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Categoria: Resenha

Vale o Investimento – January Jones: Corrida Contra a Morte

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Os quadrinhos europeus, ou banda desenhada como é chamada, produzem uma quantidade imensa de HQs de qualidade, mas infelizmente um percentual pequeno é traduzido e publicado aqui. Assim, não dá para perder a oportunidade de adquirir alguns trabalhos famosos quando aparecem, principalmente com preço acessível.

É o caso de January Jones, heroína criada em 1986 por Martin Lodewijk (roteirista) e Eric Heuvel (ilustrador), em uma série consagrada no mercado Franco-Belga de Banda Desenhada.

Lançado em junho pela AVEC EditoraJanuary Jones: Corrida Contra a Morte é o primeiro álbum da aviadora publicado no Brasil

Jones é considerada a sucessora de Tintim pois tem um estilo de quadrinho conhecido como linha clara. Mas ela não é apenas uma versão feminina do Tintim. January Jones é uma personagem cativante, que representa o espírito desbravador e aventureiro de uma época especial do século XX. É uma heroína forte, perspicaz e corajosa. Sua criação mistura características de figuras históricas – como a aviadora Amelia Earhart e a espiã Mata Hari – e de personagens fictícios como Indiana Jones e TinTin.

Eric Heuvel explica: “O que mais acho interessante nessa protagonista, em primeiro lugar, ela é uma mulher. Na época em que Martin e eu concebemos este personagem, não haviam tantas heroínas nos quadrinhos”.

Outra característica prazerosa das histórias é a inserção de citações a fatos e personagens históricos. Para que o público pudesse aproveitar esses detalhes, a edição brasileira traz notas de rodapé para contextualizar o leitor sobre alusões à história da Europa. Como explicou o editor Artur Vecchi: “Várias das citações a personagens ou episódios históricos na edição são de fácil compreensão para os europeus, mas para que os brasileiros, que podem não conhecer tão a fundo a história da Europa, resolvemos inserir as notas para que nossos leitores tenham a melhor experiência possível”.

January Jones: Corrida Contra a Morte  é primeiro volume de uma série ambientada na década de 1930 e que narra as aventuras desta aviadora destemida, que viaja pelo mundo a bordo de um avião Havilland Comet, se envolvendo em conspirações, vivendo em situações de risco, sempre com muita ação, aventura, suspense e humor.

Em Corrida Contra a Morte, J.J. deixa os céus um pouco de lado para participar do Rali de Monte Carlo, uma famosa prova que existe desde 1911. Nesta corrida, ela pilota o Viragiro, um carro revolucionário que lhe dá boas chances de vencer, mas para isso ela precisa lutar contra espiões alemães, corredores desleais e estradas com muita neve.

Ter a oportunidade de ler histórias tão ricas em uma aventura tão divertida e recomendada para leitores de todas as idades, já é a primeira boa notícia. A segunda é saber que a edição está bonita, bem feita e o site da AVEC está com um preço promocional de R$ 29,90. Vale muito o investimento.

 

 

Papo de Quadrinho visitou: Forbidden Planet UK

Imagine um lugar onde é possível encontrar action-figures e afins de todas as franquias famosas da cultura pop, com ênfase nas novidades, mas sem esquecer os clássicos. Imagine que, nesse mesmo lugar, é possível encontrar quadrinhos, mangás e livros de todos os tipos, de todas as editoras, desde os mainstream até os  independentes (incluindo alguns brasileiros). Por fim, nesse mesmo (grande) espaço, encontramos acessórios, estatuetas, brinquedos, merchandising de games, de animações, de séries, camisetas (acompanhe nosso vídeo acima, com mais detalhes mostrando a loja).

Sim, queridos leitores, esse lugar mágico existe. Ele se chama Forbidden Planet, uma loja dos sonhos para qualquer nerd e demais amantes de cultura pop.

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O verdadeiro templo da perdição

Fundada em 1975, a loja está localizada numa grande área – térreo e subsolo – em 179 Shaftesbury Ave, próximo ao metrô Tottenham Court Road Station, na região central de Londres. Para se ter uma ideia do poderio, a rede Forbidden Planet possui dezesseis lojas espalhadas pelo Reino Unido e uma nos Estados Unidos.

