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Categoria: Peter Parker

Papo de Quadrinho viu: Homem-Aranha – De volta ao lar

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidos nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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O novo Homem-Aranha no cinema criou inúmeros dilemas. O jurídico, dizia respeito à disputa pelos direitos do personagem no cinema. A solução foi um entendimento entre Sony Pictures e Marvel Movies que levou o Homem-Aranha a fazer uma ponta em Capitão América: Guerra Civil (2016).

Superado o entusiasmo e o amplo debate nas redes sociais, o caminho estava aberto para a Marvel Movies adaptar o “novo” Homem-Aranha em um filme solo. Mas como recontar uma história que todos conhecem de cor, e de quebra, inserí-la de forma coesa no rentável e organizado Universo Cinematográfico da Marvel (UCM)?

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Esse foi o desafio do diretor Jon Watts. Sem grandes filmes do gênero no curriculo, Watts encararia as inevitáveis comparações com os bem sucedidos filmes, como Homem-Aranha (2002) do diretor Sam Raimi, (estrelado por Tobey Maguire), bem como os mal sucedidos, como O Espetacular Homem-Aranha (2012) do diretor Marc Webb, (com Andrew Garfield como protagonista).

O resultado é positivo com sobras. Podemos considerar Homem-Aranha – De volta ao lar como o melhor Homem-Aranha já feito até aqui, por várias razões, mas em grande parte, graças ao carismático Peter Parker vivido de forma bilhante por Tom Holland.

Atualização necessária

O filme acerta em atualizar Peter Parker, mas sem esquecer elementos básicos dos quadrinhos, muitos tirados do extinto universo Ultimate. Também acerta em não transformá-lo em um cara descolado, fugindo de sua essência de nerd tímido, talvez um dos maiores pecados dos filmes anteriores.

E felizmente o mais importante, não precisar recontar pela trilhonésima vez sua origem, outro acerto do longa.

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Peter Parker continua um nerd inseguro, embora muito inteligente. Constantemente trollado pela turma da escola e ainda fechado em seu mundo de diversões solitárias, tecnológicas e paixões platônicas.

Porém, é ai que temos o encaixe preciso com o UCM: Peter Parker já estava nele e já havia participado de uma missão com os Vingadores, já tinha ganhado um uniforme desenhado por Tony Stark.

Ao retornar para Nova York depois da luta em Capitão América: Guerra Civil, Parker fica como “estagiário” e enfrenta criminosos da vizinhança sob a supervisão do Homem de Ferro.

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O garoto acredita que pronto para desafios maiores, quando descobre as atividades do Abutre (muito bem feito por Michael Keaton) na cidade, mas perceberá o peso de suas responsabilidades e terá que lidar com perigo real. E neste contexto o Abutre é um vilão com motivações reais, e o mais importante: é um vilão factível,  assustador, não é um vovozinho decrepto de colant verde.

Com um sorriso no rosto ao final

A partir dai – para fugirmos de Spoilers – podemos dizer apenas que temos um filme muito bem dirigido. A narrativa não dá margem para dramas exagerados, nem excesso de piadinhas. Equilibra ação com emoção, enquanto entendemos um pouco o que se passa com o novo Peter Parker.

Acompanhamos seu desafio em dominar seus talentos, potencializados por seu traje-aranha tecnológico e o que é mais importante: sofremos com suas dúvidas entre conciliar uma vida comum e ordinária como estudante, com as responsabilidades e desafios de ser super-herói a altura dos Vingadores.

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Para tranquilizar os especuladores, o Homem de Ferro não interfere demais no filme e ainda garante boas risadas no final.  E por falar em final, há duas cenas extras, não saia da sala mesmo quando a música dos Ramones terminar.

Homem-Aranha – De volta ao lar é um filme redondo, com atuações muito boas e mistura ação e humor na justa medida, repetindo a (inesgotável) fórmula de sucesso dos filmes da Marvel. Além disso, o filme também funciona dentro de um universo maior, mas de forma bem encaixada, sem transtornos.

Deve divertir muito leitores de quadrinhos, (os mais velhos e saudosistas nem tanto…) ou quem for apenas fã do bem sucedido UCM. Mas para todos os público é um convite para sair do cinema com um sorriso no rosto.

Crítica: Homens-Aranha

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O universo Ultimate ou Ultiverso surgiu em 2000 para atualizar a mitologia da Mavel e reformular algumas ideias e conceitos criados ainda na década de 1960. De quebra, pretendia atrair novos leitores, com uma linguagem mais atual e super-heróis recriados neste século. Com erros e acertos, o resultado foi muito positivo.

O Ultiverso emplacou sucessos editoriais como Supremos e Homem-Aranha Ultimate, e suas ideias serviram de base para inúmeros desenhos e filmes da Marvel. Esse novo fôlego deu margem para os roteiristas continuarem arriscando novos caminhos para os personagens já consagrados, sem mexer com a mitologia do universo Marvel conhecido.

Um bom exemplo foi a jogada editorial de alto risco que matou o Peter Parker do Ultiverso, em um evento publicado no Brasil na edição 25 de Marvel Ultimate de julho de 2012 – edição, diga-se de passagem, esgotada no Brasil.

Risco porque uma das características mais interessantes do Ultiverso é de que os super-heróis mortos não retornam, por isso, a morte do Homem-Aranha abriu espaço para novo herói que começou a surgir a partir do número 28 de Marvel Ultimate, com um garoto negro chamado Miles Morales, um dos personagens mais bacanas que surgiram nos últimos anos nas HQs.

Na edição especial Homens-Aranha há um inusitado encontro de Peter Parker, o Homem-Aranha do universo Marvel tradicional (cujo nome é Universo Marvel 616) com o novo Homem-Aranha do Ultiverso, o jovem Miles Morales. É uma HQ divertida, escrita por Bendis e ilustrado pela Sara Pichelli.

Ao perseguir o vilão Mystério – mais estranho do que o habitual – Peter Parker é arremessado acidentalmente em um mundo parecido com o seu, mas com diferenças marcantes. Nesse estranho universo, o Homem-Aranha morreu, revelando ao mundo sua identidade secreta: a versão adolescente de Peter Parker. Agora, seu legado é mantido por um estudante chamado Miles Morales, com um novo uniforme do Amigão da Vizinhança, e as mesmas grandes responsabilidades.
Além do estranhamento inicial entre os “Homens-Aranha” há toda uma carga emocional entre ambos, já que ao ser morto, o Peter Parker adolescente se tornou reverenciado pelos heróis do Ultiverso, principalmente por Morales. Agora, Peter Parker precisa ajudar Morales a encontrar Mystério, derrotá-lo e voltar ao seu lugar.

As comparações divertidas entre os vários super-heróis dos dois universos, os combates, as referências e a camaradagem, dão a tônica da aventura. Ficamos com a sensação de que a HQ serve para que o Peter Parker tradicional dê sua “bênção” ao novo Homem-Aranha do Ultiverso.

É diversão garantida para os fãs do Cabeça de Teia e principalmente para os fãs do novo Homem-Aranha, como esse Editor que vos escreve.

Serviço:

Homens-Aranha (reúne as edições norte-americanas de Spider-Men #1 a #5)
Edição especial, formato americano, 108 páginas, papel LWC, R$ 17,90. Está nas bancas, mas tem distribuição setorizada.

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