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Categoria: TV

O que esperar de Runaways, nova série de TV da Marvel?

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Runaways estreia amanhã, dia 21, na plataforma de vídeos Hulu. A boa notícia vem acompanhada de duas más: o Hulu ainda não está disponível no Brasil e, por isso, a série chega por aqui só em 2018, pelo canal Sony (sem data definida).

Quem são os Runaways?

A rigor, a trama criada Brian K. Vaughan (roteiro) e Adrian Alphona (arte) no início dos anos 2000 não tem nada de original, e aí reside seu maior trunfo.

Os autores pegaram elementos recorrentes das HQs de super-heróis – alienígenas, mutantes, viajantes do tempo, magos, cientistas malucos – e criaram algo novo, cheio de frescor.

Na trama, seis adolescentes – Alex, Chase, Gert, Karolina, Molly e Nico – descobrem acidentalmente que seus pais fazem parte de uma seita chamada Orgulho e sacrificam inocentes em nome dos Gibborim, raça ancestral que deseja purificar a Terra.

Na tentativa de impedir seus pais supervilões, os jovens descobrem que alguns deles herdaram esses poderes e se veem obrigados a fugir. No meio do caminho, eles cruzam com vampiros e personagens do Universo Marvel, como a dupla Manto e Adaga e até o Capitão América.

Eles também ganham a companhia de um dinossauro fêmea geneticamente alterado e batizado de Alfazema. Detalhe: em vez computação gráfica, os produtores optaram por usar um boneco bastante realista que contracena de verdade com o restante do elenco.

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

Por que devo assistir a Runaways?

Porque, pela qualidade do quadrinho original, a série merece pelo menos uma chance. Os dois trailers divulgados antes da estreia passam a impressão de que a adaptação para a telinha será bem fiel.

Tanto a HQ quanto a série foram concebidas tendo em mente o público adolescente. O confronto super-heroico da trama nada mais é que uma metáfora do clássico conflito de gerações entre pais – que às vezes tomam decisões questionáveis pensando no bem da prole – e filhos – que a despeito do esforço dos pais, têm uma necessidade natural de ir contra a ordem estabelecida.

Haja vista que o slogan que estampa boa parte das edições em quadrinhos é: “Em algum momento da vida, todo jovem acha que seus pais são maus. Mas e se eles forem de verdade?”.

Mesmo não sendo um estouro de vendas na época em que foi lançada, Runaways ganhou um Eisner em 2005 e um Harvey em 2006. No mesmo ano, a American Library Association incluiu o encadernado da série na lista de 10 melhores livros para jovens adultos.

Runaways, a HQ – e, espera-se, a série também – tem todos os elementos que garantem uma boa diversão: diálogos inteligentes, humor, drama, descobertas, relacionamentos, traição. Sem falar que a formação eclética da equipe carrega um tema bastante atual na cultura pop, a representatividade.

Uma curiosidade: Molly Hayes, a caçula mutante e superforte da HQ, teve sua identidade alterada na série para Molly Hernandez. Isso porque qualquer coisa relacionada a “mutantes” no cinema e na TV é de propriedade da Fox. Seus pais, inclusive, nem aparecem creditados no material de divulgação, o que indica que a origem e os poderes da personagem sofreram mudanças na adaptação.

Como faço para assistir a Runaways?

A não ser que você queira recorrer a métodos ilegais e não recomendáveis, o jeito é esperar até 2018.

Uma dica é aproveitar esse intervalo para conhecer a equipe nos quadrinhos, batizada aqui de Fugitivos. A Salvat acaba de lançar um encadernado da coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel (capa vermelha) com o primeiro arco de história.

Antes, a Panini publicou as três primeiras séries completas nesta ordem: Pocket Panini 3 e 4 (2006); Fugitivos 1 e 2 (2006); Avante Vingadores 1 a 14 (2006 a 2008); e Marvel Especial 10 (2008) e 13 (2009). A quarta e quinta séries (2015 e 2017) continuam inéditas no Brasil.

Justiceiro é a melhor série da Marvel-Netflix desde Demolidor

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Depois de algum suspense quanto à data de estreia, a primeira temporada de Justiceiro (The Punisher) finalmente desembarcou na Netflix na última sexta-feira (17).

É a sétima produção conjunta da plataforma de vídeos em parceria com a Marvel e uma das melhores até agora.