Embora o Brasil tenha boas lojas de quadrinhos e o mercado venha crescendo nos últimos anos, não é exagero dizer que nada se compara à Forbidden Planet.

Passado o choque de descobrir uma loja com essa magnitude, trocamos o desejo de comprar TUDO o que havia ali por esse breve registro do que mais nos chamou a atenção.

De cara, temos que destacar que a loja aproveita as febres do momento, e nada por aqui chama mais atenção do que Star Wars (vídeo). No primeiro andar, área dos action figures, há vitrines enormes com a franquia.

Entre os modelos, a febre são os Pop Vynil da Funko, que estão em todas as outras lojas, mas, aqui, ganham destaque. Há, claro, outras figuras de ação bacanas…

Clássicos como esse podem ser econtrados

Clássicos como esse podem ser econtrados

Bem como figuras de ação mais novas

Figuras de ação mais novas, baseadas em filmes

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Releituras do passado como essa de ‘Bátima e a Feira da Fruta’

Figuras de heróis que estão bombando nos quadrinhos atualmente

Figuras com os heróis  e heroínas que estão bombando nos quadrinhos agora

E outros brinquedos e camisetas também, tudo ambientado em um cenário adequado e que evoca o que há de melhor na cultura pop, sobretudo na ficção científica. São as mais variadas franquias das séries de TV, cinema e quadrinhos. 

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Kit revolução, criado na Inglaterra e exportado para o mundo todo

Essa nave ENORME fica na entrada para o andar dos quadrinhos e livros

Essa nave linda é ENORME (arrisco dizer uns 3 metros) e fica na entrada para o subsolo.

No subsolo fica a área de quadrinhos. É possível se perder lá entro. Ampla e repleta de objetos do desejo, vale destacar as vitrines especiais de quadrinhos, livros e afins para todos os gostos, divididas por gêneros: infantil, adulto, adolescente, independentes, autores, mangás etc. Há vitrines especiais para alguns gêneros como steampunk, clássicos, sci-fi e RPG, entre outros.

Ao contrário da Nostalgia & Comics, a loja não tem uma área específica de HQs antigas, dando ênfase aos lançamentos e graphic novels. E vale lembrar que para os ingleses, graphic novel é um eufemismo para gibis encadernados. E aqui tudo que é lançado em revistas avulsas (com 22 páginas e capa simples), será encadernado posteriormente em arcos fechados.

independents

Tem muita HQ independentes!

Manga

Área de mangá é bem servida, com trabalhos atuais e clássicos

Uma área destacando autores famosos em coleções especiais

Uma área destacando autores famosos e suas coleções especiais

Tem brasileiro em destaque

Tem brasileiro em destaque, sim!

Para quem tem curiosidade sobre questões de gênero, no momento em que essa discussão está tão em voga no Brasil, vale destacar que a maioria dos atendentes da área de quadrinhos é de mulheres que entendem do riscado.

O prédio tem amplo acesso tranquilo para cadeirantes e só não é mais espaçoso porque a loja abarrota nos finais de semana de gente das mais diferentes nacionalidades.

Acesso especial para leitores especiais

Acesso especial para leitores especiais

Encerramos o passeio com uma sensação óbvia de incompletude, levando poucos produtos e chorando lágrimas de sangue pelo que não deu para comprar ou levar. Além da histórica falta de grana, há o problema de transportar tudo para o Brasil, ou seja, ficamos babando mas comprar mesmo…

Os preços dos produtos são semelhantes aos de outras lojas do gênero, com algumas promoções e, claro, um pouco maiores nas action figures que são lançamento.

Para os padrões locais, os valores são acessíveis até para quem não é tão abonado, bem diferente do Brasil. Mas se uma ilha pode ter tanto público consumidor e um lugar tão bacana, quem sabe um dia um país de proporções continentais como o nosso não chega lá?

Fica nossa reflexão e mais uma dica de lugar obrigatório para se visitar quando estiver em viagem pelo Reino Unido.

