura, em doses exatas, de vários fatores: roteiros inteligentes, tramas adultas, referências a outras formas de arte – música, teatro, literatura e aos próprios quadrinhos – e o total domínio dos rumos de seu personagem. Prova disso é o último arco da série regular, Entes Queridos, para o qual convergem os principais acontecimentos das quase 70 edições anteriores.

Gaiman já se arriscou em outras áreas, como literatura e cinema. A biografia que chega agora ao Brasil reúne artigos, entrevistas, perfis de seus personagens, dados biográficos – do início da carreira como crítico de música e cinema na Inglaterra, passando pelo ingresso nos quadrinhos, o sucesso nos Estados Unidos e a diversificação de sua obra – e detalhes do seu processo criativo.

Lançado originalmente em 2008, Príncipe de Histórias: Os Vários Mundos de Neil Gaiman é dividido em 12 partes, tem 660 páginas e preço de R$ 69,90.

Brasileiros conquistam o prêmio Eisner

O Eisner Awards é o “Oscar” dos Quadrinhos.

Pela quarta vez os irmãos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon foram premiados.
Desta vez, pelo trabalho na HQ “Daytripper”, escolhida na noite de sexta-feira (22) na cerimônia da Comic-Con, na categoria melhor minissérie.

Além dos irmãos, o ilustrador gaúcho Rafael Albuquerque foi outro brasileiro premiado com o Eisner pelo trabalho nos desenhos de “Vampiro Americano”, eleita a melhor série nova.
A série “Vampiro Americano” tem roteiros de Scott Snyder e é lançada no Brasil no mix da revista Vertigo da editora Panini.

Parabéns aos brasileiros!

Confira aqui a listacompleta dos prêmiados.

Vale o Investimento: Hellblazer (John Constantine) “Pandemônio”


John Constantine é um mago que ocupa um lugar de destaque na galeria dos maiores canalhas e anti-heróis do quadrinhos.

Não cansa de fazer sucesso e ter boas histórias lançadas desde que foi criado por Alan Moore em 1985, como um coadjuvante para o Monstro do Pântano; um mago com a aparência do cantor Sting e fumante inveterado.

Desde sua primeira aparição (Monstro do Pântano 37) até hoje, suas agruras e maldições são inversamente proporcionais a seu grande sucesso de crítica e público, o que já lhe rendeu até uma adaptação para o cinema e para os games em 2005.

Comemorando o aniversário de 25 anos de sua chegadas às HQs, Constantine aparece nas bancas brasucas em “Pandemônio”, uma história do roteirista original (praticamente um cocriador) Jamie Delano e a arte sofisticada do desenhista Jock.

O volume encadernado traz uma história completa, em que Constantine se vê preso à enigmática figura de uma mulher vestindo uma burca (vestimenta tradicional que cobre completamente o corpo) que o leva ao roubo de um artefato sumério e, posteriormente, ao caos do campo de batalha no Iraque e seus antigos deuses que pareciam esquecidos.

Densa e chocante, o conflito místico sai dos submundos de Londres e chega ao deserto em guerra, com seu moedor de carne infernal.

Uma guerra é um jogo imprevisível. E jogar faz parte da própria humanidade e da vida de Constantine. Por isso, a guerra do Iraque e a ofensiva militar contra células terroristas serve de pano de fundo para fazer uma ligação entre os horrores da batalha moderna e a trilha de sangue que faz parte da vida de Constantine, com suas intersecções malditas e sua luta contra as forças abissais.

Hellblazer: Pandemônio (Panini) tem 132 páginas impressas em papel LWC com lombada quadrada e custa R$ 19,90. Vale o investimento!

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