Jessica Jones (2015) e Luke Cage (2016) começaram bem, mas cansaram depois da primeira metade. Punho de Ferro (2017) nem isso: mal sobreviveu aos três primeiros episódios – e o fato de a série ser comandada pelo mesmo showrunner de Inumanos, Scott Buck, diz muita coisa a esse respeito.

Defensores, que uniu os quatro heróis urbanos, não é de todo má, mas ficou muito aquém do que poderia ter rendido.

A primeira temporada de Demolidor continua imbatível, com sua violência crua e bom desenvolvimento (sem contar o elemento surpresa), enquanto a segunda foi praticamente salva pela subtrama envolvendo… o Justiceiro!

Marvel's The Punisher

E é justamente nesta posição que a série solo de Frank Castle se posiciona no ranking das melhores produções da Marvel-Netflix até agora: entre a primeira e a segunda temporada de Demolidor.

A trama é bem desenvolvida ao longo dos 13 episódios, sem cansar o espectador nem acelerar em direção ao desfecho. Mesmo as subtramas, como a do jovem que voltou traumatizado do Afeganistão ou a do veterano que montou um grupo de apoio para ex-soldados, trabalham a favor da trama principal.

Justiceiro começa com Frank Castle (Jon Bernthal) ainda limpando a área (eufemismo para exterminando) do que restou dos assassinos de sua família.

Feito isso, ele se transforma num homem sem propósito, um soldado sem missão. Mas como a jornada de todo herói, fatores externos tiram Frank Castle de sua catarse e o jogam no olho do furacão. Pior: ele descobre que no caso da morte de sua mulher e filhos, o buraco é mais embaixo – ou melhor, nas camadas mais acima da hierarquia governamental.

O responsável por essa reviravolta é David Lieberman (o ótimo Ebon Moss-Bachrach), vulgo Micro, um ex-analista da Agência Nacional de Segurança que precisa se fingir de morto para garantir a segurança de sua família. Ele sabe que seus inimigos são os mesmos de Castle e acredita que o ex-fuzileiro é um meio essencial para atingir seus fins.

O difícil é convencer Castle disso, e o rodízio de papéis entre caça e caçador que se forma, a dinâmica entre interesse, identificação e, finalmente, amizade entre eles é uma das melhores coisas de Justiceiro.

Marvel's The Punisher

Pode ser que a série desaponte alguns fãs que esperavam 13 horas de banho de sangue. Sim, há cenas de violência típica dos quadrinhos do anti-herói – algumas bem pesadas – mas o que a série tem de melhor é a forma como desenvolve os personagens e as relações entre eles.

E isso se estende para todo o elenco, da agente da Departamento de Segurança Nacional, Dinah Madami (Amber Rose Revah), até o ex-fuzileiro Billy Russo (Ben Barnes).

A forma como Russo evolui de melhor amigo de Frank Castle a algo mais parecido com sua contraparte nos quadrinhos é primorosa, e boa dose do mérito é de Barnes, que consegue construir um personagem com numerosas camadas.

As aparições de Karen Page são pontuais e certeiras, e a atriz Deborah Ann Woll está cada vez mais à vontade com a personagem.

Se no geral Justiceiro já entrega um produto bom muito, há momentos que são dignos de nota. O 10º episódio é um primor de narrativa, com o recurso de um mesmo fato contado sob diferentes perspectivas, e o 12º não só é um dos mais cruéis como também serve para definir o momento em que Frank Castle aceita em sua alma e em seu coração o encargo do Justiceiro.

Será muito bom se Justiceiro servir de exemplo para as próximas produções da Marvel-Netflix. Os fãs agradecem.

Série sobre quadrinho nacional estreia amanhã (14) na HBO

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Do Press-Release 

A série HQ – Edição Especial estreia no dia 14 de julho, às 23h, exclusivamente no canal HBO. Ao longo de 10 episódios semanais de uma hora de duração, será apresentada a história dos quadrinhos no País por meio dos diferentes perfis e estilos de seus principais artistas (confira aqui os dias e horários de exibição).

Produzida pela RT Features, a série apresenta o cenário da produção de quadrinhos no Brasil em episódios dedicados a universos distintos, como o império de Mauricio de Sousa, o mundo de Ziraldo, os personagens de Angeli, a visão de Laerte, o estilo underground de Mutarelli e a obra dos gêmeos Bá e Moon.