Vale o investimento: “Steampunk Ladies”, da editora Draco

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Histórias de faroeste protagonizadas por mulheres não são uma novidade, mas ainda são raras. É este caminho pouco convencional que Steampunk Ladies – Vingança a Vapor escolheu trilhar, com resultado surpreendente.

A trama se concentra em duas desconhecidas, Rabiosa e Sue, unidas pelo destino e pelo desejo de vingança por Lady Delillah e seu bando, os irmãos Bolton. Cada uma das heroínas cruzou o caminho dos malfeitores em diferentes momentos de suas vidas e tiveram que amargar enormes perdas. Unidas acidentalmente, elas percebem que têm mais chance de enfrentar o inimigo comum e impedir o fantástico assalto a um trem blindado.

O roteiro de Zé Wellington é muito bem construído, sem sobressaltos e diálogos que soam naturais. Wellington mostra que é um escritor versátil. Seu trabalho anterior, Quem Matou João Ninguém? se passa num cenário tipicamente brasileiro e se apoia numa estrutura narrativa não linear.

Em Steampunk Ladies, o autor preferiu o ambiente clássico do faroeste: cidades pequenas, amplos desertos, abismos inexpugnáveis. O roteiro é linear, com flashbacks que funcionam de forma orgânica, e lembra alguns bons filmes do gênero.

O desenho de Di Amorim, a finalização de Wilton Santos, cores de Ellis Carlos e diagramação de Deyvison Manes formam um conjunto harmonioso, funcional e agradável.

A editora Draco acerta mais uma vez em apostar em autores nacionais e numa edição caprichada. Em termos de qualidade – de roteiro, arte, produção editorial e gráfica – Steampunk Ladies não perde em nada para álbuns norte-americanos e europeus.

A diferença é que, se houvesse aqui uma indústria de quadrinhos como a daqueles países, Rabiosa e Sue teriam toda condição de estrelar novas aventuras em mais álbuns ou, até, num título mensal de banca. Potencial para isso, tanto as personagens como seus criadores mostraram que têm.

Steampunk Ladies tem 72 páginas, formato 17 x 24,5 cm, capa e miolo coloridos e preço de R$ 34,90. Vale o investimento.

“Turma da Mônica – Lições”: Quadrinho de gente grande

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Turma da Mônica – Lições é o oitavo volume do selo Graphic MSP, em que artistas nacionais imprimem sua visão pessoal sobre os personagens de Mauricio de Sousa, e o segundo produzido pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi.

Falar da forma sensível com que Vitor e Lu, cada um dentro do seu estilo, retratam a turma é chover no molhado. Isso já ficou bastante evidente em Turma da Mônica – Laços, de 2013. E se é que era possível superar em beleza estética e narrativa o trabalho anterior, eles conseguiram.

Na abordagem principal, Lições, como o próprio nome evoca, versa sobre o aprendizado. Partindo da metáfora da lição de casa, os autores colocam os personagens numa situação em que eles precisam aprender a arcar com as consequências de seus atos.

Um olhar mais atento, no entanto, revela que a HQ fala da dor do crescimento. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali estão agora no primeiro ano do Ensino Fundamental. Eles cresceram desde a última aventura e, com isso, perderam o direito à impunidade para certos tipos de travessura.

O castigo arranca as crianças da sua zona de conforto e as obriga a ver que o mundo é muito maior do que seu restrito círculo de amizade. Como toda lição, também a de crescer é difícil, mas traz como resultado o aprendizado e o amadurecimento.

A seu modo, cada um dos personagens passa pelas fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão. A história chega ao clímax quando eles finalmente chegam à última fase, aceitação.

É então que Mônica percebe que pode ser a “rainha do pedaço” onde quer que seja necessário; Cebolinha, que o potencial de sua engenhosidade vai muito além de roubar o coelhinho Sansão; Magali descobre um sentimento novo; e Cascão fica a um passo, literalmente, de enfrentar seu maior medo.

O final aberto deixa uma mensagem de que crescer é difícil, sim, mas, ao mesmo tempo, é como se o mundo escancarasse uma janela de infinitas oportunidades.

Turma da Mônica – Lições é quadrinho de gente grande, criado por dois irmãos que atingiram a maturidade artística. Vitor e Lu Cafaggi já são bem grandinhos, mas nunca perderam o olhar de criança sobre todas as coisas.

A HQ tem 80 páginas, formato 19 x 27,5 cm, capa e miolo coloridos e duas opções de preço: R$ 21,90 (capa cartonada) e R$ 31,90 (capa dura).

Assista ao primeiro programa “Bate-Papo de Quadrinho”

Hoje damos início a um novo produto do blog, o Bate-Papo de Quadrinho, onde os editores Jota Silvestre e Társis Salvatore comentam HQs, séries de TV, filmes, jogos, animações e outros produtos de cultura pop que eles andam consumindo.

O programa de estreia fala do mais recente lançamento da editora Aleph, O Perfura Neve.

Assistam, comentem, critiquem e nos ajudem a fazer um programa melhor.

Papo de Quadrinho viu: “iZombie”

iZombie

A série de TV estreou nesta terça-feira (17) nos Estados Unidos e se junta a outras tantas atualmente em exibição adaptadas dos quadrinhos: The Walking Dead, Gotham, Agents of S.H.I.E.L.D., Arrow, Agent Carter e Constantine – as duas últimas tiveram a primeira temporada encerrada recentemente.

iZombie é uma criação de Chris Roberson (roteiro) e Mike Alred (arte), e apareceu pela primeira vez em 2008, na edição especial de Halloween da revista House of Mystery. No ano seguinte, ganhou título próprio e foi publicada até a edição 28, em outubro de 2012.

No Brasil, o timming da Panini foi perfeito. Na semana passada, chegou às bancas o encadernado com as seis primeiras histórias. Ironicamente, desta vez não era preciso: TV e quadrinhos têm muito pouco em comum.

Gwen Dylan (renomeada para Liv Moore na TV) é uma garota zumbi que precisa se alimentar de cérebros frescos para não perder a inteligência e virar um “monstro de Romero”, como costuma dizer. O efeito colateral dessa dieta é que ela absorve momentaneamente as lembranças e visões do defunto, inclusive o momento da morte. Se a pessoa foi assassinada, Gwen/Liv se converte na melhor testemunha ocular que pode haver.

As semelhanças terminam aí. Enquanto os quadrinhos fazem a linha comédia-sobrenatural – os melhores amigos de Gwen são uma fantasma e um lobisomen – a série de TV segue um caminho de comédia-policial. Com a ajuda do médico legista Ravi Chakrabarti (o único que conhece seu segredo) e do detetive novato Clive Babineaux, Liv vai desvendar crimes no conhecido estilo “vilão da semana”.

iZombie, a série de TV, é divertida, leve e cheia de tiradas engraçadas, sem perder o clima de investigação e suspense. Há várias referências à cultura pop; a linguagem escolhida é moderna, dinâmica e honra sua origem dos quadrinhos ao fazer a transição entre algumas cenas com desenhos e legendas.

Como a CW não é besta, colou a exibição de iZombie na de The Flash para fazer o chamado “trilho”: manter a audiência de uma atração para a outra. Deu certo. Dos 3,6 milhões que assistiram ao episódio 15 do herói velocista (aliás, um dos melhores até temporada), 2,3 milhões permaneceram sintonizados na estreia garota zumbi. Nada mau.

Segundo a Warner, até o momento não há previsão se iZombie será exibida no Brasil.

“Aos Cuidados de Rafaela” e “A Vida de Jonas”: HQs inteligentes e provocadoras

rafelajonasAos Cuidados de Rafaela e A Vida de Jonas têm muitos pontos em comum. Ambas são produções nacionais, financiadas por meio do ProAC Quadrinhos – programa de fomento do Estado de São Paulo – e lançadas pela editora Zarabatana. E, mais importante, ambas estão entre as melhores HQs de 2014.