A produção explora também os movimentos coletivos e a história da nona arte no Brasil. Desde de Angelo Agostini, um dos primeiros artistas de quadrinhos do mundo, aos quadrinhos de gênero, passando pela invasão brasileira na indústria de super-heróis americanos até a nova geração de quadrinhistas independentes.

O episódio de estreia, Primeira Era, apresenta o cenário do quadrinho brasileiro no século XX com a disputa pelo mercado entre os empresários Adolfo Aizen e Roberto Marinho, responsável pela difusão das histórias em quadrinhos no País.

O segundo episódio, O Império, mostra toda a trajetória do Mauricio de Sousa, desde a infância até o sucesso dos quadrinhos, que inclusive já ocuparam outros segmentos, como TV, cinema, teatro, parques temáticos, brinquedos e produtos diversos.

Os episódios seguintes são: Ziramundo (sobre Ziraldo), O Velho Cartunista (Angeli), Laertevisão (Laerte), Mutante (Lourenço Mutarelli), Made in Brazil (Renato Guedes e Mike Deodato), Maus e Humorados (André Dahmer, Arnaldo Branco e Allan Sieber), Dois irmãos (Fábio Moon e Gabriel Bá) e Os Anos 10.

Entre os convidados dos episódios estão Gonçalo Junior, Franco de Rosa, Álvaro De Moya, Mauricio de Sousa, Mônica Sousa, Sidney Gusman, Carolina Guaycuru, Laerte Coutinho, Luiz Gê, Fábio Zimbres, Rafael Albuquerque, Rod Reis, Jaguar, Duda Carvalho, André Diniz, Gustavo Duarte, Pedro Cobiaco e Vitor Cafaggi.

HQ – Ediçao Especial é produzida por Roberto Rios, Maria Angela de Jesus, Paula Belchior e Patricia Carvalho, da HBO Latin America Originals; Rodrigo Teixeira e Raphael Mesquita, da RT Features, com recursos da Condecine – Artigo 39.

Papo de Quadrinho viu: “The X-Files” (primeiro episódio)

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Fenômeno nos anos 1990, The X-Files voltou para uma décima temporada de seis episódios pela Fox americana no último domingo (24). O segundo irá ao ar hoje (25).

No Brasil, ao final de uma maratona de 22 episódios das nove temporadas anteriores – especialmente selecionados pelo criador da série, Chris Carter – a Fox Brasil exibe o primeiro episódio à meia-noite de hoje.

O que se viu, ao menos nessa estreia, é, infelizmente, mais do mesmo. Os produtores flertam com a nostalgia dos fãs de primeira hora ao manter a abertura original e detalhes como o gerador de caracteres que indica os locais onde se dão os acontecimentos.

O problema é que todo o resto continua igual.

A trama começa com um popular e sensacionalista apresentador de TV, Ted O’Malley (Joel McHale), tentando convencer os agentes do FBI aposentados Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) de que ele realmente conhece a verdade por trás das aparições e abduções alienígenas.

A chave de seus argumentos é a jovem Sveta (Annet Mahendru), que teria sido abduzida dezenas de vezes, ficou grávida em todas elas e teve seus fetos roubados.

Agora, responda: você que, assim como nós, acompanhou as primeiras temporadas em meados dos anos 1990 pela Record e, mais tarde, pela Fox:

Quantas vezes não vimos Mulder acreditar numa espetacular teoria da conspiração e encarar o ceticismo de Sculluy?

Quantas vezes não vimos Scully ser vencida pelas evidências e abraçar as crenças de Mulder?

Quantas vezes não vimos Mulder desconfiar de que tudo em que acreditou foi uma farsa? De que ele foi manipulado a acreditar nos extraterrestres quando a verdade estava aqui mesmo, entre homens poderosos do nosso planeta?

Quantas vezes não vimos Mulder confrontar a idoneidade do diretor-assistente Skinner (Mitch Pileggi)?

E os próprios Arquivos-X, quantas vezes não foram ameaçados de serem fechados e reabertos, para arrepio de homens poderosos como o Canceroso (William B.Davis)?

Pois é esse mesmo cardápio com sabor de requentado que a nova temporada de The X-Files apresenta no primeiro episódio da nova temporada.