A primeira foi produzida por Marcelo Saravá (1000 Palavras – Tiras 100 Desenho) e Marco Oliveira (Overdose Homeopática). Aos Cuidados de Rafaela, como muito se disse por aí – com razão –, é um drama típico de Nelson Rodrigues. Rafaela, moça rebelde e independente, se passa por cuidadora de idosos e conquista a confiança da velha atriz Aurelita e os desejos secretos de seu filho, Nicolas.

Dissimulada e prestativa, aos poucos ela domina a rotina de casa. Até que Aurelita morre, e Nicolas vai ao extremo para manter Rafaela por perto. Quando a moça percebe a farsa, tem início uma espiral de luxúria e submissão que só poderia terminar em tragédia.

Tão perturbador quanto o roteiro de Saravá é a arte de Marco Oliveira, repleta de rostos disformes, planos ousados e uma intencional ausência de perspectiva. Oriundo das tiras, esse é seu primeiro trabalho de fôlego, e é notório como o artista faz uso de recursos gráficos de sua origem para dar ritmo à história, sem que haja perda da narrativa.

Em A Vida de Jonas, de Magno Costa (Matinê, Oeste Vermelho), a trama é menos rocambolesca, mas não menos interessante. Envolvido em problemas com álcool e recém-separado de Júlia, Jonas tem uma existência solitária e sem perspectiva. Só mesmo uma grande perda para fazê-lo por fim à autoindulgência e encontrar um novo sentido para a vida.

A grande sacada de Magno Costa é a caracterização dos personagens como fantoches de pano. Com isso, o autor abre mão das expressões faciais para evidenciar seu estado emocional.

O resultado é que, qualquer que seja a situação, cômica ou dramática, os atores em geral, e Jonas em particular, parecem alheios, distantes. Ou, como bem disse o jornalista e amigo Marcelo Naranjo, Costa delega ao leitor a responsabilidade de imprimir as emoções aos personagens.

Mais do que todos os pontos elencados no início deste texto, o que Aos Cuidados de Rafaela e A Vida de Jonas têm de mais relevante é que ambas representam o atual estado da arte de boa parte do quadrinho brasileiro: profissional, inteligente, provocador. Nestas duas HQs, os autores fizeram escolhas que desafiam a linguagem dos quadrinhos e o senso comum dos leitores.

Não é pouca coisa.

Resenha: Bidu – Caminhos, Desafios e Escolhas

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Alguns atributos unem todas as edições da série Graphic MSP: a qualidade de roteiro e arte, a experimentação narrativa, o capricho editorial. Outros as separam. A trama mais complexa e séria coloca Astronauta – Magnetar e Piteco – Ingá de um lado; o tom lúdico e bem-humorado de Turma da Mônica – Laços e Chico Bento – Pavor Espaciar, de outro.

Bidu – Caminhos, lançada nesta semana pela Panini, engorda as fileiras desta última categoria.

O livro bem que poderia ser chamado de Bidu – Escolhas. Ao longo da trama, o cãozinho azul precisa fazer muitas delas. Ele escolhe encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade.

À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa.

A HQ denota as escolhas que também os autores Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho fizeram. Eles escolheram contar a história (até onde sei inédita) dos caminhos que levaram Bidu e Franjinha e se tornarem melhores amigos; escolheram o estilo aquarelado e a paleta de tons pastéis para reforçar o caráter lúdico do livro; escolheram dar vida às onomatopeias e “iconizar” as falas dos cães, um recurso narrativo que enriquece enormemente seu trabalho.

É lícito supor que os autores, assim como Bidu, superaram seus próprios desafios para fazer as escolhas certas. No fim, escolheram o caminho da qualidade, experimentação e capricho trilhado por seus antecessores do selo Graphic MSP. O resultado é uma HQ sensível, divertida, deliciosa.

Bidu – Caminhos tem 80 páginas coloridas, formato 19 x 27,5 cm e dois preços: R$ 19,90 (capa cartão) e R$ 29,90 (capa dura).