Pode ser apenas uma introdução, um resgate para relembrar aos fãs veteranos, e apresentar aos novatos, a dinâmica do programa. E que, nos cinco episódios restantes, The X-Files traga elementos novos e dignos da criatividade de Chris Carter. É nosso desejo e nossa esperança.

Só assim para a série retornar à grade da Fox e enfrentar a concorrência dos atuais seriados de ficção e suspense que, ironicamente, devem sua existência de forma direta ou indireta a The X-Files.

O fato é que, além do saudosismo, a série precisa entregar mais para sua base de fãs fiéis, que têm hoje um nível muito maior de exigência.

Ao mesmo tempo, precisa introduzir elementos para se conectar à nova geração de espectadores. Se conseguir isso, The X-Files voltará a ter, se não a mesma audiência do passado, pelo menos a mesma relevância.

Aguardem, pois voltaremos aqui ao final da temporada para ratificar ou não essa impressão inicial.

Crítica: “Jessica Jones” (com spoilers)

A esta altura, quem aderiu ao espírito de “maratona” já terminou de assistir aos 13 episódios da primeira temporada de Jessica Jones, que estreou na Netflix na última sexta-feira (20).

Antes desse dia, deixamos aqui nossa impressão dos 7 primeiros episódios com informações que não estragavam a surpresa. O texto que segue agora contém spoilers; então, se você ainda não assistiu a toda a série, é melhor voltar em outra hora.

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Jessica Jones alarga a via aberta por Demolidor: é ainda mais adulta, realista e violenta.

Na essência, a série trata do Poder. Não no sentido de força ou superpoder. As habilidades sobre-humanas de Jessica são um mero acessório na trama – o que não deixa de ser uma opção interessante da showrunner Melissa Rosenbenrg em se tratando, em tese, de um programa de super-heróis.

Poder, aqui, é no sentido de Controle, de quem está no comando, quem dá as cartas. Isso se manifesta na constante troca de papéis entre dominador e dominado que alimenta o jogo de gato-e-rato de Jessica (Krysten Ritter) e seu adversário Kilgrave (David Tennant).

É explorado também nos abusos cometidos pela mãe da então celebridade mirim Trish Walker e até mesmo nas cenas de sexo entre Jessica e Luke Cage (Mike Colter) e Trish (Rachel Taylor) e Will Simpson (Wil Traval).

A questão do Poder é tão relevante que, na reta final, a prioridade de Kilgrave é aumentar suas capacidades mentais não para dominar o mundo, como faria qualquer vilão clichê, mas para recuperar o controle perdido sobre Jessica.

O impacto do embate final está no empate: naquele momento, nem Jessica nem Kilgrave nem o espectador sabem quem está realmente no comando.

Mais ação

A série dá uma guinada a partir dos primeiros 7 episódios liberados para a imprensa pela Netflix. Se na primeira metade da temporada o confronto é predominantemente cerebral, a segunda ganha mais cenas de ação – como nas lutas de Jessica com Simpson (que finalmente se revela o psicopata Bazuca dos quadrinhos) e o descontrolado Luke Cage. Até mesmo contra Kilgrave o confronto se torna presencial, tátil.

É aí que Jessica Jones perde um pouco de sua força. Não que seja culpa do roteiro ou da atuação de Tennant, muito pelo contrário. O fato é que Kilgrave era um vilão mais assustador enquanto sujeito oculto, que manipulava nas sombras e conduzia Jessica por um labirinto de sangue.

Os melhores momentos da segunda metade da temporada se dão quando o vilão é apresentado em toda sua magnitude. Assim como no Wilson Fisk de Demolidor, o roteiro acerta ao fazer de Kilgrave um vilão multidimensional.

Nos flashbacks do abuso que sofreu na infância, nos momentos em que transpira sinceridade e até quando se mostra capaz de um ato heroico, é impossível não torcer pela felicidade do casal.

Num momento de fragilidade, ele dá a entender que seu poder é ao mesmo tempo um dom e uma maldição: “Eu preciso tomar cuidado o tempo todo com o que eu falo. Uma vez mandei um cara se ferrar. Adivinhe o que aconteceu?”.

Final convencional

O maior senão de Jessica Jones é o final convencional. Numa série com tantas qualidades que a destacam dentro do gênero, o desfecho “herói derrota o vilão” deixa a desejar. Matar Kilgrave é não só óbvio demais, mas também desperdício de um personagem que teria muito a render na mitologia que Marvel e Netflix estão construindo.

Jessica, por sua vez, está mais viva que nunca. Há uma semana, era uma personagem conhecida apenas pelos leitores de quadrinhos – nem todos, diga-se. Treze episódios depois, conquistou seu espaço na galeria de heróis urbanos da Marvel e no coração dos fãs.

Vai deixar saudade. Quem sabe ela retribua a gentileza e faça uma participação especial na série de Luke Cage, prevista para abril. Do contrário, só voltaremos a vê-la em Defensores, ainda sem data de estreia.

Papo de Quadrinho viu: “Jessica Jones”

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Os 13 episódios da mais recente parceria entre Marvel e Netflix chegam amanhã (20), de uma só vez, a todos os países em que o serviço está disponível – o Brasil, inclusive. Haja maratona no feriadão!

Papo de Quadrinho assistiu aos 7 primeiros episódios e conta o que achou, sem spoilers, mantendo o respeito aos leitores desse site.

Quem acompanhou a série em quadrinhos Alias, de Brian Bendis e Michael Gaydos, conhece a história: Jessica Jones, ex-super-heroína, usa suas habilidades especiais (superforça, capacidade de dar grandes saltos) para levar a vida como detetive particular.

Nos quadrinhos, apenas no último arco da série regular, publicado nas edições 24 a 28, é revelado que ela sofre de estresse pós-traumático em razão das coisas hediondas que foi forçada a fazer nos oito meses em que esteve sob controle mental do vilão Kilgrave, o Homem-Púrpura.

É este o ponto de partida da série de TV.

Na comparação com a produção anterior da Marvel-Netflix, Demolidor, Jessica Jones carrega ainda mais nas tintas da violência, sexo e drogas.

Como bem definiu Mike Colter, que interpreta Luke Cage: “A série é orientada para um público adulto, é diferente do Universo Cinematográfico da Marvel que você vê na tela grande”.

E este é outro ponto em que Jessica Jones se afasta levemente de Demolidor: Há, sim, cenas de ação, luta e efeitos de superpoderes, mas em menor quantidade (pelo menos até os 7 primeiros episódios). O embate entre Jessica (Krysten Ritter) e Kilgrave (David Tennant, de Doctor Who) é mais calcado num jogo de gato-e-rato, numa paranoia de quem vigia quem.

Krysten – que vem ao Brasil nos próximos dias como convidada especial da Comic Con Experience – honra sua contraparte nos quadrinhos e encontra o tom certo entre desleixo e sensualidade, força e fragilidade, indiferença e compaixão.

Ambivalência é um adjetivo que pode ser atribuído também, em maior escala, a David Tennant – outro que acaba de ser confirmado na CCXP. O ator britânico tem a habilidade de se transmutar entre sedutor, insensível, engraçado e assustador dentro de uma mesma cena.

Colter é a personificação do Luke Cage que conhecemos dos quadrinhos. Aqui como lá, ele e Jessica mantêm um tórrido e conturbado relacionamento, porém marcado pela sombra de um segredo devastador. É uma ótima introdução para um personagem que vai ganhar sua própria série na Netflix nos próximos meses.

Completam o elenco principal: Trish Walker (Rachel Taylor), melhor amiga de Jessica; Jeryn Hogarth (Carrie-Anne Moss, da trilogia Matrix), uma advogada inescrupulosa; Malcolm (Eka Darville), vizinho drogado de Jessica; e Will Simpson (Wil Traval), policial que ajuda na caçada a Kilgrave (e que pode se tornar o descontrolado soldado Bazuca, da HQ A Queda de Murdock).

Mais detalhes sobre Jessica Jones você encontra na edição 73 da revista Mundo dos Super-Heróis, que chega ás bancas nos próximos dias.

Papo de Quadrinho viu: The Doctor Who Experience

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O Papo de Quadrinho teve o prazer de viver uma experiência especial para qualquer fã: visitar a Doctor Who Experience na cidade de Cardiff, no País de Gales.

Para não deixar na mão quem conhece a série só de ouvir falar, vai aqui um resumo: Doctor Who é um verdadeiro ícone da ficção científica inglesa e mundial. Criada em 1963, está no Guinness World Records como a série televisiva de ficção científica de mais longa duração no mundo. Embora seja relativamente nova para o público brasileiro, o número de fãs da série não para de crescer, graças, entre outras coisas, a bons sites especializados como o Doctor Who Brasil.