Flash é o destaque da nova Mundo dos Super-Heróis

Chegou nas bancas a nova Mundo dos Super-Heróis 58. O dossiê especial é sobre o herói mais rápido da DC.
Inclui os bastidores de criação, momentos mais marcantes da carreira, principais vilões e versões do herói nos quadrinhos e em outras mídias. Os editores Jota Silvestre e Társis Salvatore participam da revista regularmente.

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A edição tem outros destaques como:

Sin City: A Dama Fatal
Tudo sobre os personagens e a história do novo filme da Cidade do Pecado, que adapta tramas dos quadrinhos e apresenta histórias inéditas para o cinema

Entrevista
Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, os autores da nova Graphic novel do Bidu, falam sobre o começo da carreira, financiamento coletivo e motivações

Tartarugas Ninja
Comemorando 30 anos de existência, os répteis comedores de pizza ganham uma polêmica e ousada versão cinematográfica. Saiba os detalhes

Mulher-Hulk
De heroína sexy a renomada advogada, uma linha do tempo com a Gigante Esmeralda que defende os inocentes e arrebenta os vilões

Actions-figures
A coleção Mighty Muggs diverte ao apresentar personagens com um visual caricato mas bem fiel aos quadrinhos

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Motoqueiro Fantasma
Reunimos 10 curiosidades infernais sobre o personagem mais macabro da Marvel

Universo Marvel/DC
O escritor Roberto Guedes fala sobre a fábrica de fantasias infantis que criou um visual semelhante ao Homem-Aranha em 1954, oito antes da estreia do personagem

Grandes Sagas DC
Ponto de Ignição, protagonizada por Flash, e a mais polêmica estratégia da editora nas últimas décadas

Heróis BR
Os incríveis trabalhos independentes de artistas nacionais

Etc & Tal
O pesquisador Gelson Weschenfelder fala da relação dos quadrinhos do Superman com as indagações do ponto de vista filosófico

Peneira Pop
As novas velhas ideias da Marvel para chamar a atenção do jovens leitores, os vídeos da internet protagonizando Flash e a cosplayer Toni Darling como Lady Death

DISTRIBUIÇÃO

A Mundo dos Super-Heróis 58 já está nas bancas de todo o Brasil.

VERSÃO DIGITAL

Todo o conteúdo da Mundo dos Super-Heróis está a venda também no site www.europadigital.com.br. Assinantes têm acesso gratuito ao material. Mais informações em www.europanet.com.br/superheroi

Vale o Investimento: Letal Mágico

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Nos anos 1980 surgiram publicações importantes de humor como Chiclete com Banana e Geraldão, que chamavam a atenção com seus quadrinhos de humor escrachado, incômodo e suas críticas ácidas. Revelou ainda artistas do calibre de Laerte, Glauco e Angeli, e marcou toda uma geração de leitores.

Com o passar dos anos essas publicações escassearam até desaparecerem das bancas, ficando restritas aos relançamentos pontuais ou em formato livro. Já no underground, em formato impresso ou digital, quadrinhos nesses moldes continuam sendo produzidos e rendem boas revistas/sites independentes.

É o caso do fanzine impresso Letal Mágico, criação do quadrinhista Gabriel Renner – que reza a lenda, não tem nenhuma ligação parental com a maior rede de varejo de roupas do Brasil.

O zine tem capa colorida, miolo preto e branco e reúne histórias de diferentes personagens. Esse primeiro número trás a história Perecível, HQ premiada no salão de humor carioca em 2005. Além dela, temos um conjunto de tiras sobre as fadas, personagens míticos que, segundo o autor, sofrem por nossa falta de fé no mundo da fantasia e precisam se virar no mundo real. O LM ainda abre espaço para poemas e resenhas de bandas independentes.

O zine chama a atenção por suas qualidades: bem editado, com uma arte caprichada, que emoldura com perfeição os roteiros sacanas. É uma revista que bombardeia o leitor com um humor ácido, inteligente e divertido.

Editado pela editora independente de Renner, a Pinel Comics, o fanzine Letal Mágico custa módicos R$ 4,00 e vale o investimento.

Para adquirir via correio, entre em contato com o criador: pinel.gabriel@gmail.com

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