O Doutor (Doctor) é um “Senhor do Tempo”, um alienígena capaz de viajar através do tempo e do espaço em sua T.A.R.D.I.S. (Time And Relative Dimensions In Space), uma nave que chegou ao nosso planeta nos anos 1960 e tem a curiosa forma de uma cabine policial britânica.

TARDIS de 1963

TARDIS de 1963, uma nava clássica cuja camuflagem continua.. quebrada

Para manter a série viva, toda vez que é necessário trocar o ator que interpreta o personagem principal o Doctor sofre uma regeneração,  poder fictício que faz com que ele mude a aparência, atitude e temperamento, mas mantendo sua memória intacta. Depois de mudar treze vezes, atualmente a série Doctor Who está em sua nona temporada e o 13º Doctor é vivido pelo ator escocês Peter Capaldi.

The Doctor Who Experience: maior por dentro

O interior da 1a TARDIS - Maior por dentro

Painel de controle de uma versão da TARDIS

O museu The Doctor Who Experience reúne toda a memorabília da série, como maquetes, cenários, fotos, personagens, figurinos e roteiros originais, divididos em dois andares. É um grande galpão cinematográfico, que retrata desde a série clássica até a moderna, com vários objetos dos recentes episódios.

silencio

Uma vista do Museu no 2º andar. Não lembro de ter feito essa foto…

Chegar a Cardiff é tranquilo. Se você vier de Londres, pode escolher entre ônibus e trem. A cidade é pequena e aconchegante, e como em todos os lugares do Reino unido que conhecemos é tudo bem sinalizado e fácil de achar, sempre com opções de transporte. Se você decidir comprar o ingresso antes das 15h, será guiado por uma narrativa interativa.

A vilania da gálaxia está presente

A vilania da galáxia está presente dos vilões esporádicos aos mais assíduos

Difícil indicar um destaque entre tantos objetos especiais. Há personagens incríveis, como Daleks, Silence, Cyberman, Sontarans, bom como o figurino de todos os doutores e suas inúmeras (os) acompanhantes e heróis coadjuvantes. São tantos fragmentos da série clássica e moderna que não tem como um fã não se emocionar.

O que você pensa quando vê um Dalek?

O que você pensou quando viu essa foto?

Cyberman - sim eram bem toscos!

Cyberman – sim eram bem toscos no começo!

final do passeio, como em todo museu no Reino Unido, se dá numa lojinha que vai deixá-lo mais nervoso do que um encontro com os Weeping Angels. O local tem itens exclusivos, camisetas, DVD´s, livros, pôsteres, bonecos, etc, etc. Controle os nervos e procure seu item favorito, porque tem para todos os bolsos. O melhor é que os valores não são abusivos se compararmos a outras lojas de colecionáveis do Reino Unido. 

O veredito é simples: é um museu fantástico! Nós tentamos levar um pouco desse gostinho nesses vídeos e fotos. Se você é apaixonado por essa série seminal da BBC, dê uma esticadinha até a simpática cidade de Cardiff e visite o lugar. É fácil de localizar. o preço é honesto e tem desconto para estudantes.

Localizamos a verdadeira TARDIS estacionada na Baía de Cardiff

Localizamos a verdadeira TARDIS estacionada na Baía de Cardiff

Para quem não conhece a série ou quer saber um pouco mais, recomendamos esse podcast do Rapadura Cast sobre os 50 Anos do bom Doutor: um bate papo sobre os personagens, cronologia e dicas (quase) sem spoilers de como se iniciar nesse incrível universo. O Papo de Quadrinho ainda vai fazer algumas resenhas sobre livros e HQs da série. Aguarde!

Para fechar, muitas fotos desta reportagem serão postadas diariamente em nosso Instagram. Dê uma conferida e fique por dentro desta e de outras novidades que lançamos por lá. Geronimoooo!!!

Programa HQ&Cia volta nesta semana, reformulado

HQeCia

Depois de alguns meses fora do ar, o programa HQ&Cia está de volta à programação allTV a partir do dia 25.

Reformulado, com nova roupagem e mais quadros, o semanal voltado ao universo dos quadrinhos e cultura pop tem novo dia e horário: todas as sextas-feiras, às 17h. Mais tarde, o vídeo fica disponível no Youtube.

Nessa nova temporada, o idealizador e apresentador César Freitas vai contar com a companhia de Cintia Assis (apresentadora e atriz) e Leonardo Vicente (HQManiacs). As novidades incluem quadros como “Do Que Você Sente Saudades”, que revisita séries, filmes e HQs que marcaram época; e “Adaptação”, que vai explorar as principais mudanças nas adaptações de quadrinhos para filmes, jogos, seriados e outras mídias.

O programa de reestreia apresenta entrevistas com os quadrinistas Will (Demetrius Dante) e Laudo Ferreira (Yeshuah). Entre os profissionais já confirmados para aparecer no HQ&Cia nas próximas semanas estão Allan Albuquerque (Volkan), Flávio Luiz (O Cabra e Aú, o Capoeirista), Rogério Saladino (Jambô Editora) e Paulo Maffia (editor dos quadrinhos Disney da Editora Abril).

O HQ&Cia nasceu em 2003 como o programa de rádio Trilha Sonora, da webrádio Fênix, voltada à comunidade brasileira no Japão. No ano seguinte, foi transformado num quadro do programa Em Cena, no antigo Canal de São Paulo (TVA), até que migrou para a allTV em 2006 onde foi exibido ininterruptamente até 2014.

Joel Ciclone está confirmado para a segunda temporada de “The Flash”

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O título é uma brincadeira com os leitores veteranos. Este é o nome que Jay Garrick, o Flash original, recebeu nos primeiros anos de publicação no Brasil.

O velocista surgiu no início dos anos 1940, na esteira do sucesso de Superman; duas décadas depois, foi crucial na origem do Multiverso da DC Comics na história Flash de Dois Mundos (Flash 123,, 1961).

Sem exagero, o episódio final da primeira temporada de The Flash foi uma das melhores coisas que este editor já viu na TV no gênero de super-heróis. Numa das muitas referências à mitologia do Velocista Escarlate mostradas no programa, o elmo de Jay Garrick cai de dentro de um vórtice temporal.

Durante o painel da Warner neste sábado (11) na San Diego Comic Con, o Flash original não só foi confirmado para a segunda temporada da série, mas também já tem um ator para interpretá-lo: Teddy Sears, com um longo currículo em séries de TV.

A descrição oficial diz que “Jay é uma figura misteriosa que chega a Central City para alertar Barry Allen e sua equipe nos Laboratórios STAR de um perigo iminente que sozinho ele não pode impedir”.

O personagem já havia sido homenageado na série com uma “pista escondida”, quando no episódio 6, o Flash encontra o vilão Viga num armazém chamado Garrick’s Warehouse, em Keystone City.

A roupa nova do Arqueiro

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Se você assistiu à terceira temporada de Arrow, pode ter se sentido dividido como nós. Roteiro confuso, mau aproveitamento do vilão, muita discussão desnecessária e um final que não condiz com o tom sombrio da série.

Antes de embarcar rumo à felicidade ensolarada acompanhado da radiante Felicity, OIiver Queen diz aos amigos que “é hora de se tornar outra pessoa”. Claro que ninguém acreditou que o herói sairia de cena, mas sim que passaria por algum tipo de transformação.

A primeira pista veio na noite deste sábado (11), com a revelação do traje para a quarta temporada da série no painel da Warner, na San Diego Comic Con.

O visual afasta-se de vez do estilo rústico da minissérie Green Arrow: Year One (2007) e se aproxima da reformulação feira por Neal Adams em 1969 (The Brave and The Bold 85). A trama deve assumir um ar mais leve.

“Nós sempre dissemos que o progresso de Oliver é do Arqueiro para o Arqueiro Verde, e este é o próximo passo”, disse o produtor Greg Berlanti durante o painel. Outro produtor, Andrew Kreisberg, acrescentou que Oliver está num lugar muito melhor quando a quarta temporada começa. “Ele está feliz, ele está apaixonado”. Haverá mais humor no programa, mas “ele ainda atira flechas, ainda haverá cenas na chuva”.

Vamos poder conferir tudo isso a partir do dia 7 de outubro, quando a nova temporada estrear no canal CW nos Estados Unidos.

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